Porto de Galinhas recebe 28º edição do Congresso de Cardiologia

Foto ilustrativa – Crédito: Pixaba

A 28º edição do Congresso Pernambucano de Cardiologia vai acontecer em Porto de Galinhas. Este ano, o evento que acontece de 15 a 17 de agosto, reúne cardiologistas do estado no Hotel Armação.

Médicos, estudantes e outros profissionais de saúde vão participar do encontro que contará com debates personalizados, cursos, treinamentos e
apresentações científicas sobre os assuntos mais importantes e as novidades no ramo da cardiologia. 

“Teremos a incorporação de atividades acadêmicas, com um congresso voltado para a graduação, além de inclusão à grade de aulas dos melhores temas enviados, com o objetivo de estimular o conhecimento e análise dos dados científicos locais”, afirma o médico Audes Feitosa. 


ris Farias Nail Spa inaugura nova unidade no Derby

Cris Farias – Créditos: Divulgação

A nail designer pernambucana, Cris Farias, celebrou a inauguração do seu novo espaço na Galeria Derby Center, nesta quarta-feira (14).

Dentre os serviços disponíveis no Cris Farias Nail Spa estão podologia, manicure e pedicure, massagem relaxante e spa de pés e mãos, além das unhas de gel, o carro-chefe do local.

A decoração do abre ficou por conta de Amalia Paz e os convidados serão recebidos com o Guter Buffet e Recife Drinks.

A primeira unidade do Cris Farias Nail Spa  está localizada no bairro do Espinheiro e existe há quatro anos.


3º Encontro Brasil & EUA de Autismo acontece no Recife

Teatro RioMar – Créditos: Divulgação

Recife sedia o 3º Encontro Brasil & EUA de Autismo. A iniciativa da Associação de Famílias para o Bem-Estar e Tratamento da Pessoa com Autismo – AFETO, acontece de 15 a 17 de agosto, no Shopping RioMar.

O evento busca difundir as intervenções baseadas na ciência Análise do Comportamento Aplicada entre os alunos e profissionais de Recife e de todo o Brasil.

Haverá a participação de grandes profissionais reconhecidos tanto nacionalmente quanto internacionalmente, que atuam em diferentes áreas. As inscrições podem ser feitas pela internet. 


Os lucros bilionários dos bancos

Crédito: sxc.hu/Divulgação

Enquanto a Febraban insiste em lançar a segunda edição do livro que pretende ensinar o que os poderes públicos devem fazer para que os bancos cobrem menos juros, os quatro maiores bancos de capital aberto no país – Bradesco, Banco do Brasil, Itaú e Santander – no segundo trimestre do ano, se somados seus resultados, teriam lucro de R$ 20,4 bilhões.

É o maior resultado desse o início da série histórica, no fim de 2009.


Agrinordeste no Recife será 33% maior este ano

A 27ª edição do evento, que é o mais importante do agronegócio do Norte e Nordeste, será realizada de 24 a 26 de setembro no Centro de Convenções de Pernambuco

Pio Guerra, presidente da Faepe

Maior evento indoor do agronegócio do Norte e Nordeste do Brasil, o Agrinordeste de 2019 já tem data para acontecer: 24 a 26 de setembro. A 27ª edição, a ser realizada no pavilhão de eventos do Centro de Convenções de Pernambuco, vai reunir espaços para seminários, feiras e palestras sobre as principais atividades agropecuárias da Região.

O evento ocupará uma área de mais de nove mil metros quadrados (m²), revelando um crescimento de 33% em relação ao ano passado. Organizado pela Federação da Agricultura do Estado de Pernambuco (Faepe), o Agrinordeste deve receber um público de 42 mil visitantes de diversos estados do Brasil, 10 mil a mais que em 2018.

O evento, com entrada gratuita, vai ter 290 estandes, 40 a mais que a edição anterior. De acordo com o presidente da Faepe, Pio Guerra, o Agrinordeste é plural.

“É uma feira diversa, que apresenta atividades e comercializa produtos de várias áreas do agronegócio, como fruticultura, apicultura e cana-de-açúcar. Tem informações mercadológicas, científicas, além de capacitação. Tudo para que o visitante aproveite ao máximo”, contou Guerra, ao complementar que serão realizadas cerca de 110 palestras.

Em relação aos espaços, os visitantes poderão acessar a Arena Agrinordeste, que contará com o Show de Lácteos, Show de Churrasco, apresentação de pets, entre outros. Também será montado um conjunto de estandes de confecções do Agreste de Pernambuco, com produtos de moda, calçados, acessórios.

Haverá ainda estandes com comidas do campo, além de 50 estandes de cooperativas e associações do Brasil para exposição das suas mercadorias e feira de produtos da cana-de-açúcar. “Queremos atrair pessoas de vários estados do Brasil para que elas conheçam a diversificação das atividades agropecuárias”, comentou Guerra.

Para participar das atividades, os visitantes podem se inscrever no site do Agrinordeste.

A entrada é gratuita. O horário de funcionamento do evento é das 9h às 21h – das 9h às 11h começam os seminários e depois a feira é aberta ao público.

O Agrinordeste conta com o apoio do Sebrae Pernambuco, Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Senar, Banco do Nordeste, Empetur, Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Folha de Pernambuco


Lia de Itamaracá vai receber o título de Doutora Honoris Causa pela UFPE

Lia de Itamaracá – Créditos: Tarcísio Augusto.

A cirandeira Lia de Itamaracá vai receber o título de Doutora Honoris Causa. O Conselho Universitário (Consuni) da UFPE, reunido na sexta-feira (9), aprovou a proposta. 

O título é concedido por universidades a personalidades que, de alguma forma, contribuam, ou tenham contribuído, para o progresso da universidade, da região ou do país, ou que se distinguiram em virtude de atuação a favor das ciências, das letras, das artes ou da cultura em geral. 

