Produtor pernambucano celebra acordo Mercosul-UE

Abertura do mercado tornará produtos mais atrativos

Pernambuco exportou US$ 1,99 bilhão em 2018 e US$ 491,8 milhões de janeiro a maio de 2019 / Foto: Jane de Araújo/Câmara dos Deputados
Pernambuco exportou US$ 1,99 bilhão em 2018 e US$ 491,8 milhões de janeiro a maio de 2019
Foto: Jane de Araújo/Câmara dos DeputadosMarília Banholzer

Pernambuco exportou US$ 1,99 bilhão em 2018 e US$ 491,8 milhões de janeiro a maio de 2019. No ano passado, os principais mercados exteriores para o Estado foram Argentina (31%), EUA (16%) e Países Baixos – Holanda (10%). Mas essa configuração tende a mudar a partir da entrada em vigor do recente acordo Mercosul-União Europeia (UE), anunciado na semana passada, em Bruxelas. A novidade, fruto de negociações de mais de 20 anos, deixou produtores pernambucanos entusiasmados, mesmo que o início “pra valer” das novas regras deva demorar pelo menos dois ou três anos.

Hoje, os principais produtos exportados de Pernambuco para a União Europeia são óleos combustíveis, frutas frescas, secas ou em sumo, além de açúcar e álcool. Já para o Mercosul, o Estado consegue vender, principalmente, automóveis e componentes relacionados ao mercado automotivo, entre outros. No entanto, segundo o que propõe o acordo, taxas relativas às exportações serão extintas ou aplicadas cotas preferenciais com tarifas reduzidas. Com isso, mercados em que os produtos pernambucanos não eram competitivos deverão passar a receber as mercadorias com mais frequência.

Para Caio Coelho, diretor da Vale Export – Associação dos Produtores de Frutas do Vale do São Francisco, o momento é de celebração para a fruticultura. “O acordo está sendo comemorado com muita razão. A comunidade europeia é um grande mercado do Brasil há muitos anos, em vários setores. De todas as frutas produzidas no Brasil, grande parte segue para o mercado europeu. É um absurdo o País nunca ter feito um acordo com esse setor.”

Segundo ele, no mercado de frutas, as principais novidades giram em torno da extinção de um imposto que varia de 8% a 14% sobre o preço de venda da uva, que deverá ser extinto. Em resumo, durante a safra da fruta no Europa paga-se mais caro para exportar. Nos demais momentos, a taxação é menor. Outro ponto visto como positivo é a desburocratização de questões fitossanitárias. Ou seja: documentações que garantam que as frutas estejam livres de pragas ou agrotóxicos serão menos exigidas.

“Com as uvas sem o Duty e as outras frutas enfrentando menos burocracia para serem exportadas, não há dúvida de que o volume de vendas deve crescer cerca de 20%”, cravou Caio Coelho.

Em relação ao mercado de açúcar e álcool, o presidente do Sindaçúcar, Renato Cunha, também celebra o acordo e pontua que flexibilização das regras de exportação podem ajudar o setor a ter mais apetite por vender sua mercadoria no mercado exterior.

“A relação custo-benefício entre o negócio e a exportação não era vantajosa, e isso diminuiu o apetite pela exportação. Agora temos um ambiente de negócios mais favorável. É um passo importante no mercado de açúcar, por exemplo”, contou Cunha.

Sobre as cotas, Renato Cunha ressalta: “Elas tornam os preços mais estáveis e fluxos mais programados. Com isso, você tem uma receita mais estável, revertida em favor da produção”.

Grande exportadora para a América Latina, a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) também se mostrou a favor do acordo Mercosul-UE, mas prefere se manter cautelosa. “Foi estabelecido um cronograma de 15 anos para adaptação dos mercados. Ainda é muito cedo para previsões, mas não há dúvida de que a partir desse marco você tem um caminho para o livre comércio. Hoje, estamos com foco na América Latina, mas queremos invadir o mercado europeu no futuro”, ponderou Antônio Sergio Mello, diretor de Relações Institucionais para a América Latina da FCA.

O economista Jorge Jatobá acredita que, com a mudança nas regras, o setor industrial deverá passar por reformulação. “As indústrias brasileiras e pernambucanas precisaram sofrer um choque de inovação para aproveitar esse acordo. Elas estão acomodadas em produzir para o mercado interno. Mas podem perder espaço para os produtos importados que chegaram com a abertura do mercado”, refletiu.

Ainda segundo Jatobá, assim como a indústria, o País como um todo precisará se tornar mais competitivo. “É necessário melhorar a infraestrutura pra escoar sua produção, além de um sistema tributário mais competitivo. O nosso é oneroso, complexo, e precisa ser reformado. O Brasil precisa ser mais competitivo para enfrentar, por exemplo, o carro importado, além de outros produtos que chegarão”, avaliou.

JC Online


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