Delator da JBS diz que pagou propina para Paulo Câmara, Geraldo Julio e FBC

Após a morte de Eduardo Campos, Geraldo Julio teria procurado diretor da JBS para cobrar propina a campanha de Paulo Câmara

Delator da JBS diz que negociou pagamento de propina em dinheiro vivo para campanha de Paulo Câmara em 2014 / Foto: JC Imagem

Delator da JBS diz que negociou pagamento de propina em dinheiro vivo para campanha de Paulo Câmara em 2014
Foto: JC Imagem

Paulo Veras

Diretor da JBS, o delator Ricardo Saud afirmou, em delação a força-tarefa da Lava Jato, que negociou o pagamento de propina na campanha de 2014 com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, e com o prefeito do Recife, Geraldo Julio; ambos do PSB. Tudo começou com um acerto para pagar R$ 15 milhões para a campanha presidencial do ex-governador Eduardo Campos, falecido em agosto de 2014. A delação envolve também o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB).

“Exatamente no dia que ele faleceu, eu estava com o Henrique que era a pessoa dele que ele mandava… Ou o Henrique, ou o Paulo Câmara ou o Geraldo Julio para ir lá tratar da propina”, afirma Saud.

Após a morte de Eduardo, Saud conta que foi procurado por Geraldo Julio pedindo para que fosse honrado o pagamento do que havia sido negociado com Eduardo. O objetivo era vencer a eleição pelo governo de Pernambuco.

No início, a JBS queria pagar apenas o que foi combinado com o ex-governador. “Nós chegamos ao meio termo que íamos pagar para não atrapalhar a campanha do Paulo Câmara. E ainda darmos uma propina para o Paulo Câmara em dinheiro vivo lá em Pernambuco”, afirma.

FBC

Segundo o delator da JBS, o senador Fernando Bezerra Coelho também se favoreceu do acordo. Ele indicou uma empresa teria pago R$ 1 milhão em 02 de setembro de 2014. “O Fernando Bezerra foi beneficiado. Essa nota fiscal aqui de R$ 1 milhão foi para ele”, afirma Saud.

As informações vieram a tona com a divulgação pela Justiça dos vídeos das delações; que atingiram fortemente o presidente Michel Temer (PMDB).

Jornal do Commercio


PF intercepta ligação entre Aécio e Gilmar Mendes

Senador pediu ao ministro que convencesse Flexa Ribeiro a votar a favor do projeto de abuso de autoridade 

Gilmar foi pego no grampo da PF conversando com Aécio Neves / Foto: Agência Brasil

Gilmar foi pego no grampo da PF conversando com Aécio Neves
Foto: Agência Brasil

A Polícia Federal interceptou pelo menos uma conversa telefônica entre o presidente do TSE, o ministro Gilmar Mendes, e o senador – agora afastado e investigado – Aécio Neves (PSDB). De acordo com o relatório policial, o diálogo aconteceu no dia 26 de abril e Aécio pediu ao ministro para que telefonasse para o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) para convencê-lo a votar a favor do projeto de lei de abuso de autoridade.

“Nesse diálogo, o senador investigado (Aécio) pede que o magistrado converse com Flexa Ribeiro para que este siga a orientação de voto proposta por Aécio”, diz o trecho da delação. O voto em questão é sobre o projeto que tratava de “abuso de autoridade” que está em discussão no Congresso Nacional.

Temer também foi interceptado

De acordo com os documentos divulgados nesta sexta-feira (19), os telefones de Aécio e Loures foram interceptados judicialmente. Ou seja, não houve interceptação nos aparelhos do ministro Gilmar Mendes e do presidente Michel Temer, que teve uma ligação interceptada com o ex-assessor e atual deputado federal Rodrigo Loures (PMDB-PR).

Loures é um dos homens de confiança de Temer e, na conversa, o presidente fala sobre a expectativa que o deputado tinha sobre as novas regras para o setor de portos.

Os relatórios sobre as ligações foram divulgados na tarde desta sexta-feira (19) por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.

JC Online


Embaixadores da União Europeia conhecem oportunidades de negócios em Suape

Vinte e um embaixadores da União Europeia (UE) participaram, no fim da manhã e início de tarde desta quinta-feira (18), de um almoço e de uma palestra na sede do Complexo Portuário de Suape, em Ipojuca, Região Metropolitana do Recife. O grupo foi recepcionado pelo vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico, Raul Henry, e pelo presidente do porto, Marcos Baptista. Durante o ato, os diplomatas conheceram um pouco das potencialidades do Estado e possibilidades de negócios que envolvem o complexo portuário. A missão é realizada anualmente e Pernambuco foi o escolhido em 2017. A agenda dos europeus no Estado segue até o próximo dia 21.

Marcos Baptista, primeiro a falar no encontro, pontuou a importância desses momentos para prospectar novos negócios e apresentar todo o potencial do empreendimento. “Para nós é uma grande honra poder apresentar todo o potencial da joia da coroa pernambucana. Não é por acaso que hoje Suape é o sucesso que é. Temos um projeto sólido que gera mais de 18 mil empregos e sempre traz resultados positivos para quem se instala aqui”, comentou Marcos.

Com a missão de apresentar todo o diferencial de Pernambuco em relação aos demais países do Brasil, o vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Raul Henry, pontuou as oportunidades para as empresas que querem investir no empreendimento. “Suape é o maior ativo da economia de Pernambuco. É um exemplo de gestão pública, um porto que tem uma extraordinária performance e um exemplo de continuidade administrativa, todos os governos que se sucederam investiram neste complexo. Este porto é um exemplo de continuidade e estamos aptos a retomar os investimentos nos terminais de veículos e, de contêineres. Já temos uma operação de veículos muito importante da Fiat e da Toyota acontecendo e temos todo o potencial para diversificar a movimentação de produtos como os granéis sólidos“, comentou.

