O “milagre” da Igreja dos Milagres em Olinda

Poucas são as pessoas que visitam essa graciosa igrejinha, meio escondida e à beira-mar, em Olinda. Você sabe o nome dela? Se não sabe, agora vai saber: é a Igreja de Santa Cruz dos Milagres, localizada na praia dos Milagres. Branquinha, toda caiada, com coqueiros ao lado, a edificação começou a ser construída em 1862. E embora fique bem pertinho do mundão de água que é o mar, sua história está ligada a uma estiagem que se abateu no município, vizinho ao Recife. Até que um dia… um boi descobriu uma fonte de água doce o que, à época, foi considerado um milagre.

“Conta a lenda popular, que um boi pastando pela campina descoberta pelas águas salgadas nas marés vazias, nas imediações do Varadouro e próximo ao mar, descobrira uma fonte de água doce”, conta o historiador Pereira da Costa (1851-1923). Segundo Stenberg Lima, nosso guia, a população se deslocava até Beberibe para buscar água. O achado (os moradores viram o animal matando a sede no olho d´água doce) foi considerado um milagre pelos olindenses que, àquela altura da seca, rezavam, faziam preces e até procissões, pedindo o fim da estiagem.

Logo depois, seriam erguidos próximos ao local uma cacimba (que o povo chamava de cacimba dos milagres) e um cruzeiro. O poço de alvenaria para reservatório das vertentes existe até hoje e continua com água. Em 1862, por iniciativa do Monsenhor Antônio José Coelho, o pequeno templo começou a ser erguido. Sua arquitetura é marcada pela ausência de elementos decorativos, com um frontispício simples, uma torre sineira e o portal central. No altar-mor, há uma imagem de Nossa Senhora das Dores e um busto de Salvador do Mundo, ladeados por São José e Nosso Senhor. Nossa Senhora dos Milagres fica em um altar lateral.

Algumas vezes, as missas da igrejinha dos Milagres são celebradas com belos cantos gregorianos (os mesmos usados pelos beneditinos), o que vale uma ida até lá, além, claro de rezar e assistir à liturgia. Aqui no #OxeRecife, já abordamos a Igreja do Pilar, a de Nossa Senhora dos Artistas e a Santa Cecília, todas com histórias curiosas. Caso você tenha interesse, é só acessar um dos links abaixo. Estive nos Milagres no último domingo, durante caminhada conjunto dos grupos Andarapé e Caminhadas Culturais.Frequentei muito aquela praia na minha infância, até veraneei por lá uma vez, em casa de parentes. Mas o imóvel não existe mais: o mar comeu. Não sei se foi em uma de suas memoráveis ressacas ou no avanço que se deu no século 20, onde vários quarteirões desapareceram.

Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife


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