PPP não traz riscos, diz consultor

A ideia de viabilizar o aeroporto potiguar por meio de uma Parceria Público-Privada foi levantada pela primeira vez em 2005, mas perdeu força porque, na visão do governo, o modelo ainda não estava maduro nem oferecia regras claras o suficiente para chamar a atenção dos investidores. Foi nesse contexto que o coro para fazer uma concessão comum ganhou cada vez mais corpo e se manteria totalmente aceso, em âmbito federal, não fossem as “complicações” que surgiram.
Para Igor Furniel, da Actuale, empresa de consultoria especializada em Parcerias Público-Privadas, a falta de conhecimento sobre as PPPs, tema ainda novo no país, é um dos gargalos que impedem que o modelo se difunda, nacionalmente, de maneira mais rápida.
Essa não tem sido, entretanto, a única pedra no caminho das parcerias.
“Outro motivo que atrapalhou o desenvolvimento das PPPs foram os grandes projetos iniciados pelo governo federal e não concluídos. Alguns migraram para o PAC, outros estacionaram.
Isso gerou um pouco de insegurança em muitos prefeitos e em alguns estados”, acrescenta ainda.
O fato de o modelo ser inédito no setor aeroportuário não traria, na visão dele, riscos ao Aeroporto de São Gonçalo do Amarante.
“A PPP é uma opção segura pois exige a estruturação do projeto através de estudos de viabilidade e da mitigação de riscos, tanto do parceiro público quanto do privado”, justifica.
Para o parceiro público, as vantagens seriam a possibilidade de concretizar grandes projetos com recursos da iniciativa privada; a garantia de qualidade na execução de obras e na prestação de serviço, considerando que os contratos de PPP exigem a criação de Quadro de Indicadores de Desempenho; maior velocidade na entrega de obras e garantia de performance.
Na outra ponta, o modelo desponta como vantajoso para o setor privado por oferecer contratos de até 35 anos, garantia real para os financiamentos realizados, além de demanda garantida para os ativos criados.
“Na prática temos cada player fazendo aquilo que domina: o estado fiscaliza, o mercado privado investe, administra e faz negócio.
Quem ganha com isso é o povo, que desfruta de novos ativos, evitando superfaturamentos, desperdícios e problemas com serviços ruins”, observa o consultor.
Com base num levantamento feito pelo escritório de advocacia Azevedo Sette, a revista Exame publicou em agosto uma reportagem mostrando que as PPPs já mobilizam R$ 9 bilhões em investimentos nos municípios e nos estados, valor que inclui contratos assinados para obras e serviços que estão em andamento ou prestes a começar.
“No caso da União, o investimento ainda está na estaca zero”, aponta o texto.
Projeto está na mira de investidores
Mesmo em compasso lento e envolto em indefinições, o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante tem despertado cada vez mais o apetite de investidores.
“As empresas privadas estão se dispondo a assumir o projeto. Não precisam de apadrinhamento do governo.
O governo tem que estabelecer normas, fiscalizar, mas não pode ser gestor porque é mau gestor”, diz o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte, Flávio Azevedo.
Na visão dele, “qualquer novo atraso no projeto será um atentado contra o desenvolvimento econômico e social do RN”.
Azevedo defende que a iniciativa privada entre no aeroporto por meio de uma concessão comum e não de uma Parceria Público-Privada. “A PPP é recente e o Brasil ainda não tem obras federais sob esse regime.
Há uma série de facetas, de vieses com as quais a iniciativa privada ainda não está acostumada e isso gera receios”, explica. “A PPP é uma experiência e o Rio Grande do Norte não pode ser laboratório, ainda mais quando se trata de um projeto dessa importância”, frisa.Pelo menos quatro grupos teriam sinalizado, com mais firmeza, intenção de participar do projeto.
Na lista de nomes estão a Aena, administradora de aeroportos na Espanha, e as brasileiras Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa.No caso da Camargo Corrêa, o interesse foi manifestado por meio da A-port, empresa que formou em 2008 tendo como acionistas a Camargo Corrêa Investimentos em Infraestrutura, a Unique, proprietária, operadora e responsável pelo gerenciamento do Aeroporto de Zurique, e a Géstion e Ingeniería IDC, do Chile.
Numa apresentação datada de 1º de outubro deste ano e entregue ao governo do estado, a empresa oferece sua experiência em desenvolvimento de concessões de infraestrutura, investimento e gestão de ativos e garante poder apoiar integralmente as operações do empreendimento através de uma plataforma de recursos humanos.
“São Gonçalo do Amarante se encaixa perfeitamente no portfólio atual de ativos e operações da empresa”, reforça a apresentação.
A A-port tem contratos de concessão, de operação e de gerenciamento de aeroportos no Chile, na Colômbia, em Curaçao e em Honduras.
No Brasil, tem contrato de concessão e operação do estacionamento do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Somados, os negócios colocam sob sua gestão 16 milhões de passageiros por ano.

Fonte: Tribuna do Norte – 24/10/09


Protótipo usa energia do sol para aldeia alentejana

por LUÍS MANETA, Évora
Projecto experimental testa alternativas aos painéis fotovoltaicos e garante auto-suficiência energética a uma comunidade de 50 pessoas instalada em Colos, concelho de Odemira
Uma enorme estufa, espelhos com mais de dois metros de diâmetro e um motor Stirling inventado em 1816 constituem o suporte técnico de um protótipo destinado a assegurar a auto-suficiência energética de uma comunidade de 50 pessoas instalada em Colos, concelho de Odemira.
Trata-se de um projecto experimental que será testado durante um ano na chamada Aldeia Solar, um campo experimental criado na comunidade de Tamera, fundada há 14 anos por alemães, austríacos e suíços empenhados em construir um futuro sem guerra.
Hoje, por entre casas de taipa e hortas biológicas, Tamera é refúgio para cerca de 160 pessoas de várias nacionalidades, 50 das quais passaram a residir na Aldeia Solar, onde não são consumidos quaisquer combustíveis fósseis ou poluentes.
A tecnologia utilizada no projecto foi desenvolvida ao longo dos últimos 30 anos pelo inventor e físico alemão Jürgen Kleinwächter, tendo sido objecto de experimentação pontual.
Agora está a ser testada num grupo mais alargado de pessoas que passou a viver num campo de ensaios recorrendo, exclusivamente, a esta fonte energética para iluminar e aquecer as habitações, cozinhar e colocar em funcionamento o sistema de rega.
Em declarações ao DN, Meike Müller, uma das responsáveis pelo projecto, explica que a ideia é encontrar uma alternativa eficiente aos tradicionais painéis fotovoltaicos, apostando numa tecnologia que garante “independência em relação aos sistemas produzidos em série” e que poder ser construída em qualquer parte do mundo, adaptando-se aos modos de vida e às necessidade das populações locais.
Na estufa, para além de serem cultivados alimentos com baixo consumo de água, é aquecido óleo vegetal a cerca de 220º C, cujo calor é depois direccionado para a cozinha e aproveitado para o funcionamento do motor Stirling (opera através da expansão e contracção do ar quando este é aquecido e arrefecido), que produz electricidade.
O mesmo sistema permite gerar energia mecânica capaz de colocar em funcionamento uma bomba de rega e, desta forma, assegurar as necessidades de abastecimento de água à horta biológica.
Junto à cozinha foi colocado um enorme espelho de foco fixo, que direcciona os raios solares e possibilita o aquecimento de água em cerca de 30 minutos.
“Este modelo permite satisfazer as necessidades energéticas autónomas de uma aldeia, conservando, ao mesmo tempo, os recursos naturais”, diz Meike Müller, acrescentando que, uma vez testada a tecnologia, serão procurados patrocinadores para a desenvolver e “exportar” para os mais variados pontos do mundo, sobretudo para a África.
“Procuram-se patrocinadores que não querem continuar a investir o seu dinheiro em sistemas de destruição, mas que sabem que o melhor investimento é aquele que é aplicado na construção de uma alternativa integral”, assinala.
Barbara Kovats, coordenadora da Aldeia Solar, acrescenta que o projecto experimental não visa apenas garantir um abastecimento energético auto-suficiente para a comunidade, mas também “usar uma tecnologia independente das grandes indústrias” e, com isso, “criar novos trabalhos interessantes”.
Concluída a fase experimental, será criada em Tamera a primeira “universidade solar” do mundo destinada a “ensinar este conhecimento tecnológico, os diversos aspectos do sistema, a pessoas de todo o planeta”.
Segundo Barbara Kovats, trata-se de um projecto “adaptável a todos os países” e que permite o “de-senvolvimento local independentemente das grandes multinacionais de energia”.
Entre os impulsionadores do projecto encontra-se Sabine Lichtenfels, teóloga, escritora e uma das representantes em Portugal da iniciativa suíça “1000 mulheres pela paz” nomeada para o Prémio Nobel da Paz em 2005.

