Zona Sul do Recife ganha duas novas hamburguerias

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Foto: Reprodução

Social 1 – JC

Os fãs de hambúrguer podem preparar o bolso porque tem novidade na Zona Sul do Recife. É que uma unidade da Gamerz Burguer inaugurou em Boa Viagem, mais precisamente na rua Padre Bernadino Pessoa, nº 317.

Por lá, além da decoração inspirada em games, você também pode encontrar a gamerz temaki e taberna, com outras opções no cardápio, como sushi, por exemplo.

Foto: JC Imagem

E não para por aí. O Beleleu, que já funciona em Casa Forte, vai chegar em breve na Zona Sul, no bairro de Santana, mais precisamente na Av. Conselheiro Aguiar, onde funcionava a antiga Saturday’s.

A novidade deve inaugurar ainda este ano, possivelmente mais para os últimos meses.

Foto: Dayvison Nunes/ JC Imagem


Hóteis de Porto mantém estabilidade na ocupação neste primeiro semestre

A linda Porto de GalinhasFoto: Divulgação
A linda Porto de Galinhas – Foto: Divulgação

A ocupação da rede hoteleira de Porto de Galinhas se manteve estável no primeiro semestre de 2017. Entre janeiro e junho, a ocupação média foi 66%, um ponto percentual abaixo do índice registrado nos seis primeiros meses de 2016. Em julho, mês de férias escolares, a taxa foi de 70% contra 69,5% do mesmo mês de 2016. O dado foi divulgado pelo Porto de Galinhas Convention & Visitors Bureau.

Para Otaviano Maroja, presidente do conselho da entidade, o resultado reflete o esforço da cadeia turística na promoção de campanhas de marketing e de valores promocionais, apoiados pelos canais de compras online e operadoras de viagem nacionais e latinoamericanas. “Com o desaquecimento do mercado, os hotéis adotaram políticas de descontos e maior oferta de serviços nas diárias para sustentar os bons índices”, explica.

O dirigente avalia ainda que a baixa cotação do dólar estimulou o gasto do turista no exterior e acirrou a disputa com destinos nacionais. Dados do banco central mostram que as viagens internacionais cresceram 34% em maio deste ano, na comparação o mesmo período de 2016.

De acordo com a pesquisa realizada pela Universidade Federal de Pernambuco e PGCVB, o tempo médio de permanência dos viajantes é de 5,82 dias. Já o Gasto Médio Individual Diário (GMID) é de R$ 407.


Recife ganha novo box de crossfit na Zona Norte

O espaço contará com estacionamento próprio, um café e uma lanchonete

O espaço contará com estacionamento próprio, um café e uma lanchonete

O espaço contará com estacionamento próprio, um café e uma lanchoneteFoto: Thiago Leite/Divulgação

Sob o comando dos sócios Newton Vasconcelos, Fernando Fontelles e Carlos Rocha, o “Vikings”, novo box de crossfit no bairro do Espinheiro, vai abrir as portas nesta segunda-feira (21), em esquema soft open com aulas experimentais.

Apostando na união, parceria e atividades em grupo, o box traz estrutura de 1.000m² e equipe técnica com seis coachs especializados. Além disso, o espaço conta com estacionamento próprio, um café e uma lanchonete.

Em tempo, a inauguração oficial está prevista para a primeira quinzena de setembro.


Primeira creperia do Recife comemora 21 anos com receitas inéditas

Anjo Solto tem unidades na Zona Norte e na Zona Sul – Crédito: Vão Fotografia

Em comemoração aos seus 21 anos de funcionamento, completados em setembro, o Anjo Solto criou uma carta de drinques cheia de receitas inéditas, apostando firme no happy hour. O estabelecimento foi a primeira creperia da cidade.

Ao longo do tempo, além dos crepes, a casa foi acrescentando novidades para os clientes como os pratos com influência da cozinha contemporânea apresentados no espaço Tao.

Crédito: Divulgação

Agora, se firma também como um dos melhores destinos para um brinde – além de drinks, tem em sua adega cerca de 150 rótulos de vinhos das principais regiões produtoras do mundo.


Magistrados de Pernambuco terão auxílio-alimentação nas férias

Sérgio Bernardo -16.set.2014/ JC ImagemO presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Guilherme Uchôa (PDT)

O presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Guilherme Uchôa, é juiz aposentado

FREDERICO VASCONCELOS
DE SÃO PAULO


Previdência gasta R$ 56 bilhões por ano com fraudes e erros, estima TCU

Valor equivale a 30% do seu déficit previsto para este ano.

Por Gabriela Valente

Agência do INSS no Centro do Rio – Arquivo / Agência O Globo

BRASÍLIA – O Brasil é um país em que ricos fingem ser pobres, presidiários reconhecem a paternidade de filhos de mulheres que nunca viram, crianças recebem licença-maternidade, bebês indígenas são adotados e esquecidos em suas tribos, homens assassinam esposas fictícias e ciganos mudam de identidade como trocam de cidade. O Brasil é um país que paga por tudo isso. E a conta imposta por tanta “criatividade” à Previdência Social é alta. Uma fatura maior que o governo supunha: pode chegar a R$ 56 bilhões por ano. Ao cruzar dados de uma força-tarefa — formada por Secretaria de Previdência, Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal e os ministérios do Trabalho e do Desenvolvimento Social — e pedir uma análise de especialistas, o Tribunal de Contas da União (TCU) chegou à conclusão de que a “percepção de irregularidades” é que um, em cada dez benefícios, é pago com erros ou por fraude.

Com um rombo recorde previsto para este ano, a Previdência é considerada um empecilho para o Brasil voltar a crescer. Em 2017, devem faltar R$ 185,8 bilhões para fechar a conta. Sem fraudes e erros, esse déficit poderia ser 30% menor. No entanto, a fiscalização, apesar dos avanços obtidos nos últimos anos, ainda está bem longe de conseguir impedir tudo o que desfalca o sistema de aposentadorias e benefícios assistenciais do país.

Essas fraudes e erros ocorrem no momento em que a sociedade se confronta com o dilema de reformar a Previdência, ou começar a cortar despesas em áreas essenciais. Tudo porque falta dinheiro. Mas foram as contribuições pagas pelos brasileiros que bancaram a luxuosa jornada de uma família de ciganos pelo país. O ponto de partida foi uma das áreas mais pobres do Brasil: o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. De cidadezinha em cidadezinha, eles requisitaram uma coleção de certidões de nascimento tardias. Com elas, conseguiram vários benefícios, entre eles, aposentadorias rurais. A pobreza dos lugares por onde o grupo passou contrastava com as caminhonetes de luxo usadas para trilhar o caminho. Foram presos em Sergipe. Os 11 parentes foram condenados por estelionato contra a Previdência.

“BOOM” POPULACIONAL EM GOIÁS

Conseguir certidão de nascimento na fase adulta é uma estratégia disseminada pelo país. Tão comum que é responsável até por falsos efeitos populacionais. Na cidadezinha de Marzagão, em Goiás, houve um boom populacional que seria recorde, não fosse completamente fictício. No município de 2.200 habitantes, foram registradas 1.200 certidões de nascimento tardias. A concessão de vários benefícios de Amparo Social ao Idoso para pessoas que tiraram o registro na fase adulta, no mesmo cartório da cidade, chamou a atenção da Polícia Federal, que deu início a uma investigação.

No caso de Marzagão, dois funcionários públicos estavam envolvidos, e o processo ainda está em andamento. A fraude custou R$ 7,5 milhões aos cofres públicos. O fato de a Polícia Federal ter descoberto o problema impediu o gasto de outros R$ 14 milhões. Ao todo, entre 2003 e 2017, a PF identificou fraudes com impacto de R$ 5 bilhões nos cofres públicos.

O “SAFADÔNIO” DE COPACABANA

A força-tarefa também mapeou delitos por todo o país. Foi identificado, por exemplo, que o Maranhão é o estado com o maior número de fraudes. Lá, as mulheres são as brasileiras que mais recebem auxílio-maternidade. Em um dos casos, o benefício era pago a uma menina de 8 anos.

