Banco do Nordeste lança nova linha de crédito para varejistas

A linha de crédito vi ajudar o varejista recompor seus estoques

O Banco do Nordeste lança, nesta quarta-feira, dia 24, às 14h, em sua sede, em Fortaleza (CE), o Giro Digital. O produto foi desenvolvido com base em plataforma digital cuja operacionalização é feita toda de forma automatizada para ser oferecido às empresas varejistas indicadas por atacadistas que formalizaram previamente parcerias com o BNB.O novo produto propiciará aos varejistas mais conveniência, segurança e rapidez nas suas compras dos atacadistas e trará vantagens para ambos. A nova plataforma combina o diferencial dos prazos e das taxas de juros exclusivos, com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), e a conveniência do crédito automatizado e simplificado, rotativo e pré-aprovado.

Os varejistas poderão recompor seus estoques de mercadorias com as vantagens do pagamento à vista aos atacadistas, com prazos de reembolsos mais estendidos, o que possibilita aumento das vendas e melhor acesso ao crédito, com a garantia do atacadistas.

“O modelo de crédito favorece o fortalecimento dos mercados varejistas e atacadistas e deverá contribuir para a expansão dos negócios das empresas da nossa região”, afirma o superintendente de Negócios de Varejo e Agronegócio do BNB, Luiz Sérgio Machado.

Na quarta-feira, serão formalizados os primeiros acordos de cooperação entre o Banco e três atacadistas cearenses: Jotujé Distribuidora, JA Distribuidora e Empório Cearense, pioneiras no Estado e que oferecerão condições diferenciadas aos seus clientes, possibilitando aos varejistas adquirir mercadorias com crédito rotativo e pré-aprovado, prazos mais cômodos e com taxas de juros atrativas do FNE, além de contar com bônus de 15%, no caso de pagamento em dia.

O lançamento do Giro Digital será no auditório do Gabinete da Presidência da instituição, na Avenida Doutor Silas Munguba, 5.700, no bairro Passaré.

Agroamigo Sol

Na mesma quarta-feira, 24, às 10h, o Banco do Nordeste lança o Agroamigo Sol, nova linha de crédito voltada para implantação de sistemas de micro e minigeração de energia solar a agricultores familiares. Com a metodologia do microcrédito orientado, os financiamentos beneficiarão principalmente pequenas propriedades rurais.


Carreras diz que novo Santos Dumont vai desenvolver esporte da base ao profissional

Para as obras do Centro Esportivo Santos Dumont começarem nesta semana, Felipe Carreras iniciou há dois anos negociações com o governo federal para viabilizar os recursos para a transformação do Santos Dumont (Foto: Hesíodo Góes/Seturel-PE)

O novo Centro Esportivo Santos Dumont, no bairro de Boa Viagem, que começou a tomar forma com a assinatura da ordem de serviço no Palácio do Campo das Princesas para a sua revitalização, a primeira em mais de 40 anos, vai ser determinante para o desenvolvimento do esporte no Estado em todos os âmbitos, desde a base até os profissionais, conforme ressaltou o secretário de Turismo, Esportes e Lazer de Pernambuco, Felipe Carreras.“É com grande satisfação que daremos início às intervenções no Santos Dumont, um pedido de toda a comunidade esportiva pernambucana. Com essa obra, vamos transformar o Centro em uma referência ainda maior para o desenvolvimento do esporte no nosso Estado em todos os âmbitos, desde a base até os profissionais”, disse o secretário Felipe Carreras.

Nos últimos dois anos, o Centro Esportivo Santos Dumont vinha passando por cuidados paliativos, com melhorias na manutenção da piscina, reforma do dojô, pintura do muro, iluminação reforçada e uma reforma no vestiário do ginásio como as principais intervenções. Além disso, houve o oferecimento de novos serviços, como o de nutrição esportiva gratuita. A reforma que começa a ser feita começou a ser trabalhada em 2015, quando Carreras deu início às negociações junto ao governo federal para viabilizar os recursos visando a modernização do centro esportivo de Boa Viagem.

Por isso, desta vez a mudança será diferente: o Centro passará por uma reforma completa. No novo projeto, o Santos Dumont passará a ter parque aquático com piscina olímpica, de aquecimento e piscina de saltos; centro de esportes de praia (vôlei de praia, beach tennis, beach soccer, futevôlei e handbeach), campo de futebol 7 (society), quadra de tênis, pista de skate, academia ao ar livre, ginásio poliesportivo, arquibancada para a pista de atletismo, área para artes marciais, área para ginástica e dança, além de pista para caminhada e pista de atletismo (que já existe).

A intervenção no centro esportivo será feita por etapas. Isso porque a ideia é que as atividades no Santos Dumont não parem enquanto estejam acontecendo as obras específicas. Os primeiros locais que entram em reforma completa são o Parque Aquático, que terá a piscina esvaziada para o início dos trabalhos, e o Centro de Esportes de Praia, que terá seu espaço reservado para começar a construção.

“Um dos diferenciais desse projeto foi a participação direta de representantes das federações, atletas e técnicos em cada novo espaço. É de fundamental importância termos essa contribuição em cada detalhe uma vez que essa grande reforma será em benefício da comunidade esportiva. Além disso, todos eles vão poder acompanhar de perto a evolução das obras”, finalizou Carreras.

HISTÓRICO DE NEGOCIAÇÃO

No início de 2015, os secretários Felipe Carreras e Diego Pérez (executivo) se reuniram com o então Ministro do Esporte, George Hilton, para apresentar o plano de trabalho voltado ao Centro, fato que agradou o então gestor. Já em 2016, Carreras se reuniu com o novo ministro, Leonardo Picciani, que acertou a primeira liberação de verbas para tocar as obras no Centro: R$ 4 milhões. Com recursos garantidos pelo Estado, tornou-se certo o início do novo projeto do Santos Dumont, que teve arquitetada a assinatura da ordem de serviço em recente visita, em abril deste ano, de Felipe Carreras a Leonardo Picciani no Ministério do Esporte, em Brasília-DF.


Cerveja pernambucana é premiada em concurso na Austrália

Raimundo Dantas, Thomé Calmon e Eduardo Farias com suas cervejas premiadas na Austrália (Foto: Divulgação)

A cerveja pernambucana Debron Bier arrematou cinco medalhas de bronze no renomado concurso cervejeiro, o Australian Internacional Beer Awards, na Austrália. A cervejaria, dos sócios Raimundo Dantas, Thomé Calmon e Eduardo Farias, ganhou o bronze com a Weizen, Imperial Stout (premiada com o ouro no Concurso Brasileiro de Cerveja, em Blumenau), Banguê Amburana Aged, Banguê Cachaça Oak Aged e Banguê Barrel Aged.

Essas últimas edições limitadas envelhecidas em barris de Carvalho e Amburana. A Debron foi a cervejaria com mais medalhas do Brasil e a única representante do Nordeste.O resultado foi recebido com festa pelos sócios. “Estamos muito felizes.

Esse prêmio coloca Pernambuco no cenário internacional como um centro fornecedor de cerveja de excelência. Com essas medalhas, já conseguimos 8 prêmios (três no Concurso Brasileiro de Cerveja, em Blumenau, onde as premiadas foram a Golden Ale, Witibier e Imperial Stout), isso é muito gratificante”, O Australian International Beer Awards — Realizado pela Royal Agricultural Society of Victoria (RASV) em conjunto com a Federation University Australia, é a maior competição anual de cerveja do mundo.