O embaixador da UE no Brasil, João Cravinho, ressaltou a importância desta aproximação para fortalecer os laços entre a UE e Pernambuco. “Esta passagem ao Estado de Pernambuco é uma visita prospectiva, ancorada em um relacionamento antigo, extenso e profundo entre o estado de PE e os países da União Europeia”. João também adiantou as intenções para o ano “Em 2017 temos a perspectiva renovada de conseguirmos chegar a um acordo comercial entre a UE e o Mercosul. A UE já é o melhor parceiro comercial do Brasil. Prevemos que com o acordo entre a união europeia e o Mercosul, naturalmente o Porto de Suape será ainda mais importante para o desenvolvimento de novos negócios”, finalizou.

SUAPE – Com 38 anos de existência, o Complexo Industrial Portuário de Suape conta com mais de 100 empresas instaladas e em processo de implantação em seu território de 13,5 mil hectares. Esses empreendimentos somam mais de R$ 50 bilhões em investimentos privados, empregando um total de 18 mil trabalhadores diretamente. Suape está conectado aos principais portos do mundo. Em 2016, o atracadouro contabilizou 22,74 milhões de toneladas de cargas movimentadas, encerrando o ano com crescimento de 15% em relação a 2015. Essa taxa de crescimento foi a maior entre os 10 maiores portos públicos do país, o que alavancou Suape para a 5ª posição no ranking nacional. No primeiro trimestre deste ano, a movimentação geral de cargas somou 5,38 milhões de toneladas e subiu 12% em comparação com o primeiro trimestre de 2016.


Thiago Vieira inaugura novo espaço de beleza em Boa Viagem

Crédito: Blenda Souto Maior/DP

Crédito: Blenda Souto Maior/DP

Thiago Vieira está com tudo no seu novo projeto profissional. Em sociedade com o irmão, Caio Vieira, pretende inaugurar até o começo de junho o seu novo espaço de beleza, o Mess, na Conselheiro Aguiar.

Terá vários itens de luxo e exclusivos, a exemplo do mármore usado na obra: o mesmo de todas as lojas Empório Armani do mundo.


Felipe Carreras promove encontros turístico entre os Embaixadores da União Europeia no Recife

 Crédito: Hesiodo Goes/Seturel-PE

Crédito: Hesiodo Goes/Seturel-PE

O Secretário de Turismo, Esportes e Lazer de Pernambuco, Felipe Carreras, preparou um roteiro aos principais pontos turísticos do estado para os embaixadores darem uma pincelada no nosso turismo e conhecerem o que Pernambuco tem de melhor.

Por conta da agenda de trabalho dos embaixadores, o Secretário solicitou uma agenda exclusiva para seus cônjuges, enquanto eles estavam na Missão. O roteiro incluiu visita ao Engenho Massangana, viagem à Porto de Galinhas para circular pelo Centro e visita ao Ateliê de Carcará.

Hoje os embaixadores se incorporam à programação turística e, neste momento, estão visitando o Paço do Frevo. De lá, vão seguir para o Museu Cais do Sertão. “Fiz questão de incluir programações características do nosso Estado.

Além disso, achamos simpático criar um roteiro paralelo para os cônjuges enquanto os embaixadores estavam nas visitas às empresas e órgãos guiados pelo Governo”, explica Felipe Carreras. Amanhã os casais vão conhecer o Centro de Artesanato e finalizar viagem à Pernambuco num belo passeio de Catamarã.


Um tour pela Sephora Recife

A marca inaugura sua primeira loja na capital pernambucana

Por: Juliana Gomes

A marca inaugura sua primeira loja na capital pernambucana

A marca inaugura sua primeira loja na capital pernambucanaFoto: Maria Nilo/FolhaPE

A Sephora, rede de produtos de beleza, fundada na França, inaugura sua primeira loja em Pernambuco, no Shopping RioMar, nesta sexta-feira (19). A chegada da marca traz às consumidoras locais mais de 140 marcas de beleza, para homens e mulheres, como Benefit, Caudalie e Urban Decay.

Hoje, a Sephora possui mais de 2300 lojas em 33 países. É reconhecida em todo o mundo por seus conceitos exclusivos no varejo e por oferecer uma vasta gama de produtos, incluindo cuidados para o cabelo, pele, corpo, banho, fragrância e maquiagem. No Recife, a loja possui 300m², com mais de 10 mil itens oferecidos para o público. O novo design é inspirado nas lojas do futuro, que já estão disponíveis, também, na França.

A marca traz mais de 140 marcas de beleza
Foto: A marca traz mais de 140 marcas de beleza
Créditos: Maria Nilo/FolhaPEA Sephora Recife possui um novo estúdio todo repaginado, o Beauty Studio e o Skincare Studio, onde o público poderá conhecer, testar os itens oferecidos pela marca e até desfrutar dos serviços: Make Up Express, Hair Express e Skincare Express, que são 15 minutos para dar uma renovada no visual gratuitamente e sem precisar agendar, e o Full Express, que é mais personalizado e tem a necessidade do agendamento, com duração de até 45 minutos e custo de R$ 250.

A maquiadora oficial, Cinthia Cesário, treina os especialistas em cores da loja, que estarão disponíveis, das 10h às 22h, para fazer os serviços de Make Up Express, Hair Express, Skincare Express e Full Make Up. Ao todo, são sete maquiadores disponíveis na Sephora Recife.