Fonte: Diário de Notícias – Portugal – 23/10/09


“A Pobreza em Portugal é uma vergonha”

Fernando Nobre, fundador e presidente da AMI, quebrou o politicamente correcto que marcou o debate de dois dias na 3º Congresso da Ordem dos Economistas sobre a Nova Ordem Económica. Nobre fez um discurso inflamado, provocando uma plateia cheia de economistas, que também são actuais e ex-responsáveis políticos, gestores e empresários, conseguiu palmas da plateia e introduziu um sentimento de urgência e indignação que, até esse momento, esteve ausente do debate.
“É uma vergonha a pobreza que temos em Portugal”. “Não me falem com os problemas de aumento do salário mínimo.
Quem é que aqui nesta sala consegue viver com 450 euros?”. “Não me venham com cirurgias plásticas para as mudanças que vão acontecer no mundo.
Nós, os cidadãos não as vamos aceitar”, foram algumas das frases que deixou aos economistas presente.
Nobre, que também é médico e professor, interveio num painel que abordou o papel das organizações não governamentais (ONG) na nova ordem económica mundial defendendo que além do seu papel no apoio à sociedade e de compensação por falhas dos governos, as ONG têm um papel essencial na denuncia de injustiças e desequilíbrios, e na pressão para que o mundo possa mudar.
E foi isso mesmo que fez.O presidente da AMI diz que “em Portugal é preciso redistribuir melhor a riqueza”, que “há dezenas, senão centenas de milhares de jovens a sair de Portugal porque perderam a esperança”.
Inconformado, disse que “combater a pobreza é uma causa nacional”, e salientou: “Não me venham com os 18% de taxa de pobreza, porque se somássemos os que recebem o rendimento social de inserção, os que recebem o complemento solidário para idosos, os que recebem o subsídio disto, e o subsídio daquilo, temos uma pobreza estrutural no nosso país acima dos 40%”. “Não aceito esta vergonha no nosso país”O nível de desemprego, as baixas reformas, a precariedade dos contratos de trabalho foram outras áreas que lamentou.
Os empresários também não foram poupados. “Quando vejo a CIP a defender que o salário mínimo não aumente não posso concordar. Que país queremos? Quantos de nós aqui conseguiriam viver com 450 euros por mês?”, perguntou à audiência, deixando depois um repto aos empresários: “Peço aos empresários para serem inovadores, abram-se ao mundo, sejam empreendedores”.
“É o momento de repensar que mundo queremos”, e recorrendo à frieza com que os médicos olham para a vida afirmou: “eu sei como vou morrer, sem como todos aqui vão morrer. E não é nessa altura, não é quando começarem a sentir a urina quente a correr pelas coxas, que vale a pena repensar a nova ordem económica mundial. È agora”.
As futuras gerações não vão perdoar, diz. Sobre o estado das economias, salientou que não é economista, mas avisou para os riscos que pendem sobre as economias e que os economistas presentes não abordaram: o risco de um crash obrigacionista, a falência de fundos de pensões pelo mundo, os milhões investidos em produtos derivados.
“Não é razão para cedermos a paranóias, mas é preciso questionar se as economias capitalistas estarão à altura do desafio”, disse, acrescentando: “É precisa prudência, bom senso e cuidados com os cantos da sereia”.
E voltando aos seus conhecimentos médicos terminou dizendo: “Perante uma hérnia estrangulada, um médico só pode fazer uma coisa: operar imediatamente.
Ora a hérnia já está estrangulada [na ordem económica mundial]: nós temos que operar, temos de mudar as regras, os instrumentos.
É preciso bom senso, acção, determinação política”, disse, avisando: “se não o fizermos as próximas gerações acusar-nos-ão, com razão, de não assistência a planeta em perigo”.

Fonte: Jornal de Negócios – Portugal – 23/10/09


Brasil produzirá helicópteros em 2022, prevê acordo com França

FÁBIO AMATOd
Acordo fechado entre Brasil e França para a compra de 50 helicópteros militares EC-725 prevê que a transferência de tecnologias da aeronave ao país ocorra ao longo de um período de até 12 anos.
Isso significa que a indústria brasileira poderá ter condições de produzir um helicóptero por conta própria apenas em 2022. A informação é da Aeronáutica.
A aquisição vai custar ao governo cerca de R$ 4,5 bilhões, para equipar Marinha, Exército e Aeronáutica. A produção deve começar no ano que vem.
O EC-725 é produzido pela europeia Eurocopter, que tem uma subsidiária no Brasil, a Helibrás, instalada em Itajubá (MG). Com capacidade para 28 pessoas, o modelo deve ser utilizado para transporte de tropas não é usado em combate.
A parceria prevê ainda que a Eurocopter auxilie o país a desenvolver um helicóptero de pequeno porte. Além disso, empresas brasileiras passarão a fornecer peças para a cadeia de suprimentos da Eurocopter.
O Brasil fechou também com a França a compra de cinco submarinos, um deles de propulsão nuclear.
No total, o acordo entre os dois países já atinge 8,5 bilhões e deve aumentar.
Os caças franceses Rafale, da Dassault, são tidos como favoritos para vencer a concorrência para renovar a frota da FAB (Força Aérea Brasileira).
Nas negociações, o governo brasileiro tem insistido na garantia de transferência das tecnologias. O objetivo é que o país produza os equipamentos para criar empregos e desenvolver uma indústria no setor.
O engenheiro aeronáutico e professor da USP Fernando Catalano diz que é longo o prazo de até 12 anos para a transferência tecnológica. “Nesse tempo poderíamos ter desenvolvido essas tecnologias sem o auxílio externo, mas com largo investimento em pesquisa e desenvolvimento pelo governo e indústrias”, afirmou ele.
A Aeronáutica não quis comentar as críticas. Disse que “a transferência de tecnologia será distribuída por uma boa gama da indústria nacional, além do próprio governo, não se centralizando na Helibrás.”