Conheça as cervejas premiadas:

DeBron Bier Imperial Stout – Cerveja bem peculiar com um toque nordestino. A Imperial Stout tem em sua composição rapadura e amêndoas de cacau. Chamada de Império Stout, a cerveja é de tonalidade escura e está disponível nas versões chopp e garrafas.

DeBron Weizen – É uma cerveja de trigo de alta fermentação, inspirada nas típicas receitas da Baviera, região sul da Alemanha. De coloração amarelo claro, ligeiramente turva, com espuma abundante, possui aromas e sabores intensos, ressaltando esteres frutados que lembram banana, cravo e noz. A Weizen é a típíca cerveja do verão europeu, perfeita para nosso clima e para novos consumidores da cerveja artesanal.

Bangue – Edições limitadas da cerveja envelhecida, por no mínimo seis meses, em barris de Amburana e Carvalho encharcados na cachaça.


Chega ao Brasil tecnologia que transforma plástico reciclado em tijolos

Para construir uma casa de 80 metros quadrados são reciclados cerca de 2.500 kg de plástico.

Chega ao Brasil tecnologia que transforma plástico reciclado em tijolos

A fundação e as paredes são compostas também por cimento, isopor e água. | Foto: Presanella Building System/Divulgação

Especializada em projetos de construção civil, a companhia italiana Presanella Building System recicla o plástico destinado aos lixões, transformando-o em tijolos e demais materiais que compõem o projeto arquitetônico para construção de casas.

Com o plástico são produzidos cofragens, iglus, diferentes tipologias de tijolos para montagens das paredes, demais peças e vigas para sustentação do telhado. Para construir uma casa de 80 metros quadrados, são reciclados cerca de 2.500 kg de plástico.

A fundação e as paredes são compostas também por cimento, isopor e água. Este cimento leve aumenta o isolamento acústico e térmico da construção, o que contribui para redução de despesa de energia para o aquecimento da casa. De acordo com a companhia, os tijolos e demais componentes permitem a construção de casas com nível tecnológico muito elevado em curto tempo e com custos reduzidos.

O que faz os gastos serem menores, segundo a empresa, é que além dos materiais utilizados, o armazenamento de todos os componentes pode ser feito em espaço reduzido, a praticamente ausência de maquinários e a redução da mão de obra especializada para a construção das unidades habitacionais.

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Com sede na província de Brescia, na Itália, a empresa inaugurou uma fábrica em Assunção no Paraguai e agora tem planos de atender toda a América Latina. No Brasil, a empresa já possui operação comercial por meio da Propeller Representações. Inclusive, já estão em construção duas casas modelo em Maceió, Alagoas.

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Fotos: Divulgação

Viaduto abandonado na Coreia vira parque elevado com 24 mil plantas

A ideia é conectar os habitantes da cidade com a natureza.

Viaduto abandonado na Coreia vira parque elevado com 24 mil plantas

A passagem conta com bancos, iluminação noturna e nada menos que 228 espécies. | Foto: MVRDV/Divulgação

Seguindo o exemplo do famoso High Line, de Nova York (EUA), Seul transformou o que era um espaço elevado sem graça e sem uso em uma grande área verde. Agora, os moradores da capital da Coreia do Sul podem ter o prazer de andar pelo viaduto, de mais 900 metros de comprimento, totalmente revitalizado.

A passagem conta com bancos, iluminação noturna e nada menos que 24 mil plantas de 228 espécies. “Nosso projeto é um dicionário vivo de plantas que fazem parte do patrimônio natural da Coreia do Sul e agora se concentram no centro da cidade”, disse Winy Maas, sócio fundador da MVRDV, empresa holandesa que projetou o espaço. “A ideia aqui é conectar os habitantes da cidade com a natureza e, ao mesmo tempo, também oferecer a oportunidade de experimentam vistas incríveis como para a Estação de Seul e o portão Namdaemun” (ambos pontos históricos da cidade).

Quando Maas chama o local de “dicionário vivo”, ele remete ao aspecto educacional do projeto. Isso porque, apesar de ser uma área de lazer, o espaço foi ocupado por plantas em recipientes de diferentes tamanhos e alturas, organizadas de acordo com grupos de famílias. Tais grupos estão ordenados de acordo com o alfabeto coreano.

Embora o foco principal do parque sejam as plantas, o viaduto também hoje possui galerias, casas de chá, teatro e até restaurantes. Ao longo da passarela, há uma série de rampas de acesso para facilitar a entrada aos que têm dificuldade de locomoção. Ou seja, o que era um espaço abandonado, um viaduto que não cumpria mais sua função, foi renovado e deve ganhar vida com a apropriação do espaço público pelos moradores e turistas.

Um projeto de transformar viaduto em parque linear já foi pensado para o Minhocão em São Paulo, veja aqui, mas até o momento não há nenhum indício de que a ideia saia do papel.

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Fotos: MVRDV/Divulgação

Redação CicloVivo


Ex-governadores alvos de operação da PF em Brasília

Os ex-governadores do Distrito Federal José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz e o ex-vice governador Tadeu Filippeli — também assessor especial do presidente Michel Temer — são alvos de uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta terça-feira. Contra os dois foram expedidos mandados de prisão, informou a PF. Nomeada “Panatenaico”, a ação deve cumprir, ao todo, 15 mandados de busca e apreensão, 10 mandados de prisão temporária e três conduções coercitivas.

A operação é baseada em delação premiada da Andrade Gutierrez sobre um esquema de corrupção nas obras do estádio Mané Garrincha. De acordo com as investigações, o superfaturamento na construção chega a quase R$ 900 milhões — com custo previsto de R$ 600 milhões, o estádio saiu a R$ 1.575 bilhão ao fim de 2014. Trata-se da arena mais cara de toda a competição.

A renovação da arena seguiu modelo diferente ao dos outros estádios da Copa do Mundo do Brasil, financiados por dinheiro público, com empréstimos do BNDES. Na arena de Brasília, os aportes vieram da Terracap — companhia estatal do DF com 49% de participação da União — embora a companhia não tivesse essa operação financeira prevista entre suas atividades.

Sem estudos prévios de viabilidade econômica do Mané Garrincha, a Terracap encontra-se em estado de iminente insolvência. Segundo a PF, a suspeita é de que com a intermediação dos operadores, os agentes públicos tenham realizado um conluio e simulado etapas das da licitação.

A operação também mira agentes públicos, construtores e operadores de propina que atuaram durante três gestões do governo do Distrito Federal. O nome da operação, “Panatenaico”, se refere ao Stadium Panatenaico, sede dos jogos panatenaicos, anteriores aos jogos olímpicos.

A arena dos helênicos, que tinha assentos de madeira, foi toda remodelada em mármore por Arconte Licurgo, no ano 329 a.C., e ampliado por Herodes Ático, no ano 140 d.C. Atingiu daí a capacidade para 50 mil pessoas. O estádio voltou a receber obras em 1895, para as Olimpíadas de 1896.


Assessor de Temer preso hoje acaba de ser exonerado

O assessor do presidente Michel Temer, o ex-vice-governador do Distrito Federal Tadeu Filippelli foi exonerado do cargo que ocupava no Palácio do Planalto, informou hoje a assessoria da Presidência. Ainda de acordo com o Planalto, a demissão do assessor será publicada na edição de amanhã do “Diário Oficial da União”.

Filippelli foi preso nesta terça pela Polícia Federal (PF) na Operação Panatenaico, que investiga um suposto esquema de corrupção que desviou dinheiro da obra de reconstrução do estádio Mané Garrincha, em Brasília.