Maria Madalena Correia do Nascimento é cantora, compositora, dançarina, brincante e cirandeira, sendo patrimônio vivo da cultura pernambucana.

“Ela colocou a democrática ciranda, uma dança circular, dançada ao som das ondas da Ilha de Itamaracá, no roteiro turístico e cultural do Estado de Pernambuco e do Brasil sendo reconhecida internacionalmente”, diz a proposta aprovada. 

A solenidade de entrega do título ainda não tem data definida.


Luggo chega com pé direito no mercado de locação de imóveis

Com cinco meses no mercado, a startup Luggo já comemora o sucesso de seu primeiro empreendimento. Localizado em Belo Horizonte (MG), o Luggo Cipreste foi alugado em tempo recorde, o que confirma o grande potencial deste tipo de produto. O empreendimento, que conta com 116 unidades, alcançou uma ocupação de 100%. Pertencente ao grupo MRV, a startup tem o objetivo de ser uma solução de moradia adequada ao momento de vida do cliente, aqueles que não tem interesse ou condições de comprar um imóvel agora.

Os empreendimentos oferecidos pela Luggo são exclusivamente para locação e, além de agilidade do processo que é feita digitalmente, sem fiador e com a possibilidade de mudança em 24 horas, contam com diferenciais como a localidade, sempre próxima aos grandes centros comerciais, e itens e serviços para facilitar a vida do locatário. O condomínio Luggo Cipreste, por exemplo, possui academia, lavanderia compartilhada, espaço gourmet, salão de festas, concierge (síndico profissional), sistema completo de segurança e energia solar fotovoltaica para atender as áreas comuns. Os apartamentos têm armários planejados, luminárias e box blindex.

“Ainda, podemos oferecer futuramente, à medida que o projeto avançar, por exemplo, alguns serviços de uso coletivo, como limpeza, internet e manutenção. Este ano a previsão é de lançarmos outros três empreendimentos com foco em locação, dois em Curitiba e um em Campinas”, conta Rodrigo Resende, diretor de Novos Negócios e Marketing da construtora.


Com a chegada da Azul, M&E compara preços de Ponte Aérea

Pedro Menezes
Por Pedro Menezes
Nova divisão de oferta no Aeroporto de Congonhas foi definida nesta quarta-feira (31), com a redistribuição dos slots deixados pela Avianca Brasil.

Como a Gol não estará operando voos durante as obras do Santos Dumont, não foi possível fazer um comparativo entre as três companhias no dia da estreia da Azul na Ponte Aérea

A Azul anunciou nessa segunda-feira (12) de forma oficial sua entrada na Ponte Aérea com voos entre os aeroportos de Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio de Janeiro. As operações começam no dia 29 de agosto já em meio as obras da pista principal do SDU, que começaram seis dias antes.

O M&E aproveitou a oportunidade para fazer um rápido comparativo de preços em duas datas selecionadas (entre sexta e domingo): de 27 a 29 de setembro e de 25 a 27 de outubro.

Como a Gol não estará operando voos durante as obras do SDU, não foi possível fazer um comparativo entre as três companhias no dia da estreia da Azul na Ponte Aérea. No entanto, em outras duas datas selecionadas pela nossa reportagem, os preços estão bem próximos.

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Voos selecionados entre os dias 25 e 27 de outubro

No período de 25 a 27 de outubro, por exemplo, a passagem mais barata do dia 25 sai por R$ 150,75, em voo operado pela Latam. A Gol cobra R$ 151,85 e a Azul cobra R$ 228,75 para a mesma sexta.

No voo de volta (27 de outubro – domingo), o voo mais barato é o da Azul (R$ 132,85), seguido pelo da Gol (R$ 165,85) e pela Latam (R$ 332,75). Outra data selecionada pela nossa reportagem englobou os dias 25 e 27 de setembro (também uma sexta-feira e um domingo).

Neste caso, o voo mais barato para sair de Santos Dumont na sexta-feira (25) é o da Latam (R$ 176,35), seguido pelo da Azul (R$ 228,75) e Gol (R$ 229,85). Já o voo da volta (domingo – dia 27 de setembro), o voo mais barato da Ponte Aérea é o da Azul (R$ 468,75), seguido pelo da Latam (R$ 526,85) e Gol (R$ 890,85).

por M&E


Conferência de Joaquim Falcão abre a programação da 12ª Semana do Patrimônio Cultural

Conferência de Joaquim Falcão abre a programação da 12ª Semana do Patrimônio Cultural

Sob o tema “Futuros Possíveis: o Patrimônio Imaterial de Pernambuco”, o professor Joaquim de Arruda Falcão fez um passeio pela história recente da preservação do legado histórico e cultural brasileiro. O evento, que terá atividades durante todo o mês de agosto, foi encerrado com apresentação da Confraria do Rosário (Floresta)

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Antes da conferência, Joaquim de Arruda Falcão recebeu homenagem de Gilberto Freyre Neto e Marcelo Canuto

Começou, nesta segunda-feira (12/8), a 12ª Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, com a conferência “Futuros Possíveis: o Patrimônio Imaterial de Pernambuco”, comandada pelo professor e membro da Academia Brasileira de Letras Joaquim de Arruda Falcão, uma referência no assunto, no Museu do Cais do Sertão. Com um passeio pela história recente da preservação do legado histórico e cultural do Brasil, o jurista apontou o Estado de Pernambuco como destaque na produção e preservação do patrimônio e sugeriu ainda que os livros “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto, e “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freyre, lado a lado, fossem os primeiros livros tombados como Patrimônio Imaterial do Brasil. A Semana do Patrimônio continua nesta terça-feira (13) com visitas guiadas, exibição de filme e mesas redondas até a noite. A programação completa pode ser acessada aqui.