Fonte: Agência Folha, em São José dos Campos – 24/10/09


Luxemburgo dá luz verde a cooperação com Cabo Verde no valor de 51 milhões de euros

África
O Luxemburgo deu “luz verde” para o terceiro Programa Indicativo de Cooperação (PIC) com Cabo Verde para o período 2011/15, cujo montante ascende a 51 milhões de euros, disse hoje o chefe da diplomacia cabo-verdiana.
Numa conferência de imprensa, destinada a dar conta da reunião de segunda e terça-feira passadas da Comissão de Parceria entre Cabo Verde e o Luxemburgo, José Brito adiantou que o acordo será ratificado em Setembro ou Outubro de 2010 na Cidade da Praia e que o montante é superior ao 2º PIC, no valor de 45 milhões de euros.
José Brito mostrou-se “satisfeito” por o montante do PIC luxemburguês não baixar, apesar da crise financeira internacional, realçando ainda o facto de o Luxemburgo ter assegurado o financiamento para formação profissional em diversos domínios para dar qualidade às infra-estruturas entretanto criadas no 2º PIC, iniciado em 2006 e que termina em 2010.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde deu igualmente conta das possíveis parcerias empresariais, nomeadamente com a Luxair e com a CargoLux, esta para o transporte de areia, e a possibilidade da abertura do mercado luxemburguês às empresas cabo-verdianas.
A Comissão de Parceria bilateral reuniu-se segunda no Luxemburgo na presença de José Brito e da ministra da Cooperação e Acção Humanitária luxemburguesa, Marie-Josée Jacobs, onde ficaram definidos os grandes eixos de intervenção no domínio da cooperação para o desenvolvimento, designadamente nas áreas económica, financeira, social, cultural, científica e técnica.
Além da cooperação tradicional, têm sido utilizadas outras modalidades de cooperação, como a multilateral, em parceria com as Nações Unidas, a descentralizada, através do Fundo dos Micro Projectos e das organizações não governamentais.
Durante a estada no Grão-Ducado, José Brito inaugurou a Casa do Cidadão local e manteve um encontro com representantes da numerosa comunidade cabo-verdiana residente em Luxemburgo.

Fonte: OJE/Lusa – 23/10/09


Investimento externo em ações do País bate recorde

SÃO PAULO – Os investimentos estrangeiros em ações de empresas brasileiras em outubro somavam até ontem US$ 13,025 bilhões, pelos dados divulgados pelo Banco Central.
O volume de ingressos no mercado acionário até o momento é recorde na série histórica, desde 1947.
O valor refere-se às compras de ações no Brasil e no exterior. Apenas para as ações negociadas no País volume que afeta as cotações do dólar, as aplicações dos estrangeiros somam US$ 8,761 bilhões, segundo o BC.
No Ministério da Fazenda, a notícia reforçou a defesa da taxação de 2% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a entrada de capital estrangeiro no País.
A avaliação é que os dados mostram que havia excessivo afluxo de capital estrangeiro para o mercado de capitais, o que vinha provocando rápida valorização do real.
Parte importante desses recursos está associada a uma única operação: o lançamento de ações do Santander Brasil.
Segundo o BC, dos US$ 13,025 bilhões, cerca de US$ 4 bilhões referem-se a ADRs (ações negociadas em Nova York) vinculadas à emissão do banco.
Em setembro, o saldo líquido de ingressos de estrangeiros no mercado de ações havia sido bem menor, de US$ 3,987 bilhões.

Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo – 24/10/09


Obra de R$ 1,34 bi levará água tratada a 61 municípios do estado

Água tratada para 61 municípios de Pernambuco. Este será o propósito do Sistema Adutor do Agreste Pernambucano, um empreendimento do Ministério de Integração Nacional no valor de R$ 1,34 bilhões e que vai permitir a captação de água na futura barragem de Ipojuca, através de um conjunto de adutoras.
A obra se concentra no Ramal Agreste, no Eixo Leste do Projeto de Integração do rio São Francisco. O prazo de conclusão do projeto é de 24 meses.
O Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do Sistema Adutor do Agreste já se encontra a disposição nos municípios a serem beneficiados (ver lista abaixo) e também no portal da Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Pernambuco (CPRH), através do endereço www.cprh.pe.gov.br.
O prazo para a solicitação de audiência pública é de 45 dias, a contar da data de publicação do edital (23/10).
Em linhas gerais, o Sistema Adutor do Agreste começará a funcionar a partir do reservatório de Ipojuca, justamente no ponto final do Ramal do Agreste, onde será construído uma Estação de Tratamento.
Os 61 municípios pernambucanos beneficiados receberão a água tratada graças a um sistema com mais de mil quilômetros de tubos de aço e ferro fundido, com até dois metros de diâmetro. Um detalhe a mais no projeto é que, a fim de minimizar problemas ambientais, desapropriações e custo de manutenção, a obra vai se desenvolver ao longo do traçado viário já existente, como a BR 232.
O Rima pode ser consultado no portal da CPRH – www.cprh.pe.gov.br – ou nas prefeituras de Alagoinha, Agrestina, Altinho, Angelim, Arcoverde, Barra de Guabiraba, Belo Jardim, Bezerros, Bom Conselho, Bom Jardim, Bonito, Brejão, Brejo da Madre de Deus, Buíque, Cachoeirinha, Caetés, Calçado, Camocim de São Félix, Canhotinho, Capoeiras, Caruaru, Casinhas, Correntes, Cumaru, Cupira, Frei Miguelinho, Garanhuns, Gravatá, Jataúba, João Alfredo, Jucatí, Jupí, Lagoa do Ouro, Lagoa dos Gatos, Lajedo, Machados, Orobó, Palmerina, Paranatama, Passira, Pedra, Pesqueira, Poção, Riacho das Almas, Sairé, Salgadinho, Saloá, Santa Cruz do Capibaribe, Santa Maria do Cambucá, São Caetano, São Joaquim do Monte, Surubim, Tacaimbó, Terezinha, Toritama, Tupanatinga, Venturosa, Vertentes e Vertentes do Lério.

Fonte: Da Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR – 23/10/09


BID promete investir no Rio para Olimpíada de 2016

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) está preparado para apoiar a preparação do Rio para receber a Olimpíada de 2016 com “valores grandes” em diversas áreas, como infraestrutura, meio ambiente e segurança, informou nesta sexta-feira o presidente da instituição, o colombiano Luis Alberto Moreno.
“Uma Olimpíada e uma Copa (o Mundial de 2014 também será no Brasil) vão requerer valores importantes. Estamos preparados para trabalhar nesse sentido”, avisou.
Luis Alberto Moreno se reuniu nesta sexta-feira com o governador do Rio, Sérgio Cabral, e diversas autoridades estaduais, além de um representante do Ministério do Planejamento, para tratar do assunto.
“Vamos trabalhar com toda equipe de governo municipal, estadual e, certamente, federal.
Temos trabalhado com o tema da segurança, por exemplo.
Queremos integrar todos os temas para fazer um projeto que seja um sucesso”, afirmou o presidente do BID.O encontro desta sexta-feira foi apenas um primeiro passo.
As áreas que serão alvo de projetos, os valores e as condições do apoio financeiro ainda não estão determinadas.
O presidente do BID e a secretária estadual de Esportes, Turismo e Lazer, Márcia Lins, explicaram que a iniciativa envolve inicialmente a cooperação técnica para elaboração de projetos e planejamento.
Márcia Lins também explicou que a visita do presidente do BID é uma demonstração “de que Rio é um projeto importante para o mundo”.