Os recursos são escassos, e cada centavo desviado deixa de ir para quem realmente precisa. Além de onerar o sistema para todos os contribuintes — ressalta Fábio Granja, secretário responsável pelo estudo feito no TCU.

Em alguns casos, o deboche dos fraudadores da Previdência chamou atenção dos investigadores da força-tarefa. Há exemplos em que a sensação de impunidade é tão grande que não há o menor cuidado em disfarçar. Episódios no Rio de Janeiro são os mais lembrados nesse sentido. Além de alugar velhinhos para sacarem benefícios de aposentados que não existiam, um quadrilha que atuava em Copacabana zombava do sistema ao criar identidades falsas com nomes pitorescos como, por exemplo, Safadônio. Outro larápio fictício foi batizado de Mandrake. Tanto Safadônio quanto Mandrake tinham CPF, RG e comprovante de endereço como qualquer cidadão respeitável.

No Acre, uma quadrilha de advogados tinha toda uma estratégia para arrancar dinheiro do sistema. Procurava mães pobres e prometia uma renda para ajudar na criação dos filhos. Depois, arrumava um presidiário disposto a assumir a paternidade da criança. Após o falso reconhecimento de paternidade, o dinheiro do auxílio-reclusão — pago pelo governo às famílias dos detentos — era dividido em três partes: para o preso, para a mãe e para o advogado.

— Quando viram que a estratégia dava certo, começaram a fazer em várias cidades — conta uma fonte a par da investigação, sob a condição de anonimato.

Já no Mato Grosso do Sul, advogados funcionavam como uma espécie de agência de adoção de crianças indígenas. Eles conseguiam formalizar a adoção dos pequeninos para beneficiários da fraude, que requisitavam um benefício ao qual crianças indígenas têm direito.

Em todo o país, vêm do campo as principais fraudes. É na previdência rural que surge a maior quantidade de crimes, porque, para pedir a aposentadoria, é preciso apenas uma declaração de que o pretendente foi trabalhador na lavoura por 15 anos. Envolvidos no processo, por fornecerem esse documento de comprovação, alguns sindicatos rurais também estão na mira da força-tarefa. Alguns representantes dessas entidades já foram presos e vários outros são investigados.

— Tentar fazer de algo social um benefício estritamente privado de modo ilícito é uma coisa que choca — comenta o secretário de Previdência Social, Marcelo Caetano, que espera que as ações da Polícia Federal assustem mais daqui para frente. — Esse trabalho é muito relevante, porque deixa claro que há o risco de ter uma operação da PF em cima de você. O crime não compensa.

PENTE-FINO CANCELOU 159 MIL BENEFÍCIOS

Paralelamente, o governo tem realizado um pente-fino para melhorar a gestão dos programas sociais e de benefícios previdenciários. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), o objetivo é garantir que os recursos públicos cheguem a quem realmente precisa. A economia anual estimada até agora com a revisão dos benefícios foi de R$ 2,6 bilhões.

Até 14 de julho, foram realizadas 199.981 perícias com 159.964 benefícios cancelados. A ausência de convocados levou ao cancelamento de outros 20.304 benefícios. Além disso, 31.863 benefícios foram convertidos em aposentadoria por invalidez; 1.802, em auxílio-acidente; 1.058, em aposentadoria por invalidez com acréscimo de 25% no valor do benefício; e 5.294 pessoas foram encaminhadas para reabilitação profissional. Ao todo, 530.191 benefícios de auxílio-doença serão revisados.

https://oglobo.globo.com/economia/previdencia-gasta-56-bilhoes-por-ano-com-fraudes-erros-estima-tcu-21725551


Possível delação de Cunha põe deputados em pânico

A possibilidade do ex-deputado federal conseguir firmar um acordo de delação deixou a Câmara “em pânico”, de acordo com a coluna Radar da revista Veja deste final de semana. A publicação informa que a filha dele, Danielle, tem sido procurada por parlamentares para verificar se são citados, mas ela tem evitado pedidos de encontro e ligações.

Eduardo Cunha pediu para reabrir as negociações para um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, menos de uma semana depois de receber a negativa do Grupo de Trabalho da Lava Jato, de acordo com o jornal O Globo.

Procuradores devem decidir, até a próxima semana, se aceitam ou não retomar a discussão da delação.

Na proposta apresentada antes, Cunha teria se comprometido a falar sobre as relações dele com o presidente Michel Temer, deputados, senadores e ministros. O material apresentado, contudo, foi considerado inconsistente. Nesta semana, então, um emissário de Cunha teria solicitado ao Grupo de Trabalho para retomar as negociações.

Cunha também estaria disposto a falar diretamente com os procuradores. Antes, a negociação estava sendo intermediada apenas pelo advogado.

Jornal do Brasil


Temer, Maia e Gilmar: reunião fora da agenda

Gilmar Mendes

Gilmar Mendes e Rodrigo Maia na casa do presidente da Câmara

Tema seria reforma política

Em uma atitude que tem se tornado rotina nos últimos tempos, o presidente Michel Temer participou na tarde deste sábado (19) de uma reunião não registrada em sua agenda oficial.

Ele se deslocou do Palácio do Jaburu para se encontrar com os presidentes do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na casa deste último.

A assessoria do Palácio do Planalto confirmou o encontro, mas não disse o que foi discutido. A de Gilmar afirmou que o tema foi a reforma política em debate no Congresso e o parlamentarismo, sistema de governo defendido por Temer e por alguns líderes de partidos governistas. A Folha não conseguiu falar com Maia neste sábado.

O encontro também não foi registrado nas agendas dos presidentes da Câmara e do TSE.

Com um histórico de idas e vindas e de muito improviso, a reforma política pode ter alguns de seus pontos votados na próxima semana pela Câmara, entre eles a criação de mais um fundo público para abastecer as campanhas e a mudança do modelo de eleição para o legislativo.

Temer e Gilmar já se encontraram outras vezes sem registro oficial em suas agendas.

No último dia 8 o presidente da República recebeu também fora da agenda a futura procuradora-geral da República, Raquel Dodge. A visita veio a público após ser registrada por um cinegrafista da TV Globo, por volta das 22h.

Ela disse à Folha que o motivo do encontro foi a discussão de detalhes de sua posse.

O episódio em que Temer ficou sob ameaça de perder o cargo –a conversa gravada pelo empresário Joesley Batista, da JBS– também ocorreu no final da noite, fora da agenda oficial da Presidência da República.

CRÍTICAS

Gilmar tem se dedicado a debater a instituição do parlamentarismo no Brasil.

Rejeitado pela população brasileira em dois plebiscitos, o último em 1993, o parlamentarismo é composto por um governo comandado por um primeiro-ministro escolhido pelo Poder Legislativo, que pode trocá-lo a qualquer tempo. O atual sistema brasileiro é o presidencialismo.

Gilmar também tem criticado a proposta da reforma política debatida pelos deputados, em especial o ponto que limita mandato de novos ministros do Supremo.

“Não posso deixar de registrar, a proposta de fixar mandato de 10 anos para tribunais é mais uma das nossas jabuticabas […] Podemos até discutir mandato para corte constitucional, mas não na reforma política. Uma coisa não tem nada a ver com a outra”, disse.

Temer e Maia

O presidente Michel Temer deixa a casa de Rodrigo Maia em Brasília

Folha SP


Pacto social da ruína

Ainda estamos brincando de escolher o cano pelo qual vamos entrar 

Ouvi uma vez de uma tia ou talvez tenha lido em um romance brasileiro esquecido a lenda quem sabe real da família que se reduziu à miséria por não chegar a um acordo sobre a divisão de uma herança. Um caso simétrico de ganância com resultado ruinoso é o velho clichê de matar a galinha dos ovos de ouro.

O gênero dessa história autodestrutiva que se passa no Brasil de agora parece uma combinação dessas perversões.

Por enquanto, a disputa e a mesquinharia a respeito de quem vai pagar a conta da crise terminal das finanças do governo vão redundando em um acordo tácito: inércia.