A Operação Panatenaico também prendeu nesta terça os ex-governadores do Distrito Federal Agnelo Queiroz – titular da chapa que Filippelli integrava – e José Roberto Arruda. Eles são suspeitos de terem comandado os desvios de recursos públicos da construção da arena de Brasília.

O ex-vice-governador do DF atuava até esta terça-feira no 3º andar do Palácio do Planalto, mesmo pavimento do gabinete de Temer. Ele era assessor especial da Presidência desde setembro do ano passado. A remuneração de Filippelli na função era de R$ 12.445,7.

Fillipelli foi preso com base nas delações premiadas dos executivos da Andrade Gutierrez no âmbito da operação Lava Jato. Segundo os delatores, ele teria sido um dos beneficiados pela num esquema de corrupção na construção do estádio Mané Garrincha.

A arena foi construída para a Copa do Mundo de 2014. Orçada inicialmente em R$ 600 milhões, a obra custou no final R$ 1,7 bilhão. Segundo os investigadores, o superfaturamento nas obras pode ter chegado a R$ 900.


Defesa de Temer quer inquérito separado do de Aécio

O advogado Antonio Claudio Mariz, que faz parte da defesa de Michel Temer, estuda pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) para desmembrar o inquérito que investiga o presidente e o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) por obstrução da Justiça.

“Acho que não há conexão fática nem probatória entre a questão que envolve o Aécio e que envolve o presidente”, disse Mariz nesta terça-feira (23). Ele esteve nesta manhã no STF para levar o documento protocolado no dia anterior, no qual desiste do pedido enviado ao ministro Edson Fachin de suspensão do inquérito de Temer.

Fachin autorizou a investigação de Aécio e Temer com base na delação premiada dos donos do frigorífico JBS, Joesley e Wesley Batista na Lava Jato. Joesley usou um gravador escondido para registrar conversas com Joesley e com Aécio e entregou os áudios para a Procuradoria Geral da República (PGR) – que fez o termo de colaboração, homologado por Fachin, ministro relator da operação no Supremo.

No pedido para investigar o presidente e o senador, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma que Temer e Aécio agiram “em articulação” para impedir o avanço da Lava Jato.

A afirmação consta da decisão de Fachin que autorizou a investigação de Temer, Aécio e do deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) por corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa. Loures e Aécio foram afastados dos mandatos por determinação do STF.

Segundo Mariz, a defesa de Temer também avalia pedir que a investigação seja retirar do âmbito da Lava Jato, e por consequência da relatoria de Fachin, e pleitear uma redistribuição por sorteio para outro relator.

A defesa diz que, se isso acontecer, não será para tirar o caso de Fachin, mas sim para comprovar que não há conexão com Petrobras ou Lava Jato. “Eu ainda não estou vendo isso, mas tem uma possibilidade […] Se houver a redistribuição, eu torço que caia com ele (Fachin). A questão não é com ele… a questão levantada poderá mostrar que não há nenhuma conexão do presidente Michel Temer com essas questões de Petrobrás e Lava Jato”, disse Mariz.

Segundo o Jornal Hoje, Temer esteve reunido nesta manhã no Palácio do Jaburu com Mariz e o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco.


PSDB quer costurar sucessão antes de desembarque

Considerado uma espécie de “partido âncora” da base de sustentação ao presidente Michel Temer, o PSDB quer construir uma solução política para a crise antes de anunciar o desembarque do governo. Segundo caciques tucanos ouvidos pelo Blog, a grande preocupação é manter unida a atual base governista, inclusive com o PMDB, para que o grupo possa ter força para enfrentar a sucessão de Temer numa eleição indireta.

A expectativa inicial era de fazer o desembarque amanhã logo depois da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o pedido da defesa de Temer para suspender o inquérito que corre contra ele. A defesa recuou ontem do pedido depois que a estratégia se transformou numa armadilha para Temer, já que deflagraria a debandada dos aliados, pois seria grande a possibilidade do STF definir imediatamente pelo prosseguimento do inquérito.

A estratégia tucana foi definida no fim de semana e avalizada ontem pelos demais caciques do partido. “O PSDB decidiu sair do governo. Agora, temos que avaliar o melhor momento para o desembarque. Isso porque é preciso manter a aliança em torno da escolha do futuro governo, inclusive com o PMDB. Por isso, é uma situação tão delicada. É preciso manter um canal de diálogo”, explicou ao Blog um cacique tucano.

Gerson Camarotti, do G1


“Sem acordo com a JBS, país seria muito mais lesado”

Em artigo publicado hoje pelo UOL, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu a decisão de firmar um acordo de delação premiada com os irmãos Wesley e Joesley Batista.

Os empresários entregaram aos procuradores uma gravação de uma conversa com Temer ocorrida em março. No encontro, que não consta na agenda oficial do presidente, Joesley afirma que tem um plano para destituir um procurador da Lava Jato que investigava a JBS e afirma que atava “dando conta” de dois juízes.

No inquérito aberto a partir do acordo de delação, a PGR apontou indícios de três crimes supostamente cometidos pelo presidente: obstrução de Justiça, corrupção passiva e organização criminosa. Também são investigados no mesmo inquérito o senador Aécio Neves (PSDB) e o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB).

“Até onde o país estaria disposto a ceder para investigar a razão pela qual o presidente da República recebe, às onze da noite, fora da agenda oficial, em sua residência, uma pessoa investigada por vários crimes, para com ela travar diálogo nada republicano?”, afirma Janot no texto.

O artigo foi escrito após a Procuradoria ser criticada pelos benefícios concedidos aos irmãos no acordo de delação. Em pronunciamento, o presidente Michel Temer afirmou que os donos da empresa JBS haviam cometido o “crime perfeito”.

“O autor do grampo está livre e solto, passeando pelas ruas de Nova York. O Brasil, que já tinha saído da mais grave crise econômica de sua história, vive agora, sou obrigado a reconhecer, dias de incerteza”, afirmou o presidente em seu pronunciamento: na tarde deste sábado (20), o segundo feito desde que as delações vieram à tona.

No artigo, Janot afirma que os benefícios dados aos delatores é “ponto secundário do problema”. “A alternativa teria sido muito mais lesiva aos interesses do país, pois jamais saberíamos dos crimes que continuariam a prejudicar os honrados cidadãos brasileiros”, diz.

Janot também ressaltou que o acordo prevê o pagamento de uma multa de R$ 11 bilhões e diz que a colaboração é “muito maior que os áudios questionados”.

Da Folha de São Paulo


Brasil volta a exportar vacina contra febre amarela, diz governo

Vacina contra febre amarela
A previsão é que, a partir de julho, 1 milhão de doses sejam disponibilizadas a cada mês, totalizando 5 milhões de doses para exportação até o fim do ano, diz ministro Divulgação/Prefeitura de Pitangueiras (SP)

O governo brasileiro vai voltar a exportar a vacina contra a febre amarela. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante a 7ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, Suíça. A previsão da pasta é que, a partir de julho, 1 milhão de doses sejam disponibilizadas a cada mês, totalizando 5 milhões de doses para exportação até o fim do ano.

“Reafirmo o compromisso brasileiro com o cumprimento das cotas acordadas de produção de vacina para exportação e atestamos ainda a eficácia da vacina produzida no Brasil”, disse Barros.