A loja conta com sete maquiadores disponíveis
Foto: A loja conta com sete maquiadores disponíveis
Créditos: Maria Nilo/FolhaPERoberta Jungmann Blog – FolhaPE

Fernando de Noronha terá coleta seletiva

Programa será implantado no dia 5 de junho e prevê o recolhimento de materiais em quatro ecopontos espalhados pelo arquipélago

Por: THIAGO CABRAL

Projeto “Jogue Limpo Noronha” visa desenvolver ações para deixar a ilha mais sustentável e limpa e atender aos termos de compromissos ambientais

Projeto “Jogue Limpo Noronha” visa desenvolver ações para deixar a ilha mais sustentável e limpa e atender aos termos de compromissos ambientais – Foto: Arthur de Souza

Um programa de coleta seletiva será implantado no arquipélago de Fernando de Noronha no dia 5 de junho. Haverá um calendário com dias e bairros específicos para o recolhimento de materiais recicláveis, não recicláveis e orgânicos, além de volumosos e poda.

A comunidade receberá imãs com a programação e um folder com dicas e informações sobre como separar o lixo. A ação faz parte do projeto “Jogue Limpo Noronha”, que visa desenvolver ações para deixar a ilha mais sustentável e melhorar o serviço de limpeza e coleta. A ideia é atender as políticas nacionais e estaduais de resíduos sólidos e as diretrizes do termo de compromisso ambiental, do Ministério Público de Pernambuco.

Também será realizada uma campanha de conscientização sobre a reciclagem do óleo vegetal, além da instalação de quatro ecopontos para recolhimento do resíduo na Escola Arquipélago, Centro Infantil Bem-Me-Quer, supermercado Poty e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O material coletado será transportado para o continente, para ser reciclado e utilizado na produção de sabão.

“Após derramar o óleo no coletor, as pessoas devem descartar a garrafa onde trouxeram o produto na lixeira que se encontra ao lado”, orienta a gestora de Meio Ambiente, Helena Albuquerque. “Toda a população será beneficiada com o novo sistema de coleta seletiva. Mas é importante lembrar que é necessário o esforço e comprometimento de todos para que o programa seja implantado com sucesso.

Por isso, contamos com o empenho e colaboração da comunidade para o cumprimento do calendário, a separação e o armazenamento adequados dos resíduos, além do uso e zelo dos ecopontos”, ressaltou a gestora.

Outras ações estão previstas para acontecer este ano. Uma delas é a instalação de mais ecopontos para resíduos especiais, como medicamentos, pilhas e baterias e lâmpadas, que não podem ser descartados com o lixo comum por serem prejudiciais à saúde e ao ambiente.

Folha PE


Delator diz que Aécio recebeu R$ 80 milhões para campanha e ‘continuou pedindo mais’

Saud não deu detalhes sobre a forma do repasse ao tucano, mas disse que as “questões” eram na maioria das vezes “ilícitas”.

Aecio
O delator contou que Joesley sempre “correu” do candidato ( FOTO: AGÊNCIA SENADO )

Em delação ao Ministério Público, o diretor de Relações Institucionais e de Governo da JBS, Ricardo Saud, relatou, no último dia 7, que o grupo pagou R$ 80 milhões para a campanha do então candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. Principal braço direito de Joesley Batista, dono da JBS, nas negociações com políticos do governo ou da oposição, Saud não deu detalhes sobre a forma do repasse ao tucano, mas disse que as “questões” eram na maioria das vezes “ilícitas”.

O delator contou que Joesley sempre “correu” do candidato. “Ele (Aécio) continuou pedindo mais dinheiro após a campanha”, relatou. Saud ainda contou que um homem de prenome Fred era o interlocutor de Aécio para receber o dinheiro, sempre em shopping center movimentado.

O dinheiro era guardado por Fred numa mochila de cor preta. Uma pessoa próxima de Aécio conhecida por Fred é o primo dele Frederico Pacheco de Medeiros, preso no âmbito das investigações nesta quinta-feira, 18. O delator ainda contou que pagava “propina” a dois intermediários de Eduardo Cunha, Altair e Lúcio Funaro.

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve divulgou a íntegra da delação premiada dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos do grupo JBS, controlador do frigorífico Friboi. Os depoimentos preencheram cerca de 2 mil páginas, e as oitivas foram gravadas em vídeo. Na quinta-feira (18), após retirar o sigilo dos depoimentos, o STF divulgou o áudio gravado pelo empresário Joesley Batista em uma reunião com o presidente Michel Temer. A prova faz parte da investigação que foi aberta contra o presidente na Suprema Corte.

Também foram citados os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Zezé Perrela (PMDB-MG), além de pessoas ligadas a eles, no entanto, essa parte ainda não havia sido divulgada oficialmente. O áudio tem cerca de 40 minutos. Na conversa, Temer e Batista conversam sobre o cenário político, os avanços na economia e também citam a situação do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que foi preso na Operação Lava Jato, por volta dos 11 minutos.

Em pronunciamento, Temer afirmou que não irá renunciar ao cargo e exigiu uma investigação rápida na denúncia em que é citado, para que seja esclarecida. “Não renunciarei. Repito não renunciarei”, afirmou. Sem seguida, em nota divulgada à imprensa, o Palácio do Planalto informou que o presidente não acreditou na veracidade das declarações de Joesley.

“O presidente Michel Temer não acreditou na veracidade das declarações. O empresário estava sendo objeto de inquérito e por isso parecia contar vantagem. O presidente não poderia crer que um juiz e um membro do Ministério Público estivessem sendo cooptados”, disse a assessoria do Palácio do Planalto, em nota. A expectativa do governo é que o STF investigue e arquive o inquérito”, diz a nota.


