Olinda: A Praia Del Chifre – ainda – pede socorro

por Felipe Vieira 

Imagine o que é ter em seu território uma praia de mar aberto, com pouco mais de dois quilômetros de extensão e deixá-la, por anos e anos a fio, entregue à própria sorte, sem qualquer projeto de lazer e urbanização.

É algo inadmissível em um Estado e um município com forte vocação turística, como é o caso de Pernambuco e Olinda, respectivamente. Mas é precisamente o que acontece, atravessando as décadas, com a Praia Del Chifre.

São exatos 2,3 quilômetros de extensão, entre a Praia dos Milagres, no bairro de Santa Tereza, e a divisa com o Recife (cortando o bairro de Salgadinho). O local já foi um famoso ponto da prática de surf pelos olindenses, nos anos 1970 e 1980. Na década de 1990, na esteira dos ataques de tubarão no litoral pernambucano, foi sendo cada vez mais abandonado.

Há muitos anos, Del Chifre (o anedotário dá conta de que nome seria uma homenagem ao balneário uruguaio de Punta Del Leste, mas adaptado para os encontros extraconjugais que ocorriam nas areias desertas) é um deserto em pleno mar. Sem frequentadores, convive com as montanhas de lixo que vêm dos Rios Capibaribe e Beberibe.

A ocupação urbana no local nunca teve qualquer regulação, mas está cada dia mais caótica. Barracos são erguidos, dia e noite, dos dois lados do Canal do Rio Beberibe. Pelo estado de completa desordem, e pelo complicado acesso, Del Chifre é um trecho proibitivo do nosso litoral.

Poderia ser diferente. Tudo passaria pela devida ocupação do espaço público, com moradia digna, espaços de lazer, infraestrutura de mobilidade (acesso a transporte público, estacionamento e ciclovia, por exemplo) e estímulo a pequenos empreendimentos típicos de praias, como bares, restaurantes e lanchonetes. Mas não é fácil. A área pertence à Marinha do Brasil – fica ao lado da Escola de Aprendizes Marinheiros – e outras tentativas de ocupação do local, como o projeto conjunto de ciclovia entre as prefeituras do Recife e de Olinda, anunciado em 2014, acabaram não indo adiante.

Na semana passada, a Prefeitura de Olinda realizou um mutirão para a retirada de 600 quilos de lixo da faixa de areia. Também está em processo de finalização uma via de 1,5 km que vai margear o local (ao lado do Canal da Malária), “abrindo” um pouco mais a praial aos olhos da cidade. <EM>

A Praia Del Chifre não precisa de gambiarras, por bem intencionadas e necessárias que sejam. Falta um projeto definitivo de urbanização para que as pessoas ganhem uma nova área de convivência e de lazer. Marinha do Brasil, governo do Estado, prefeitura de Olinda, empresariado, sociedade, todos poderiam se juntar. Não seria bandeira de um ou outro. Em tempos de vacas magras, só união e criatividade salvam. Quem topa o desafio de recuperar, de uma vez por todas, a Praia Del Chifre?

JC Metropolitano


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