Não haveria cortes decisivos de despesas, não haveria impostos relevantes a mais. As contas vão se acumular. A ruína então virá, mais cedo ou mais tarde, aos poucos ou de modo explosivo, a depender das voltas da economia do mundo lá fora. Por enquanto, se empurra com a barriga, se aceita o impasse.

Ou melhor, é possível que a memória de ditaduras e inflações ressuscite ou reforce nos membros menos ignorantes da elite, conscientes da crise, o sentimento atávico de que sempre é possível esfolar o povaréu. “Menos ignorantes”: sim, há gente com voz, no topo ou no comando do país, que de fato não se dá conta do tamanho inédito do problema fiscal e de suas consequências.

Os mais espertos talvez imaginem que, mesmo sem crescimento, mesmo na eventual e lenta regressão do Brasil de país médio a país pobre, será possível passar a conta adiante, extrair o bastante para sustentar um simulacro de padrão de vida de elite global enquanto o resto das gentes se dana.

Não seria novidade. Ao contrário. É o padrão comum da história brasileira. Vide o exemplo recente dos 15 anos de superinflação, de quase nenhum crescimento, de crise contínua entre o colapso econômico da ditadura e o Real.

Talvez contribua para a inércia e para ilusões a melhoria temporária que virá depois desta recuperação econômica microscópica, cíclica, cortesia também da calmaria nas finanças mundiais e da folga nas contas externas, resultado da recessão horrível que reduziu nosso consumo de modo brutal (exportamos mais que importamos porque empobrecemos).

Marolas externas, mudanças no custo mundial do dinheiro, podem, no entanto, provocar desvalorizações do real e/ou aperto financeiro, juros mais altos, perigo fatal para um governo tão endividado. A fim de escaparmos do colapso, a alternativa seria um crescimento baixo em meio a inflação alta, um dos nossos métodos habituais de passar a conta para o povaréu.

Essa crise fiscal grave e, enfim, o cúmulo dos danos desse nosso Estado disfuncional vão provocar um drama bíblico, hordas de miseráveis caindo pelas ruas, pestes? Não. O crescimento seria cronicamente lento. Na melhor das hipóteses, a pobreza ficaria estagnada. Problemas sistêmicos de Estados precários, como o predomínio crescente do crime (vide o Rio), vão se agravar aos poucos.

Pode haver choques, decerto, confrontos decisivos, uma imposição dura de perdas a um grupo social, uma revolta popular contra a pobreza persistente envenenada por um ambiente inflacionário. Os caminhos da degradação ou do conflito podem ser vários. Ainda estamos brincando de escolher o cano pelo qual vamos entrar.

Vinicius Torres Freire – Folha de S.Paulo


‘Não somos racistas’: a comunidade de descendentes de confederados americanos no Brasil

Os confederados brasileiros defendem as homenagens e contestam a historiografia dominante que descreve o militar como um extremista, defensor da superioridade dos brancos e da escravidão dos negros.

Participantes de festa confederada em Santa Bárbara D'Oeste posam para fotoDireito de imagem Divulgação
Image caption Todos os anos, milhares de pessoas se reúnem em festa que celebra cultura confederada no Brasil

Em 1865, 2,7 mil americanos desembarcaram no Brasil após a Guerra de Secessão, que opôs o Sul e o Norte dos Estados Unidos. Não havia mais espaço para a defesa da supremacia branca e da escravatura, valores caros para os migrantes que desembarcavam dos Estados Confederados do Sul.

Hoje, um século e meio depois, descendentes dessas famílias fazem uma festa anual para celebrar o orgulho de herdar o sangue americano e lembrar a chegada de seus antepassados em Santa Bárbara D’Oeste, município de 180 mil habitantes no interior de São Paulo.

Defensores do general Robert Lee, ideólogo da escravatura e pivô da confusão do último fim de semana em Charlottesville – quando supremacistas e antifascistas se enfrentaram com violência -, os brasileiros se esforçam para manter os símbolos do líder dos Estados Confederados do Sul, inclusive de sua bandeira – vistos como elogios ao racismo e à supremacia branca nos EUA.

Em entrevista à BBC Brasil, o presidente da associação Fraternidade e Descendência Americana, João Leopoldo Padovese, afirmou repudiar o atentado perpretado por um supremacista branco que atropelou antifascistas em Charlottesville, mas defendeu o direito de ostentar os símbolos.

“Não somos racistas. A Ku Klux Klan adotou a bandeira confederada para provocar outros grupos. Para nós, a bandeira confederada tem um significado totalmente diferente: família e história”, diz ele.

Padovese, no entanto, relativiza a questão da escravidão. “Aquele período da história: como você vai julgar que o cara estava fazendo algo errado? A Constituição permitia e a Igreja permitia (ter escravos). Hoje, a gente sabe que está errado, mas, há 150 anos, eles sabiam que estavam fazendo uma coisa errada? É difícil dizer. Sou católico. Eu vou deixar de ser por causa dos crimes que a Igreja Católica cometeu?”, questiona.

Participantes de festa confederada em Santa Bárbara fazem dança típicaDireito de imagem Divulgação
Image caption Associação defende o uso do estandarte confederado e a exibição de estátuas de suas figuras histróricas

No interior de São Paulo, o mesmo Robert E. Lee, cuja remoção da estátua em um parque de Charlottesville foi o estopim das tensões, nomeia uma avenida dentro de um condomínio fechado de Santa Bárbara.

Ressaltamos que o general Robert E. Lee é considerado um dos melhores generais da história dos EUA, que ele não possuía escravos e entendia que a escravidão era um grande mal. Ele liderou as tropas confederadas na sua luta pela independência. Desta forma, o general Robert E. Lee não representa os grupos extremistas de direita estadunidense”, informou em nota a associação brasileira Fraternidade e Descendência Americana após os confrontos no último fim de semana.

Símbolo de ódio

Todos os anos, cerca de 2,5 mil pessoas se reúnem para comemorar a chegada dos americanos no Brasil. A festa confederada ocorre no Cemitério do Campo, onde estão enterrados os fundadores da cidade. Este é o único evento de Santa Bárbara D’Oeste no calendário oficial do Estado de São Paulo.

Durante a festa, há apresentações de danças e músicas típicas do Sul americano. Eles ainda cantam o hino confederado e fazem comidas típicas, como churrasco, hambúrguer e frango frito.

“João Padovese discursa em evento organizado pela Fraternidade e Descendência Americana em Santa Bárbara” width=”976″ height=”549″ data-highest-encountered-width=”624″ />Direito de imagem Divulgação

Image caption ‘Não somos racistas. Para nós, a bandeira confederada significa família e história’, diz o presidente da associação

A ligação da região com os imigrantes americanos é tão presente que, até 1998, o brasão da cidade de Americana tinha alusões à bandeira confederada. Em defesa do estandarte e das estátuas, confederados americanos e brasileiros lançam mão do argumento de que grupos extremistas estão, indevidamente, “se apropriando de um símbolo que não é deles” para promover o ódio.

Mas o uso desses símbolos e as honrarias aos líderes na guerra separatista, como Robert Lee, são severamente criticados por historiadores ao redor do mundo. Segundo Bill Ferris, diretor do Centro de Estudos da Cultura Sulista da Universidade do Mississipi, nos Estados Unidos, a bandeira é hoje comparável à suástica, símbolo do nazismo. Ela também foi adotada por grupos extremistas, como a Ku Klux Klan, que defendiam a segregação racial.

Obelisco onde estão enterrados imigrantes americanosDireito de imagem Divulgação
Image caption Nos Estados Unidos, bandeira confederada é comparada à suástica nazista

O estandarte vermelho com um “X” em azul e estrelas brancas foi o principal símbolo usado pelos Estados Confederados durante a guerra civil, quando tentaram impedir a abolição da escravatura e buscavam independência em relação às 13 colônias do Norte, conhecidas como Nova Inglaterra. Depois da derrota do Sul no conflito, a bandeira não saiu de cena. Ela tem sido ostentada com orgulho em muitos Estados americanos, provocando reações cada vez mais extremas quanto ao que representa.