Janot acusa Temer de corrupção, obstrução de Justiça e organização criminosa

A PGR atribui pelo menos três crimes ao presidente da República

Presidente está encurralado pelas delações da JBS

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no pedido de abertura de inquérito contra o presidente Michel Temer, acusa o chefe do Executivo nacional de corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa. O pedido é baseado na delação premiada da JBS.Janot argumenta que “os elementos de prova revelam que alguns políticos continuam a utilizar a estrutura partidária e o cargo para cometer crimes em prejuízo do Estado e da sociedade”.

O ministro do STF, Edson Fachin, considerou robustos indícios apresentados por Janot e pediu a abertura de inquérito.

Fachin apontou no despacho de abertura do inquérito que tem entre os investigados o presidente Michel Temer que não há ilegalidade nos áudios gravados pelo empresário Joesley Batista, do Grupo JBS. O ministro aponta ainda que as conversas gravadas foram “ratificadas e elucidadas” por Joesley em depoimento ao Ministério Público. “Convém registrar, ainda e por pertinência, que a Corte Suprema, no âmbito de Repercussão Geral, deliberou que ‘é lícita a prova consistente em gravação ambiental realizada por um dos interlocutores sem conhecimento do outro’.

Desse modo, não há ilegalidade na consideração das quatro gravações em áudios efetuadas pelo possível colaborador Joesley Mendonça Batista, as quais foram ratificadas e elucidadas em depoimento prestado perante o Ministério Público (em vídeo e por escrito), quando o referido interessado se fez, inclusive, acompanhado de seu defensor”, escreveu Fachin no seu despacho. Os áudios – entre eles a conversa de Joesley com Temer – foram entregues por Joesley como elementos para dar suporte à delação.

Segundo Fachin aponta no despacho, foram entregues quatro áudios: o de Joesley com Temer; o diálogo do empresário com Aécio Neves; e duas conversas com o deputado Rodrigo Rocha Loures, apontado por Temer ao empresário como seu interlocutor. Todas as conversas são de março deste ano. Fachin aponta que além dos áudios, Joesley tinha entregue, quando do pedido inicial para abrir o inquérito contra Temer, os anexos da delação e documentos de corroboração para comprovar o que seria dito.

Neste caso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) optou por encaminhar o pedido de abertura de inquérito mesmo na fase preliminar de negociação de delação premiada. Normalmente, os pedidos de inquérito são feitos apenas após a delação ser concluída, assinada e homologada. Fachin aponta que essa foi a opção pois o procurador-geral considera que os crimes “estão em curso ou prestes a ocorrer”.

“A despeito da fase preliminar de negociação do acordo de colaboração premiada, sustenta o Ministério Público Federal que a peculiaridade do caso em tela exige imediata instauração de investigação, pois ao contrário do que usualmente ocorre quando se está em fase preliminar de negociação, os fatos até o momento narrados dão conta de práticas supostamente criminosas cuja execução e exaurimento estão em curso ou prestes a ocorrer, o que torna obrigatória a pronta intervenção do Estado dirigida a cessar as condutas e investigá-las de forma eficaz”, escreveu Fachin.

ÍNTEGRA DOS DOCUMENTOS


Aécio está “inconformado e surpreso”, diz advogado

O advogado do senador Aécio Neves (PSDB-MG), José Eduardo Alckmin, afirmou que o parlamentar está “inconformado e surpreso” com as acusações de que teria pedido R$ 2 milhões a Joesley Batista para pagar sua defesa na Operação Lava Jato e com a determinação de seu afastamento do mandato. Ele confirmou o pedido, mas disse se tratar apenas um empréstimo pessoal e que houve uma “descontextualização” da fala de Aécio na gravação.

Alckmin também afirmou que o senador ficou surpreso com a prisão de sua irmã, Andrea Neves, detida nesta quinta (18) em Belo Horizonte. O advogado ficou reunido com Aécio na casa do senador no Lago Sul entre as 8h e as 13h desta quinta, após o fim do cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa do parlamentar, de onde foram levados computadores.

O advogado seguiu para o STF, onde disse que pediria ao ministro Edson Fachin a “reconsideração das medidas cautelares” e do pedido de afastamento do mandato.


Erramos e pedimos desculpas, diz Joesley Batista

O dono do Grupo JBS, Joesley Batista, admitiu o pagamento de propina a políticos e pediu “desculpas a todos os brasileiros” em carta divulgada nesta quinta-feira (18). O texto foi apresentado após a divulgação de gravação de conversa entre o empresário e o presidente da República, Michel Temer.

Na carta, o executivo afirmou que a empresa fez “pagamentos indevidos a agentes públicos”. “Nosso espírito empreendedor e a imensa vontade de realizar, quando deparados com um sistema brasileiro que muitas vezes cria dificuldades para vender facilidades, nos levaram a optar por pagamentos indevidos a agentes públicos”, disse o executivo, na carta.

Ele admitiu que foi um erro e disse que “não tem justificativas”. Ele afirmou que o grupo cresceu no exterior com práticas diferentes das adotadas no Brasil. “Em outros países fora do Brasil, fomos capazes de expandir nossos negócios sem transgredir valores éticos.”

O texto diz ainda que a empresa assinou acordos com o Ministério Público e se coloca “à disposição da Justiça para expor, com clareza, a corrupção das estruturas do Estado brasileiro”.

Veja a íntegra da nota enviada pela JBS:

“Erramos e pedimos desculpas.

Não honramos nossos valores quando tivemos que interagir, em diversos momentos, com o Poder Público brasileiro. E não nos orgulhamos disso.

Nosso espírito empreendedor e a imensa vontade de realizar, quando deparados com um sistema brasileiro que muitas vezes cria dificuldades para vender facilidades, nos levaram a optar por pagamentos indevidos a agentes públicos.

