Mercado de cachaça artesanal em expansão

Cachaçarias que investem em um modelo mais rústico e menos contínuo de produção, conhecidas popularmente como artesanais – as de alambique – , vem ganhando mais espaço ao longo dos anos no mercado de destilados.

Por: Juliana Albuquerque

Sanhaçu

A cachaça tem, a cada ano, demonstrando sua importância no cenário econômico nacional. Afinal, segundo dados do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), o País já registra 1,4 bilhão de litros da bebida produzidos anualmente, com 40 mil produtores de cachaça, sendo 98% deste montante formado por micro e pequenos empresários. Juntos, eles geram 600 mil empregos diretos e indiretos.

Neste cenário, Pernambuco se destaca como o segundo maior produtor do Brasil, com mais de 100 milhões de litros por ano. E a perspectiva é que, embora o mercado interno ainda padeça dos efeitos da recessão econômica, essa produção se mantenha em uma curva crescente. E nesse contexto, as cachaçarias que investem em um modelo mais rústico e menos contínuo de produção, conhecidas popularmente como artesanais – as de alambique – , vem ganhando mais espaço ao longo dos anos no mercado de destilados.

Segundo a diretora da Associação Pernambucana dos Produtores de Aguardente de Cana e Rapadura (Apar), Margareth Rezende, a ascensão da bebida é sinal de que o mercado está se modificando. “A bebida alambique está deixando de ser discriminada e passando a ser vista como sinônimo de sofisticação”, conta.

A diretora comercial da Cachaçaria Sanhaçu, com sede no município de Chã Grande, Elk Barreto e Silva, sabe bem disso. Junto com o irmão, Oto, deu início há 11 anos à trajetória de sucesso da cachaçaria. “Quando iniciamos o negócio, a nossa safra foi de 3 mil litros de cachaça. Ano passado, dez anos após esse começo, ampliamos a nossa produção para 23 mil litros por ano. Os números por si só demonstram a evolução do segmento”, comenta Elk, que espera fechar 2019 com uma produção em torno de 25 mil litros.

A cerca de 340 km de distância de Chã Grande, na cidade de Triunfo é possível conferir outro case de sucesso. É a Cachaça Triumpho, que está no mercado há 20 anos. Com faturamento aproximadamente R$ 360 mil em 2018, a empresa que conta com um quadro de apenas sete funcionários, deve vislumbrar dias ainda melhores em 2019. É que sua produção deve saltar de 15 mil litros, em 2018, para 20 mil litros este ano.

Segundo o gerente comercial da cachaçaria, Carlos Lima, o crescimento do mercado está totalmente associado à desmistificação do preconceito por trás do consumo da cachaça no Estado. “Antigamente, esse consumo estava muito associado à embriaguez por conta do baixo valor do produto. Hoje, com um trabalho intenso de valorização do produto feito em parceria com os principais produtores de Pernambuco, estamos de forma gradual e constante quebrando esse paradigma em torno do consumo da bebida”, revela Lima.

E além da qualidade incontestável, grande parte desse trabalho de tornar a bebida mais apreciada por um público de um paladar mais exigente, vem do preço das “branquinhas”. Na Triumpho, por exemplo, a do tipo tradicional não é comercializada por menos de R$ 47. Já na Sanhaçu, o valor médio da bebida em embalagem de 350 ml, não sai por menos de R$49. “O preço faz parte dessa valorização de enaltecer a qualidade do nosso produto junto ao público consumidor”, explica Carlos Lima.

Além da Triumpho e Sanhaçu, a rota da cachaça artesanal em Pernambuco conta também com outros grandes produtores, como a Engenho Água Doce, Tabocas, Carvalheira. 

Folha PE


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