Gravatá ganha um complexo ecoturístico

Com dois milhões de metros quadrados, Karawá tã oferece atividades como trilhas, arvorismo, tirolesas, com uma proposta de preservação ambiental.

Já está em operação na cidade de Gravatá o complexo ecoturístico Karawá Tã. Localizado a 300 metros da rua do Polo Moveleiro, o empreendimento idealizado pelo arquiteto Paulo Roberto de Barros e Silva oferece aos turistas e moradores da cidade uma alternativa de lazer sustentável, que inclui uma tirolesa de 900 metros de extensão, trilhas ecológicas, uma grande estrutura para prática de arvorismo e uma série de itens de lazer para crianças.

A área total do Karawá Tã (termo que significa gravatá em tupi-guarani) tem 2 milhões de metros quadrados, entre a Serra do Maroto e a cidade. No espaço há uma reserva natural da Caatinga de 1 milhão de metros quadrados, com mais de 60 espécies do bioma. Toda essa região no passado foi coberta por plantações de abacaxi e agave em fazendas na região. Com o fim da atividade agrícola, a mata nativa ressurgiu naturalmente. Um renascimento que traz o diferencial do parque. “É a maior reserva particular de Caatinga em área urbana do Brasil”, distingue o arquiteto.

A concepção do idealizador Paulo Roberto Barros e Silva é oferecer uma alternativa de lazer com aventura, preservando as mais de 60 espécies existentes na reserva natural.

Os visitantes que chegarem de carro deixam o automóvel na entrada do empreendimento. Dentro do parque, o transporte entre as atrações é feito por meio de um veículo especial do Karawá Tã, um trenzinho, que faz o trajeto entre os morros e vales do espaço. Do ponto mais alto, no Monte Orion, foi instalada a maior das três tirolesas do parque, que tem cerca de 150 metros de altura do solo. Há uma outra com 300 metros de extensão e uma infanto-juvenil, com extensão de 80m.

São seis trilhas para os mais diversos tipos de aventureiros. Há opções para quem está preparado para um desafio mais intenso, com algumas horas de caminhada em meio às baraúnas e juazeiros da Caatinga. Mas também pode-se fazer caminhadas mais leves, com uma proposta mais contemplativa, de lazer e conhecimento sobre o bioma. Os visitantes contam com instrutores e áreas de apoio nas atividades propostas. O parque também criou uma trilha a ser feita com bicicleta, que pode ser alugada no local.

São seis trilhas, desde caminhadas de algumas horas em meio às baraúnas e juazeiros da Caatinga até opções mais leves para contemplar e conhecer o bioma.

Entre as atividades oferecidas no complexo estão o arvorismo, arco e flecha, paintball, escalada, rapel, tobogã e aquaball (uma espécie de bolha para que o público infanto-juvenil possa caminhar dentro do açude interno da reserva). Uma das novidades será o orbit ball, que é uma bola inflável, com parede dupla, em que os visitantes poderão entrar e descer 100 metros num declive em terra. Nem todas as atividades, porém, estão em funcionamento no mês de inauguração do parque e devem ser entregues nos primeiros meses da operação.

Além da preservação ambiental associada ao lazer, o projeto tem um pilar social integrado com a Secretaria de Educação do município. Paulo Roberto explica que o parque receberá turmas da rede municipal nos dias em que o complexo não estará aberto ao público. “Nossa proposta é que as crianças possam fazer as trilhas, conheçam o bioma da Caatinga com aulas, exposições e atividades, como concursos de redação e fotografia”, planeja o idealizador.

O parque utiliza uma série de tecnologias e práticas sustentáveis, como uso de energia solar, sistemas de tratamento de esgoto, reúso de água e um programa de resíduo zero, com estações de compostagem e separação de lixo. “Tudo o que precisa de bombeamento no parque é movido com energia solar fotovoltaica. A água que sai dos aparelhos de ar-condicionado segue para a caixa d’água. Toda a água utilizada e tratada irá regar os jardins”, acrescenta o arquiteto.

Paulo Roberto relata que o projeto do parque foi construído a partir dos conceitos de outros complexos ecoturísticos de Campos de Jordão, Canela, Gramado e Curitiba. “A partir dessas experiências fizemos uma montagem para a nossa realidade para oferecer um tipo de atividade de lazer que é hoje 74% do desejo das pessoas que vem a Gravatá em segunda moradia ou para os eventos. Um lazer diferente da piscina, da gastronomia e dos shows. Nossa intenção é atendeu essa demanda”.

O parque tem estimativa de receber 1,5 mil pessoas por dia, sem lotação. Além dos atrativos de lazer, o complexo contará com áreas gastronômicas, auditório, ambulatório e anfiteatro.

EXECUTIVOS 
Um dos diferenciais do empreendimento é o centro voltado para treinamento experiencial de executivos ao ar livre. No Karawá Tã foi construído um alojamento com 40 leitos, que possui um espaço reservado ao público corporativo com seis atividades de lazer e aventura, como escalada e trilha. “Essa é uma demanda que identificamos das empresas da região que ainda não é ofertada. A incorporação da natureza a um espaço mais restrito, para capacitação e integração de equipes das empresas é muito bom”, comenta Paulo Roberto.

O projeto possui ainda um eixo imobiliário. Serão erguidas quatro ecovilas entre 8 e 10 hectares. Apenas a primeira está pronta, com 50 lotes, já tendo sido comercializada dois terços das unidades. As tecnologias sustentáveis também serão estendidas para as vilas.

O parque teve financiamento de R$ 6 milhões do Banco do Nordeste e gerou mais de 90 empregos. O corpo de instrutores do espaço é formado por profissionais de educação física, turismólogos e biólogos da cidade.

*Por Rafael Dantas, repórter da Algomais


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