Ainda que nós possamos ter explicações para o que fizemos, não temos justificativas.

Em outros países fora do Brasil, fomos capazes de expandir nossos negócios sem transgredir valores éticos.

Assim construímos um grupo empresarial gerador de mais de 270 mil empregos diretos, com times extraordinários e competentes, que operam 300 fábricas em cinco continentes e oferecem mundialmente produtos de qualidade.

O Brasil mudou, e nós mudamos com ele. Por isso estamos indo além do pedido de desculpas. Assumimos aqui um Compromisso Público de sermos intolerantes e intransigentes com a corrupção.

Assinamos acordos com o Ministério Público. Concordamos em participar de alguns dos mais incisivos mecanismos de investigação existentes e nos colocamos à disposição da Justiça para expor, com clareza, a corrupção das estruturas do Estado brasileiro.

Pedimos desculpas a todos os brasileiros e a todos que decepcionamos, que acreditam e torcem por nós.

Enfrentaremos esse difícil momento com humildade e o superaremos acordando cedo e trabalhando muito.

Joesley Batista”

G1 – Karina Trevizan


Andrea Neves passou a ser a prisioneira 721032

Josias de Souza

Presa por ordem do Supremo Tribunal Federal, Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves (PSDB-MG), deu entrada nesta quinta-feira no sistema prisional mineiro.

Antes de conhecer sua nova hospedaria, o Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte, Andrea vestiu um traje alaranjado e posou para fotos de identificação.

Deixou de ser a operadora de um um dos políticos mais influentes da República. Tornou-se a prisioneira número 721032.

Ou, por outra, virou um símbolo chocante do ponto de decadência moral a que chegou Aécio Neves, um presidente da República que o Brasil livrou-se de ter.


Andrea Neves era a estrategista de Aécio

Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves, chega ao Instituto Médico Legal

Andrea Neves chega ao Instituto Médico Legal

A imagem pública do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) foi moldada pela irmã mais velha, Andrea Neves, 58, presa nesta quinta (18) pela Polícia Federal.

Apesar de preferir evitar exposição pública, a neta de Tancredo foi a grande estrategista da gestão Aécio desde o período em que ele governou Minas (2003-2010), controlando discursos e aparições do então governador e gerindo crises do mandato.

A Aécio, melhor no trato pessoal, cabia a parte de fazer política miúda e ser a figura de destaque da família. Segundo aliados, os dois se complementavam.

No governo, ela comandava oficialmente o Servas, serviço social ligado ao governo cuja presidência normalmente é reservada às primeiras-damas- e coordenava o grupo responsável pela comunicação do Estado. Os cargos, diz Aécio, não eram remunerados.

Andrea também ajudou a tocar as campanhas do irmão, inclusive à Presidência em 2014, e de aliados, como o ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (PSB), eleito em 2008.

Obsessiva por trabalho, ficou conhecida pela rigidez nas cobranças a quem trabalhava com ela. Também era temida pelo modo como desconstruía os adversários nas campanhas. Dizia que na eleição não se dá um soco no adversário, mas “se faz furinhos e deixa ele sangrar”.

Embora a própria Andrea nunca tenha se candidatado, sempre foi ligada à política, inclusive por acaso -em 1981, ia a um show de comemoração ao Dia do Trabalhador no Riocentro quando socorreu o capitão que transportava as bombas que explodiram no conhecido atentado frustrado no local.

Recentemente, decidiu fazer uma rara aparição para se defender. Publicou um vídeo na internet em que chora ao negar acusação de ter recebido dinheiro da Odebrecht em conta no exterior. “Eu gostaria de olhar nos olhos da minha mãe e da minha filha e dizer: é mentira”, afirmou no vídeo.

Andrea foi presa em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, por outra acusação. O empresário Joesly Batista, da JBS, disse em delação ela pediu dinheiro em nome do irmão. O advogado dela, Marcelo Leonardo, afirma que a relação com o empresário era “de caráter pessoal e sem nenhum vínculo com a administração pública”.

Folha de S.Paulo – José Marques


Acordo de delação multa JBS em R$ 250 milhões

Valor que será cobrado de irmãos Joesley e Wesley Batista pelo MPF é considerado baixo para o porte do conglomerado empresarial

O acordo fechado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo JBS, com o Ministério Público Federal, prevê imunidade total para eles. Os procuradores se comprometeram a nem sequer abrir um processo pelos crimes que os empresários relataram, em que expuseram centenas de políticos, funcionários públicos e ex-parceiros. Além disso, a multa acertada gira em torno de R$ 250 milhões, número considerado baixo, dado o porte da empresa e as cifras bilionárias já acertadas com outras empresas envolvidas na Lava Jato.

As condições “suaves” do acordo chegaram a provocar indignação em pessoas que já fizeram negócios com o grupo, que acreditam que os crimes cometidos deveriam ter alguma punição, por menor que fosse. Os empresários também tiveram permissão para continuar comandando os negócios. Mas as condições do acordo podem mudar caso deixem de prestar alguma informação sobre irregularidades.

As irregularidades cometidas pelo grupo envolvem principalmente a compra de apoio político, mas suspeitas de outras condutas pouco ortodoxas ainda são relatadas, mesmo depois de os empresários já terem negociado uma delação premiada.

Desde a semana passada, segundo informações de três mesas de operação de câmbio, a JBS e pessoas ligadas à empresa começaram a comprar dólar. Na quarta-feira, às vésperas da divulgação da delação, a aquisição teria chegado acerca de US$ 1 bilhão. Não há confirmação oficial. Mas, somente de quarta para ontem, se compraram de fato os dólares com base em uma informação que só eles tinham, ganharam mais de 8%.

