Jeep em Pernambuco dá exemplo na produção de carro mais sustentável

A montadora não destina seu lixo em aterro sanitário, anula as amissões de carbono na atmosfera e praticamente eliminou o uso da água potável na fabricação

A empresa ainda consegue reutilizar 99,5% da água utilizada no processo fabril / Foto: Léo Motta/JC Imagem
A empresa ainda consegue reutilizar 99,5% da água utilizada no processo fabril
Foto: Léo Motta/JC Imagem

Ângela Belfort e Adriana Guarda

Mais de 700 mil veículos foram produzidos desde que a Jeep começou a funcionar em Goiana, na Região Metropolitana do Recife, em abril de 2015. No mesmo terreno, são 12 edifícios – que abrigam mais 15 fornecedores. Juntas, empregam cerca de 13,6 mil pessoas em três turnos. Para ser montado, cada carro usa 3,1 mil componentes. E o mais impressionante: zero desse polo automotivo é destinado ao aterro sanitário. A montadora também é carbono neutro – anulando as emissões que joga na atmosfera –, praticamente eliminou o uso da água potável na fabricação e reduziu em 45% a energia consumida por unidade fabricada, comparando 2018 com 2016.

São 14 mil toneladas de 50 tipos de resíduos diferentes que chegam ao polo automotivo mensalmente. Eles são enviados à Ilha Ecológica, uma área de 3 mil m². Lá, 82 profissionais atuam, também em três turnos, dando o destino correto aos materiais. “Foi implantado um sistema de gestão que vai desde o CEO (cargo mais alto da companhia) à linha de produção, permeando todas as empresas. A gestão de resíduos inclui cinco erres: recusar, reduzir, reutilizar, reciclar e recuperar. Adotamos algumas práticas, como dar preferência aos fornecedores em que a embalagem vem e volta, trazer mais peças dentro da mesma embalagem, entre outras”, resume o analista ambiental da Jeep Diego Marques.

Nesse sistema de gestão, a maior parte dos resíduos são reciclados: papelão, plástico e até isopor. A tecnologia usada reduz o volume do isopor em até 50 vezes, transformando-o em pequenas peças de plástico, usadas como matéria-prima na fabricação de canetas e capas de CD.

Jeep começou a funcionar em Goiana, na Região Metropolitana do Recife, em abril de 2015

Legenda

Água reutilizada

A empresa ainda consegue reutilizar 99,5% da água utilizada no processo fabril. “Isso é importante porque diminui a compra de água. O ganho sócio-ambiental é grande. A água é finita e com isso estamos aumentando o tempo de vida desse bem”, diz o analista de manufatura Diego Angelo. São 210 mil litros de água/hora que passam por uma estação de tratamento com quatro tanques, onde são feitos os tratamentos físico, químico, biológico e tecnológico. A quantidade de água reutilizada no mês é de 28 mil m³, equivalente a oito piscinas olímpicas.

Desde a inauguração do polo, a empresa reduziu em 52% a quantidade de água por carro produzido. “São novos projetos de desenvolvimento que resultam em novos processos”, resume Angelo. E, nesse caso, gastar menos não é questão apenas de economia, mas de sobrevivência do planeta.

A Jeep tem um viveiro onde produz 250 espécies diferentes de plantas da Zona da Mata com capacidade de produzir até 88 mil mudas/ano. E, até 2024, deseja plantar 204 mil mudas. Duas vezes por semana, o local é visitado por alunos dos 5º ano do ensino fundamental. “A intenção é melhorar a consciência ambiental das pessoas”, conclui Marques.

JC Online


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