ENTERRO DIGNO DE UM DOS HERÓIS DA REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817

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Inumação solene dos restos mortais (crânio ) do Padre João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro, herói da Revolução de 1817 e criador da Bandeira de Pernambuco.
Sepultado na Igreja Santa Elizabeth, Paulista.
29-10-2001
Foto do livro Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano – Breve História Ilustrada
Deu no JC em 30-10-2001

Sepultado crânio de herói de 1817

Padre João Ribeiro Pessoa de Mello Montenegro, um dos líderes da Revolução Pernambucana de 1817, morreu há 184 anos, mas só ontem teve um enterro digno de um herói das lutas libertárias. Os restos mortais do religioso – o crânio, que estava guardado no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano desde dezembro de 1871 – foram sepultados na Igreja de Santa Isabel, matriz da cidade de Paulista.

O cortejo saiu da sede do instituto, na Rua do Hospício, num Cadilac modelo 1929, pertencente à casa funerária Baptista.

Nascido em Tracunhaém no dia 28 de fevereiro de 1766, padre João Ribeiro suicidou-se no dia 20 de maio de 1817, ao perceber que o movimento revolucionário tinha sido derrotado. Ele enforcou-se na frente da Capela de Nossa Senhora da Conceição, do Engenho Paulista, e foi sepultado do lado de fora do templo. Três dias depois, as tropas reais exumaram o corpo e cortaram a cabeça do padre, que ficou exposta por dois anos na Praça do Pelourinho, atual Bairro do Recife.

Em 1819, o crânio foi retirado da praça pelo francês Felix Naudin, entusiasta das idéias da liberdade, que exerceu a função de comerciante no Recife e foi cônsul da França em Pernambuco. Depois, ele doou a relíquia ao amigo Francisco Cavalcanti de Mello, parente do padre. Quando Francisco Cavalcanti faleceu, o sócio do Instituto Arqueológico Luiz da Costa Porto Carrero pediu o crânio à família e entregou à instituição, fundada em 1862.

Na avaliação dos atuais sócios do instituto, manter o crânio do padre na entidade (a urna não ficava exposta à visitação há muitos anos) seria perpetuar o castigo imposto ao revolucionário. “Padre João Ribeiro foi um herói e um mártir de Pernambuco. O ato de barbárie praticado há 184 anos está sendo redimido hoje (ontem)”, declara o secretário-geral do instituto, Reinaldo Carneiro Leão.

Durante a Missa de Réquiem, o vigário de Paulista, Valdemir José da Silva, pediu perdão ao padre João Ribeiro, “pelo silêncio, descaso e anonimato” da Igreja Católica com os seus restos mortais. “Estamos corrigindo nossa covardia e reparando nossa falta de coragem de imitá-lo, dando-lhe um sepultamento digno do seu heroísmo e valor”, destaca. A urna foi sepultada na lateral da igreja.

Antônio Speck, prefeito de Paulista, acrescenta que os outros heróis da Revolução Republicana de 1817 estavam sendo reverenciados na memória do padre João Ribeiro. O governador Jarbas Vasconcelos e o presidente da República em exercício, Marco Maciel, mandaram representantes. O evento chamou a atenção de moradores do Recife, Olinda e Paulista.


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