Fonte: Agência Estado – 24/10/09


Governo lança edital para seleção de mais gestores para Unidades de Pronto Atendimento, as chamadas UPAs

Já as UPAs serão 20 espalhadas por todo o Estado até o final de 2010. Destas, 10 ficarão localizadas no Recife e outras três em Jaboatão. As cidades de Olinda, Igarassu, Paulista, São Lourenço, Cabo de Santo Agostinho, Caruaru e Petrolina receberão uma cada. Todas irão funcionar 24 horas e terão capacidade de atender até 500 pacientes por dia.
A da Imbiribeira é a mais adiantada delas. Atualmente, 55 operários trabalham sem sua construção.
O edital para a seleção da OS que vai gerir as duas UPAs visitadas e as unidades dos bairros de Torrões e Curado foi publicada nesta sexta-feira (23.10).
A entidade vencedora será anunciada no próximo dia 24.
De acordo com o vice-governador e secretário de Saúde, João Lyra Neto, cada UPA contará com 49 médicos,entre clínicos, traumato-ortopedistas, pediatras e dentistas. “Somando todas elas, serão 980 médicos contratados e um investimento de R$ 54 milhões, só em obras físicas”, afirmou.
“Percebemos que só os três hospitais não seriam suficientes para resolver a situação na RMR, por isso estamos construindo as UPAs, reestruturando a antiga rede e, sobretudo, inovando com um novo modelo de gestão”, explicou Eduardo, afirmando que o funcionamento das unidades vai desafogar os antigos hospitais como o Barão de Lucena, o Getúlio Vargas, o Agamenon e também a Restauração.

Fonte: Blog do Jamildo – 23/10/09


Paragens falantes ajudam invisuais

Há diversas formas de recorrer às novas tecnologias para tornar a sociedade mais inclusiva.
Na localidade britânica de Brighton & Hove a entidade responsável pelos transportes públicos instalou paragens falantes, para ajudar os habitantes invisuais a encontrarem o autocarro que precisam.
Estreado em 2007, o projecto foi considerado pioneiro no Reino Unido, na medida em que até aquela data nenhuma outra localidade tinha instalado estas paragens falantes. Implementadas pela Câmara Municipal de Brighton & Hove, em parceria com a empresa de transportes local Brighton & Hove Bus and Coach Company, estas paragens estão ligadas a um sistema de informação em tempo real.
Através deste sistema são enviados dados para as paragens que vão desde a localização da paragem, que autocarros param ali ou o tempo de espera até chegar a próxima viatura, entre outros aspectos.
Para a autarquia, esta tecnologia veio dar mais liberdade e autonomia aos cidadãos cegos, pois deixaram de ter pedir ajuda às pessoas que passam ou mesmo para as situações em que não se encontra ninguém nos postos de espera.
O projecto acabou por ser reconhecido como uma boa prática na área da acessibilidade e já está a ser despertar interesse noutras localidades do Reino Unido, nomeadamente em Londres.
Porta-chaves electrónicos
Para que estes habitantes da localidade possam beneficiar em pleno da tecnologia, foram também distribuídos pequenos aparelhos electrónicos, semelhantes a porta-chaves, que interagem com as paragens.
Assim, sempre que os utilizadores passam junto de uma das mais de 20 paragens onde o serviço está disponível, estes dispositivos alerta-os.
Depois o invisual apenas tem de pressionar um pequeno botão para obter os detalhes que necessita para saber se está no local correcto ou quando vai passar o próximo autocarro, por exemplo.
Para quem precise de apanhar transporte para uma das localidades dos arredores de Brighton & Hove, como é o caso East Sussex, a autarquia resolveu também instalar aí algumas paragens destas.»
Fonte: www.i-gov.org /Blog Beijós – 17/10/09


Leiria recebe 2ª Bandeira de Ouro da Mobilidade

«A câmara de Leiria voltou a receber, pelo segundo ano consecutivo, a Bandeira de Ouro da Mobilidade pela “eliminação das barreiras urbanísticas na área de intervenção”.
O galardão foi entregue pela Appla – Associação Portuguesa de Planeadores do Território que “congratula” o município leiriense pelo trabalho desenvolvido na sequência da sua adesão à Rede Nacional de Cidades e Vilas com Mobilidade para Todos.
Desde a adesão à rede, foram realizadas intervenções ao nível da correcção de várias barreiras, nomeadamente com o rebaixamento de passadeiras, redimensionamento dos passeios, construção de passadeiras niveladas, regularização dos pavimentos, relocalização de sinalética e candeeiros e controlo do estacionamento abusivo, faz saber a autarquia numa nota informativa.
Leiria já evidencia, desde a sua adesão à rede, exemplos de requalificação do espaço público, eliminando barreiras que, de forma generalizada, se espalhavam pela cidade”, lê-se no relatório da Appla, divulgado pela câmara de Leiria, que destaca o trabalho autárquica “sem, contudo, se afastar da sua identidade paisagística e urbana”.
Na nota informativa, o município adianta que, para além da eliminação dos obstáculos diagnosticados na área de adesão, “tem vindo a desenvolver projectos de desenho urbano e gestão de tráfego e tem complementado as indicações do projecto da Rede”, nomeadamente a criação de um grupo interdepartamental, reuniões de trabalho com as associações de pessoas portadoras de deficiência (Associação Portuguesa de Deficientes e ACAPO – Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal), participação em conferências e palestras relacionadas com a mobilidade e outros projectos de requalificação do espaço público.
(…)»
Fonte: Diário de Leiria / Blog Beijós – 23/10/09


Vale estuda comprar 51% de empresa de logística em Moçambique

A mineradora Vale informou na sexta-feira que está avaliando exercer a opção de compra de 51% da Insitec, empresa de Moçambique dona de concessões ferroviárias e portuárias, o que viabilizaria a expansão do seu projeto de carvão (Moatize) naquele país.
Nesta sexta-feira, a mineradora assina em Moçambique protocolo de intenções com o governo e a Insitec, acionista das empresas constituintes do CDN (Corredor de Desenvolvimento de Nacala).
O protocolo será assinado pelo ministro de Transportes e Comunicações de Moçambique, Paulo Zucula; pelo diretor-presidente da Vale, Roger Agnelli; e pelo presidente da Insitec, Celso Corrêa.
Segundo a Vale, o objetivo é reproduzir o modelo de integração mina-ferrovia-porto usado com sucesso no Brasil.
“A viabilização deste corredor logístico possibilitará a expansão da mina de carvão de Moatize, e facilitará o desenvolvimento da mina de fosfato de Evate, projetos moçambicanos que estão atualmente em fase de estudo, além de permitir no futuro o escoamento do cobre a ser produzido pela Vale no Copperbelt da Zâmbia”, informou a companhia em nota.
O projeto Moatize prevê a produção inicial de 11 milhões de toneladas de carvão, que já tem logística assegurada. A compra das ações da Insitec seriam para garantir a expansão de Moatize para 24 milhões de toneladas.
“Estamos examinando a viabilização de ferrovia de Moatize a Nacala, envolvendo construção de ligação ferroviária com aproximadamente 180 quilômetros de extensão entre Moatize e Lirangwe, no Maláui”, informou a Vale.
Além disso, “a empresa avalia a reabilitação de 730 quilômetros da ferrovia já existente conectando o Maláui a Moçambique, e o desenvolvimento de um terminal marítimo de águas profundas… em Nacala”, complementou a companhia.
“Este projeto vai promover o desenvolvimento da África Oriental, com destaque para países como Moçambique, Zâmbia, Maláui e República Democrática do Congo, onde existem importantes reservas de carvão, cobre e fosfato e enorme potencial agrícola”, declarou na nota o presidente da Vale, Roger Agnelli, que esta semana anunciou investimentos de US$ 12,9 bilhões para 2010.
O executivo tem sido pressionado pelo governo brasileiro para investir mais no Brasil, que receberá 63% do total anunciado.
Agnelli tem demonstrado porém que a companhia também precisa se expandir internacionalmente.
Além do protocolo em Moçambique, a Vale participa nesta sexta-feira de uma licitação na Mongólia, também para exploração de carvão.

