A TRADIÇÃO, A HISTÓRIA DO CONSERVATÓRIO PERNAMBUCANO DE MÚSICA

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O Recife dos anos 1920 consolidava-se como uma liderança entre as capitais do Nordeste do Brasil. A riqueza cultural estabelecida principalmente no Séc. XIX, nas letras, teatro, arquitetura e música, ganhava um novo patamar com uma consistente temporada de concertos desenvolvida pela Sociedade de Cultura Musical, colocando Pernambuco no mapa de concertos do mundo. Entre os músicos trazidos estavam os pianistas Manoel Augusto dos Santos, Ernani Braga e o violinista Vicente Fittipaldi. Para eles, o Recife ainda precisava criar uma orquestra sinfônica e um conservatório.

Manoel Augusto, Ernani Braga e Vicente Fittipaldi juntaram-se a outros ilustres músicos e personalidades da sociedade recifense numa campanha em prol da criação do Conservatório Pernambucano de Música. O deputado Arruda Falcão quis ser o intérprete deste grupo e apresentou o projeto de criação do Conservatório Pernambucano de Música à Assembleia Legislativa, onde foi aprovado. A fundação deu-se em 17 de julho de 1930 e seu primeiro diretor escolhido foi o maestro Ernani Braga, que administraria a instituição junto a Congregação dos Catedráticos, todos escolhidos em caráter definitivo.

No primeiro Estatuto do Conservatório Pernambucano de Música, aprovado pela Congregação dos Catedráticos em 1º de agosto de 1930, constavam os seguintes objetivos da entidade:

Difundir o ensino teórico e prático da música, acessível a todas as classes sociais;
Criar uma biblioteca e um museu da música;
Cordas Friccionadas: Contrabaixo Acústico, Violino, Viola e Violoncelo.
Formar o orfeão e a orquestra do Conservatório.

Iniciava o Conservatório as suas atividades oferecendo cursos de teoria e solfejo, canto coral, harmonia, piano, violoncelo e canto harmônico, sendo as disciplinas teóricas, de canto coral e harmonia, ministradas coletivamente e as disciplinas de instrumento e canto lecionadas individualmente. Recife via no fardamento verde dos alunos do Conservatório o acesso a uma arte que, até então, era privilégio da elite. As audições dos alunos aconteciam no sempre lotado Teatro de Santa Isabel.

O Estatuto tratava das inscrições e formas de admissão, dos exames, dos concursos e diplomas, dos deveres dos alunos, do corpo docente, das competências da Congregação e do Diretor. O Conservatório funcionava em prédio alugado, situado na esquina da rua do Riachuelo com a rua da União, ponto central da cidade e de fácil acesso aos alunos e professores.

Foram nove anos sob a direção de Ernani Braga, e o Conservatório rapidamente afirmou-se como um dos mais importantes agentes da Cultura em Pernambuco. As concorridas audições no Teatro de Santa Isabel eram o ponto de encontro dos amantes da boa Música, e os talentos que surgiam ocuparam um espaço importante no cenário Pernambucano nas décadas seguintes.


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