Consórcio Nordeste pode reeditar Mais Médicos

Por: Luiza Alencar 

Flávio Dino, governador do Maranhão, já copnfirmou o contrato com a OPAS

Após a formalização do Consórcio Nordeste, os gestores participantes já começam a articular planos de ações para a região. Uma das primeiras medidas pode ser a assinatura de um contrato com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) para trazer profissionais estrangeiros e reinstalar o atendimento nos moldes do programa Mais Médicos nos entes federativos que compõem o Consórcio.

Segundo a coluna Painel do jornal Folha de S.Paulo desta segunda (17), Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, confirmou o contato com a Opas. A ideia é retomar um contrato regional com a organização. De acordo com a assessoria de imprensa do Governo de Pernambuco, uma conversa inicial sobre o assunto já ocorreu, mas o tema será aprofundado na próxima reunião do colegiado – ainda sem data confirmada. 

Coordenando esforços para minimizar os efeitos da chuva no Estado, o governador Paulo Câmara (PSB) não comentou o assunto. No entanto, a deputada estadual Teresa Leitão (PT) subiu à tribuna na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), ontem, para defender a parceria.

“O Consórcio do Nordeste recentemente completou todos os trâmites legais. E busca agora impulsionar a retomada do formato original dos Mais Médicos com a presença dos profissionais cubanos que foram embora do País após as críticas ideológicas ao governo da ilha feita pelo presidente Jair Bolsonaro”, aponta. A parlamentar cita as vagas que não foram ocupadas e a quantidade de pessoas que ficou sem atendimento. 

“Após a perda de 8 mil vagas, o governo brasileiro prometeu que preencheria todas as vagas. Isso não aconteceu. E isso deixa 28 milhões de pessoas sem o atendimento médico e o atendimento da saúde básica. Então, o consórcio já regulamentado em todos os nove estados nordestinos está buscando amparo legal, toda a formatação, para que a nossa população não fique sem o atendimento médico que é um direito de todo cidadão”, completou. 

Contra

O líder da Oposição na Alepe, Marco Aurélio Medeiros (PRTB), por sua vez, se diz contrário ao projeto se “for aos moldes do Mais Médicos para tirar dinheiro do trabalhador e mandar para Cuba”. Ele considera a medida “absurda” e diz não “acreditar” na hipótese.

“Para trazer os médicos nas condições anteriores, em que 80% do salário é retido e mandado para Cuba e os familiares desses médicos não podem visitar seus parentes que aqui trabalham e vice-versa, sou contra”, garantiu. 

O parlamentar pontua, ainda, que um projeto “configurando o modelo anterior é um ataque” ao Governo Federal. “Um consórcio existe para facilitar as políticas públicas entre os entes do Consórcio e não ser usado como instrumento de política”, disse Marco Aurélio.

Para ele, a solução para as vagas deixadas pelos estrangeiros é a “oferta dessas vagas imediatamente ao mercado de forma simples e sem burocracia e, se for o caso, com mais incentivos”, finalizou. 

Números 

Após duras críticas do então recém eleito presidente Jair Bolsonaro (PSL), Cuba anunciou, em 14 de novembro de 2018, o fim de sua participação no programa no Brasil. A retirada dos profissionais deixou cerca de 1,4 milhão de pessoas desassistidas no Estado. Eram 414 médicos cubanos atuando em Pernambuco.

Folha PE


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