Há dois anos, o símbolo causou uma confusão entre motociclistas num estacionamento em um bar no Texas. O confronto iniciado por causa de um adesivo colado em uma das motos terminou com ao menos nove mortos e 18 feridos.

Os descendentes de americanos no Brasil, no entanto, tendem a ignorar a tensão relacionada a esses símbolos. Para eles, vestidos e decorações nas cores do estandarte são úteis apenas para celebrar e rememorar a chegada de seus antepassados ao Brasil e da descendência americana.

Padovese, no entanto, disse que, em 2011, grupos extremistas foram à festa e causaram problemas. “Conversei com eles normalmente. Não podemos impedir a presença de ninguém. Mas começaram a agir com um estilo de conversa que a gente não concorda e precisamos tirá-los de lá. Foi a única vez e ocorreu do lado de fora do cemitério”, contou evitando dar mais detalhes sobre o caso.
Ele acha improvável que os símbolos – tão caros aos confederados – sejam proibidos no Brasil, como já ocorre hoje com a suástica nazista, criminalizada por uma lei federal.

“No Brasil, ela tem um significado diferente porque ela é um símbolo de rebeldia, de lutar por aquilo que você acredita. Para nós, é um símbolo de família, de amor, de confraternização”, disse.

Ele defende que falta conhecimento às pessoas que criticam a cultura confederada. “É muito mais simples assistir a um filme que fala mal do confederado e tirar suas conclusões do que ler um livro e entender realmente o que foi a guerra civil. A guerra foi política. O Sul não concordava com algumas coisas e fez um referendo separatista. O (então presidente Abraham) Lincoln não aceitou, e o Sul pegou em armas. O Sul apenas se defendeu”, afirmou.

As estátuas que dividem os Estados Unidos e provocam confrontos

A Fraternidade faz visitas guiadas diariamente para apresentar o cemitério particular onde estão enterrados cerca de 650 descendentes americanos e primeiros imigrantes a chegar em Santa Bárbara, além de contar a história da imigração americana na região. Cada pessoa paga R$ 5 pelo passeio. Há ainda uma parceria com a Prefeitura para que alunos da rede pública também conheçam o espaço.

Orgulho e falhas

Os confederados brasileiros sentem orgulho de seus antepassados e dos feitos que os levaram à região – ainda que essa história inclua a escravidão de muitas pessoas durante décadas, como eles mesmos reconhecem.

Em terras brasileiras, além de fundar as cidades de Santa Bárbara D’Oeste e Americana, os descendentes lembram do legado deixado pelos confederados nas áreas de saúde, como o Hospital Pérola Byington, e educação, criando a Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) e a Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Padovese conta que também há orgulho e irmandade dos confederados que ainda vivem no sul dos Estados Unidos. Ele relata que os americanos já visitaram a festa no interior paulista e apoiam a iniciativa, mas reconhece que seus antepassados também cometeram erros.

“Nós temos uma cultura e sabemos que há uma certa controvérsia, mas qual não tem? Eu não posso apontar para todo mundo pelo erro do seu passado. Senão, cada cultura tem uma coisa pesada para ser apontada. Se for assim, ninguém vai ter orgulho da sua própria cultura”, afirmou.

Homens vestem trajes típicos em festa confederadaDireito de imagem Divulgação
Image caption Confederados brasileiros sentem orgulho de seus antepassados e exaltam seus feitos


O professor americano que ensina os alunos a sobreviverem como homens das cavernas

“Espero ajudar a formar não só arqueólogos e antropólogos, mas professores, políticos, cientistas e executivos que tenham uma perspectiva diferente sobre nosso lugar no mundo enquanto tomam decisões que determinam qual o caminho que a humanidade tomará no futuro”, diz Schindler.

Bill Schindler com uma fogueira feita com gravetosDireito de imagem Brent Meeske
Image caption O professor de arqueologia ensina em suas aulas como fazer fogo com gravetos

Boa parte dos alunos começa o curso sem saber como quebrar um ovo. Depois das aulas de Arqueologia Experimental e Tecnologia Primitiva do professor Bill Schindler, no entanto, eles se tornam quase homens das cavernas: aprendem a fazer fogo com gravetos, cordas com fibras vegetais, flechas com pontas de pedra afiada e potes com argila. Se fossem abandonados em uma floresta sem comida e roupa, eles seriam capazes de colher frutos silvestres comestíveis, curtir peles, caçar e preparar animais selvagens como alimento.

Embora ninguém mais dependa desse tipo de habilidade, o professor da Washington College, nos Estados Unidos, defende que elas são essenciais para entender o que significa ser humano. “Compreender nossos ancestrais nos ensina a olhar para nós mesmos de uma maneira completamente diferente. Tanto do ponto de vista da nossa dieta e saúde quanto da conexão com o ambiente e com as outras pessoas”, diz ele.

Réplicas de ferramentas da idade da pedra criadas pelo professorDireito de imagem Bill Schindler
Image caption Bill Schindler e seus alunos criam réplicas de ferramentas da idade da pedra

É uma aula incomum, mas que está fazendo sucesso — está sempre lotada e recebe estudantes de todas as áreas.

A filosofia do arqueólogo para ensino e pesquisa é baseada na ideia de se envolver em uma tarefa do início ao fim – coletando a matéria prima, aprendendo aquela tecnologia, construindo as ferramentas e usando-as. “Além das aulas teóricas e das leituras, meus alunos de fato fazem uma imersão no que estão aprendendo”, diz Schindler.

Alunas do Washington College durante uma aulaDireito de imagem Alamy
Image caption Alunos são desafiados a caçar e produzir sua própria comida

Para as ferramentas, eles usam materiais como rocha obisidiana (feita de vidro vulcânico), basalto e sílex. Ao abater e limpar animais, nada é disperdiçado. Cada aluno pega um pedaço do animal para um projeto diferente. A carne de um cervo é consumida, a pele se transforma em roupa, os cascos são fervidos para fazer cola, os olhos viram tinta.

“É uma filosofia de ensino baseada em colocar a mão na massa, em aprender através da experimentação”, diz Schindler. Os alunos também passam a se preocupar com o impacto que os produtos que usam têm no ambiente e com a origem dos alimentos que consomem.

Retorno às origens

Em 2015, Schindler gravou uma série para o canal National Geographic chamada The Great Human Race (A Grande Corrida Humana, em tradução livre). No programa, ele e a especialista em sobrevivência Cat Bigney viajaram o mundo tentando sobreviver da mesma forma que nossos ancestrais em diferentes períodos da pré-história.

Eles foram à Sibéria e buscaram viver como os caçadores da era do gelo, de cerca de 40 mil anos atrás, durante 8 meses.

“Aprendi muito mais do que poderia imaginar. E foi mais do que aprender – foi sentir, compreender, viver. Hoje, sinto que posso interpretar muito melhor como era a vida no passado e que tenho mais autoridade para falar sobre o assunto”, conta ele. “Essas experiências imersivas beneficiam a ciência e a pesquisa porque preenchem lacunas em nosso conhecimento.”

Bill Schindler trabalhando em um projeto na Universidade de Harvard, nos EUADireito de imagem Bill Schindler
Image caption O professor começou a criar ferramentas ainda criança; hoje, dá aulas na universidade

Segundo o arqueólogo, as tecnologias primitivas que mais influenciaram a evolução humana são as relacionadas com a obtenção e o processamento de comida.

“As mudanças na dieta impactaram diretamente nossa evolução biológica e cultural. Tudo o que somos do ponto de vista biológico e de como interagimos uns com os outros, ou seja, tudo o que nos torna humanos, nós devemos às mudanças permitidas pelo uso de tecnologias como ferramentas de pedra, fermentação, instrumentos e caça e estratégias de coleta de alimentos”, diz Schindler.

Ficamos mais altos, nossos cérebros cresceram, a maneira como interagimos uns com os outros se aprimorou — tudo isso deu origem ao ser humano moderno, o homo sapiens sapiens.

