Praças do Recife precisam de padrinhos

Para adotar uma das praças da cidade basta entrar em contato com a Emlurb

Praça de Casa Forte, na Zona Norte do Recife, ainda tem um jardim disponível para adoção / Foto: Diego Nigro/Acervo JC Imagem
Praça de Casa Forte, na Zona Norte do Recife, ainda tem um jardim disponível para adoçãoFoto: Diego Nigro/Acervo JC Imagem

Das 660 praças existentes no Recife, 89 são adotadas por empresas e instituições que dividem com a prefeitura a tarefa de cuidar das áreas de lazer da cidade. Mas esse número já foi maior e chegava a 120 um ano atrás, em 2018. Entre devoluções e cancelamentos, 31 praças perderam seus padrinhos nos últimos 12 meses, de acordo com a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), que mantém há mais de 20 anos o programa Adote o Verde.

A crise financeira obriga padrinhos a desistirem da adoção e a falta de cuidados com as praças leva ao cancelamento do contrato por parte da prefeitura, declara Karla Lopes, responsável pelo programa. “No caso das devoluções, o interesse do adotante em cuidar das praças existe, eles apenas não têm mais condições de fazer a manutenção”, explica.

A função do adotante é providenciar serviços de capinação, varrição, irrigação, pintura, consertos de bancos e brinquedos e reposição de vegetação, diz ela. Em troca, pode colocar placas de publicidade nas praças. A Emlurb assume a poda de árvores de grande porte e reparos na iluminação pública.

Quando o padrinho não cumpre com o acordo, a autarquia envia notificação, com o relato dos fiscais e fotografias da praça para comprovar a irregularidade, e estabelece prazo para as correções. No terceiro aviso, a adoção é cancelada.

Uma das praças devolvidas é a Barão de Caiara, no bairro de Santana, Zona Norte do Recife. A área era adotada por uma escola particular, que também apadrinha mais uma praça na região. Segundo Karla Lopes, o colégio optou por devolver a Barão de Caiara (construída no lugar da antiga Vila do Vintém II) e manter a adoção do outro espaço de lazer.

Com a devolução, a Emlurb volta a assumir a manutenção da praça, que se encontra com bancos e brinquedos quebrados, árvores maltratadas e indevidamente usada por animais. No momento, a Emlurb está com seis pedidos de adoção em andamento.

Contrato

O processo de adoção, restrito a pessoas jurídicas, é simples, afirma Karla Lopes. Basta enviar uma carta para formalizar o interesse e identificar a área pública escolhida para o e-mail kingrid@recife.pe.gov.br. É preciso anexar cópia do CNPJ, do contrato social (ou outro instrumento jurídico da firma), do CPF e do RG do representante. Não precisa autenticar os documentos.

O contrato tem validade de cinco anos e qualquer uma das partes pode desistir antes de terminar prazo sem pagamento de multa. “O adotante vai cuidar do lugar como se fosse o jardim da sua casa”, observa Karla Lopes. Jardins tombados, como as praças projetadas pelo paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994), também podem ser adotados. “Eles precisam de cuidados especiais por serem históricos, mas não há impedimento”, explica.

Karla Lopes cita como exemplo a Praça de Casa Forte, projeto de Burle Marx na Zona Norte do Recife, que tem três jardins, dos quais dois foram adotados por empresas diferentes. O jardim mais próximo da Avenida 17 de Agosto está livre para adoção. “A Praça do Entroncamento (Graças) e a Praça do Arsenal (Bairro do Recife) também estão disponíveis.”
Interessados no programa Adote o Verde podem fazer contato pelo número (81) 3355-5540.

JC Cidades


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