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Tribuna de Honra da abertura da 12ª Semana do Patrimônio de Pernambuco

“Em matéria de Patrimônio Imaterial, Pernambuco sempre saiu na frente. Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro podem ter se consolidado em patrimônio material. Mas, se tratando de imaterial, Pernambuco sempre esteve na vanguarda”, afirmou o conferencista, que recebeu das mãos do secretário de Cultura do Estado, Gilberto Freyre Neto, e presidente da Fundarpe, Marcelo Canuto, uma placa de homenagem pela participação na abertura da Semana do Patrimônio.

Joaquim de Arruda Falcão, que foi quem propôs o uso dos termos patrimônio material e imaterial durante a elaboração da Constituição Federal de 1988, lembrou da atuação de Aloísio Magalhães e Marco Vilaça e destacou a relevância da sociedade para a preservação dos bens culturais do País, com atenção à natureza miscigenada do Brasil. “A comunidade é quem melhor protege seu patrimônio, dizia Aluísio Magalhães. A cultura do Brasil é somatória, não eliminatória. O saber popular se dá bem com o saber elitista, formal”, lembrou o conferencista.

O secretário também ressaltou o caráter social do patrimônio. “A nossa batalha para preservar o patrimônio não é só para que a gente usufrua do seu legado, mas para que todos os que vão nos suceder também possa desfrutar dele. É uma responsabilidade imensa”, disse. “A sociedade só vai preservar o que interessa. Não adianta investir energia em algo em que não há sentimento de pertença. É por isso que essa discussão é importante. O desafio constante é fazer com que a sociedade participe”, ressaltou o gestor.

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Jan Ribeiro/Secult-PE/Fundarpe

Confraria do Rosário de Floresta encerrou o evento de abertura

Marcelo Canuto chamou a atenção para o aumento significativo de municípios parceiros da Semana do Patrimônio este ano, que mais que dobrou. “Temos em 2019 uma participação expressiva, com 30 municípios. É uma grande vitória e mostra o alcance de nossas políticas de preservação”.

Na tribuna de honra da abertura, estavam ainda a secretária de Cultura do Recife, Leda Alves, a superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Pernambuco (Iphan-PE), Renata Duarte Borba, e o comandante da 7ª Região Militar, o general Pedro Paulo Braga.

Leda Alves apontou o caráter político da cultura. “Devemos nos preocupar com nossas crianças e entregar a elas o nosso patrimônio cultural e histórico”. Renata Duarte Borba falou que “para falar sobre o patrimônio, é preciso lidar com uma imensa variedade de pessoas. Aqui eu vejo padre, militares, representantes do patrimônio material e imaterial, por exemplo”. O general pontuou imóveis militares que são patrimônio do Estado e a importância dele para nossa sociedade. “Temos o Forte do Brum, por exemplo, que é um espaço importante para Pernambuco”.


Indígenas da aldeia Itakupe constroem lagos para voltar a pescar

Juntos, o permacultor Adriano Sampaio e a comunidade indígena Itakupe recuperaram o fluxo de água da nascente de um rio na maior metrópole brasileira.

O lago Itakupe já recebeu peixes de sete espécies. Foto: Camila Doretto

Por Camila Doretto

Durante um ano e dois meses cavando a terra com as mãos, o povo Guarani-Mbya da aldeia Itakupe (atrás da pedra), localizada atrás do Pico do Jaraguá, zona norte de São Paulo, traz de volta à vida o fluxo de uma das nascentes de água da região que dá origem ao Rio Ribeirão Manguinho. O caminho que a água fazia até então estava assoreado por conta do desmatamento provocado pelos juruás (homens brancos) que plantaram eucalipto antes dos Guarani retomarem a terra.

Além de terem recuperado o caminho da água, os Guarani de Itakupe construíram três lagos; em um deles foram introduzidas sete espécies de peixes que vão garantir a subsistência dos moradores da aldeia. A proposta é chegar até dez espécies, sempre priorizando as que já faziam parte do ecossistema local.

O projeto de construção dos lagos surgiu a partir do encontro com o permacultor e ativista ambiental Adriano Sampaio, que estuda e mapeia os rios de São Paulo. Ele é responsável pela criação do “Existe Água em SP”, uma iniciativa que tem como finalidade chamar a atenção para a situação dos rios e das nascentes da cidade.

Além de um dos lagos na aldeia ter se tornado fonte de alimento, a iniciativa traz também esperança para um povo originário que vive pressionado pelo crescimento urbano. “A inauguração desses primeiros lagos é a concretização do sonho de toda uma comunidade. Água é vida”, diz Geni Macena, líder da aldeia.

Crianças da aldeia e Adriano olhando o lago Itakupe | Foto: Camila Doretto

Acompanhar o renascimento da vida na floresta através de um curso d’água tem significado relevante para quem carrega na memória uma relação ancestral de conexão e cuidado com a natureza. Para os Guarani-Mbya, todos os seres que habitam este mundo têm algum espírito-dono que zela por eles, inclusive a água. “A água da nascente ajuda a fortalecer o nosso interior. Ela é viva e tem espírito”, diz Pedro Macena, líder espiritual da aldeia Itakupe.

Os rios são como veias e artérias do nosso corpo

Quando o permacultor e ativista ambiental Adriano Sampaio chegou na aldeia, em 2015, foi convidado por Ari, o cacique da época, a conhecer o rio que estava assoreado. O acúmulo de matéria orgânica que sufocava o caminho da água era resultado da plantação de eucaliptos feita pelo juruá (homem branco).

O assoreamento acontece quando a cobertura vegetal natural é retirada e o solo e as rochas que estão nas margens são carregados para o fundo do curso d’água, principalmente no período de chuvas. E apesar da situação do rio ser preocupante na ocasião da primeira visita, a nascente ainda estava viva e o cacique havia garantido a Adriano que seria possível recuperar seu fluxo.

Como a relação do permacultor com a água e com a recuperação de nascentes é antiga, ele mergulhou nessa parceria e a partir de janeiro de 2018 passou a ir todos os dias da semana para a aldeia. “Esse trabalho de recuperar os recursos naturais deveria ser feito em toda a cidade de São Paulo”, diz Adriano. “Os rios são como veias e artérias do nosso corpo e a gente precisa deles pra viver. Hoje, fazemos um mal uso da água e por isso essa fonte de vida corre sérios riscos de se esgotar. É nosso dever regenerar os recursos naturais da cidade”, completa.