Fonte: da Reuters, no Rio – 23/10/09


PREFEITO DO RECIFE GARANTE QUE PARQUE DA JAQUEIRA SERÁ PRESERVADO

Prefeito garantiu a preservação e uso do Parque da Jaqueira

Em coletiva realizada na tarde desta sexta-feira (23), o prefeito do Recife, João da Costa, afirmou que a população da cidade pode ficar tranqüila com relação à preservação e uso do Parque da Jaqueira, localizado no bairro de mesmo nome.
No encontro com os jornalistas, ocorrido na sala de reuniões do seu gabinete (9º andar do edifício-sede), o gestor reforçou que a vontade do Congresso Nacional, da Advocacia Geral da União, de dois presidentes de República e do povo do Recife, será garantida e respeitada a manutenção do espaço como área de lazer e esportes.
A PCR aguarda o cumprimento da Lei Federal 10.175, de 2001, que autoriza a doação do terreno do Parque da Jaqueira ao município.
Durante o encontro foi distribuída aos profissionais da imprensa uma cópia da lei sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso e do parecer da Advocacia Geral de União, de 2007, relatando que o INSS promovesse a aplicação do texto assinado pelo chefe da Nação. “Esperamos que a lei que autoriza o INSS a repassar o terreno ao município seja cumprida. Temos os pareceres da Advocacia Geral da União que corrobora com a lei federal sancionada por um presidente da República, fazendo valer o interesse público em benefício do Recife e de sua população.
A Prefeitura está muito tranqüila, e mesmo que o impasse prevalecesse, nós dispomos de instrumentos e políticas urbanas que nos permite determinar a conservação do espaço como área de lazer para a população da cidade”, afirmou o prefeito.
Segundo João da Costa, “o Parque da Jaqueira é um local de referência para todo o recifense que deseja um espaço semelhante para usufruir dos seus benefícios”.
O prefeito informou também que, na próxima segunda-feira (26), será enviado à Câmara dos Vereadores do Recife um Projeto de Lei que transforma o Parque da Jaqueira em uma Unidade de Conservação, o que irá garantir, de forma permanente, a manutenção do espaço com sua função atual.
“A própria Câmara ao receber o projeto pode, pela vontade dos seus vereadores, transformar a tramitação em caráter de urgência”, lembrou João da Costa.
O secretário municipal de Assuntos Jurídicos, Ricardo Soriano, destacou que o impasse aconteceu por conta de um posicionamento isolado de um procurador do INSS, “mas que não pode prevalecer diante de uma lei federal sancionada pelo presidente da República.
O presidente da autarquia não tem o poder de revogar uma lei”, disse Soriano.
Segundo o secretário, a PCR, permanentemente, cobra do INSS a formalização do documento de doação do terreno por meio de ofícios.
A coletiva contou ainda com a presença do secretário de Serviços Públicos, José Humberto Cavalcanti, o presidente da Emlurb, Carlos Muniz, o diretor de Meio Ambiente do Recife, Mauro Buarque, e o coordenador de Programas Estratégicos do Gabinete do Prefeito, Milton Botler.
Histórico – A Presidência da República encaminhou, em 1999, o Projeto de Lei nº 2281/99 autorizando a doação do Parque da Jaqueira ao Recife, observando o interesse público nos termos detalhados na Mensagem 1.939/99 e da exposição de motivos 126/99 do próprio Chefe Maior do Poder Executivo.
Aprovado pelo Congresso, virou Lei Federal de número 10.175, em 10 de janeiro de 2001.
Em 2004, após os trâmites para doação do imóvel, um procurador do INSS opôs-se a doação. Em março de 2007, o Presidente Lula reiterou a disposição do Governo Federal em doar o Parque da Jaqueira ao povo do Recife, assinando termo de transmissão do terreno.
O Parque da Jaqueira
Com 70 mil metros quadrados, o Parque da Jaqueira foi inaugurado no dia 10 de abril de 1985. O espaço público é freqüentado diariamente por aproximadamente 3.500 pessoas, podendo atingir um público de 4.500 visitantes nos finais de semana e feriados.
Além das belezas naturais, o Parque da Jaqueira conta com uma grande variedade de brinquedos, pista de cooper, área para bicicross, fraldários, vaporizadores, banheiros, posto médico, Academia da Cidade, entre outros.
Cabe o destaque para a histórica Capela Nossa Senhora da Conceição da Jaqueira, que foi tombada na década de 70 e possui jardins criados por Roberto Burle Marx. O espaço atualmente é adotado pela empresa Nestlé, a qual ajudou na ultima grande reforma (2006) e é a responsável pela manutenção de grande parte dos equipamentos.

Fonte: Portal da Prefeitura do Recife – 23/10/09


Emergentes precisam acelerar crescimento de banda larga, diz ONU

Por Jonathan Lynn
GENEBRA – Países emergentes podem acabar perdendo a chance de se beneficiar das tecnologias de informação devido à falta de estrutura para banda larga, afirmou uma agência das Nações Unidas (ONU).
A falta de acesso rápido à Internet priva esses países da possibilidade de desenvolver uma indústria de serviços terceirizados, afirmou a agência de comércio e desenvolvimento da ONU, Unctad.
A carência também priva a população desses países de aproveitarem todos os benefícios do uso de celulares.
“Diminuir a desigualdade digital continua sendo um grande desafio para a promoção do desenvolvimento”, disse o vice-secretário geral da Unctad, Petko Draganov.
A desigualdade na banda larga “está se tornando uma grande desvantagem para empresas em muitos países mais pobres”, afirmou ele durante apresentação de lançamento do Relatório de Informação Econômica da Unctad.
Empresas e consumidores têm 200 vezes mais chance de ter acesso à banda larga em países desenvolvidos que nos mais pobres dos países menos desenvolvidos do mundo, segundo o relatório.
E no custo da banda larga também há uma enorme diferença mais de 1.300 dólares em Burkina Faso, República Centro-Africana, ante um preço de menos de 13 dólares no Egito e na Tunísia.
A banda larga é essencial para a indústria de serviços terceirizados como centrais de atendimento, setor que muitos países africanos, caribenhos e asiáticos pretendem se desenvolver e expandir.
A expansão de empresas do tipo é bastante provável, mesmo com a crise econômica, pois permite o corte de custos em companhias com sede de países ricos, observou a Unctad.
Com Internet rápida, consumidores também podem desfrutar mais de seus celulares que vêm rapidamente superando os computadores como principal ferramenta de tecnologia de informação e comunicação em países emergentes.
Pessoas em países mais pobres estão usando cada vez mais seus celulares para fazer transações bancárias, para checar os movimentos do mercado e para ficar de olho na previsão do tempo o que reduz a necessidade de se deslocar e, portanto, impulsiona a produtividade, observou a Unctad.