No entanto, diz Schindler, somos uma das espécies de predadores mais fracas do planeta. “Nossas unhas, nossos dentes e nossos órgãos digestivos são completamente inúteis se comparados aos de

outros animais. Nós ultrapassamos as limitações de nossos corpos criando mais ferramentas e mais tecnologia.”

Bill e suas alunas com os alimentos produzidos durante em classeDireito de imagem Bill Schindler
Image caption Quando caçam um animal, cada aluno pega uma parte diferente para seu projeto individual; nenhum pedaço é disperdiçado

A série tornou a faculdade em que Schindler trabalha mais conhecida entre o público e aumentou seu prestígio na área de arqueologia – até então, era conhecida mais por seu curso de letras.

Para Schindler, as pessoas se empolgam com a ideia de aprender habilidades de sobrevivência por estarem procurando – conscientemente ou não – conexões com o passado, com o ambiente, com as outras pessoas e consigo mesmas. “A vida moderna está sempre nos afastando dessa ligação. Praticar essas habilidade nos ajuda a reconectar”, diz ele.

Além disso, há um certo romantismo na ideia de ser capaz sobreviver sem as facilidades do mundo moderno. “Creio que é mais um desejo de sentir que você poderia ser auto-suficiente do que uma vontade real de estar em uma situação em que essas habilidades sejam necessárias”, diz ele.

Um homem de família

Bill Schindler cresceu em um subúrbio de New Jersey, nos Estados Unidos, e começou a criar ferramentas ainda criança. Com 10 anos, contrariando os pais, ele começou a colher frutos silvestres.

Nos anos 1990, ele trocou de faculdade sete vezes. Demorou dez anos para se formar em arqueologia. Hoje, ele é professor titular do departamento de Antropologia da Washington College.

Seu trabalho com arqueologia experimental teve um impacto em sua casa e no dia a dia de sua família. Ele, sua mulher e seus três filhos — de 9, 11 e 13 anos

vivem em uma propriedade rural no Estado americano de Maryland.

“Mudamos principalmente nossa alimentação. Pegamos as lições de nosso passado pré-histórico e as modificamos para torná-las relevantes à nossa vida ocidental moderna. Produzimos praticamente tudo o que cozinhamos – caçamos, colhemos, fermentamos e curamos nossa comida”, diz Bill, que produz queijo, iogurte e chucrute para consumo próprio.

Ele e sua família são próximos dos agricultores e pecuaristas que fornecem os alimentos que eles não produzem. “Somos mais saudáveis e mais conectados ao ambiente. Voltamos a comer como seres humanos e vale todo o esforço!”, afirma o arqueólogo.

O professor, sua mulher e seus três filhos no museu ao ar livre de Lejre, na DinamarcaDireito de imagem Bill Schindler
Image caption Na maior parte do tempo, a família de Bill come apenas carne de animais que eles mesmos matam e plantas que colhem

“Não usamos roupas de peles de animais no dia a dia, mas meus filhos sabem como esfolar um animal e curtir a pele para usá-la como vestimenta”, diz Schindler. Ele acredita que isso ajuda as crianças a entenderem o valor de tudo o que eles têm.

“Quando eles veem uma jaqueta de couro, não pensam no shopping onde ela foi comprada — lembram-se de quando fizeram suas roupas com pele de veado, de que aquilo tirou a vida de cinco animais.”

O objetivo é estar mais consciente das consequências das ações humanas. “Temos que enfrentar a dura realidade de que animais e plantas morrem para que nós vivamos e nos tornemos melhores guardiões do ambiente”, afirma.

“Quando a maioria das pessoas pensam sobre comer um animal, elas pensam em comer carne, de forma abstrata. Em nossa casa, quando comemos um animal, pensamos em comer um animal.”

BBC Brasil


Programas criados pelo governo podem perdoar dívidas tributárias de R$ 78 bi

Perdão tributário do governo pode custar R$ 78 bi
© Foto: Eraldo Peres / AP Perdão tributário do governo pode custar R$ 78 bi
BRASÍLIA – Apesar das dificuldades em fechar as contas, o governo Michel Temer criou três programas de parcelamento de débitos tributários, conhecidos como Refis, que têm juntos o poder de perdoar R$ 78,1 bilhões em dívidas durante todo o prazo de vigência, segundo cálculos da Receita Federal.O valor corresponde à renúncia potencial de arrecadação do governo com a redução de juros, multas e encargos das dívidas de empresas, Estados e municípios. E esse número pode ficar maior, já que dois dos programas, criados por medida provisória, ainda estão em tramitação no Congresso e podem ser alterados pelos parlamentares, aumentando os benefícios aos devedores.

O projeto voltado para as empresas, batizado de Programa Especial de Regularização Tributária (Pert), foi instituído pela Medida Provisória (MP) 783 e prevê uma renúncia potencial de R$ 35,1 bilhões ao longo dos 15 anos de parcelamento, considerando que R$ 200 bilhões em dívidas sejam renegociados.

O parcelamento para devedores ao Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), também criado por medida provisória e ainda não votado pelo Congresso, prevê uma renúncia de R$ 7,6 bilhões em 15 anos. Já o programa para dívidas previdenciárias de Estados e municípios, cujo prazo de adesão já está encerrado, pode perdoar até R$ 35,4 bilhões com os descontos em juros e multas em 16 anos e 8 meses.

Os benefícios foram concedidos aos devedores poucos meses antes de a equipe econômica precisar revisar as metas fiscais fixadas para 2017 a 2020. Com despesas em alta e receitas abaixo do esperado, o rombo nas contas do governo deste e do próximo ano deve ficar em R$ 159 bilhões. As contas só devem voltar ao azul em 2021, um ano depois do inicialmente estimado.

Com os programas de parcelamento de dívidas, o governo espera obter um incremento na arrecadação no curto prazo, com o pagamento dos valores de entrada de quem aderir. Mas, depois, o efeito do Refis acaba sendo ruim para as receitas do governo. “A partir de 2018, temos uma renúncia que terá de ser compensada por outras receitas”, diz o auditor fiscal Frederico Leite Faber, que atua como coordenador-geral substituto de Arrecadação e Cobrança na Receita Federal.

A área técnica do órgão é historicamente contra a edição de Refis justamente porque, além das renúncias, a medida incentiva empresas a deixarem de pagar tributos regularmente à espera de um novo programa. Esse planejamento tributário acaba sendo ruim para a arrecadação. A Receita constatou que muitos contribuintes que aderem aos programas invariavelmente deixam de pagar os tributos regulares, e às vezes a própria prestação do Refis, depois de certo tempo, postura que não é tão corriqueira entre quem não adere.

‘Vício’. Segundo o subsecretário de Arrecadação, Cadastros e Atendimento, Carlos Roberto Occaso, R$ 18,6 bilhões deixam de ser arrecadados ao ano porque os contribuintes ficam no aguardo de novos benefícios.

A Receita percebe que há um “desinteresse” das empresas em realmente quitar a dívida, o que cria verdadeiros “viciados” em Refis. Em edições anteriores, o índice de liquidação da dívida (pagamento total dos débitos) foi muito baixo, entre 2,4% e 6,5%. No Refis da Crise, lançado em 2009, tinha sido de 23,9%, mas também considerado pouco pelo órgão. A renúncia total com esse programa foi estimada em R$ 60,9 bilhões.

Estadão


Arepas y Del Caribe é ponto de encontro de venezuelanos no Pina

Foto: Geraldo Lélis/PorAqui

Era para ser “apenas” um restaurante que oferecia o tempero venezuelano como nenhum outro da cidade oferecia, mas o Arepas y Del Caribe é ainda um ponto de encontro que reúne não só compatriotas, mas estrangeiros oriundos de outros países da América Latina. Com um ambiente acolhedor, a casa na Rua Vicência, 50, no Pina, cativa seus clientes tanto pelo tempero quanto pela hospitalidade.

As sócias Isaura Ranyel e Mariangela Flores vieram para o Brasil porque o marido de Isaura foi contratado para trabalhar no Porto Digital e, como haviam feito curso de gastronomia por lá, decidiram abrir o restaurante no Recife. A casa foi inaugurada em setembro, em Setúbal, mas quatro meses depois se mudou para o Pina. A localização atual fica nas adjacências da Rua Capitão Rebelinho.