Durante o encontro, o ministro garantiu que, após o fim da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Influenza, previsto para 26 de maio, o governo vai intensificar a vacinação contra a febre amarela em locais onde não havia anteriormente recomendação de imunização, como Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo.

“Estamos em plena condição de fazer a vacinação em locais com alta densidade populacional e devemos agir preventivamente em áreas onde não havia recomendação para vacinação, como os estados próximos a Minas Gerais, onde tivemos o foco da doença”, explicou.

A estratégia de vacinação, segundo comunicado divulgado pela pasta, será feita de forma escalonada para que haja vacina suficiente a todos os estados.

Desde fevereiro deste ano, em razão do surto de febre amarela em diversos estados brasileiros, o laboratório Bio-Manguinhos/Fiocruz, maior produtor de vacinas da febre amarela no mundo, deixou de exportar o imunobiológico para atender a demanda nacional.

A previsão é que, a partir de julho, as vacinas exportadas pelo Brasil sejam compradas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e façam parte de uma espécie de fundo de vacinas que será distribuído aos países em caso de emergência.

O laboratório conta atualmente com uma produção de cerca de 6 milhões de doses mensais da vacina contra a febre amarela. A expectativa é que, até o final deste ano, uma nova fábrica entre em funcionamento e contribua com a produção de 4 milhões de doses, totalizando 10 milhões de doses ao mês em 2018.

Casos da doença

Até o dia 18 de maio, 3.192 casos suspeitos de febre amarela foram notificados no Brasil. Desses, 622 (19,5%) estão em investigação, 758 (23,7%) foram confirmados para a doença e 1.812 (56,8%) foram descartados.

Dos 426 óbitos notificados por febre amarela, 264 (62%) foram confirmados, 42 (9,9%) seguem em investigação e 120 (28,1%) foram descartados.

Edição: Valéria Aguiar
Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil


Rocha Loures entrega mala com R$ 500 mil à PF, diz jornal

O deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR)

© image/jpeg O deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR)
O deputado afastado Rodrigo Rocha Loures entregou a mala com R$ 500 mil na sede da Polícia Federal em São Paulo (SP), segundo a Folha de S.Paulo.

O deputado foi gravado transportando a mala, e as fotos foram anexadas à delação do empresário Joesley Batista, da JBS.

Joesley afirmou que Rocha Loures tinha sido indicado pelo presidente Michel Temer para tratar dos interesses da empresa.

PF mostra momento que Rocha Loures sai de pizzaria com mala de dinheiro (via Veja)

Reprodutor de vídeo de: YouTube (Política de Privacidade)

Exame.com


Pernambuco sedia competição Batalha dos Barbeiros

Nos dias 4 e 5 de junho Pernambuco irá sediar uma das etapas da Batalha dos Barbeiros Brasil. A competição entre profissionais do segmento acontecerá no pavilhão de exposições da Feira da Beleza do Nordeste – Hairnor 2017, no Centro de Convenções, no Recife. Os interessados em participar devem se inscrever até o próximo dia 30 de maio, por meio do facebook.com/batalhadosbarbeirosbrasil.

Os primeiros colocados nas três categorias que serão disputadas receberão troféus e produtos de barbearia, além de se classificarem para a grande final nacional.

A profissão de barbeiro é uma atividade que está em alta no Brasil onde o público masculino está cada vez mais preocupado com ou cuidados pessoais. De acordo com a Associação Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), as vendas de cosméticos destinados ao público masculino aumentou de US$ 2.284 bilhões em 2008 para US$ 4.572 bilhões em 2014, o que representa um crescimento de mais de 100%.

Já a pesquisa realizada pela empresa Euromonitor Internacional registrou o crescimento de 7,1% do mercado de beleza masculino em 2015 e a estimativa é que o mesmo percentual de aumento se mantenha até 2019.Na esteira desse crescimento, tem aumentado também os serviços especializados destinados aos homens que buscam tratar da barba e cabelo. Em razão disso, mais barbearias estão abrindo suas portas para atender essa demanda.

O segmento também está em expansão em Pernambuco, onde cerca de várias barbearias foram inauguradas recentemente tanto na região metropolitana do Recife como no interior do Estado.

É nesse cenário que a capital pernambucana irá sediar uma das etapas da Batalha dos Barbeiros Brasil, evento organizado pela empreendedora cultural e diretora de Eventos da Associação dos Profissionais em Institutos de Beleza do Estado do Rio de Janeiro – APIBERJ, Érica Nunes.

Essa será a primeira vez que a competição terá uma edição realizada em feiras do segmento de beleza no Brasil. Na Hairnor, o número de participantes será limitado a 24 competidores, divididos em três categorias: Desenho, Tradicional e Barba Express a Barba em 1 minuto. Os concorrentes terão um tempo estipulado para a realização do corte de acordo com sua categoria e serão julgados por uma equipe técnica com notas de 0 a 8.

A Feira da Beleza do Nordeste – Hairnor acontece de 3 a 5 de junho no Centro de Convenções de Pernambuco reunindo 450 marcas expositoras e um público visitante estimado em 40 mil pessoas. Durante o evento, as indústrias do segmento da beleza estarão expondo uma infinidade de produtos, que vão desde cosméticos básicos, como batons, xampus e esmaltes, até equipamentos como secadores de cabelo, chapinhas e móveis, além de sistemas de gestão para salões de beleza. Haverá, ainda, no pavilhão de exposições, uma área exclusiva para o segmento de estética.

SERVIÇO:

Feira da Beleza do Nordeste – Hairnor 2017 (81 – 3467.6572 – contato@hairnor.com.br)

Batalha dos Barbeiroa (21 3377-1041 / 3356-1879  /  21 96502.5657 – batalhadosbarbeirosbrasil@gmail.com)


Histerectomia Vaginal e seus benefícios

Será realizado no Hospital Memorial São José – Rede D’Or São Luiz, nos dias 26 e 27 de maio, o II Curso de Histerectomia Vaginal na Ausência de Prolapso (HVT). A capacitação tem como público alvo, médicos ginecologistas e enfermeiras que trabalham com instrumentação cirúrgica. O evento tem o apoio da Cogire e contará com a presença dos médicos Dr. Aguinaldo Fonseca(SE) e Dra. Rosilene Reis(RS), como professores convidados, e também com a Dra. Marlizete Bezerra(PE), coordenadora do curso.

A histerectomia é uma das cirurgias ginecológicas mais realizadas no mundo. As indicações mais frequentes são as doenças benignas (leiomiomatose uterina, endometriose, hiperplasias), ao passo que as doenças malignas representam em torno de 10% das indicações. As vias de acesso para sua realização são: abdominal, vaginal, laparoscópica e robótica, podendo-se usar duas vias associadas como histerectomia vaginal (HV), com assistência por via laparoscópica.

As vias vaginal, laparoscópica e robótica são consideradas minimamente invasivas, por estarem associadas a menor tempo cirúrgico, menor dor no pós-operatório, menor frequência de solicitação de analgésicos, tempo de internação hospitalar mais curto e uma melhor recuperação das pacientes quando comparadas à via abdominal. “Outras vantagens são o menor sangramento durante a cirurgia, cerca de 85% à menos do que histerectomia por via abdominal, a ausência de cicatriz abdominal e a capacidade de voltar às atividades mais precocemente, sem falar do menor custo em relação as outras cirurgias.”, afirma a ginecologista Marlizete Bezerra.