O renascimento dos lagos

Como Adriano Sampaio já convivia com os Guarani Mbya de Itakupe desde 2015, ele já havia se conectado com uma sabedoria ancestral dos povos indígenas que diz muito sobre como lidar com a natureza. Por isso, trabalhar com as mãos e respeitar o fluxo natural da água eram objetivos primordiais dos esforços pela recuperação da nascente. O modo de trabalho foi predominantemente artesanal: 20% na enxada e 80% na mão.

“Quando começamos a mexer com a terra, primeiro usamos a enxada pra tirar a matéria orgânica que estava acumulada na camada superior. Depois, quando chegamos na argila, passamos a usar a técnica ancestral dos Guarani de trabalhar com as mãos. Conforme tirávamos a argila, a usávamos para construir uma barragem que tem como função impedir o assoreamento do lago que abriga os peixes. Trabalhar dessa maneira possibilitou que observássemos o trajeto da água e a partir daí, pudéssemos seguir o caminho natural do rio”, conta Adriano.

  • “Conforme tirávamos a argila, a usávamos para construir uma barragem”. Foto: Existe Água em SP
  • Adriano, índios da aldeia e voluntários trabalhando na construção dos lagos. Foto: Existe Água em SP
  • O modo de trabalho foi predominantemente artesanal: 20% na enxada e 80% na mão. Foto: Existe Água em SP

Até agora, foram construídos três lagos. O primeiro deles, que fica na parte mais alta, tem como função conter o assoreamento. O segundo lago é o responsável pela reprodução dos peixes, onde os indígenas vão voltar a pescar. E o terceiro, ainda em construção, é o lago onde que todos poderão nadar e aproveitar a água que, graças à presença dos Guarani, ainda corre limpa pela terra.

“Mas o trabalho não terminou”, ressalta Geni Macena, líder de Itakupe. O objetivo de Adriano Sampaio e dos Guarani-Mbya do Jaraguá é continuar construindo lagos até que tenham peixe suficiente para a subsistência das seis aldeias que fazem parte do Território Indígena. “Daqui a 3 ou 4 anos, pretendemos ter um complexo de lagos que vai oferecer peixe pra todo mundo. E além de trazermos de volta o costume tradicional da pesca e garantirmos alimento, estamos resgatando algo muito maior. Ao recuperarmos a natureza original, acreditamos que os pássaros podem voltar a voar por aqui, assim como vários outros animais”, destaca Adriano.

Adriano, a água e a ancestralidade Guarani

Adriano Sampaio e os Guarani-Mbya de Itakupe se encontram num sonho compartilhado e numa relação com a água que já existe de longa data.

O rio mais antigo na memória de Adriano vem da infância. “Minha família é da Chapada Diamantina, meu avô é pescador e desde pequeno eu costumava passar férias lá. Na frente da casa do meu avô passava o Rio do Ouro. Uma vez, aos 8 anos de idade, eu peguei aquelas redinhas de embalar limão e laranja e, querendo imitar meu avô, fui até o rio. Armei minha pequena rede e fui embora. Quando voltei, encontrei dois lambaris e uma traíra”, relata.

Apesar do sucesso com a pescaria, nem tudo correu bem. A água estava contaminada e Adriano teve esquistossomose. Se o olhar cuidadoso para a água nasce ou não a partir dessa experiência, o que mais importa é que essa relação desencadeou uma vida dedicada à revitalização de nascentes e rios e que fez brotar o primeiro projeto, a iniciativa “Existe Água em SP”.

  • O projeto na aldeia surgiu a partir do encontro com o permacultor Adriano Sampaio. Foto: Camila Doretto
  • Sampaio já criou mais de 15 lagos com nascentes. Foto: Camila Doretto

O trabalho de investigação sobre os rios que correm por debaixo da capital paulista já fez o permacultor descobrir mais de cem nascentes e construir quinze lagos. “Eu olho o mapa, escolho uma bacia hidrográfica dos mais de 300 rios da cidade e sigo o percurso da água até encontrar a nascente. Quando eu a encontro, faço um vídeo descrevendo o local, converso com moradores antigos pra saber qual a relação deles com aquele rio no passado e, se possível, faço uma intervenção”, conta Adriano.

“O que eu quero é que esse trabalho de identificação e recuperação de nascentes vire política pública. Precisamos reverter a lógica de que é preciso canalizar rios e, por isso, buscar água longe da cidade. Se temos tanta água acessível na zona urbana, por que precisamos ir tão longe? Além de gerarmos um custo muito alto, essas obras provocam grandes impactos na natureza e na vida de todos”, defende.

Os Guarani-Mbya de Itakupe e Adriano Sampaio esperam que as pessoas da cidade se interessem por essa experiência e se aproximem da aldeia para que a troca de conhecimento seja um processo harmônico em defesa da vida. Por isso, o convite para conhecer de perto essa iniciativa está aberto à população.

  • Pedro Macena, líder espiritual da aldeia. Foto: Camila Doretto
  • O lago Itakupe já recebeu peixes de sete espécies. Foto: Camila Doretto
  • Karai Popygua, de 11 anos, vai poder nadar e pescar nos lagos de sua aldeia. Foto: Camila Doretto
  • A aldeia Itakupe fica localizada atrás do Pico do Jaraguá, zona norte de São Paulo. Foto: Camila Doretto

Aldeia Itakupe

Av. Chica Luiza, 1041 – Jaraguá – São Paulo – SP | CEP: 05183-270

Para agendar visitas, entre em contato:

Líder espiritual Pedro Macena: (11) 963 914 229

Líder Geni Macena: (11) 930 230 795

Ciclo Vivo https://ciclovivo.com.br/mao-na-massa/permacultura/indigenas-da-aldeia-itakupe-constroem-lagos-para-voltar-a-pescar/


Porto Digital e Fundação Dom Cabral lançam especialização

O Porto Digital e Fundação Dom Cabral acabam de lançar a especialização “Gestão & Transformação Digital”. O programa de pós-graduação é especialmente voltado para executivos do parque. As trilhas de desenvolvimento abordadas ao longo do programa são nas áreas gerencial, de pessoas, específica, design estratégico para transformação digital e projetos aplicados. Com aulas no Apolo 235, a especialização “Gestão & Transformação Digital” tem duração de 24 meses e com atividades nas sextas e sábados.

