Cinema popular do Rio de Janeiro pede ajuda pra não fechar

Ponto Cine, sala que prioriza filmes nacionais, corre o risco de acabar por pouco movimento

Reprodução/Facebook

O cinema funciona a preços populares desde 2006
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O sonho de um carioca apaixonado pela sétima arte e, sobretudo, pelo cinema brasileiro, está correndo sério risco de virar um pesadelo. A sala de cinema Ponto Cine, localizada no Guadalupe, subúrbio do Rio de Janeiro, especializada em filmes nacionais, está prestes a fechar as portas por conta do baixo movimento e falta de apoio.

O cinema foi idealizado por Adailton Medeiros há nove anos. A paixão dele pelo cinema é tamanha que aos nove anos de idade ele construiu seu próprio projetor de filmes. Em 2006, Adalton abriu a sala, em um bairro periférico do Rio, para que essa servisse como veículo para levar a sétima arte aos moradores da região. Sendo assim, o Ponto Cine foi a primeira sala popular de cinema digital no Brasil, priorizando os filmes brasileiros em sua programação e vendendo ingressos a preços populares: R$ 9,00, a inteira; e R$ 4,50, a meia-entrada.

Vendo o movimento da sala cair e as contas apertarem, Isabella Medeiros, filha de Adailton se preocupou. A estudante de apenas 17 anos, que sonha em fazer faculdade de Cinema, resolveu, então, fazer um apelo pela internet. No Twitter, ela pediu ajuda dos internautas: “esse cinema é o sonho do meu pai. Deem uma moral por favor, todo mundo gosta de ver filme então vamos juntar o útil ao agradável, o preço é super acessível”, disse ela no microblog.

Em entrevista exclusiva ao LeiaJá, Isabella falou sobre o Ponto Cine, fundado quando ela tinha apenas quatro anos de idade: “O cinema sempre foi minha segunda casa, desde pequena tenho muito orgulho daquele local”. Em 2018, o lugar chegou a passar seis meses fechado; a repercussão foi tão grande que possibilitou uma retomada dos serviços e rendeu ao Ponto Cine o título de patrimônio como atividade cultural, artística, de lazer, educação e inclusão, segundo a lei 8.144, de 29 de outubro de 2018.

Porém, a ajuda não tem sido suficiente e a sala está com o destino prejudicado. A bilheteria não rende o suficiente para o funcionamento do espaço e a baixa procura do público só aumenta o problema. “O Ponto Cine sempre foi muito cheio, tinham pessoas que até sentavam nas escadas pra não perder a sessão, quando foi perdendo o público eu comecei a ficar desesperada”, diz Isabella.

Foi então que ela recorreu ao Twitter para fazer um apelo, sabendo do alcance da rede social. “Já demos algumas entrevistas para jornais e blogs e já conseguimos ajuda de divulgação de alguns atores, isso já ajuda imensamente! Muitas pessoas já se disponibilizaram marcando idas com a escola. Mas ainda precisamos muito de patrocínio”

A jovem elenca alguns motivos para a falta de usuários no Ponto: “Primeiro pela própria conjuntura do país, estamos em crise e pleno desemprego e isso afeta especialmente as pessoas dessa região, pois aqui é onde moram o maior número de trabalhadores com mão de obra não especializadas, ou seja, os primeiros a serem demitidos”.

A disputa com os blockbusters e títulos americanos só torna a luta do cinema ainda mais árdua. “Acho que o brasileiro se interessa pouco pela sua cinematografia por isso temos que fazer um trabalho diferenciado como o do Ponto Cine”.

A valorização do cinema nacional pela sala lhe rendeu prêmios como o Faz Diferença, dado pelo Jornal O Globo, em 2008, na Categoria Cinema; e o Adicional de Renda da Ancine desde 2007. O prêmio concedido pela Agência Nacional do Cinema garante uma verba que cobre a manutenção do cinema, que, pelo visto, anda carecendo mesmo é do carinho do público.


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