A Histerectomia vaginal, tem as mesmas indicações que a histerectomia abdominal. A cirurgia é realizada pelo orifício natural, minimamente invasiva, com baixas frequência de complicações e morbidade, sendo segura para o tratamento de doenças uterinas benignas. Apesar da indicação mais comum da HV ser o prolapso genital, seu uso não deveria estar limitado às cirurgias de reconstrução do assoalho pélvico. A HV tem se mostrado benéfica também no tratamento de úteros com miomas e no sangramento uterino anormal, que são as mais frequentes indicações de histerectomia. A via vaginal ainda é pouco utilizada no Brasil para tais indicações o que tem motivado a realização do curso em HVT, na ausência de prolapso uterino.

Informações: 81 3465 5562 | 3465 9093

*foto em anexo reprodução da internet


Sistema de esgotamento sanitário de Caruaru será modernizado e ampliado

Primeira etapa do projeto inicia, ainda neste mês, com a recuperação de quatro estações elevatórias e cadastro técnico da rede coletora de esgoto existente

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Foto: Divulgação/Compesa

A maior cidade do Agreste pernambucano, Caruaru, será beneficiada com um projeto de ampliação e modernização do sistema de esgotamento sanitário. As ações irão, inicialmente, recuperar o sistema já existente e que abrange parte de 14 bairros da cidade – corresponde a 40% da área urbana: Caruá, Boa Vista (1 e 2), Mandacaru, Nova Caruaru, Macaparana, Inocoop, José Liberato, Cidade Jardim, Rendeiras, Jardim Panorama, Salgado, Centro, Petrópolis e Maurício de Nassau. A primeira etapa do projeto vai iniciar, ainda neste mês, para reativar quatro estações elevatórias. Também será feito um diagnóstico operacional e o cadastro técnico da rede coletora que foi implantada na década de 1970. A intenção da Compesa é estender a cobertura de esgotamento sanitário para 100% de Caruaru.

Toda as ações do projeto serão financiadas pelo Programa de Saneamento Ambiental da Bacia Hidrográfica do Rio Ipojuca (PSA Ipojuca) com recursos do Banco Mundial. A companhia vai iniciar as obras pela reabilitação de quatro estações elevatórias de esgotos, que são Rendeiras II e III, José Liberato I e Boa Ventura – juntas possuem uma vazão de 250 litros de esgoto por segundo. Serão feitas trocas de conjuntos de bombeamento, colocação de novas bombas, substituição dos quadros de comando elétrico, além de reparos estruturais. Com o retorno da operação dessas unidades, cerca de 40 mil imóveis da cidade passarão a ter seus esgotos tratados, contribuindo diretamente para a despoluição do manancial. Para essa primeira etapa, que tem o prazo de seis meses para execução a partir da emissão da ordem de serviço, serão investidos cerca de R$ 2,6 milhões.

Em paralelo, também será iniciada a limpeza e desobstrução dos principais coletores ‘tronco’ da rede (interceptores), que somam mais de 2,2 quilômetros de extensão. O trabalho vai permitir, inclusive, a filmagem interna da rede coletora com equipamentos robotizados para verificar e diagnosticar as condições físicas das tubulações. Ainda será feito o levantamento e cadastramento técnico de mais de 300 quilômetros da rede existente, ação que é fundamental para a elaborar o projeto de ampliação do sistema, atividades de operação e manutenção. Só para este trabalho, serão destinados mais de R$ 3 milhões.

Para reativar todo sistema existente em Caruaru, a companhia precisará recuperar 14 estações elevatórias e triplicar a capacidade de operação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Caruaru – que hoje trata 450 litros de esgoto por segundo – localizada no bairro Rendeiras. O sistema de esgotamento sanitário da cidade sofreu ampliações ao longo dos anos, feitas pela Prefeitura da cidade e pelo Projeto Alvorada, da Secretaria de Saúde do Estado, e com essas obras será integrado ao Sistema operado pela Compesa. Para elaborar todo o projeto de ampliação e modernização do sistema, que é dividido em 37 bacias, estão sendo investidos R$ 3,6 milhões. O projeto deve ser finalizado até maio de 2018.


Mais norte-americanos no Brasil

Sete novos voos estão previstos para conectar cidades brasileiras aos EUA. De maio a dezembro de 2017, os aeroportos internacionais de São Paulo, Rio de Janeiro e Recife devem receber voos vindos de Orlando, Dallas e Nova York, somando mais de 25 novas frequências para o Brasil. Os dados são da Análise da Malha Aérea Internacional da Diretoria de Inteligência Competitiva e Promoção Turística da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), preparada mensalmente a partir de informações fornecidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

As linhas aéreas Latam, Avianca, Azul, American Airlines e Delta fazem as novas rotas, facilitando a chegada dos turistas norte-americanos – mais uma facilidade para a visita ao Brasil, já que a partir do final deste ano, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão vão utilizar do visto eletrônico para conhecer os destinos turísticos brasileiros.

“Todos esses fatores incentivam a vinda desses visitantes ao Brasil. Queremos que o turista estrangeiro tenha cada vez mais meios e caminhos para chegar ao nosso País e também que o turismo represente o desenvolvimento do País”, afirmou Vinicius Lummertz, presidente da Embratur.

Outros oito voos estão previstos partindo de  Santiago, Bariloche, Buenos Aires, Lisboa e Istambul para Rio de Janeiro, Campinas, São Paulo, João Pessoa, Recife e Natal.

Análise geral

A análise da Dipro traz ainda um comparativo do quadro geral de voos para o Brasil dos meses de maio de 2017 e 2016 – são contabilizados apenas os voos diretos. Para a América Latina, tivemos em relação a maio de 2016, um pequeno acréscimo de 0,98% nos voos. No continente europeu, o incremento foi de 3,32% e, na África, de mais de 13%.

Informações: www.embratur.gov.br


Tarso Genro: “Temer perdeu o apoio do oligopólio da mídia e não vai se sustentar”

O ex-governador petista do RS avisa sobre o risco de uma “putrefação do Estado”

Entrevista Tarso Genro

Tarso Genro, em dezembro de 2016, na Espanha uly martín

André de Oliveira
André de Oliveira

Transcorrido menos de um ano do afastamento definitivo de Dilma Rousseff da presidência da República, o assunto brasileiro é novamente o impeachment ou renúncia de um presidente. Depois da conversa gravada pelo dono da JBS, Joesley Batista – em que ele fala com Michel Temer sobre planos para barrar a Operação Lava Jato – o assunto ganhou as tribunas do Congresso, as ruas e os telejornais. As únicas questões discutidas no Brasil passaram a ser: Temer vai renunciar? Quando vai renunciar? E, se renunciar, o que pode acontecer depois? O cenário é tão ou mais incerto do que o que precedeu o impeachment de Rousseff. O ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro da Educação, Tarso Genro (PT), conversou com o EL PAÍS sobre o volátil cenário político brasileiro. Os destaques da conversa estão abaixo.

Pergunta. Temer disse que não vai renunciar. Um presidente na situação em que ele está é sustentável?

Resposta. Não, mesmo porque a Globo, que foi o “partido político” que deu sustentação para o impeachment de Dilma Rousseff, acabou de publicar um editorial retirando seu apoio. Portanto, o apoio principal do Temer, que é o oligopólio da mídia, está se retirando. Com isso, ele perde mais da metade da base dele, que é uma base política que não tem sustentação ideológica ou programática. É aquele resíduo oportunista e fisiológico que sempre tem um papel de desempatar questões políticas que estão no Congresso. Por isso, acho que não se sustenta. Acredito que ele vai revisar sua posição e vai renunciar.