“Nós abrimos com essa temática porque não há nada parecido com a cozinha venezuelana por aqui e, como tínhamos feito um curso na Venezuela, viemos colocar em prática aqui”, conta a chef Mariangela. “Nosso menu é montado são só de comida venezuelana, mas também com pratos caribenhos”, destaca Isaura.

Feitas em massa de milho cortadas ao meio para levar recheios, as arepas são o principal destaque da casa, mas os tostones e as empanadas não ficam muito atrás. Apesar de serem muito populares na Colômbia (arepas) e na Argentina (empanadas), Mariangela reforça que as de seu país são totalmente diferentes.

“Na Colômbia, se come arepas sem recheio, e nós colocamos muito recheio. Já as empanadas argentinas são feitas em massa de trigo e assadas no forno. As nossas são com massa de milho e fritas, além do que são bem mais ricas em recheio”, brinca.

Arepas são o prato mais pedido no restaurante (foto: Geraldo Lélis/PorAqui)

A média de preço encontrada no cardápio gira em torno de R$ 18 e R$ 19. Os tostones provados e aprovados pelo conteudista do PorAqui são feitos como torrada de banana da terra bem crocante com salada de repolho roxo e molho de pimentões. Para completar, um molho à base de cebolinha, que dá um toque especial. A entrada custa R$ 19,90.

Com exclusividade dos pratos, o restaurante sempre recebe muito venezuelano, mas os colombianos e, claro, brasileiros são maioria. “Eu não sabia que tinha tanto colombiano e venezuelano na cidade, principalmente porque é uma cidade que está longe da fronteira, e a cada dia eu percebo que tem mais gente nova chegando por aqui”, conta Isaura.

“E quem vem geralmente volta. Tem uma família venezuelana que mora na Zona Norte e vem todo sábado almoçar aqui”, acrescenta Isaura.

Como ponto de encontro, o restaurante foi utilizado como um local de votação de uma consulta popular feita em toda a Venezuela, em julho deste ano, para saber se a população apoia ou não a constituinte que o governo daquele país estava implantando. “Foi um dia histórico para nós, porque conseguimos reunir muitos venezuelanos e mostrar nossa opinião. Não foi uma votação oficial, era uma consulta, mas nós pudemos participar das manifestações mesmo à distância”, relata.

E assim o restaurante vai cativando clientes independente do bairro que eles morem e da nacionalidade de origem. “Aqui tem sempre esse clima de brincadeiras entre os clientes. Tem argentinos e mexicanos também. Eles se sentem à vontade, jogam dominó, às vezes tocam, dançam”, completa Isaura.

Arepas y Del Caribe
Rua Vicência, 50, Pina
Quarta a segunda, das 12h às 22h
3019-0673
Facebook: /arepasydelcaribe
Instagram: @arepasydelcaribe

PorAqui


Azul lança chat em seu APP de pessoas para pessoas


Hemobrás vai ter que procurar nova parceira para fracionar plasma

Hemobrás vai ter que enfrentar novos desafios com procura de empresa que fracione plasma

Hemobrás fica em Goiana, na Mata Norte do Estado / Foto: Guga Matos/JC Imagem

Hemobrás fica em Goiana, na Mata Norte do Estado

Foto: Guga Matos/JC Imagem

Os problemas da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) ainda não acabaram. Após o ministro da Saúde, Ricardo Barros, recuar da ideia de levar a produção de fator VIII recombinante para o Paraná, a estatal vai ter que procurar uma nova parceira para fracionar plasma e produzir hemoderivados.

Essa tarefa pertencia à empresa francesa LFB que, segundo o Ministério da Saúde, não está mais interessada em continuar. Por isso, uma eventual nova contratação deverá ser feita. O abastecimento de hemoderivados no País, feito em grande parte pela Hemobrás, pode ser impactado. A LFB pretende retomar a parceria. A LFB teve o certificado junto à Agência Brasileira de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspenso.

A empresa era responsável pelo fracionamento de plasma na França para a produção de quatro hemoderivados: a albumina, imunoglobulina, fator VIII e fator XIX. Os produtos são disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Também havia um contrato com a Hemobrás de transferência de tecnologia.

Como resultado desse impasse, há 240 mil litros de plasma estocados na Hemobrás, em Goiana, Mata Norte do Estado, sem utilização. O Ministério da Saúde afirma que está preparando uma licitação para encontrar uma empresa internacional que fracione 153 mil litros desse líquido. Essa licitação já está em andamento, ainda internamente.

A Hemobrás foi criada em 2004 com o objetivo de tornar o Brasil autossuficiente na produção de hemoderivados.
Enquanto não é capaz de produzir, a estatal contava com a parceria da LFB para suprir parte da necessidade por esses quatro medicamentos.

O JC apurou que, sem o fracionamento, há o risco de prejuízo no fornecimento de albumina no mercado. O medicamento é usado no tratamento de queimados, pessoas com cirrose e pacientes de terapia intensiva. O remédio é fornecido totalmente pela Hemobrás, por meio do acordo com a LFB. A estatal garante que não há risco de desabastecimento.

Já uma grande parte da imunoglobulina, o hemoderivado consumido por pessoas com aids ou com outros problemas imunológicos, além de doenças autoimunes e infecciosas, também é fornecida pelo Ministério da Saúde. O órgão garante que tem estoque até o fim de outubro deste ano e já está realizando pregão para compra de nova quantidade.

Quanto a demanda dos fatores VIII e XIX, a Hemobrás diz que pode ser atenuada pelo fornecimento do fator VIII recombinante, produto sintético que também é distribuído pela estatal, por meio de Parceria para Desenvolvimento Produtivo (PDP) com a empresa irlandesa Shire.

A Hemobrás, atualmente, está 70% concluída. Após decidir manter a produção do fator VIII recombinante, produto de maior valor agregado, em Goiana, o Ministério da Saúde agora está fazendo outra negociação para concluir a fábrica de fracionamento de plasma no Estado.

Segundo o órgão, é necessário investimento privado para isso. A Shire vai investir R$ 957 milhões na unidade fabril para concluir a fábrica de fator VIII recombinante.

Quando estiver concluída, a Hemobrás em Pernambuco vai poder fabricar tanto os hemoderivados quanto o fator VIII recombinante. Além da albumina, imunoglobulina, fatores VIII e XIX, também será capaz de produzir o fator de von Willebrand e o complexo protrombínico, que atuam na coagulação e são usados para a doença de von Willebrand e hemofilia, respectivamente.

LFB

A empresa francesa LFB garantiu ao Jornal do Commercio, por e-mail, que pretende continuar a fracionar plasma para o Brasil e vai tentar recuperar o certificado junto à Anvisa, com o objetivo de produzir e fornecer hemoderivados.

“Nossa empresa possui contrato assinado com a Hemobrás para fracionamento de 120 mil litros de plasma, os quais já se encontram na França”, diz a nota enviada.

A empresa negou que pretende deixar o negócio junto à Hemobrás e lembrou que possui contrato “em vigor” para transferência de tecnologia de fracionamento de plasma junto à estatal.

Sobre o certificado junto à Anvisa no Brasil, a LFB confirmou que está suspenso, mas enfatiza que possui Certificado de Boas Práticas de Fabricação, válido até julho de 2018 para todas as suas plantas de produção, fornecido pela Agência Nacional de Segurança de Medicamentos e de produtos de Saúde (ANSM). Isso garante a continuidade de distribuição de medicamentos a pacientes na França e outros países da Europa, América do Sul, América do Norte e China.

Além disso, garante que vai tentar recuperar o certificado junto à Agência de Vigilância Sanitária brasileira, que “desempenha um importante papel quanto à segurança, eficácia e qualidade dos medicamentos oferecidos à população”. O LFB diz, por fim, que sempre atuou em consonância com as regras do órgão.

