Investimento de R$ 200 milhões garante conexão do Recife a cabo submarino

Capital pernambucana deve estar conectada ao cabo Seabras-1 a partir de 2021

Com a conexão de fibra óptica via cabo submarino, a velocidade de transmissão será de 12 Tbps (terabits por segundo) / Foto: Seaborn Networks/Divulgação
Com a conexão de fibra óptica via cabo submarino, a velocidade de transmissão será de 12 Tbps (terabits por segundo)
Foto: Seaborn Networks/Divulgação

O Recife deverá ter sua primeira conexão direta a cabo submarino dos Estados Unidos a partir do segundo semestre de 2021. Fruto da parceria entre empresários pernambucanos e a empresa estadunidense Seaborn Networks, de Massachusetts (EUA), a capital pernambucana se conectará, através de um cabo de 500 km, ao já existente Seabras-1, que liga o município de Praia Grande (SP) a Nova Jersey, no país norte-americano, via 10,5 mil km de conexão. O investimento ultrapassa os R$ 200 milhões.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Bruno Schwambach, há pelo menos dois anos a prefeitura do Recife e o governo do Estado buscavam atrair investidores para a implementação dessa infraestrutura. “começamos a discutir desde quando eu estava na prefeitura, dentro do programa Recife 500 anos (que projeta o futuro da cidade até 2037).

Cheguei à secretaria de Desenvolvimento Econômico costurando a atração das empresas que atuam nesse segmento de cabos submarinos, consultamos vários players, e demos a sorte de conseguir o fechamento do negócio com a Seaborn, que hoje é uma das líderes mundiais”, detalha o secretário.

Com a conexão de fibra óptica via cabo submarino, a velocidade de transmissão será de 12 Tbps (terabits por segundo), com tecnologia a ser implementada pela Alcatel-Lucent, empresa global de telecomunicações sediada na França. A maior velocidade confere uma conexão de mais qualidade, com menos latência (intervalo entre comando e resposta), o que favorece o desenvolvimento das empresas de tecnologia, mas também de qualquer tipo de serviço e pessoa que faz uso da internet.

“De fato, o cabo submarino significa a possibilidade de termos novos investimentos, especialmente no que diz respeito à habilitação de datacenters regionais aqui, agregando valor ao nosso ecossistema. Essa notícia é muito positiva e permite que a nossa tecnologia fique disponível para mais lugares”, comemora o presidente do Softex Recife, Alcides Pires.

Embora se trate de um investimento privado, segundo Schwambach, o papel do governo foi fundamental para atração. A contrapartida pedida pela Seaborn foi a colocação de sócios locais na empreitada – o empresário Halim Nagem está à frente junto a outros quatro investidores.

Alta conectividade

Largando atrasado na corrida por alta conectividade, o Recife ainda não dispunha de conexão via cabos submarinos para tráfego de dados. Para se conectar internacionalmente, por exemplo, o percurso comum é via fibra óptica terrestre até Fortaleza, mesmo estando aqui um dos principais parques tecnológicos do País, com mais de 300 empresas instaladas. Só para se ter ideia da defasagem de Pernambuco vide outros estados estratégicos da região, a Bahia já conta com pelo menos duas conexões a cabos submarinos, já Fortaleza é um dos principais hubs do mundo, com pelo menos 12 cabos submarinos de fibra óptica conectados.

“O diferencial é de tecnologia. Esse tipo de negócio tem ciclos. Num primeiro, vieram alguns cabos e pararam em Fortaleza. Em Salvador também tem, mas não com o tipo de performance que terá o daqui. A gente tá num segundo ciclo, digamos assim. O cabo é o mais moderno que existe entre São Paulo e Nova Iorque, e Pernambuco está se conectando com ele. A gente ficou, digamos, atrasado, e agora a gente na janela”, reforça Schwambach.


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