P. Em sua opinião, a base aliada abandona o Governo a partir de hoje, então?

R. Sim. Eu tenho convicção disso. Porque a manutenção do Temer no Governo tinha uma profunda vinculação com as reformas – principalmente a da Previdência e a Trabalhista – e já se viu no primeiro baque que grande parte da bancada começou a se retrair. Agora, aprová-las representaria um duplo sacrifício: a impopularidade de passar reformas antipopulares e o ônus de manter Temer com todo o cerco político e jurídico em que ele se encontra.

P. Você disse que Temer perdeu o apoio que tinha na mídia, o que mudou para que isso acontecesse?

R. A estabilidade do Governo dele, e o apoio da mídia que ele tinha, estava vinculado a passagem e aprovação das reformas. Como elas estão bloqueadas pela crise, ele não serve mais. Há, em boa parte da sociedade brasileira, uma crítica muito forte ao apoio que Temer ganhava da mídia – a despeito de ter oito ministros investigados – e ao cerco ao qual o PT era submetido. Agora, como as delações da JBS saíram junto com as gravações, ou seja, combinadas com provas, a mídia caiu em uma armadilha em que é obrigada a tomar uma posição pública como se fosse um desague natural de posições anteriores. É uma espécie de mea-culpa­, já que as acusações contra Temer e PSDB são infinitamente mais sustentáveis do que as que pesam contra Lula, que vinha sendo o alvo do noticiário.

P. Por outro lado, há setores de esquerda que dizem que tudo o que está acontecendo é “espuma” para que o Moro condene Lula…

R. Isso não é verdade. Esse processo contra a corrupção tem texto e subtexto. O texto fundamental é que é uma reação do Estado e da sociedade brasileira contra a corrupção endêmica e histórica no Brasil, que vem desde as capitanias hereditárias. O subtexto é que há hoje uma instrumentalização política através da Lava Jato para fazer um cerco a esquerda, um cerco ao PT e ao Lula. Não à toa, a movimentação por dentro da Lava Jato demonstrou, inclusive, que foram bloqueadas informações que levariam ao Temer e ao Aécio [referindo-se ao fato que o juiz Sergio Moro indeferiu 21 perguntas feitas pela defesa de Eduardo Cunha a Temer]. Por isso, eu não acredito que as informações da JBS sejam uma conspiração com Curitiba para prender o Lula. Agora, o futuro de todo mundo que está envolvido nas investigações é indeterminado. Isso porque é um processo político sem um objetivo pré-definido e trabalhando simultaneamente com a legalidade e a exceção e, nesse roldão, pode ir muita gente justamente e injustamente.

P. Mas você acredita que a investigação judicial persegue uns e outros não?

R. Eu tenho mantido uma posição de análise em relação a essas questões. É impossível dizer o que é justo e o que é manipulação nessas investigações, na medida em que você tem processos que vem de exceção. Para ter uma análise fria e não partidarizada, é preciso olhar apenas do ponto de vista político. Assim sendo, eu acredito que há uma desestruturação da elite política tradicional e existe um processo de instrumentalização da Justiça para a luta política. Quem vai ser o vencedor? Não se sabe. Na Itália, foi o Berlusconi que manteve 12 anos dos Governos mais corruptos da história do país. Agora, na sociedade brasileira, esse resultado ainda não está escrito porque as questões de fundo ainda não foram resolvidas.

P. PMDB, PSDB e PT sofrem abalos políticos diretos. Você citou o Silvio Berlusconi, acha que o caminho está aberto para aventureiros no Brasil?

R. Sim. Acredito que dentro desse processo de instrumentalização política da Justiça, a grande mídia transformou a disputa política em algo a ser demonizado. O interesse por trás disso é a promoção da tecnocracia, autoritarismo e, no seu limite, o fascismo. É isso que estamos vivendo no país. Esse processo ainda não foi interrompido, mas pode ser.

P. Se o Temer renunciar, o que acontece no dia depois do impeachment?

R. Não existe solução previsível. Quem diz o que é a Constituição é o Supremo. A Constituição é aquilo que o Supremo lê da Constituição. Eu chamo a atenção para o fato de que recentemente teve uma decisão sobre o Governo do Amazonas e o governador foi deposto por compra de votos. E o que o Supremo determinou? Nova eleição e não eleição pela Assembleia. Então, pode ser que aconteça um processo interpretativo aí, né? A leitura normal da Constituição apontaria para a eleição pelo Congresso. Isso vai ser determinado pelo processo político e pela leitura que o Supremo vai fazer da norma constitucional.

P. E em sua opinião, o que seria capaz de dar um rumo de tranquilidade para o Brasil?

R. A grande saída é a eleição geral e direta para presidente e Congresso. É preciso ter um poder central revigorado e, seja quem for eleito, terá legitimidade para governar. O que eu tenho medo da eleição indireta pelo Congresso é uma solução “técnica”, que acha que vai conseguir governar tecnicamente, sem política ou políticos e, assim, o clima no Brasil se deterioraria mais ainda.

R. O diplomata Paulo Sérgio Pinheiro propõe na Folha de S. Paulo um entendimento acima de divergências políticas. Ainda há espaço para isso nesse momento?

P. Acho que sim. O próprio jogo político vai determinando os sujeitos que vão ser excluídos e os que vão sentar para negociar. O pior que pode acontecer nesse momento é o que os clássicos chamam de putrefação do Estado. Ou seja, que haja um embate de forças, as instituições deixem de funcionar e a dialética que passe a funcionar seja a de amigo e inimigo.

P. Mas não é isso mesmo que está acontecendo?

R. É um pouco, mas isso é superável. E não é necessário fazer concessão para ninguém. Os processos judiciais devem e podem continuar, mas é necessário coloca-los nos eixos, tirando os resíduos de exceção que eles têm. Assim, as pessoas precisam conversar até para uma emenda constitucional que vise alterar o calendário eleitoral. As soluções tem que ser dadas no plano político e jurídico e dentro da Constituição. Se não for por aí, nós vamos ter uma crise radical do Estado e da própria funcionalidade política do Estado que pode levar para qualquer lado, qualquer solução.

EL PAÍS Brasil


Uma governança para a ilha de Antônio Vaz no Recife

Diversas instituições que vivem e pesquisam os bairros centrais do Recife propõem que seja instituída uma governança e uma gestão territorial para a chamada Ilha de Antônio Vaz, que abrange bairros de Santo Antônio, São José, Cabanga e Joana Bezerra. Também indicam a criação de um plano urbanístico para essa área. Organizações como a Câmara de Dirigentes Logistas (CDL), o Observatório do Recife, e o Conselho de Arquitetura e Urbanismo, que já tinham seus estudos e propostas de intervenção nesse território, trabalham em conjunto para atacar os problemas agudos do presente – que são mais ligados ao controle urbano – e para orientar o desenvolvimento da localidade, que, além de ser central, é estratégica do ponto de vista histórico.

A Ilha de Antônio Vaz é o espaço onde convivem de forma não planejada patrimônios arquitetônicos de grande destaque da nossa história, comércio de rua, as habitações de baixíssima renda, grandes galpões, duas estações de metrô, faculdades, entre diversos outros usos, além de muitos prédios ociosos. De acordo com Paulo Monteiro, coordenador do Centro de Apoio ao Lojista do CDL Recife, no final de 2015 aconteceu o primeiro seminário Viver Recife com o intuito de discutir o desenvolvimento e a revitalização dessa região. “Nosso objetivo é debater os problemas e buscar alternativas para termos o Centro que precisamos, com a proposta de levar posteriormente essa experiência para outras áreas da cidade”, afirma.