O JC procurou a Anvisa para esclarecer os motivos da suspensão da certificação da empresa francesa que proíbe a distribuição de medicamentos no País, mas não recebeu retorno até o fechamento desta edição.

JC Economia


Plano Santo Amaro – Marinha diz que só entrega terreno depois de receber nova Vila Naval

Proposta do município será tema de audiência pública no dia 22, no Ginásio Pernambucano

Plano prevê permuta de terreno da Marinha por área construída para habitação dos militares / Reprodução Maquete

Plano prevê permuta de terreno da Marinha por área construída para habitação dos militares

Reprodução Maquete

A Marinha do Brasil ainda está avaliando o Plano Específico Santo Amaro Norte, que cria diretrizes e parâmetros de utilização do terreno da Vila Naval, na área central do Recife. Mas adianta, por meio de nota, que só entregará a parte do terreno a ser permutada com construtoras que venham a se interessar pela proposta após receber uma nova Vila Naval.

A nota esclarece, por intermédio do Comando do 3º Distrito Naval, que a Marinha foi procurada “por autoridades locais” com interesse em desocupar parte do terreno da vila para alargar a Avenida Cruz Cabugá e construir uma via lindeira à bacia dos rios Capibaribe e Beberibe, a fim de melhorar a mobilidade na área.

“Diante disto, visando contribuir para o desenvolvimento da cidade, a Marinha e a Prefeitura do Recife chegaram a um consenso para elaboração de um acordo, que inclui a cessão de parte da área da Vila Naval”, diz a nota. “Para que isto ocorra, a prefeitura elevaria o potencial construtivo do local, de forma a viabilizar a realização de um processo licitatório para a permuta da área cedida por obras de interesse da instituição, de acordo com a Lei nº 8.666/93, que versa sobre licitações e contratos, e em conformidade com o parágrafo primeiro da Lei nº 5.658/71, que autoriza a venda ou permuta de bens imóveis da União sobre a jurisdição da Marinha”.

ACORDO

A instituição ressalta a “necessidade de análise preliminar da conformidade do projeto com os termos do acordo”. E diz que “as áreas jurisdicionadas à Força, que serão postas como objeto do edital, só serão entregues à prefeitura e à iniciativa privada, após a conclusão das obras de interesse da Marinha e o cumprimento das cláusulas previstas no acordo”, sem dar detalhes sobre o mesmo.

Por fim, afirma estar “disposta a apoiar ações que contribuam para a melhoria da qualidade de vida da população e enfatiza que a atividade militar requer uma mobilidade geográfica que gera restrições à família, como mudanças recorrentes de residência, com impacto no emprego do cônjuge e na educação dos filhos, ocasionando a necessidade de disponibilização de moradia para o seu pessoal”. O plano será tema de audiência pública, no dia 22, às 9h, no Ginásio Pernambucano da Avenida Cruz Cabugá.

JC Cidades


Porto Digital no Recife é finalista de prêmio nacional promovido pelo Iphan

O resultado do concurso será divulgado dia 22 de agosto em Brasília e o Porto Digital concorre com outras 11 iniciativas

Inaugurado em 2016, o prédio na esquina das Ruas do Apolo e do Observatório, no Bairro do Recife, é o último restaurado pelo Porto Digital / Foto: Leo Motta/JC Imagem

Inaugurado em 2016, o prédio na esquina das Ruas do Apolo e do Observatório, no Bairro do Recife, é o último restaurado pelo Porto Digital
Foto: Leo Motta/JC Imagem

Da Editoria Cidades

O Porto Digital é um dos finalistas da 30ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Parque tecnológico instalado no Recife, ele concorre com as ações de recuperação de prédios antigos que vem desenvolvendo desde 2001. Nos últimos 16 anos, o Porto Digital restaurou oito imóveis no Centro da cidade – sete no Bairro do Recife e um em Santo Amaro – e no momento está com cinco projetos em andamento.

“Estamos concorrendo numa categoria nova do prêmio, que reconhece iniciativas de gestão compartilhada do patrimônio cultural. O trabalho de restauração das edificações envolve nosso esforço de governança, a prefeitura e o governo do Estado”, afirma Leonardo Guimarães, diretor executivo do Porto Digital. O parque tecnológico disputa o prêmio Rodrigo Melo Franco com outras 11 iniciativas do gênero e o resultado final será anunciado em Brasília, no início da próxima semana.

Galeria de imagens

O último prédio restaurado pelo Porto Digital no Bairro do Recife fica na Rua do Apolo, nº 235
Legenda
Secretaria de Ciência e Tecnologia

O primeiro prédio restaurado pelo Porto Digital fica na Rua Bione, no Bairro do Recife, e abriga a sede do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R.). Construído no século 19 para funcionar como galpão de armazenamento, o imóvel foi comprado pelo Núcleo Gestor do Porto Digital em 2011. Nesse mesmo ano, o parque tecnológico adquiriu mais três imóveis do século 19 no Recife Antigo, sendo dois na Rua do Apolo (175 e 181) e outro no Cais do Apolo (212), reformados para acolher o Portomídia.

Ainda no Bairro do Recife, o Porto recuperou um prédio de propriedade do governo do Estado para receber a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Rua Vital de Oliveira) e um edifício da Prefeitura do Recife, para implantar o Softex (Rua Domingos José Martins). Em Santo Amaro, o imóvel de número 420 da Rua Capitão Lima voltou a fazer parte da vida da cidade como Jump Brasil e agora é o endereço do escritório administrativo e atendimento do aplicativo Uber.

No último prédio restaurado e reaberto pelo Porto Digital (Rua do Apolo, 235), com patrocínio do BNDES, funcionam laboratórios de apoio ao Portomídia (salas de treinamento, auditório, galeria de artes digitais), o Laboratório de Objetos Urbanos Conectados (L.O.U.Co) e a Jump Brasil (aceleradora e incubadora de empresas). Era uma casa em ruínas, do século 19, originalmente usada como residência e comércio.

Um dos projetos em andamento prevê a reocupação do número 50 da Rua da Moeda com um hotel de empresas. “É um espaço para empresas de menor porte, recém-saídas da aceleradora ou da incubadora, com salas de 40 a 50 metros quadrados. Falta isso no Bairro do Recife”, diz Leonardo Guimarães. O edifício em ruínas ocupa uma quadra.

“Todos estão sob a nossa gestão, mas alguns são alugados a empresas. Temos prédios de propriedade do Núcleo Gestor do Porto Digital, edificações do Estado cedidas ao Porto e imóveis do governo com uso vinculado ao parque tecnológico”, detalha Leonardo Guimarães. Criado no ano 2000, o Porto Digital restaurou mais de 50 mil metros quadrados de imóveis históricos na área do parque.

CATEGORIAS

A superintendente do Iphan-PE, Renata Borba, informa que Pernambuco está representado em três categorias, das quatro modalidades existentes no prêmio. Além do Porto Digital, concorrem o Paço do Frevo (projetos que ajudam a comunicar, interpretar, divulgar, difundir e educar para o patrimônio cultural) e o projeto Redes de Mestres e Brinquedos (estudo, pesquisa, documentação e identificação para salvaguarda do patrimônio imaterial), para preservação do teatro de bonecos.

Dos 296 projetos inscritos em todo o País, 68 serão analisados pela Comissão Nacional de Avaliação segunda (21/08) e terça-feira (22/08). Os oito vencedores (dois por categoria) receberão R$ 30 mil, cada. “Pernambuco concorre com iniciativas de instituições, de pessoas e de associações que compartilham com ma missão do Iphan, de resgatar o patrimônio cultural brasileiro”, declara Renata Borba

JC Online


Lava Jato acha telefone da mulher de Gilmar no celular de Jacob Barata

Para procuradores, telefone de Guiomar na agenda de Jacob reforça ligação entre ministro do STF e o empresário

Telefone de mulher de ministro do STF é encontrado em celular de Jacob Barata Filho / Foto: Divulgação/STF

Telefone de mulher de ministro do STF é encontrado em celular de Jacob Barata Filho

Foto: Divulgação/STF

A força-tarefa da Operação Lava Jato encontrou o número de telefone de Guiomar Mendes, mulher do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na agenda do celular do empresário Jacob Barata Filho, o “Rei do Ônibus”. Na noite de quinta-feira (17) Gilmar Mendes mandou soltar Jacob Barata Filho, preso pela Operação Ponto Final – que capturou a cúpula dos Transportes do Rio em julho.