O Estado de S.Paulo – Josette Goulart


Temer recebeu propina de R$ 15 milhões da JBS

O presidente Michel Temer (PMDB) teria recebido valores próximos a R$ 15 milhões em pagamentos de vantagens indevidas em 2014, segundo delação de Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais da JBS. A quantia teria como contrapartida atuação favorável aos interesses do grupo J&F, controlador do frigorífico JBS. O STF (Supremo Tribunal Federal) derrubou o sigilo das delações do grupo nesta sexta­feira (19).

Os depoimentos, que também foram feitos por um dos donos da JBS, o empresário Joesley Batista, apontam “solicitação de vantagem indevida por parte do atual presidente da República, bem como do deputado federal Rodrigo da Rocha Loures (PMDB­PR), no montante de 5% do lucro obtido com o afastamento do monopólio da Petrobras no fornecimento de gás a uma das empresas do grupo”.

“Além disso, haveria solicitação de outros valores relacionados à atuação em benefício do grupo empresarial J&F no tocante ao destravamento das compensações de créditos de PIS/COFINS com débitos do INSS”, aponta a delação.

O pagamento teria relação com o apoio do PMDB à reeleição de Dilma. “Eu trouxe o PMDB inteiro, como é que não tem nada para mim?”, teria dito Temer segundo relato de Saud.

Saud reclamou para o tesoureiro da campanha da petista, o ex­ministro Edinho Silva, da cobrança de Temer por verba para campanha. “O homem quer R$ 15 milhões e você tá deixando R$ 5 milhões aqui”, relembra o diretor.

Após analisar a situação, Edinho teria autorizado o repasse a Temer. “Aí veio a ordem para dar os R$ 15 milhões do Temer. Do PT para o PMDB para a campanha do Temer”. Saud foi, então, comunicar o então vice­presidente do acerto em reunião no palácio do Jaburu, residência oficial do vice­presidente. “E ele falou: ‘você me dá uma semana que nós vamos mostrar como a gente vai fazer com esse dinheiro'”.

Segundo o delator, com os R$ 15 milhões, ele ajudou os ex­deputados federais Eduardo Cunha (PMDB­RJ) e Henrique Eduardo Alves (PMDB­RN) e colocou parte da quantia no PMDB Nacional.

Joesley e Saud ainda apontam pagamentos de forma corrente em favor de Roberta Funaro, como suporte financeiro em razão da prisão de seu irmão, o doleiro Lúcio Bolonha Funaro, tido como operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Operação Lava Jato.

O empresário e Rocha Loures voltaram a se encontrar em outras duas oportunidades após a reunião entre Temer e Joesley, que prometeu “lançar mais crédito na planilha” à medida em que ações políticas que favorecessem o grupo J&F fossem bem­sucedidas.

Joesley citou, por exemplo, que seria benéfico a ele se o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) concedesse uma liminar que afastasse o monopólio da Petrobras no fornecimento de gás para uma termelétrica do grupo, de acordo com a delação do empresário.

O dono da JBS acreditava que obteria lucro caso isso acontecesse e prometeu “abrir planilha” e repassar 5% desse valor a Temer. O representante do presidente, Rocha Loures, aceitou o acordo. Após a divulgação da delação, o Cade negou ter adotado qualquer tipo de  favorecimento ao grupo J&F.

Do UOL


Rei da Holanda revela que tem atuado, em segredo, como copiloto em voos comerciais

Perfil da KLM no Facebook mostrou fotos do monarca no cockpit

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Image caption Perfil da KLM no Facebook mostrou fotos do monarca no cockpit

Durante 21 anos, o rei da Holanda trabalhou duas vezes por mês como copiloto em voos comerciais sem que seus passageiros soubessem.

Willem-Alexander, que assumiu o trono em 2013, revelou ao jornal holandês De Telegraaf que seu trabalho no cockpit também foi mantido em paralelo às atividades reais.

“Eu acho voar algo simplesmente fantástico”, disse ao jornal.

O rei Willem-Alexander em 27 de abril de 2017
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Image caption O rei Willem-Alexander subiu ao trono holandês em 2013, quando a rainha Beatrix abdicou

Ele afirmou que pretende continuar como copiloto, mas passará os próximos meses aprendendo a pilotar Boeings 737.

Até agora, o monarca pilotava modelos Fokker e já havia sido “piloto convidado” em alguns voos antes de ser coroado, para poder manter sua licença de piloto.

Mas o que não se sabia é que ele continuava copilotando voos comerciais incógnito, já como rei, geralmente ao lado do capitão da empresa KLM Maarten Putman.

O governo holandês afirmou, no mês passado, que Willem-Alexander já pilotou um avião Fokker 70 para o governo e para o serviço regional da KLM, Cityhopper, e que a aeronave será substituída por um 737.

Os voos da Cityhopper servem principalmente a executivos em dezenas de destinos europeus, especialmente no Reino Unido, na Alemanha e na Noruega.

Raramente reconhecido

Willem-Alexander já afirmou que, se não tivesse nascido em um palácio, teria seguido seu sonho de pilotar um avião comercial grande como o Boeing 747.

Um Fokker 70 da KLM
Direito de imagem KLM
Image caption Willem-Alexander pilotou um Fokker 70 por anos, mas agora treina para um avião maior, o Boeing 737

Ele declarou ao De Telegraaf que nunca mencionou seu nome nos comunicados feitos aos passageiros e raras vezes foi reconhecido usando seu uniforme e seu quepe da KLM. No entanto, admitiu que alguns passageiros chegaram a reconhecer sua voz.