Fonte: Reuters – 23/10/09


Natal pode receber 17 intervenções viárias até 2014

Corredores de acesso, viadutos e túneis integram plano da prefeitura apresentado ao governo federal
Enquanto governo do Rio Grande do Norte e a prefeitura de Natal se debruçam sobre o processo licitatório para as obras da Arena das Dunas, que será construída no local onde hoje funciona o ginásio Machadinho e o estádio Machadão, a Secretaria de Mobilidade Urbana municipal (Semob) começa a projetar quais e que tipos de intervenções serão feitas na infraestrutura viária de Natal até a Copa do Mundo de 2014.
Na visita dos técnicos do Ministério das Cidades, realizada hoje (22/10) na capital potiguar, o secretário da Semob, Kelps Lima, revelou que serão necessárias 17 intervenções na malha viária da cidade avaliadas em R$ 414 milhões.
Boa parte deste dinheiro deve vir do governo federal.
Nos planos da prefeitura estão a construção de viadutos, túneis e pontilhões, que serão necessários para melhorar o fluxo do trânsito e viabilizar corredores de pontos estratégicos, como aeroportos, rodoviária e porto para a Arena das Dunas, hotéis da Via Costeira e litoral. Martha Maiolino, uma das técnicas do ministério que participou da rápida vistoria em Natal, deixou claro que “o que nos preocupa é a definição de prioridades”.
O analista Uriel de Morais, outro técnico do governo federal, afirmou que “o mais importante era deixar um legado de obras para a cidade”.
O Planejamento Pró-mobilidade, como está sendo chamado o pacote de medidas da prefeitura, tem como um dos objetivos também dar margem ao desenvolvimento da Zona Oeste da cidade, que requer uma atenção especial por ser uma das mais pobres.
Lima disse ao jornal “Tribuna do Norte” que a execução das obras “dará um salto de desenvolvimento no tocante à mobilidade das pessoas”, mas reconheceu que “é preciso ter cuidado para que uma série de obras dessa natureza não pare a cidade”. Ainda não foi definido, porém, como será todo o processo: da licitação às obras propriamente ditas.

Fonte: Portal 2014 – 23/10/09


Latinos não estão preparados para o mercado de trabalho globalizado

Latinos não estão preparados para o mercado de trabalho globalizado
Segundo pesquisa da Economist Intelligence Unit, o trabalhador da América Latina precisa desenvolver habilidades interpessoais
Por Karla Spotorno
O latino-americano não está preparado para o mercado globalizado e competitivo dos dias de hoje. Ele não possui as habilidades interpessoais e o perfil comportamental exigidos, o que pode prejudicar suas chances de sucesso nas empresas da região.
Além dos conhecimentos tradicionalmente ensinados nas escolas e faculdades, como ciências e matemática, os profissionais precisam desenvolver pensamento crítico e resolução de problemas. A dura constatação foi revelada pela pesquisa Habilidades para competir: depois da educação secundária e a sustentabilidade empresarial na América Latina, realizada pelo Economist Intelligence Unit (EIU), a pedido da FedEx Express e da Dell Inc.
De acordo com a pesquisa, os alunos na América Latina passam menos tempo na escola se comparados a seus pares em outros países, e a sua produtividade está abaixo dos níveis asiáticos. De acordo com o estudo, habilidades que incluem o pensamento crítico (76%), resolução de problemas (73%) e habilidades para a vida cotidiana (72%) tornaram-se mais importantes com o fim das fronteiras entre as economias.
Além disso, 97% dos pesquisados disseram que a globalização aumentou a necessidade por habilidades interpessoais.
A percepção negativa sobre o trabalhador da América Latina foi constatada em entrevistas com os empregadores da América Latina.
No estudo, os executivos reconhecem a importância de uma força de trabalho educada para a competitividade empresarial e afirmam que o setor privado desempenha um papel importante na preparação de alunos.
“A colaboração e as parcerias entre o setor público e privado são fatores críticos para melhorar a qualidade da educação e a competitividade geral da força de trabalho da América Latina,” disse Juan N. Cento, presidente da Divisão de América Latina e o Caribe da FedEx Express em comunicado à imprensa. As deficiências da educação no Brasil já haviam sido destacadas pelo consultor Antoine van Agtmael, economista que se notabilizou ao cunhar o termo “mercados emergentes” no início dos anos 80.
“A maior dificuldade que o Brasil enfrenta é a falta de um bom e amplo sistema educacional”, disse e citou o caso da Embraer, fabricante de aviões brasileira.
“Para crescer, a Embraer investiu na formação de profissionais [o Programa de Especialização em Engenharia foi criado em 2001 para preparar engenheiros recém-formados para trabalhar na empresa.
Desde então, 796 engenheiros concluíram o programa e foram contratados].
Tanto a China quanto a Índia investem fortemente em universidades de elite e em escolas superiores técnicas e tecnológicas.
E essa é uma vantagem real que os dois países têm em relação ao Brasil.” Outro exemplo privado de investimento na formação de jovens é a parceria da FedEx com o Junior Achievement, uma organização que prepara estudantes para o trabalho, empreendedorismo e educação financeira. Em comunicado, a companhia americana defende que “um maior volume de parcerias público-privadas pode ajudar a mudar o conteúdo educacional e capacitar pequenos e médios empresários na América Latina”.

Fonte: Época Negócios – 23/10/09


Fundo Amazônia precisa apoiar população local, diz ambientalista da UE

O ambientalista alemão Lutz Ribbe fala sobre as chances de êxito do Fundo Amazônia, a cúpula do Clima em Copenhage e a mútua responsabilidade de europeus e brasileiros no combate ao aquecimento global.

O Fundo Amazônia foi criado em julho de 2009, como forma de obter recursos para incentivar a preservação da floresta. A ideia é financiar projetos de prevenção e combate ao desmatamento e também de conservação e uso sustentável das florestas no bioma amazônico. A gestão do Fundo cabe ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que estima captar 21 bilhões de dólares até 2021, sendo 1 bilhão de dólares já no primeiro ano.
A Deutsche Welle conversou com Lutz Ribbe, diretor da ONG Euronatur e membro da mesa-redonda entre a União Europeia (UE) e o Brasil sobre o Fundo Amazônia e também sobre as mudanças climáticas.
Deutsche Welle: O Fundo Amazônia foi lançado como um megaprojeto do governo brasileiro. O senhor acha que ele pode atender às expectativas e realmente proteger a floresta? Há como ter certeza de que o dinheiro vai chegar aonde precisa?
Lutz Ribbe: É claro que existe o perigo de os fundos não chegarem até onde deveriam e que se percam por falsos canais. Uma grande parte dos problemas que temos na Amazônia resulta de práticas ilegais, e a pergunta é se o governo pode e quer acabar com essas práticas. A ideia de criar um fundo desse tipo é importante e necessária: o que está acontecendo na região não pode continuar.
O governo brasileiro diz, não sei se com razão ou não: “Vocês europeus também já destruíram suas florestas, há 200, 300, 500 anos, e destruíram muita coisa, agora estamos fazendo o mesmo. Se vocês não querem que isso aconteça, precisam nos ajudar a nos desenvolver”. Então é importante oferecer ajuda. Mas como isso vai ser feito concretamente, quem recebe dinheiro e como vamos garantir que o desmatamento não recomece depois de 10, 20 ou 100 anos – aí há muitas perguntas em aberto.
Na sua opinião, realizar um projeto de grandes proporções é a melhor estratégia?
De um grande fundo é possível fazer vários pequenos projetos. Eu mesmo fui enviado pelo Comitê Econômico e Social Europeu (CESE) da UE, justamente para avaliar a questão do desmatamento global e como impedi-lo. Constatamos que os atuais projetos não beneficiam a população local. Não se promove um desenvolvimento regional sustentável que respeite o meio ambiente.
Pratica-se a exploração, pura e simples, para o proveito de alguns negociantes de madeira, poucas grandes empresas e alguns latifundiários. Portanto, a ideia de apoiar a população local no contexto de um desenvolvimento sustentável é o caminho certo. Isso vai custar dinheiro que também poderia vir de um grande fundo. Mas esse dinheiro não pode ir para latifundiários. De fato, é preciso apresentar concepções regionais.
Ambientalistas simpatizam com o fundo, pois acham que nós, ricos, temos de contribuir para que o planeta não seja desmatado. Por um lado, isso é compreensível, mas por outro lado tem também um aspecto negativo. Pois será que temos pagar para impedir totalmente a destruição da natureza? A rigor, isso é uma inversão total do princípio de causa e efeito.
O programa REDD (Reducing Emissions from Deforestation and Forest Degradation in Developing Countries) é outro grande projeto desse tipo, mas para todo o planeta. Será uma concorrência para o Fundo Amazônia, ou os dois podem funcionar paralelamente?
O mais importante seria primeiro esclarecer como participamos diretamente no desmatamento – seja como União Europeia, seja como Alemanha. As coisas não acontecem isoladamente. Os produtos clandestinos fabricados lá, seja madeira ilegal ou subprodutos da soja, são exportados e muitos vêm para a Europa.
O Partido Liberal Democrático alemão, por exemplo, exige a continuação da importação de ração animal – que em parte vem de regiões como o Amazonas –, a fim de fortalecer a posição alemã na produção animal. Isso mostra que muitos políticos ainda não entenderam bem as conexões e as dimensões do problema. Temos que dar nossa contribuição para que a demanda de tais produtos seja reduzida.
O projeto REDD é adequado para isso, mas em geral ainda estamos muito longe de compreender por completo as interconexões globais e de tirar a conclusão de que não podemos participar do desmatamento importando produtos.
Em julho houve uma mesa-redonda com representantes do Brasil e da União Europeia, da qual o senhor participou. Foram tomadas decisões ou traçadas metas concretas para a Conferência Mundial do Clima em Copenhague, em dezembro?
Acredito que ainda sejam necessários muitos debates entre Brasil e Europa sobre esse assunto. Os brasileiros, por exemplo, não entendem que somos relativamente críticos em relação aos temas biocombustíveis e energia de biomassa, para os quais eles têm outra estratégia. Eles não produzem seu combustível à base de petróleo, como nós, mas sim à base de cana-de-açúcar.
Quando discutimos com os colegas brasileiros, ficou claro que as premissas do Brasil e da Alemanha são completamente diversas. Essa mesa-redonda não objetiva propor decisões, mas pretende ser uma plataforma de debates. Ainda há muito trabalho de esclarecimento a fazer, para que nos entendamos e ajustemos os conceitos de desenvolvimento nacional que servem para o Brasil – como por exemplo, a utilização da biomassa – mas que não podem ser simplesmente transferidos para a situação global.