A Fundação Dom Cabral está entre as 10 melhores escolas de negócios do mundo, segundo o Financial Times.

Especialização em Gestão & Transformação Digital
Início: setembro de 2019
Duração: 24 meses
Inscrições e mais informações: (81) 3419.8014 | qualificacao@portodigital.org
Saiba mais: http://bit.ly/PD_FDC


Mais Vida nos Morros concorre ao Prêmio de Gestão Municipal da CNM

Foto: Andrea Rego Barros/PCR

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) anunciou as 30 iniciativas pré-finalistas do Prêmio MuniCiência – Municípios Inovadores, ciclo 2019-2020. Todas as regiões do país participam da disputa, conforme o previsto no regulamento. Entre os estados com maior número de representantes estão Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo. A Prefeitura do Recife é representado na lista pelo programa Mais Vida nos Morros, que é coordenado pela Secretaria de Inovação Urbana.

De Pernambuco, concorrem ainda ao prêmio Programa Controlador Mirim, de São Lourenço da Mata (na categoria de médio porte) e o Projeto resgatando a cidadania através da destinação correta do nosso lixo, da Prefeitura  Santa Cruz da Baixa Verde (na categoria de municípios de pequeno porte).

O Prêmio MuniCiência está na terceira edição e desta vez teve 235 inscrições (homologadas), entre consórcios municipais e Prefeituras. A proposta é identificar, reconhecer e compartilhar iniciativas municipais inovadoras e transformadoras, com impactos positivos na administração pública e para a sociedade. Iniciativas de todas as regiões do país foram selecionadas para a próxima fase.


Compesa amplia abastecimento de Sertânia com água do Rio São Francisco

compesa

Uma nova obra está sendo executada pelo Governo do Estado, por meio da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), para ampliar o abastecimento de água da cidade de Sertânia, no Sertão, com águas da Transposição do Rio São Francisco. As obras estão em ritmo acelerado e a expectativa do presidente da companhia, Roberto Tavares, é cumprir o cronograma sugerido pelo governador Paulo Câmara para que o empreendimento seja entregue à população em novembro deste ano.

A cidade hoje é atendida em regime de rodizio que prevê três dias com água e 12 dias sem. “Com a ampliação do Sistema Produtor do Açude da Barra, localizado no distrito de mesmo nome em Sertânia, teremos condições de aumentar em 70% a retirada de água do Canal da Transposição, deixando a cidade de Sertânia com a distribuição de água diária, sem interrupção do fornecimento”, destaca o Gerente de Unidade de Négócios da Compesa, Denis Mendes.

O  Açude da Barra tem a capacidade de  acumular 2,8 milhões de metros cúbicos de água e já contribui com o abastecimento de água da cidade de Sertânia, no entanto, a vazão não é suficiente para retirar a cidade do rodízio na distribuição. O investimento autorizado pelo governador Paulo Câmara foi de R$ 5,3 milhões, recursos necessários para a execução da obra de ampliação da captação de água.

O projeto consiste na implantação de uma adutora de quatro quilômetros de extensão, implantação de uma nova Estação de Tratamento de Água (ETA móvel de fibra) que terá capacidade para tratar 40 litros de água, por segundo, além de uma estação de bombeamento. Se somar esse novo sistema ao que já opera na cidade, serão fornecidos 80 litros de água, por segundo, possibilitando uma melhoria da oferta de água para os cerca de 20 mil habitantes.

Na área rural do município, a Compesa também está executando outra obra para atender os quatro mil moradores do distrito de Rio da Barra e das comunidades rurais de Barreiros, Cacimbinha, Maia, Salgadinho, Salgado, Santa Maria, São Gonçalo, Waldemar Siqueira e Xique-Xique. A obra de implantação do sistema de abastecimento d´água está em andamento e o investimento é de R$ 3,8  milhões.

A obra prevê uma captação direta no canal da Transposição do Rio São Francisco. Os serviços incluem uma Estação de Tratamento de Água, duas estações elevatórias (de bombeamento), dois reservatórios com capacidade de armazenar 100 metros cúbicos, implantação de 17 quilômetros de adutora e 13 quilômetros de rede de distribuição. A previsão é que essa obra seja concluída em abril do próximo ano.


Iphan diz que área do Porto Novo Recife não é passível de análise pelo órgão

Porto Novo Recife/Divulgação
Porto Novo Recife/Divulgação

Nesta segunda-feira (12), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) se posicionou sobre a disputa judicial relacionada à área dos armazéns 16 e 17, no Cais de Santa Rita, bairro de São José, centro do Recife. O Iphan explicou que não analisou o projeto da área pois o local não está dentro do polígono de entorno dos bens protegidos em nível federal do bairro.

Em decisão recente, a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) considerou lícita a aprovação do projeto para construção de um centro de convenções e de um hotel, nos antigos armazéns 16 e 17 do Porto do Recife, no bairro de São José, no Recife.

Os advogados do grupo Excelsior, que faz parte do projeto, afirmaram que vão aguardar os prazos legais para se pronunciarem dentro do processo.