“A vantagem é que eu sempre posso dar boas-vindas aos passageiros em nome do capitão e da tripulação. Então não preciso dizer meu nome.”

Antes dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, a porta do cockpit dos aviões da KLM ficava destrancada, então era mais fácil para os passageiros descobrir se um membro da família real estava pilotando o avião, disse Willem-Alexander. Desde então, porém, há menos contato com a cabine.

Realeza voadora

O gosto do rei holandês por voar teria sido encorajado por sua mãe, Beatrix, que abdicou como rainha em 2013.

Mas Willem-Alexander é apenas mais um em uma longa lista de pilotos reais:

  • O sultão de Brunei é conhecido por pilotar seu próprio Boeing 747;
  • O príncipe Charles, da família real britânica, é piloto, assim como seus dois filhos;
  • O príncipe William deixará o cargo de piloto de helicóptero-ambulância da Força Aérea Britânica no final deste ano;
  • O príncipe Harry serviu no Afeganistão como copiloto de um helicóptero Apache;
  • O rei Abdullah, da Jordânia, também é um piloto treinado.
Príncipe William pilotando uma ambulância
Direito de imagem Olivia Howitt
Image caption Em 2015, o príncipe William tornou-se piloto de ambulâncias na Força Aérea Britânica

‘Deixar os problemas em terra’

Na entrevista ao De Telegraaf, o rei pareceu entusiasmado com seu futuro como copiloto.

“Me parece boa a ideia de voar para outros destinos algum dia, com mais passageiros e em distâncias maiores. Esse foi o motivo real de eu treinar no 737”, afirmou.

Willem-Alexander também explicou que o mais importante para ele era ter um hobby no qual pudesse se concentrar completamente e que voar era seu principal modo de relaxar.

“(Como piloto), você tem um avião, passageiros e uma tripulação – e é responsável por eles. Não dá para levar seus problemas junto. Você desliga completamente por algum tempo e foca em outra coisa.”

BBC Brasil


Prefeitura do Recife prorroga credenciamento para restaurantes

A Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer acaba de prorrogar o credenciamento de restaurantes localizados na Região Metropolitana do Recife interessados em prestar serviços de fornecimento de refeições relativo a atividades exclusivamente de interesse público.

Os interessados poderão apresentar o requerimento de credenciamento, juntamente com a documentação necessária, na Gerência Jurídica da Secretaria, que fica no 7º andar da Prefeitura do Recife.

O local funciona das 9h às 12h e das 14h às 17h. Informações e dúvidas: (81) 3355-8847.

Confira o edital aqui.


Como os países honestos se previnem contra Temers e Cunhas

Temer e Cunha
© image/jpeg Temer e Cunha No final de abril, o Senado aprovou um projeto de lei que torna mais rígidas as punições por abuso de autoridade de juízes e promotores.“Cheira a retaliação”, escreveu o representante no Brasil da ONG Transparência Internacional, Bruno Brandão, em seu relatório sobre o Índice de Percepção da Corrupção (IPC).

Para Bruno, a medida é uma amostra do quanto a falcatrua está entranhada na gestão pública, em todos os níveis.

Boa parte dos brasileiros concorda: o índice avalia a “sensação de corrupção” entre os habitantes de 176 países, e sua versão mais recente apresenta o Brasil em 79o lugar, com 40 pontos – a escala varia de zero (altamente corrupto) a 100 (muito transparente). Nações com menos de 50 pontos, segundo a instituição, sofrem de “corrupção endêmica”.

A corrupção também é o segundo fator mais problemático para os negócios no País, atrás apenas de impostos, de acordo com o Fórum Econômico Mundial.

Além de afastar capital privado, ela custa caro. Um estudo da Fiesp projeta que, anualmente, até 2,3% do produto interno bruto seja perdido com atos irregulares.

Considerando o PIB do ano passado (R$ 6,3 trilhões), temos que R$ 140 bilhões podem ter ido para o ralo por essa via em 2016. Isso dá praticamente o déficit da Previdência em 2016, que foi de R$ 151 bilhões.

Nosso terreno fértil para a corrupção começa a ser arado na corrida eleitoral. Historicamente, quem banca campanhas são empresas que, em troca, ganham políticos prontinhos para legislar em nome delas.

De quebra, esses mesmos políticos enriquecem ao longo do processo – já que boa parte do caixa 2 nem vai para pagar campanha: é puro suborno, na forma de imóveis, dólares e contas no exterior recheadas de francos suíços.

Nas eleições de 2014, empresas foram responsáveis por R$ 3 bilhões dos R$ 4,35 bilhões arrecadados por partidos e candidatos.

Isso só “no oficial”, fora caixa 2. As doações de pessoas jurídicas foram proibidas em 2015. Bela medida, mas menos eficiente do que parece.

No pleito de 2016, o primeiro sem dinheiro oficial de empresas, o TSE encontrou indícios de irregularidades que chegam a R$ 1,3 bilhão dos R$ 3,4 bilhões arrecadados. Foram doações de gente morta, desempregada, valores acima da renda… Fora o caixa 2.

No Canadá (9o no ranking do IPC), a coisa é bem diferente. O financiamento de campanhas é feito com recursos públicos, seja por doações de pessoas físicas dedutíveis do imposto de renda, a até 75% do valor doado, seja por reembolso de despesas por parte do governo, de até 60%.

Claro que destinar dinheiro público para campanhas é algo polêmico – é grana que poderia curar doentes e educar crianças. Por outro lado, não há dúvida: o sistema tira da equação interesses privados.

Outro velho amigo da corrupção é a troca de cargos em estatais por apoio político. Mas dá para coibir isso sem ter de vender tudo para a iniciativa privada.