O empresário nem chegou a sair da prisão, porque o juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, do Rio, expediu novo mandado contra ele. A Procuradoria da República, no Rio, quer a suspeição de Gilmar.

Em ofício enviado, nesta sexta-feira, 18, ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nove procuradores regionais da República e mais quatro procuradores que atuam perante a 1.ª instância argumentam que o encontro do número de telefone da mulher de Gilmar no celular do Rei do Ônibus reforça a proximidade do ministro com o empresário.

“A proximidade de Jacob Barata Filho com o ministro Gilmar Mendes também é demonstrada pelo fato de o contato da esposa do ministro, Guiomar Mendes, constar na agenda telefônica do aparelho celular do empresário”, afirma a força-tarefa.

“A informação consta no aparelho de celular Apple Iphone 7 plus, apreendido na prisão de Jacob Barata Filho, conforme relatório de extração.”

O documento tem nove páginas. Segundo o Ministério Público Federal, no Rio, Jacob Barata Filho “possui vínculo societário empresarial com Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, irmão da esposa do ministro, Guiomar Feitosa de Albuquerque Lima Mendes, na empresa Auto Viação Metropolitana LTDA”. A Procuradoria mandou a Janot um documento da Receita como comprovação.

“Além do vínculo societário, Jacob Barata Filho e Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, cunhado do Ministro, possuem íntimo relacionamento pessoal, tratando-se como amigos e compadres em diálogo travado dias antes da prisão do empresário”, observou a força-tarefa.

Mensagens

Na mensagem, de 29 de junho de 2017, o “Rei do Ônibus” escreve a Chiquinho Feitosa. “Chiquinho, bom dia! Vc está sumido. Onde anda? Saudade do amigo. Um grande abraço, Jacob.”

Às 19h21, Chiquinho responde. “Td bem, meu amigo. Saudade tbm d vc. Estava em Portugal cheguei ontem e vim direto pra Presidente Prudente, afinal de contas lembra q vc foi quem me deu corda? Estava eu aposentado e agora cheio d trabalho kkkk Mas a sua disposição sempre… só vc chamar, hora e lugar. Abraço grande do seu amigo e compadre, Chiquinho Feitosa.”

No dia seguinte, às 12h34, Jacob pergunta. “Vc estará em Fortaleza na 2f?”

“Estarei irmão”, responde Chiquinho Feitosa.

“Vou lá te dar um abraço”, diz o “Rei do Ônibus”.

“Será um grande prazer, irmão. Segunda é meu aniversário porém farei um almoço na sexta na boisa. Se tiver como vc equacionar a sua agenda será ótimo, ficarei muito feliz. Sr Humberto e outros amigos lá de Portugal estão vindo na quinta e retornando sábado só para o almoço e sua presença me prestigiaria bastante.”

Jacob Barata Filho foi preso no dia 2 de julho.

Na noite desta sexta-feira, 18, ministro Gilmar Mendes concedeu um novo habeas corpus para soltar Barata Filho e o ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor), Lélis Teixeira.

Estadão Conteúdo

JC Política


Startup Health reúne propostas de 22 empresas em desenvolvimento na HospitalMed no Recife

por Fernando Castilho

Organizador do Startup Health, o empresário Maristone Gomes, avalia que o projeto, desenvolvido durante a HospitalMed, apresentou soluções e empreendedores dispostos a resolver mais problemas na área de saúde. Só precisamos que os demais agentes estejam envolvidos e ajudem esses negócios a crescer” disse ao falar sobre as startups de Pernambuco que atuam no segmento e mostradas no evento.

Ele avalia que o espaço Startup Health cumpriu a missão de fazer este alerta ao mercado local. O evento reuniu 22 negócios inovadores do Nordeste dentro da HospitalMed, maior feira regional do setor, que se encerra nesta sexta-feira (18), no Centro de Convenções.

O comentário de Maristone Gomes é um recado ao polo médico pernambucano – um dos maiores do País – para que empresários, gestores, profissionais de saúde e médicos se aproximem dos startups locais que já estão resolvendo problemas como tempo e custo de exames laboratoriais, desperdício de insumos e monitoramento de doenças.

No Startup Health, os empreendedores também tiveram a oportunidade de apresentar suas ideias, projetos, produtos e serviços para uma banca qualificada, composta por instituições como Porto Digital, Cesar, Tynno Investimentos, Parqtel (PE), Sebrae Nacional, Deloitte e Albert Einstein (SP). Representantes dessas entidades visitaram o evento, assistiram a pitches (apresentações rápidas) e avaliaram o potencial das startups.

“Aqui em Pernambuco está um dos maiores polos médicos do Brasil, com mais de R$ 7 bilhões movimentados anualmente e cerca de 100 mil pessoas trabalhando para levar mais qualidade de vida aos pacientes. Se aproximarmos essas duas forças motrizes – um mercado consolidado e um ambiente inovador – podemos ter uma influência muito relevante em todos os agentes desse ecossistema, com benefícios que vão da planilha de custos das empresas ao bem-estar das famílias”, diz Maristone.

O CIO (chief information officer), ou gerente de Tecnologia, do Real Hospital Português (RHP), Ademir Novais, reconhece a resistência que startups encontram no mercado tradicional de saúde, que para ele, ainda tem dificuldade de absorver o aumento da conectividade tecnológica experimentado pelos consumidores em outras áreas.

No entanto, Novais afirma que os empreendedores de novos negócios não estão buscando as oportunidades como deveriam. “Estou há sete anos no Real Hospital Português, o maior do Nordeste, e conto em uma mão a quantidade de startups que nos procuraram”, relata Ademir, que se coloca à disposição para conhecer ideias e negócios inovadores relevantes.

Entre as soluções de destaque apresentadas estão a Pickcells, que barateia e agiliza análises laboratoriais através de imagens analisadas em tempo real; a Bionica, cujo termômetro IoTherm pode ser usado por crianças com febre para que os pais recebam alertas no celular.

“Aqui no Startup Health já fomos consultados para novos usos do nosso produto em hospitais, clínicas e segmentos diversos como a veterinária. Recebemos inclusive pessoas que sugeriram outros setores, como o da construção. Vamos estudar as oportunidades”, diz Hatus Viana, da Bionica. O IoTherm deverá ser lançado no fim de ano e já recebeu demandas para compra.

Muitos contatos feitos durante o Startup Health se desdobram em parcerias e vendas. Um exemplo é o Econtroles, um dispositivo que usa apenas água para matar as larvas do mosquito Aedes aegypti.

A empresa realizou pré-vendas, inclusive para representantes da Vigilância Sanitária Estadual, e aguarda um lote que está vindo de São Paulo para efetivar entregas. Outro exemplo é a Senfio, que fornece monitoramento remoto de temperatura de ambientes e participa da Startup Health pela segunda vez.

A empresa conseguiu fechar negócios no ano passado. Neste ano, iniciou contato com possíveis investidores e recebeu consultas para entregas futuras – uma vez que a capacidade de venda da empresa está esgotada. Quem também fechou parcerias técnicas e de vendas foi o Naora, aplicativo que agenda consultas médicas e ajuda o paciente a lembrar do compromisso e chegar até o local.

A divulgação promovida pelo Startup Health deu destaque a outras soluções, como a Farmazap, aplicativo que facilita a pesquisa por preços de medicamentos em diversas farmácias, emitindo alertas quando são achados valores mais baixos. A média de download do aplicativo era de 20 por semana e chegou a 4.600 entre a quarta-feira (16/8), abertura do evento, e esta sexta (18/8).

“Acreditamos que vamos encerrar com pelo menos 6 mil downloads, juntando usuários de Android e de iOS (Apple)”, diz o CEO da Farmazap, Aldo Ferreira.

JC Negócios