Prefeitura do Recife incentiva população a juntar plástico ao invés de descartar

Lixo pode virar peças utilitárias e até mesmo fonte de renda

Embalagens vazias podem ser reaproveitadas / Foto: Filipe Jordão/JC Imagem
Embalagens vazias podem ser reaproveitadas
Foto: Filipe Jordão/JC Imagem

Cleide Alves

Em um prédio da Rua do Brum, no Bairro do Recife, localizado no Centro da capital, embalagens vazias de sabão líquido, amaciante de roupa, xampu e condicionador estão sendo transformadas em utensílios domésticos. Fruteiras, saboneteiras, lixeiras, cestos, vasos e cabides são fabricados com plástico que, provavelmente, seriam jogados no lixo, num projeto desenvolvido pela Secretaria Executiva de Inovação Urbana do município.

A expectativa da prefeitura é diminuir a quantidade de recipientes de plástico descartados em rios, canais e barreiras, com apoio da população. “Esse é um problema que o poder público só não resolve, então decidimos transformar o lixo produzido pelo morador em peças utilitárias que atendam as necessidades diárias dele, isso cria uma mudança de hábito”, declara o secretário de Inovação Urbana do Recife, Tullio Ponzi.

De acordo com ele, as famílias serão estimuladas a coletar embalagens vazias de materiais de limpeza e produtos de higiene pessoal. Ao entregar o plástico à prefeitura receberão, em troca, objetos resultantes da reciclagem. Cada vaso, saboneteira ou cabide corresponde a uma quantidade pré-definida de plástico. “Às vezes é importante criar incentivos, que não precisam ser, necessariamente, econômicos”, diz o secretário.

Mês passado, em caráter experimental, a Secretaria de Inovação Urbana apresentou os produtos criados com o plástico a pessoas residentes no Vasco da Gama (Zona Norte) e em Lagoa Encantada (Ibura), na Zona Sul. Moradores do Vasco receberam as peças sem a contrapartida das embalagens. “Foi uma ação para a gente medir a aceitação dos utensílios”, explica Tullio Ponzi. No Ibura, a prefeitura organizou gincana e entregou os produtos em troca dos recipientes.

EXPANSÃO

Este mês, o projeto será levado ao Alto do Burity (Macaxeira), na Zona Norte. E a partir de agosto chegará às comunidades atendidas pelo programa Mais Vida nos Morros de forma itinerante. “O engajamento do cidadão é primordial”, destaca Tullio Ponzi. A ideia da secretaria, diz ele, é ampliar a oferta de produtos com a criação de corrimão para escadarias em morros, brinquedos para crianças e mobiliário urbano, como bancos e papeleiras.

O corrimão de madeira sintética já está sendo desenvolvido, avisa o arquiteto César Araújo Evangelista, chefe do Setor de Prototipagem e Soluções Urbanas da secretaria. Segundo ele, o metro linear de um corrimão tradicional custa R$ 500. “Com o plástico, podemos reduzir em quatro vezes esse valor”, observa o arquiteto.

“Começamos pelas coisas mais simples (cestos, vasos) para depois avançar em produtos mais complexos”, diz ele. Todo o trabalho, explica, é feito de forma colaborativa. “Visitamos os lugares, ouvimos as pessoas para saber de que objetos elas gostariam, apresentamos o projeto e retornamos com as peças”, relata César Araújo.

A pessoa pode manter as fruteiras, cestos, cabides e vasos para uso em casa ou vender os produtos. “Não tem nenhum problema, a geração de renda é o início de um nicho de negócios. Ela junta o plástico, entrega e o retorno é o produto com valor agregado”, destaca César Araújo. Por enquanto, a secretaria vai de porta em porta coletar as embalagens.

Três garrafas grandes são suficientes para fabricar um vaso pequeno, comenta o arquiteto. Com 35 a 40 garrafas é possível fazer um cesto grande de uso variado. “Podemos criar uma infinidade de coisas, um vasinho fica pronto em dez minutos, a fabricação de um cesto grande leva 20 minutos”, informam Emanuela Mirele Batista Leite e Micaela Nascimento Oliveira, que trabalham na confecção das peças. O trabalho é realizado na sede da ONG Plano B, que tem as máquinas necessárias ao serviço.

JC Cidades


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