Recursos

O Ministério Público Federal (MPF) na 5ª Região entrou com recursos no STJ e no STF na última sexta-feira, 9 de agosto.  Na avaliação do MP, o projeto foi aprovado sem que antes tivesse ocorrido o estudo histórico da área por parte do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Para tentar reverter a decisão, o MPF entrou com o Recurso Especial, direcionado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), e o Recurso Extraordinário, destinado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Mas, para seguirem para as instâncias superiores, precisam ser admitidos pelo vice-presidente do TRF5, desembargador federal Rubens Canuto.

O procurador regional da República Domingos Sávio Tenório de Amorim, responsável pelo caso na segunda instância, requer que o município do Recife não conceda licença para a construção do empreendimento planejado pela empresa Porto Novo Recife sem que o Iphan realize estudo técnico da área.

Na decisão, o TRF5 considerou que a intervenção do Iphan seria desnecessária em relação ao projeto, pois o empreendimento não seria executado dentro da área de proteção traçada pela autarquia em relação a bens tombados.

O MPF argumentou que o referido empreendimento abrange uma área vizinha a bens tombados, passível de ampliação de tombamento e que é preciso proteger a visibilidade e o patrimônio cultural daquela região.

Ação desde 2017

Em 2017, a Procuradoria da República em Pernambuco (PRPE), que atua perante a primeira instância do Judiciário Federal, ajuizou ação civil pública contra o Iphan, a empresa Porto Novo Recife e o município do Recife.

Na época, o Iphan estava se recusando a realizar a análise técnica do projeto, alegando que o empreendimento estava fora da área de entorno dos bens tombados.

Na sentença, a Justiça Federal determinou que o Iphan realizasse o estudo técnico da área; que o município do Recife não aprovasse qualquer projeto ou concedesse autorização ou licença para construção no local sem prévia aprovação da autarquia; e que, caso a obra tenha sido iniciada ou edificada no decorrer do processo sem a referida autorização, deveria ser demolida. A empresa Porto Novo Recife, o município do Recife e o Iphan recorreram da decisão ao TRF5, que acatou o recurso.


Pernambuco vai abrigar condomínio de cervejas artesanais

Com investimento de R$ 5 milhões, Pernambuco vai receber fábrica que produzirá as “brejas” das associadas de outros Estados. Corte de custos é vantagem

Leonardo Lamartine, diretor regional Nordeste da ABF

Pernambuco vai receber um modelo inédito de franquias no setor de cerveja artesanal, que será inaugurado no Brasil. Juntamente com outros quatro estados, a empresa MBF implantará um condomínio que vai abrigar fábricas de produção de cervejas artesanais.

A de Pernambuco – que por ainda estar em fase de implantação, não tem nome – estará localizada no município de Igarassu e receberá investimento de R$ 5 milhões. Com uma área de três hectares, a construção já foi iniciada e deve entrar em operação daqui a nove meses.

Através do modelo, cada rótulo de cerveja será produzido por todas as fábricas do grupo. “O projeto funciona como um condomínio de fábricas em que todas elas produzirão as cervejas de todas. Já contamos com quatro fábricas e 22 rótulos.

Mas a pretensão é chegar a 10 fábricas e mais de 500 rótulos a serem produzidos”, explica o organizador da MBF e diretor regional Nordeste da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Leonardo Lamartine. Atualmente, já estão confirmados no modelo a fábrica Alles Blau, de Santa Catarina, a Alpner, do Mato Grosso, e mais duas que estão em processo de implantação ainda sem nome, a de Pernambuco e outra na Bahia.

O negócio chamado de Business to Business facilita a logística e a redução tributária para as indústrias. “Quando uma fábrica produz a partir de 25 mil litros por mês, fica difícil de exportar para outros estados por causa da alta carga de ICMS, além da logística do transporte. Então, com esse novo modelo, com todas elas fabricando todos os rótulos, haverá redução de impostos em quase 80% porque a produção será dividida e não precisará exportar para tantos estados”, diz Lamartine.

Os proprietários que estão instalando a fábrica em Pernambuco são os mesmos da Alpner. A produção em Igarassu começará com 10 mil litros por mês de cerveja, com capacidade para crescer até 50 mil litros por mês. Se necessário, a indústria também poderá expandir sua área para maiores fabricações. Serão gerados 45 empregos diretos, ainda a serem selecionados. “É um projeto nascido em Pernambuco e por isso seria importante ter uma fábrica aqui. Acreditamos no potencial do Estado”, disse Lamartine. Atualmente, Pernambuco tem 18 fábricas de cerveja artesanal. No Brasil, são 1.000 fábricas.

Pelo modelo a ser implantado, haverá também seis formatos de franquias em que as fábricas poderão oferecer: beach beer, bike beer, quiosque, pub, truck e brewpub. “Toda fábrica terá as mesmas opções de categorização de franquias. Pode ser por carrinhos na praia, vendas em quiosque e outras opções”, disse Lamartine.


Projeto de conservação restaura fachada de casarão centenário em Olinda

Para fazer a restauração, equipe precisou estudar os azulejos e identificar as influências de cada detalhe da fachada

Casarão tornou-se sede da Sociedade Beneficente de Artistas e Operários de Olinda em 1944  / Foto: Filipe Jordão/ JC Imagem
Casarão tornou-se sede da Sociedade Beneficente de Artistas e Operários de Olinda em 1944Foto: Filipe Jordão/ JC ImagemCidades

Desde a fachada até o interior, os detalhes entregam a presença do tempo. Os azulejos da entrada são franceses e mesmo quem não entende de arquitetura percebe que eles carregam décadas de história. Assim como as janelas – todas em madeira – e os ornatos da arquitetura, criados com total influência portuguesa. O casarão, localizado no Sítio Histórico de Olinda, é datado do século XX e desde 1944 tornou-se sede da Sociedade Beneficente de Artistas e Operários de Olinda (SBAOO). Completando 110 anos neste mês, a associação ganhou um presente e tanto: o casarão está passando por obras de conservação e restauração da fachada icônica. No entanto, enquanto comemoram a preservação do prédio, integrantes lamentam a paralisação das atividades da Sociedade pela falta de convênios.

