Entorno do Mercado de São José vira um estacionamento de carros a céu aberto

por Roberta Soares 

Ruas que antes eram ocupadas por barracas e bancas de feirantes viraram estacionamento a céu aberto para carros. População reclama. Fotos: Bianca Souza/JC Imagem

As ruas localizadas no entorno do Mercado de São José, no Centro do Recife, viraram um grande estacionamento ao ar livre para automóveis. No lugar do comércio informal que, de forma desordenada, estava instalado nas vias e dificultava a circulação de pessoas, o local foi ocupado, agora, pelos carros. De 60 a 100 vagas não-regulamentadas de estacionamento sugiram nas últimas semanas – a partir do início da revitalização, em setembro –, sem qualquer controle do poder público.

É uma desordem permanente. Há carros por toda parte, estacionados de qualquer forma, em sentidos contrários e até em fila dupla, nas vias que circulam a Praça Dom Vital e a Igreja Basílica da Penha. A Prefeitura do Recife, entretanto, garante que a confusão é temporária e que o espaço, até o Natal, sofrerá intervenções que irão priorizar a circulação de pessoas e, consequentemente, a mobilidade ativa.

A priorização será total para o pedestre. A CTTU (Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife) está elaborando um plano de circulação para a região. Aquele espaço não será destinado aos automóveis. Devemos ter algumas vagas para veículos de turismo, mas planejamos incentivar, sim, a circulação das pessoas. Vamos fazer uma licitação pública para viabilizar um estacionamento na área do Cais de Santa Rita que hoje já funciona dessa forma. Mas não no entorno do Mercado de São José. Lá, será um grande largo para pedestres”,

João Braga, secretário de Mobilidade do Recife

Mas, por enquanto, o que se vê na área é um mar de automóveis estacionados. “Isso aqui deveria ter sido transformado em uma rua para pedestres, sem estacionamento e, muito menos, tráfego de veículos. É muita gente andando nessas ruas próximas e todas elas terminam na Praça Dom Vital. Se a prefeitura permitir carros e estacionamento será péssimo. Assim, era melhor deixar os feirantes no mesmo lugar”, opina a vendedora Josenilda Conceição da Silva, que há três anos tem um boxe na Rua São José do Ribamar, uma das que termina na praça. O pior trecho é a área por trás do Mercado de São José, antes totalmente tomada pelas barracas fixas e móveis do comércio informal. São aproximadamente 50 novas vagas improvisadas para automóveis na via.

O uso indevido do espaço público como estacionamento privado já está tão incorporado que até vagas estão sendo “reservadas” pelos guardadores de carros. Para piorar a situação, como não existe uma circulação regulamentada, os motoristas estacionam os veículos em qualquer sentido. Segundo comerciantes locais, a confusão é grande em alguns dias e horários. “Virou uma bagunça. Os motoristas param onde querem e fazem fila dupla. Para a gente que trabalha no comércio está péssimo. Além de amargar uma queda de até 40% no movimento, ainda vemos a rua toda ocupada pelos carros. O certo seria liberar o espaço para as pessoas andarem, sem estacionamento ou tráfego de carros”, reforça o comerciante José Antônio Pereira, que há 34 anos trabalha na região.

São entre 60 e 100 novas vagas não-regulamentadas para carros que foram criadas no improviso. Prefeitura garante que espaço será requalificado para os pedestres

Nem mesmo a implantação de estacionamento rotativo (Zona Azul) agrada. “As pessoas que usavam aquela área para ganhar dinheiro, para sobreviver, fora retiradas de lá. Tudo bem que para um lugar melhor, mas não é certo que o espaço seja ocupado por automóveis. Não será assim que faremos cidades mais humanas. A população só vai perder se a prefeitura abrir a área para circulação e/ou estacionamento de carros. Mesmo que seja o rotativo. A Ameciclo, inclusive, fez uma vaga viva na área com o objetivo de fazer o alerta de que há outros usos possíveis e desejados para essas áreas e para reivindicar a devolução do espaço público às pessoas. Chega de carros. Queremos cidades mais humanas, democráticas e sustentáveis. Defendemos, inclusive, que o Centro do Recife seja fechado para os carros”, argumenta Marcelo Melo, da Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife (Ameciclo).

Na época, durante a ocupação de vagas para carros existentes no entorno do Mercado São José, a entidade fez algumas reivindicações. Solicitou participação efetiva da sociedade no planejamento urbanístico da área, a retirada dos automóveis do entorno do mercado para implantar espaços de comércio, áreas verdes e bicicletários, a adoção de Zona 20 com ampla estrutura de acalmamento de tráfego, além da majoração da tarifa da Zona Azul e a destinação desses recursos para a mobilidade ativa.

João Braga, secretário de Mobilidade e Controle Urbano do Recife, garante que a ocupação das ruas pelos automóveis é provisória e que a área, depois que o processo de revitalização for concluído, será voltada para a circulação de pessoas. Tudo isso, segundo o secretário, será concluído até o próximo Natal. “A priorização será total para o pedestre. A CTTU (Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife) está elaborando um plano de circulação para a região. Aquele espaço não será destinado aos automóveis. Devemos ter algumas vagas para veículos de turismo, mas planejamos incentivar, sim, a circulação das pessoas. Vamos fazer uma licitação pública para viabilizar um estacionamento na área do Cais de Santa Rita que hoje já funciona dessa forma. Mas não no entorno do Mercado de São José. Lá, será um grande largo para pedestres”, garante. Um plano urbanístico para a região do mercado e da Praça Dom Vital será implantado ao custo de R$ 8,8 milhões – recursos do PAC Cidades Históricas.

Desde o dia 18 de setembro a Prefeitura do Recife iniciou os serviços de requalificação da pavimentação e da drenagem no entorno do Mercado de São José. As obras estão sendo realizadas pela Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) e devem seguir até dezembro. O investimento será de R$ 743.745,28 e as intervenções vão beneficiar uma área total de 2.226,10 m².

Move Cidade – JC


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