O MAR AVANÇA NA FALÉSIA DO CABO BRANCO: NADA FEITO NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS – * Por Marco Lyra

Resultado de imagem para bagwall nas falésias de Japaratinga em Alagoas

A solução para contenção da erosão costeira no Cabo Branco encontra-se a 264 km de distância, na falésia de Japaratinga em Alagoas.

Resultado de imagem para bagwall nas falésias de Japaratinga em Alagoas

Dissipador de Energia Bagwall protege o sopé da falésia na praia do Boqueirão em Japaratinga, Alagoas.

Após 15 anos, o Bagwall com extensão de 300 metros tem cumprido sua função contendo a erosão da falésia

Em 2006, o livro publicado pelo MMA “Erosão e Progradação do Litoral Brasileiro” indicava que 40% da linha de costa encontrava-se com forte processo erosivo.

Em 2017, o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) apresentou um relatório de mudanças climáticas avaliando os cenários de mudanças climáticas para o Brasil. De acordo com o estudo 18 das 42 regiões metropolitanas brasileiras se encontram na zona costeira ou sofrem influência dela. O documento abordou municípios costeiros das regiões Nordeste, Sudeste e Sul.

O resultado do relatório do PMBC indicou que cerca de 60% do litoral brasileiro encontra-se com processo erosivo. Com o aumento da erosão marinha, é imperativo que os estados e os municípios litorâneos façam um planejamento para adaptação à nova realidade. As mudanças climáticas que estão a caminho. Adaptação é palavra de ordem.

Dois casos distintos e emblemáticos de erosão costeira no Brasil chamam atenção. Curiosamente, tanto na praia do Cabo Branco em João Pessoa/PB, quanto na praia de Atafona/RJ, muito se estudou e nada se fez nos últimos dez anos.

Para toda obra de contenção de erosão costeira, independente da tecnologia utilizada, seja a obra construída na costa ou no mar, é imprescindível ter no estudo de viabilidade do empreendimento, uma análise de custo-benefício para que na escolha das alternativas apresentadas, utilize-se a que melhor atenda de forma concomitante aos itens de durabilidade, disponibilidade do material, custo de implantação, impacto ambiental e custo de manutenção.

As experiências com obras de proteção costeira já construídas no litoral brasileiro que não levaram em consideração o custo-benefício do investimento, o resultado final foi insatisfatório, isto é, o processo erosivo não foi controlado.

É importante que no Estudo de Impacto Ambiental de uma obra de proteção costeira, seja feita uma análise da viabilidade econômica de cada obra proposta, avaliar os efeitos das referidas obras, comparar os custos de cada alternativa, elaborando um planejamento de médio prazo com horizonte mínimo de cinco anos, levando em consideração o custo-benefício, para não correr o risco de perder o investimento.

A população continua sofrendo com a inércia do poder público em dar resposta ao problema da erosão marinha na falésia do Cabo Branco. É preciso ação para conter erosão em áreas urbanizadas.

*Marco Lyra | Engenheiro Civil | Especialista em Obras de Defesa Costeira.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *