RELÍQUIAS DO BAIRRO DO RECIFE

SINAGOGA KAHAL ZUR ISRAEL

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Nos imóveis de números 197 e 203, da Rua do Bom Jesus, existiu a primeira sinagoga das Américas, que funcionou até 1654. Em 1679, as casas foram doadas aos padres oratorianos, e, posteriormente, foram destruídos os vestígios da sinagoga, e o prédio, alugado para o comércio. Nas prospecções efetuadas, no local, objetivando a restauração da antiga sinagoga, dentre as descobertas efetuadas, a mais importante delas, do ponto de vista da comunidade judaica, foi a de um poço de pedra, de 1,70 m de profundidade por 70 cm de diâmetro, a Mikva, usado na cerimônia do banho espiritual. Nesse ritual, os judeus ortodoxos são purificados antes de fazer orações e antes da celebração do Dia do Perdão.
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Os imóveis foram restaurados e neles foi implantado o Centro Cultural Judaico de Pernambuco.
Os judeus recifenses temiam as perseguições da Inquisição portuguesa e fugiram; mas quem não temia? Alguns se cristianizaram, foram chamados de cristãos novos; outros se dispersaram pelo mundo atrás de terras mais seguras; entre esses, um grupo dirigiu-se para a América do Norte, onde lá fundou a cidade de Nova Amsterdã, atual Nova York.

BRUM

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Aqui foi uma das praias mais frequentadas do Recife. Enquanto as classes média e rica preferiam as margens do Rio Capibaribe, o povo comparecia e aproveitava suas cabanas de palhas. As obras de modernização do porto, aterrando as margens do Rio Beberibe, ainda afluente do Rio Capibaribe, acabaram com a praia do Brum. Era no Brum que ficavam os depósitos da Ferro Carril, empresa que explorava os serviços de transporte de bondes puxado por burros, existentes de 1871 a 1914, quando foram desativados. Entravam em operação os bondes elétricos da Tramways. A Praça Tiradentes que fica na Rua do Brum homenageia o mártir da Inconfidência Mineira, trazendo-o para perto de nossos heróis pernambucanos que, tanto como ele, pagaram alto preço pela coragem, ousadia e pelo amor à liberdade.
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Zilda Mamede, paraibana, nascida em 1928, bibliotecária e poeta. Do seu poema Noturno do Recife:
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“Nos mistérios do rio me perdi,
Na amargura do rio me encontrei,
Na sombra que beijava a flor do rio
Senti minha saudade anoitecer.”
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ESTAÇÃO DO BRUM

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O bonito prédio, com suas colunas de ferro, foi restaurado, sob os cuidados da Corregedoria de Justiça, para ser a sede do arquivo do judiciário. A estação serviu a The Great Western of Brazil Railway entre 1881 e 1934. Por lá, passavam os trens para Santo Amaro, cruzando o Rio Beberibe pela Ponte do Limoeiro, que foi inaugurada em 1811 (na época somente ferroviária) e permite a ligação do Bairro do Recife ao de Santo Amaro. Uma nova ponte foi construída, em 1963.
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FORTE DO BRUM

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Foi construído pelo engenheiro português Diogo Paes, em 1626, por determinação de Matias de Albuquerque, mas concluído pelos holandeses em 1631. Cercado por um largo fosso, deve seu nome ao presidente do Conselho Político, o neerlandês Johan de Bruyne, que o povo acostumou-se a chamar de Brum. Os portugueses reformaram-no em 1690.
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Nesse forte, esteve preso Bernardo Vieira de Melo, em 1712, e aqui se refugiou, em 1817, o Governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro. A capela é portuguesa, construída em 1654, após a expulsão dos flamengos.
Durante a 2ª Guerra Mundial, serviu para acantonamento de unidades militares de artilharia. Desde 1987, funciona como Museu Militar, abrigando exposição de armas, fardamentos e munições utilizadas na época da invasão holandesa.
Na frente do forte, um padrão de pedra e uma cruz de Malta de ferro homenageiam o Infante Dom Henrique, iniciativa da colônia lusitana no Recife na passagem do quinto centenário de sua morte, ocorrida em 1460, em Sagres, Portugal. Foi um dos conquistadores de Ceuta, no norte da África: marco inicial da expansão marítima portuguesa, em 1415.
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CRUZ DO PATRÃO

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Esse obelisco arredondado foi aqui instalado no início do século XVII. Com 6 metros de altura, é encimado por uma cruz, para auxiliar na orientação dos navios que entravam no porto. Ao norte do obelisco, estava o Forte do Buraco, já demolido; ao sul, o Forte do Brum. Aqui negros pagãos eram enterrados, e fuzilados os condenados e militares rebeldes. 
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Hercílio Celso (1899–1957), recifense. Do poema Recife, Minha Cidade:
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“O Rio Capibaribe,
Em frente à Cruz do Patrão,
abraça-se ao Beberibe, 
num grande abraço de irmão.”


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