O grande salão do térreo, hoje repleto de materiais para a restauração das peças, já foi utilizado para cursos e workshops. Desde sua criação, em 1909, a SBAOO atua na profissionalização dos moradores para a geração de renda. As atividades, entretanto, foram interrompidas por falta de convênios para a disponibilização de material e professores. “Tínhamos convênio com a prefeitura desde o início das nossas atividades. Este ano as coisas mudaram e agora estamos procurando parceria com outras entidades e até profissionais que se disponibilizem a ministrar os cursos de forma gratuita. O que nós queremos é ajudar as pessoas e fazer com que elas se sintam úteis, ainda mais em um período de tanto desemprego”, pontua o vice-presidente da SBAOO, Cláudio Marques. No espaço, doado à Sociedade em 1944 pelo então governador do Estado, Agamenon Magalhães, eram ministrados cursos de corte e costura, confeitaria, macramê e produção de peças íntimas. Segundo a Secretaria de Patrimônio, Cultura, Turismo e Desenvolvimento Econômico de Olinda, o convênio não foi renovado por falta de documentação por parte da Sociedade.

Restauração

A ideia de restaurar a fachada surgiu de duas restauradoras da Estúdio Sarasá, a arquiteta Magda Rosa e a gestora cultural Flávia Sutelo, com o propósito de preservar um dos últimos exemplares da arquitetura civil – casas com azulejos nas fachadas – de Olinda. O projeto foi montado e submetido a um edital do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura PE), que está financiando parte dos custos. As atividades começaram em julho e abrangem todos os elementos que formam a fachada do antigo casarão. “Viemos para Olinda e esse sobrado nos chamou atenção pela particularidade da azulejaria, assim como sua qualidade técnica e a beleza dos azulejos. A tradição das SBAOO com as artes e os ofícios casa muito com a essência do trabalho de restauração que é preservar os saberes e fazeres passados”, conta Flávia Sutelo.

A frente do sobrado carrega uma mistura de referências. São 48m² de azulejos franceses datados do final do século XIX estampando o prédio de ornatos da região do Porto. Esculturas de santos e pinhas também portugueses complementavam a fachada, mas precisaram ser retirados após uma onda de furtos no Sítio Histórico. Os trabalhos de restauração incluem os revestimentos, portas e janelas, gradis das varandas, as peças que as enfeitavam e a reestruturação do sistema de escorrimento da água, que foi identificado como um dos fatores que danificou a azulejaria ao longo das décadas. O orçamento total é de R$ 231.978,20.

“Nosso trabalho visa conservar ao máximo as peças. Fazemos o trabalho de manutenção com a menor intervenção possível”, explica a arquiteta Magda Rosa. A primeira etapa do projeto está sendo a restauração das portas e janelas. Depois, mais próximo do verão, será a vez de trabalhar os azulejos. Segundo Magda, cada um deles é trabalhado para a retirada do excesso de material colante, limpeza e restauração das laterais e desenhos. A mesma estampa de azulejo também pode ser vista em um imóvel antigo na Avenida Martins de Barros, no Recife.

A aposentada Alice Almeida, de 81 anos, mora no Sítio Histórico e tem uma relação antiga com a SBAOO. Lá, ela já fez cursos de bordado, macramê e pintura. Apesar de não utilizar as técnicas para a geração de renda, ela reconhece a importância dos cursos para os olindenses. “As turmas eram enormes e até hoje as pessoas que sabem que eu participava me perguntam se ainda vai ter. Isso ajudou muita gente que estava desempregada, é muito lucrativo. A gente ficou triste porque os cursos acabaram mas estamos felizes pelo prédio estar sendo conservado. Ele faz parte da história do Sìtio Histórico e precisa ser mantido”, diz.

Sob a coordenação de Magda e Flávia, uma equipe de funcionários olindenses foi contratada para a restauração das peças. O trabalho deve durar oito meses e a expectativa é que fique pronto antes do carnaval.

Semana do Patrimônio

Moradores e interessados em entender um pouco mais sobre o processo de preservação e restauração deste e outros casarões do Sítio Histórico de Olinda poderão participar de uma manhã de palestras no sobrado da SBAOO no próximo dia 21, a partir das 9h30. À tarde, poderão ser feitas visitas à obra acompanhadas pelas restauradoras Magda Rosa e Flávia Sutelo. As atividades fazem parte de um extenso cronograma em comemoração à 12ª Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, celebrada em várias cidades do Estado. 

O tema da Semana deste ano é “Territórios Educativos e Culturais: diálogos possíveis”. O objetivo da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) é que seja debatida a relação entre estes dois tipos de territórios na formação cultural em Pernambuco. “Queremos discutir que espaços são esses, que para nós vai além dos espaços físicos da escola, e como eles transformam a vida das pessoas com aulas, cursos, cultura e oportunidades”, explica a coordenadora da Semana, Renata Echeverria Martins.

Pela primeira vez, cidades como Água Preta, na Mata Sul, Araripina, no Sertão, e Abreu e Lima, no Grande Recife, estão participando da programação. Na última edição, apenas 13 municípios pernambucanos faziam parte do evento. Este ano o número chegou a 30. O tempo de duração também aumentou. No início só era comemorado o dia Dia Nacional do Patrimônio Histórico, celebrado no dia 17 de agosto, mas hoje as atividades se estendem ao longo do mês.  A programação inclui palestras, debates e apresentações culturais divididas em quatro eixos temáticos: Brincar com o Patrimônio, Experimentar o Patrimônio, Interpretar o Patrimônio e Pensar o Patrimônio. 