Quem ensina é a Nova Zelândia (1o lugar no ranking): o país conta com um “Ministério das Estatais”. Ligado ao Tesouro neozelandês, ele é responsável por escolher membros dos conselhos das estatais de serviço postal, estradas de ferro, eletricidade etc. E também fiscaliza os executivos, em parceria com órgãos de controle do Estado.

Licitações

“Licitação”, no Brasil, é uma palavra que poderia ser dicionarizada como sinônimo de corrupção. A Lei de Licitações, que deveria assegurar contratos a preços racionais estipulados por empresas idôneas, é cheia de buracos.

Se a empresa não consegue entregar o prometido pelo preço combinado no prazo estabelecido, ao fim do contrato o governo pode fazer um outro termo, ajustando datas e valores.

E a prática é quase universal. Em novembro, o Tribunal de Contas da União divulgou o resultado de auditorias realizadas entre agosto de 2015 e setembro de 2016. Entre as 126 obras fiscalizadas, 77 apresentaram problemas, de descumprimento do cronograma e do orçamento original a superfaturamento curto e grosso.

Uma das formas de evitar isso é bastante óbvia: tirar do jogo das licitações empresas sujas ou com executivos condenados por suborno, fraude e afins. É assim na Dinamarca, que divide o primeiro lugar no ranking do IPC com a Nova Zelândia. Aqui, não.

Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, suspensas de licitações desde 2014 por conta da Lava Jato, tecem um acordo com as autoridades para voltar a levantar obras públicas.

Foro privilegiado

Se você, político, acabou pego com a boca na botija, não precisa se preocupar tanto. Você sabe que, dependendo do seu cargo, ainda tem o foro privilegiado, que permite aos nossos homens e mulheres públicos serem julgados exclusivamente por instâncias superiores, como o Supremo Tribunal Federal (STF), o Supremo Tribunal de Justiça e Tribunais Regionais de Justiça. São 45,3 mil políticos beneficiados: ministros de Estado, deputados, senadores, juízes, prefeitos. Em alguns Estados, até vereadores.

Parte do problema do foro privilegiado é que as altas instâncias são alérgicas a condenar políticos pilantras. Um levantamento da Fundação Getúlio Vargas mostra que, das 404 ações penais concluídas no Supremo entre 2011 e o início de 2016, 68% prescreveram ou empacaram (que é quando o STF espera o acusado deixar seu cargo público para remeter o caso às instâncias inferiores). Condenações mesmo, perpetradas pelo STF, ocorreram só em 0,74% dos casos – três das 404 ações.

Se a política fosse o Banco Imobiliário, seria como tirar a carta de saída livre da prisão, e ministros do STF sabem disso.

Um levantamento feito pelo ministro Luís Roberto Barroso mostra que o Supremo leva, em média, 565 dias para aceitar uma denúncia. Em despacho encaminhado à ministra Cármen Lúcia, presidente da Corte, ele afirma: “O sistema é feito para não funcionar”.

No Reino Unido (10o no ranking), nem existe foro privilegiado. Primeiro-ministro e parlamentares são julgados por tribunais comuns.

O Supremo deles serve basicamente como corte de recursos. Enquanto isso, por aqui, a população já sabe citar mais nomes de membros do STF do que da Seleção Brasileira.

Coisas de um país duro de funcionar, e que deveria observar melhor os bons exemplos que existem fora de suas fronteiras.

Este conteúdo foi originalmente publicado no site da Superinteressante.

Exame.com


Temer, Aécio e Rocha Loures serão investigados em um mesmo inquérito no STF

BRASÍLIA – O presidente Michel Temer (PMDB), o senador Aécio Neves (PSDB) e o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) serão investigados em conjunto, no mesmo inquérito no Supremo Tribunal Federal. O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, mandou a Procuradoria-Geral da República investigá-los com base nas delações dos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista, proprietários do grupo JBS, maior do mundo. O inquérito, de número 4.483, tramitará sem segredo de justiça.

A íntegra do pedido da PGR para abrir investigação contra o presidente ainda não está disponível, tampouco a decisão do ministro com a autorização. O que consta no sistema, neste momento, é a certidão de distribuição para o ministro Edson Fachin, que mostra que o processo foi direcionado especificamente a ele por haver suposta conexão com o inquérito que investiga uma suposta organização criminosa entre membros do PMDB no Senado Federal, o inquérito 4.326.

Divulgação. Em um dia cercado de expectativas em torno dos desdobramentos da crise política que abala o governo, o conteúdo da delação da JBS deve ser tornado público a qualquer momento, segundo apurou o Broadcast.

Pronunciamento de Michel Temer no Palácio do Planalto sobre gravação de áudio feita pelo empresário Joesley Batista, em que o presidente endossa a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

© DIDA SAMPAIO / ESTADÃO Pronunciamento de Michel Temer no Palácio do Planalto sobre gravação de áudio feita pelo empresário Joesley Batista, em que o presidente endossa a compra do silêncio do…O sigilo da delação já foi levantado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, mas ainda não foram tornados públicos os depoimentos dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Os pedidos de investigação feitos pela PGR e as decisões de Fachin serão divulgados. Ainda não se sabe se serão divulgados todos os termos de colaboração e todos os documentos apresentados pelos delatores ou se alguma parte não será fornecida à imprensa.

O Supremo Tribunal Federal divulgou nesta quinta-feira (18) o áudio da conversa entre Temer e o empresário Joesley Batista que embasa o acordo de delação premiada fechado pelo executivo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) na Lava Jato. Uma cópia do áudio foi encaminhada ao Palácio do Planalto na tarde da quinta-feira e depois fornecida à imprensa.

Estadão
Breno Pires e Rafael Moraes Moura