Então é preciso ir passo a passo e aprender sobre os pontos de vista individuais?
O caminho é, de fato, seguir com esse intercâmbio: nós fornecemos alguma coisa, eles pegam, vocês nos dão dinheiro, nós damos algo em troca – é sempre esse global exchange. Ainda estamos longe de poder criar uma produção sustentável para nós mesmos, e, em segundo lugar, entender como isso pode ser levado a uma escala global de troca. Costumamos ver apenas como podemos obter matérias-primas e como mandar o dinheiro para pagar por elas. Essa é uma abordagem errada.
Primeiro precisamos esclarecer – seja no Brasil, seja na Europa – o que, afinal de contas, significa economia sustentável. Enquanto acreditarmos que deveríamos, com a nossa pequena agricultura na Europa, alimentar o mundo inteiro, e que para isso precisamos da ração brasileira, não teremos entendido qual é realmente o problema deste planeta.
Em sua opinião, qual é o grau do risco da Amazônia e quais são as chances de uma proteção efetiva?
O grau do risco é extremamente alto. Temos que reconhecer que, devido à grande pressão internacional, o governo brasileiro percebeu que alguma coisa precisa ser feita. Mas quando vemos o tamanho do país e as estruturas administrativas, percebemos que as condições para o Estado intervir são totalmente diferentes.
Não há nenhum processo democrático nas relações diárias nesses locais. Considere como agem os latifundiários e os comerciantes de madeira, como estão sendo assassinados funcionários das administrações e das associações que lutam contra a exploração.
Aí reconhecemos que a coisa não vai funcionar sem melhorias nas estruturas administrativas e sem estruturas democráticas, sem a participação da sociedade nos modelos de desenvolvimento. Trata-se também de a Europa fornecer ajuda para estabelecer um outro tipo de relação econômica. Mas simplesmente dizer que criaremos um fundo e com isso e a Amazônia e o mundo estão salvos, isso não dá.
Um fundo como esse deveria então fomentar áreas diversas?
Um fundo é um mecanismo que promove melhorias de cima para baixo. Mudanças positivas na sociedade – o que na Amazônia significa conservação da mata virgem e desenvolvimento sustentável – têm que partir sempre da base. Se não conseguirmos usar o fundo para levar adiante diversos projetos pequenos e de democratização, não vai funcionar.
A Conferência Mundial do Clima, em Copenhague, deve trazer alguma decisão em relação à Amazônia?
Tenho minhas dúvidas, pois acho que em Copenhague vai se discutir muito mais sobre metas gerais de proteção do clima global. O centro das discussões serão as emissões de combustíveis fósseis, portanto do setor industrial. O resto – como uma reforma na agricultura, setor que, afinal de contas, produz um quinto das emissões globais –, provavelmente será tratado apenas à margem.
E aqui eu gostaria de deixar claro que não precisamos ir tão longe e apontar o dedo para os outros, quando se trata dos problemas causados por esses gigantes acumuladores de carbono. A destruição dos pântanos na Europa tende a tornar-se comparável ao que acontece na região amazônica.
A Europa tampouco achou meios de impedir o que está sucedendo em sua própria casa. Tenho minhas dúvidas de que Copenhague terá êxito nesse caso – embora eu gostaria que tivesse, é claro.
Entrevista: Manuel Neumann
Revisão: Augusto Valente

Fonte: Deutsche Welle – 23/10/09


Casais faz parceria público-privada em Évora

A Évora Regis vai requalificar o Salão Central Eborense e construir o parque desportivo em Évora, num investimento de 15,6 milhões de euros e que inclui a aquisição de direitos de superfície, elaboração de projectos, fiscalização e construção.
O prazo de execução previsto de 12 meses para cada uma das obras.
Os projectos da requalificação do Salão Central Eborense e da construção do Complexo Desportivo de Évora foram lançados em simultâneo com a apresentação da constituição da Évora Regis SA, sociedade estabelecida pelo grupo Casais com a Câmara Municipal de Évora, no âmbito de uma parceria público-privada (PPP).
O objecto da PPP inclui concepção, implementação, desenvolvimento, construção, instalação, equipamento, conservação e manutenção de ambos os equipamentos da cidade alentejana.
A gestão, concepção e manutenção do projecto, numa perspectiva de “whole-life costing”, permite, uma transferência efectiva dos riscos para o parceiro privado.
Até porque “neste tipo de projectos, há a necessidade de uma gestão competente que incentive e maximize os benefícios das PPP”, afirmou, em nota, Hugo Medeiros, da Casais.
No presente modelo de PPP, o grupo Casais, conjuntamente com outras empresas privadas, constituem uma sociedade comercial de capitais minoritariamente públicos com a Câmara Municipal de Évora (Privados 51%, Câmara Municipal de Évora 49%).
A Sociedade Comercial (Évora Regis SA) desenvolverá os projectos (desde a aquisição do terreno à construção do equipamento e seu licenciamento) tendo por base um caderno de encargos colocado a concurso pelo parceiro público, para de seguida, arrendar-lhe o espaço durante um determinado período de tempo, que neste caso será de 25 anos.
Devido à perspectiva de ciclo de vida, cabe ainda ao parceiro privado prever a manutenção do edifício durante o período de duração do contrato.De referir ainda a participação do grupo Casais em outras PPP.
Encontram-se em desenvolvimento parcerias com os municípios de Peso da Régua, Chaves, Mirandela e com o Ministério da Justiça, através do IGFIJ, em Valongo, investimentos que estão direccionados para as áreas da justiça, cultura e desporto.
A empreitada do Salão Central Eborense visa a adaptação do edifício original, de valor reconhecido, da autoria do arquitecto Francisco Keil do Amaral, para sala de espectáculos que, de acordo com o programa previsto, funcione em regime de acolhimento, sem estruturas de produção residentes e vocacionada essencialmente para a apresentação de música de câmara e solistas, espectáculos de música com uma componente electroacústica dominante, teatro e dança. Um dos aspectos principais da obra é a preservação arquitectónica do edifício, nas estruturas que interferem com a leitura exterior, incluindo a cobertura.
Por sua vez, o novo complexo desportivo integrará um estádio polivalente de atletismo, com oito pistas para a prática desta modalidade, uma zona central relvada, que permitirá a prática de Futebol de 11, assim como outras modalidades e um edifício que serve ambas as áreas.
O complexo terá ao dispor outras habituais infra-estruturas – salas de imprensa, área Vip, balneários das equipas da casa e visitantes, recinto anti-dopagem, balneários para treinadores, balneários para pessoas com mobilidade condicionada, centro de comando, sala de primeiros socorros, gabinete técnico, ginásio, entre outros.