Nesta segunda-feira (12) acontece a abertura oficial desta edição e, no Recife, o evento é marcado pela palestra “Futuros possíveis: O patrimônio imaterial de Pernambuco”, com o professor, jurista e acadêmico Dr. Joaquim de Arruda Falcão, no Museu Cais do Sertão, no Recife Antigo, às 15h. No mesmo dia, estudantes, professores e moradores da comunidade do Arruado do Engenho Velho, na Várzea, Zona Oeste do Recife, poderão participar do workshop “Patrimônio e Memória: uma leitura sobre a História do Arruado do Engenho Velho” e da roda de Conversa “O arruado a partir da memória de seus moradores”. Na capital pernambucana a programação só termina no dia 10 de setembro com a oficina “Cartografia Afetiva do Bairro de Casa Amarela”, na biblioteca popular do bairro. O público são jovens de 13 a 16 anos. 

A grade completa de atividades pode ser conferida no site da Fundarpe (www.cultura.pe.gov.br). 

JC Cidades


Socioeducandos da Funase em Caruaru ajudarão a restaurar lar para crianças

funase
Iniciativa vai ser possível durante aulas práticas dos cursos de Pedreiro e de Pintor de Obras do IFPE

Batizada como Projeto Reconstrução de Olhares, a parceria entre a Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase) e o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) – Campus Caruaru vem proporcionando educação profissional para jovens em cumprimento de medidas de internação e de semiliberdade nas unidades socioeducativas situadas no município. Onze socioeducandos e um egresso da Funase estão participando dos cursos de Pedreiro e de Pintor de Obras. A novidade é que os alunos ajudarão na restauração da sede de um projeto social, o Lar da Criança Pobre Nossa Senhora do Carmo, no bairro do Salgado, em Caruaru.

Os dois cursos estão sendo ofertados para a mesma turma, de forma integrada. Do grupo de socioeducandos, seis são da Casa de Semiliberdade (Casem) e cinco são do Centro de Atendimento Socioeducativo (Case), unidades da Funase localizadas em Caruaru. As aulas estão acontecendo em horário integral, todas as terças, quartas e quintas-feiras. No primeiro encontro, foram abordados em sala de aula aspectos como relações de convivência durante os cursos e os primeiros conteúdos. Até outubro, os participantes estarão prontos para atuarem no mercado de trabalho, construindo novos projetos de vida e perspectivas de futuro.

“Eu gostei muito da primeira aula. Acho que o curso vai ajudar bastante na minha formação e com isso eu posso conseguir um emprego pra ajudar a minha família e construir o meu futuro. Espero aprender muito”, afirmou o socioeducando da Casem Caruaru M.G.S.S., de 17 anos. “Nossos adolescentes estão muito motivados com a formação ofertada. A junção dos dois cursos fez com que a atividade tenha um peso maior no currículo dos jovens. Eles passaram por uma entrevista e mostraram que são capazes de estudar e construir um futuro brilhante daqui para frente”, disse a coordenadora geral da Casem Caruaru, Anabel Brandão.

Para o coordenador do Eixo Profissionalização, Esporte, Cultura e Lazer da Funase, Normando de Albuquerque, a formação integrada ajudará no processo de reinserção social. “O curso tem uma expansão maior. Antes, eles praticavam dentro do IFPE, agora eles vão prestar serviços dentro da comunidade. É uma troca de presentes. De um lado nós oferecemos qualificação e, do outro, eles recuperam um espaço muito importante para os moradores e para as crianças do bairro”, declarou.

Segundo o coordenador geral do Case Caruaru, Márcio Oliveira, o acolhimento dos jovens ajudou no envolvimento da atividade integrada. “O investimento realizado vem dando efeito. O número dos jovens inseridos foi crescente e satisfatório. A Funase vem valorizando sempre o acesso dos adolescentes na educação profissional. A junção de esforços entre várias instituições vai além da medida socioeducativa, atuando na qualificação dos participantes. Isso é muito importante para nós e para eles”, explicou.

Imagens: Divulgação/Funase


Vasco: “Meu Bairro Eu Também Limpo”

Pelo menos  dez localidades do Recife foram beneficiados em 2019 pelo Projeto Meu Bairro eu Também Limpo , que teve início em 2016. Agora a ação acaba de chegar ao Vasco da Gama, na Zona Norte do Recife.

A iniciativa tem por objetivo eliminar pontos críticos de acúmulo de lixo, com a ajuda da população. Essas áreas são transformadas em espaços de lazer e convivência das comunidades. Normalmente são ocupadas com plantas, o que termina por inibir o descarte de lixo.

O trabalho é feito pela Emlurb, em parceria coma comunidade. A ação já beneficiou moradores de bairros como Campo Grande, Coque, Alto José Bonifácio, Córrego da Bica, Boa Viagem, Ilha do Destino, Ilha do Joaneiro, Engenho do Meio, dentre outras comunidades do Recife.  

Acho o Meu Bairro Eu Também Limpo uma intervenção interessante, mas embora tenha solicitado à assessoria de imprensa da Emlurb, o total de bairros, comunidades e pessoas beneficiadas pelo Projeto ao longo dos últimos três anos.

Na questão do lixo, no entanto,  o Recife tem muito a aprender. Meu Bairro Eu Também Limpo não resolve, mas pelo menos ajuda na limpeza da cidade, onde as pessoas costumam fazer descartes em locais inadequados, com a conivência dos órgãos oficiais, que não  fiscalizam nem multam os infratores como deveriam. A última ação do Meu Bairro Eu Também Limpo no Vasco da Gama beneficia principalmente a Creche Mardônio Coelho , cujas calçadas viraram depósito de entulhos, colocando em risco a saúde da criançada.

O Projeto fez oficinas de sensibilização na escola e na vizinhança sobre a importância do descarte correto do lixo. Também houve plantio de mudas em frente à creche e um trabalho de grafitagem nos muros da unidade.

De acordo com professores e mães de alunos da creche, o cheiro estava se tornando insuportável e em risco para a saúde das crianças. Em setembro, nos dias 12 e 13, vai ser a vez de Água Fria, receber as ações do projeto. Em morros, como o Alto José do Pinho e o Conceição, a própria já comunidade tomou a iniciativa.