Matriz de Santo Antônio será reinaugurada dia 2 de junho

Matriz de Santo Antônio será reinaugurada dia 2 de junho

Santuário barroco abre as portas para receber missas regulares depois de quatro anos fechada

Por: João Vitor Pascoal 

Igreja teve fachada restaurada

O cenário de portas fechadas com escadarias ocupadas apenas por quem espera por um ônibus na avenida Dantas Barreto está com os dias contados. A Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento de Santo Antônio, conhecida popularmente pelo recifense como Matriz de Santo Antônio retomará o funcionamento no dia 2 de junho. A data marcada pela ascensão do Senhor no catolicismo romano encerrará um hiato de quatro anos e oito meses sem missas regulares e devolve ao público uma igreja reestruturada do piso ao telhado. 

De acordo com Nathalia Hashizume engenheira da empresa Pires Giovanetti Guardia Engenharia, responsável pela execução da obra, cerca de 80% das telhas foram trocados, com a nova estrutura sustentada por madeira de lei. “Além disso, trocamos todo o forro, assoalho, recuperamos todas as esquadrias, mudamos a instalação elétrica e hidráulica”, aponta. 

O piso foi renovado em cerca de 30% e a edificação passou a estar dentro dos padrões de acessibilidade. “Instalamos uma rampa na parte lateral e também no acesso ao altar, além de construir um banheiro para pessoas com deficiência”, explica. A iluminação renovada ressalta os principais elementos internos e externos da paróquia fundada no final do século 18. 

As obras estruturais contaram com investimento de R$ 4,58 milhões do PAC Cidades Históricas, programa do Governo Federal conduzido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). dão mais segurança ao patrimônio arquitetônico e artístico presentes na igreja. Segundo o historiador Leonardo Dantas Silva, o altar-mor com talhas douradas, em estilo rococó, mantém conservado o aspecto primitivo, com apenas a mesa do altar substituída por uma composição de mármore. Ele destaca ainda a imagem de Santo Antônio, as pinturas na paredes e o suntuoso lustre de cristal, que ganha destaque no teto da construção. O pouco que foi restaurado nesta reforma, inclusive, necessitou de pigmentos importados de Portugal para a recuperação de folhas de ouro de parte do altar e de portas localizadas logo na entrada da igreja, na área de batismo. 

“Todo esse adereço representa o barroco em seu apogeu, surgiu contra a reforma protestante, mostrando Deus como inexplicável, onipotente, onisciente, a beleza suprema. Por isso tão cheio de adereços e detalhes com ouro”, ressalta o pároco Marcelo Gomes Costa, que atua na igreja há três anos. 

Em dezembro de 2018 e abril de 2019, a igreja já abriu as portas aos fiéis, mas em caráter de evento teste de iluminação e som, celebrando respectivamente o Natal e São Jorge. Para a abertura, de acordo com Dom Marcelo, a missa será concelebrada pelo arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido e padres de outras paróquias. Ao longo do mês de junho, as missas serão celebradas apenas aos domingos, mas com a secretaria funcionando de segunda a sexta das 9h às 16h para serviços como o agendamento de casamentos e batizados. A partir de julho, as missas passam a ser realizadas também nos dias úteis, ao meio-dia. 

Guardada na memória e no coração
Para além do que poderá ser visto na reabertura, Dom Marcelo espera que os fiéis voltem a ter um lugar no qual se sintam em casa. “Ela tem uma ligação forte com a população, é uma coisa afetiva que a gente vê no recifense, as pessoas têm histórias para contar dessa igreja”, aponta. O engenheiro Tarcísio Souto, 65 anos, puxa na memória as lembranças da década de 1960, quando acompanhado pelos três irmãos e pelo pai frequentava a Matriz. “Todo domingo íamos à missa. Eu lembro de subir as escadas da igreja com meus irmãos e, depois que acabava, meu pai nos levava para comprar gibi na Praça da Independência ou para ver as vitrines da Rua Nova, que na época era o ‘point’ da cidade”, rememora. 

Após a reabertura, quer sentir a nostalgia dos tempos da infância. “Vou tentar ir pra reabertura. Mesmo morando no Pina, vou fazer esse esforço”, garante. Quem também espera ansioso o retorno das missas é o comerciante Moisés, Sales, 51 anos, proprietário de uma banca de flores na Rua Nova. “Com a igreja aberta eu vendia mais, principalmente a partir da quinta-feira. Espero que o pessoal volte a frequentar quando ela reabrir”. 

História de espera
A espera não é algo novo para a Matriz de Santo Antônio. Para ter sua construção concluída, por exemplo, levou 47 anos (de 1753 a 1790). Ao ser erguida, tomou lugar da casa da pólvora do exército holandês que então ocupava Pernambuco. “A Irmandade do Santíssimo Sacramento só foi fundada em 4 de fevereiro de 1791. A sua atual igreja pertencia e foi construída pela Irmandade de São Pedro Gonçalves, até a criação da Paróquia de Santo Antônio em 1789, passando a nova Igreja do Santíssimo Sacramento à condição de matriz”, explica o historiador Leonardo Dantas Silva.

Folha PE


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