Fonte: OJE/Lusa – 20/10/09


Brasil apoiará produção de biocombustível em Angola

BRASÍLIA – O modelo brasileiro de energias renováveis será apresentado ao governo angolano, informou hoje o Ministério da Agricultura, em nota distribuída à imprensa.
A missão do Brasil, que está na África para uma série de seminários sobre biocombustíveis, chega hoje a Luanda, em Angola, país que receberá subsídios para o desenvolvimento do setor.
“Além de participar da execução e gestão do projeto, o Brasil contribuirá com transferência de tecnologia, uma vez que o País possui décadas de experiência na produção de biocombustíveis”, afirma na nota o representante do Ministério da Agricultura na missão, José Nilton de Souza.
O texto diz que as condições climáticas e a localização geográfica de Angola favorecem o escoamento da produção para a União Europeia.
Atualmente, Angola não integra o grupo de países produtores de biocombustíveis.
“Com o objetivo de reverter esse quadro, o governo angolano estuda a aprovação de uma lei para promover o desenvolvimento do setor, que prevê a ocupação de 30 mil hectares para o cultivo de cana-de-açúcar e o investimento de US$ 258 milhões”, diz o comunicado.
Recentemente, segundo a nota, foi lançado um projeto para a construção de usina voltada para a produção de etanol, açúcar e bioeletricidade.
Até 2012, data prevista para conclusão das obras, foi estipulada como meta de produtividade a geração de 30 milhões de litros de etanol e 250 mil toneladas de açúcar.
Inicialmente, explica o comunicado, a produção será direcionada ao abastecimento do mercado interno, porém a perspectiva é de que haja excedentes para exportação em médio prazo.

Fonte: Agencia Estado – 23/10/09


Onda de suicídios leva França a discutir cultura ‘pós-privatizações’

Governo pede a empresas medidas anti-estresse após morte de 25 funcionários da France Télecom.
Uma onda de suicídios numa das maiores empresas francesas vem levando o país a discutir o “choque cultural” entre os valores tradicionais do funcionalismo público do país e o foco na competição adotado após processos de privatização.
Após o 25º suicídio de um funcionário da France Télécom em apenas 20 meses, o governo francês fixou nesta semana um prazo para que grandes empresas do país adotem medidas contra o estresse no trabalho.
A própria empresa, privatizada em 2004, anunciou a suspensão de seus processos de restruturação e de realocação obrigatória de funcionários após os 25 suicídios, além de 15 outras tentativas de empregados de tirar suas próprias vidas.
Para analistas, o fenômeno é consequência desse “choque cultural” que opõe a visão tradicional que atribuía ao funcionalismo público um caráter social e as novas políticas comerciais agressivas, que privilegiam o aumento constante das vendas e da rentabilidade.
Abertura
O primeiro “choque” empresarial sofrido pela France Télécom ocorreu em 1998, com a abertura do mercado francês de telecomunicações à concorrência, por determinação de uma diretiva europeia.
A segunda grande transformação foi em setembro de 2004, quando a empresa foi privatizada, 115 anos após ter sido nacionalizada.
Os empregados da operadora histórica de telefonia, que foram funcionários públicos durante mais de um século, se transformaram nos últimos anos em agentes comerciais e passaram a sofrer pressões constantes da direção em relação ao desempenho das vendas.
Para enfrentar a concorrência, a direção da empresa criou um plano de restruturação que vem obrigando os funcionários a mudar de serviço, desempenhar novas funções e serem transferidos para outras áreas geográficas.
Após o 25° suicídio em menos de dois anos, além de 15 tentativas de outros empregados de pôr fim à vida, a direção da France Télécom anunciou a suspensão de todas as reestruturações até o dia 31 de dezembro.
Em setembro, o grupo já havia anunciado o congelamento, também até o final do ano, da transferência obrigatória de trabalhadores para outras regiões.
Funcionários supérfluos Muitos técnicos, que instalavam e faziam a manutenção das linhas telefônicas, se tornaram supérfluos devido às mudanças tecnológicas e também em razão do fato de o país ter atingido um nível de cobertura da rede que não necessitava mais a instalação de várias novas linhas, diz o economista Thomas Coutreau, que lida com questões de saúde no emprego no ministério francês do Trabalho.
“Eles se tornaram agentes comerciais sem preparo nenhum para a atividade. O trabalho deles não era vender qualquer coisa a qualquer preço. Eles viam antes sua função como um serviço público, algo que tinha valor para a sociedade.
A cultura comercial de privilegiar vendas os deixou desestabilizados”, diz o economista.
O mal-estar dos empregados também foi ampliado pela instauração de uma competição individual, em relação a metas de vendas.
“Isso minou a solidariedade entre os colegas”, afirma Coutreau.
“Há 30 ou 40 anos, não havia suicídios no trabalho.
O surgimento disso está ligado à desestruturação da solidariedade entre trabalhadores. Ela foi esmagada pela avaliação individual dos desempenhos”, diz o psicanalista Christophe Dejours, co-autor do livro “Suicídio e Trabalho, o que fazer?”.
Os empregados que ocupam cargos de chefia na France Télécom também sofrem pressões da alta direção para demitir funcionários que não têm bom desempenho.
O grupo demitiu 22 mil trabalhadores entre 2005 e 2008.
O psicanalista se diz cético em relação à utilidade dos questionários sobre o estresse no trabalho enviados nesta semana pela France Télécom aos seus empregados.
A medida foi aprovada pelos sindicatos.
“Essa pesquisa não diz o que é preciso fazer realmente”, afirma.
Comoção
Os suicídios na companhia comoveram a sociedade francesa e levaram a direção da France Télécom, que se recusa a demitir seu presidente, Didier Lombard, a substituir o número dois do grupo, Louis-Pierre Wenes.
Para o economista Coutreau, a crise na France Télécom não teria alterado a imagem dos franceses em relação à empresa. “Muitos se identificam com esses problemas porque vivem pressões semelhantes no trabalho”, diz ele. “Mas alguns pensam que os ex-funcionários públicos não sabiam o que era a vida profissional e não aguentam a competição no mercado de trabalho”, afirma.
Entre os países ricos, a França possui uma das mais altas taxas anuais de suicídios, de 19,6 por 100 mil habitantes.

Fonte: BBC Brasil – 23/10/09