Depois do primeiro encontro, outros cinco workshops ocorreram, quando foram apresentados projetos de diversas organizações para a revitalização desses bairros históricos. Para embasar esse trabalho foi realizada também a pesquisa Cenário Atual do Centro do Recife. O estudo foi elaborado pelo Instituto Maurício de Nassau.

Após todo esse trajeto de estudos e eventos, Monteiro afirma que as instituições chegaram a um produto final que foi apresentado ao prefeito do Recife, Geraldo Julio. “Defendemos que seja criada uma governança, com um conselho consultivo, uma gestão territorial, e que seja desenvolvido um planejamento urbanístico”. Ele lembra que foram tratadas também alternativas de captação de recursos para as intervenções na região. Em duas oportunidades, em reuniões promovidas na Amcham e no CDL, o prefeito se mostrou favorável à proposta. “Ele comprou essa ideia de se ter uma governança e um gestor para vivenciar 24 horas por dia a dinâmica do local”, diz o coordenador da CDL.

O próximo passo será a organização de um evento de maior porte, onde serão apresentados todos os projetos já construídos. “Nossa ideia é que seja um fórum para alinhar e unificar diretrizes urbanísticas para que o planejamento seja feito de forma integrada e não como uma colcha de retalhos. A partir daí, apresentar uma sugestão com propostas finais ao poder público. Além da prefeitura, pretendemos apresentar também ao Ministério das Cidades”, explica Monteiro.

ENCAMINHAMENTOS
O secretário de Desenvolvimento Urbano do Recife, Antônio Alexandre, sinaliza que existem duas agendas nas discussões traçadas até hoje. A primeira é de curto prazo, para atacar problemas do cotidiano de quem trabalha, mora ou transita por esses bairros, como limpeza, iluminação e segurança. “Os lojistas sentem a necessidade de uma interlocução única, um canal com a responsabilidade de dar retornos de forma integrada. O prefeito acha justa a reivindicação e ficou de responder qual será o canal de interlocução”.

Quanto à instalação de uma governança exclusiva para a área, Antônio Alexandre afirma tratar-se de uma medida a ser implantada no médio a longo prazo. “É preciso definir o modelo mais adequado para exercer a gestão dos territórios. Já temos a experiência de um escritório no Bairro do Recife, que articula ações ligadas ao turismo, esportes e lazer, entre outras áreas. É possível ter um escritório semelhante também na Ilha de Antônio Vaz”. O secretário, no entanto, sinaliza uma posição contrária a uma experiência de descentralização administrativa, a exemplo das subprefeituras.

Entre as agendas discutidas para o bairro, ele indica medidas que considera prioridade. “É necessário o estímulo ao desenvolvimento das novas atividades econômicas que estão chegando a esses bairros e um maior cuidado com a qualidade dos espaços públicos, como praças e áreas de permanência. Também é prioritária a mobilidade, para garantir a circulação das pessoas, e o incentivo à habitação no Centro, onde existe a demanda por moradia e um estoque construído ocioso ainda grande”, aponta Alexandre.

No estudo realizado pelas organizações que estão participando do movimento em prol de uma governança da região, foram identificados como vocações para a ilha a consolidação de um polo educacional e uma maior dinamização do Porto Digital. Foram mapeadas grandes oportunidades de desenvolvimento nas frentes d’água (áreas defronte dos rios) e a necessidade de investimentos em infraestrutura nas Zonas Especiais de Interesse Social. Um dos projetos de maior porte apresentados para a região é a transformação da Avenida Dantas Barreto em um boulevard, que projeta a abertura da avenida até o Cais José Estelita.

Participam do movimento as seguintes organizações: Agência Recife para Inovação e Estratégia (Aries), UFPE, Observatório do Recife, Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-PE), Faculdade Joaquim Nabuco, Sindilojas Recife, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Prefeitura do Recife, CDL-Recife, Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, Instituto Pelópidas da Silveira, Parque do Capibaripe, Unicap, Inciti e INTG.

(Por Rafael Dantas/Algomais)


Pai de Fred posta nas redes sobre Aécio: “falta qualidade moral e intelectual”

Um texto, divulgado nesta segunda-feira (22), atribuído ao desembargador aposentado Lauro Pacheco de Medeiros Filho, pai de Frederico, o Fred, primo do senador Aécio Neves (PSDB-MG), preso por receber malas de dinheiro da JBS, diz que ao tucano “falta qualidade moral e intelectual”.

“Meu filho Frederico Pacheco de Medeiros Filho está preso por causa de sua lealdade a você, seu primo. Ele tem um ótimo caráter, ao contrário de você, que acaba de demonstrar, não ter, usando uma expressão de seu avô Tancredo Neves, ‘um mínimo de cerimônia com os escrúpulos’”, aponta a mensagem. “Para o bem do Brasil, sua carreira política está encerrada”.

Fred foi preso na Operação Patmos na quinta-feira (18), após ser filmado buscando uma mala com R$ 500 mil em propina da JBS, supostamente a pedido de Aécio. A irmã do senador, Andrea Neves, também foi presa.

O grampo da conversa entre Aécio e Joesley, entregue à PGR pelo segundo em delação premiada, revela que Aécio pediu R$ 2 milhões a dono da JBS. A investigação aponta que, em pelo menos duas ocasiões, Fred foi pessoalmente à sede da empresa para buscar parte da propina acertada para o primo.

A gravação contém o diálogo a seguir:

“Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança”, propôs Joesley.

“Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho”, respondeu Aécio.

O grampo revela que Aécio pediu R$ 2 milhões a dono da JBS
O grampo revela que Aécio pediu R$ 2 milhões a dono da JBS

Veja a mensagem do pai de Fred na íntegra:

“AÉCIO: Meu filho Frederico Pacheco de Medeiros está preso por causa de sua lealdade a você, seu primo.

Ele tem um ótimo caráter , ao contrário de você, que acaba de demonstrar, não ter, usando uma expressão de seu avô Tancredo Neves, “um mínimo de cerimônia com os escrúpulos”.

Vejo agora, Aécio, que você não faz jus à memória de seu saudoso pai o deputado Aécio Cunha. Falta-lhe, Aécio, qualidade moral e intelectual par o exercício do cargo que disputou de Presidente da República.

Para o bem do Brasil, sua carreira política está encerrada.

Ass. Lauro Pacheco de Medeiros Filho

Desembargador Aposentado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.”

Defesa de Aécio

Em nota, a assessoria de Aécio Neves diz que o senador “lutará também, pelos meios legais, para que a injustiça cometida contra sua irmã e seus familiares seja reparada e revertida o mais rapidamente”.

Veja a nota na íntegra:

“Sobre o diálogo gravado por Joesley Batista, o senador Aécio Neves esclarece que:

O diálogo se deu numa relação entre pessoas privadas, no qual o senador solicitou apoio para cobrir custos de sua defesa, já que não dispunha de recursos para tal.

O empréstimo feito pelo empresário da JBS não envolveu recursos públicos e seria regularizado por meio de um contrato mútuo, se o objetivo de Joesley Batista não fosse, desde o início, única e exclusivamente, forjar uma situação criminosa para ganhar os benefícios da delação premiada.

Não houve na conversa gravada descrição de nenhum ato ilícito da parte do senador, tendo ocorrido uma provocação de Joesley, agora claramente explicada, de assuntos outros, que não o pedido de empréstimo, com o objetivo único de obter de Aécio declarações políticas sobre temas polêmicos.

Como já foi esclarecido, foi proposta ao executivo a venda de um apartamento, no Rio de Janeiro, de propriedade da família do senador há mais de 30 anos. O delator, já atendendo aos interesses de sua delação, propôs emprestar recursos, o que ocorreu sem nenhuma contrapartida, não havendo qualquer tipo de prova ou mesmo indício de que tenha ocorrido alguma atuação do senador na esfera pública em favor da JBS.

O próprio delator Ricardo Saud afirmou à PF que: “Ele nunca fez nada por nós”, o que torna infundada qualquer acusação de pagamento de propina.

Todos os recursos recebidos da empresa pela campanha presidencial do PSDB, em 2014, estão declarados na prestação de contas do partido e não envolveram contrapartida ou uso de dinheiro público.

Um total R$ 50,2 milhões foram doados pela JBS ao comitê financeiro nacional e à Direção Nacional do PSDB. Desse total, R$ 30,44 milhões foram repassados para a campanha presidencial. Outros R$ 6,3 milhões foram doações feitas a diretórios regionais e candidatos estaduais e R$ 4 milhões doados no período pré-eleitoral, totalizando R$ 60,5 milhões em doações integralmente declaradas ao TSE.

Sobre a Operação Lava Jato, não existe qualquer ato do senador Aécio, como parlamentar ou presidente do PSDB, que possa ter colocado um empecilho sequer aos trabalhos da Polícia Federal ou do Ministério Público.

Por fim, Aécio lamenta os termos inadequados que usou na conversa gravada, sem o seu conhecimento, e destaca que jamais fez tais referências no ambiente de trabalho, já tendo se manifestado diretamente junto a cada um dos companheiros e autoridades mencionados.

O senador Aécio lamenta todos os acontecimentos narrados e fará, com serenidade e firmeza, sua defesa junto à Justiça e a seus eleitores para demonstrar a correção de suas ações e a farsa da qual foi vítima, montada pelo delator de forma premeditada a forjar uma ação criminosa.

Lutará também, pelos meios legais, para que a injustiça cometida contra sua irmã e seus familiares seja reparada e revertida o mais rapidamente.”

Assessoria do senador Aécio Neves.

Jornal do Brasil


Las Palmas e Suape discutem aumento das exportações pernambucanas para África e Europa

As principais mercadorias a serem comercializadas para os destinos seriam as frutas, produzidas no Vale do São Francisco, e o açúcar das usinas das Matas Sul e Norte do Estado.

O Presidente da Autoridade Portuária de Las Palmas (Espanha), Luis Ibarra Betancort, esteve reunido com setores estratégicos da economia pernambucana e com a equipe do Porto de Suape para discutir o aumento das exportações do estado para os continentes africano e europeu, utilizando o atracadouro espanhol como porta de entrada para os produtos pernambucanos. As principais mercadorias a serem comercializadas para os destinos seriam as frutas, produzidas no Vale do São Francisco, e o açúcar das usinas das Matas Sul e Norte do Estado. A agenda foi uma continuidade da parceria firmada este ano, durante a 23ª Intermodal South America, onde os executivos dos dois portos assinaram um convênio de colaboração com o objetivo de construir relações de negócios entre os atracadouros.

“Temos muito interesse no mercado Sul-americano. Somos um porto que está trabalhando muito bem com a África e a Europa. Gostaríamos que o setor exportador brasileiro confiasse em nós para entrar no mercado africano. É um continente imenso, com muitas possibilidades, e portanto, Suape é o porto mais próximo a Las Palmas. O que queremos é desenvolver os portos conjuntamente”, explicou Betancort. Ainda de acordo com o executivo, o Brasil exporta muito pouco para a África, um mercado em expansão e que poderia ser mais explorado pelos produtores daqui.

O representante das usinas Trapiche (PE) e Serra Grande (AL), Saulo Barros Pereira, saiu muito entusiasmado do encontro. A produção açucareira regional possui uma demanda crescente no mercado africano e a possibilidade dos navios que saem carregados de Suape fazerem transbordo em Las Palmas, e de lá seguirem em navios menores para os portos africanos, vai aumentar as exportações de açúcar. Em 2016, o Porto de Suape exportou 73,6 mil toneladas de açúcar ensacado, das quais 44,5 mil foram para a África.

Para que a movimentação entre Suape e Las Palmas cresça, será necessária a criação de linha de navegação direta e regular. Este foi o objetivo da conversa com a representante comercial da Hamburg Süd, Ana Filgueira. A companhia é um dos armadores que operam a navegação de longo curso (entre continentes) em Suape. A conexão direta entre Suape e Las Palmas reduziria para 9 dias o transit time (viagem), bem mais vantajoso para aqueles que usam o Porto de Santos como porta de saída, de onde o navio demora 32 dias para chegar a Las Palmas.

“Suape é o porto com melhor localização para importarmos os produtos para a África e Europa e quem vem crescendo nos últimos anos”, justifica o presidente da Autoridade Portuária de Las Palmas. Nesse mesmo sentido, Las Palmas está a apenas 90 milhas de distância do continente africano, fazendo com que os produtos, sobretudo as frutas que possuem um curto tempo de maturação, cheguem mais rápido aos consumidores.

CONTÊINERS – A comitiva também conheceu as instalações do terminal de contêineres Tecon Suape, onde foram recepcionados pelo presidente Luis Cao. Ao final do encontro, o presidente de Suape, Marcos Baptista, presenteou o presidente do porto espanhol com uma medalha de Suape e uma peça de artesanato produzida por Zezinho de Tracunhaém.

“Vemos boas perspectivas para os produtos de Pernambuco nos mercados africano e europeu para serem exportados via Suape e distribuídos através do Porto de Las Palmas. Essa parceria renderá bons frutos para a economia pernambucana”, comemorou Baptista.

Em 2016, o atracadouro espanhol movimentou mais de 23 milhões de toneladas. É lá que operam as principais companhias petrolíferas da região, o que acaba por resultar na liderança do abastecimento de combustíveis no meio atlântico-oriental. Na movimentação de contêineres, o porto é o 4º na movimentação do ranking entre os portos espanhóis, tendo registrado 914,5 mil TEUs em 2016. Las Palmas também é um porto tradicional na rota dos navios de cruzeiro, com um volume de mais de um milhão de passageiros entre turistas e tráfego doméstico. As ilhas Canárias recebem entre 14 e 15 milhões de turistas por ano. Por isso, quase todas as mercadorias e alimentos que chegam no arquipélago são importados para atender a demanda.

SUAPE – Com 38 anos de existência, o Complexo Industrial Portuário de Suape conta com mais de 100 empresas instaladas e em processo de implantação em seu território de 13,5 mil hectares. Esses empreendimentos somam mais de R$ 50 bilhões em investimentos privados, empregando um total de 18 mil trabalhadores diretamente. Suape está conectado aos principais portos do mundo. Em 2016, o atracadouro contabilizou 22,74 milhões de toneladas de cargas movimentadas, encerrando o ano com crescimento de 15% em relação a 2015. Essa taxa de crescimento foi a maior entre os 10 maiores portos públicos do país, o que alavancou Suape para a 5ª posição no ranking nacional. No primeiro trimestre deste ano, a movimentação geral de cargas somou 5,38 milhões de toneladas e subiu 12% em comparação com o primeiro trimestre de 2016.