Entenda nossa luta em defesa do Aeroporto do Recife

Felipe Carreiras, deputado federal

Foto: Infraero/Divulgação Foto: Infraero/Divulgação

No próximo dia 15 de março, se tudo acontecer da forma como o governo federal está programando, Pernambuco sofrerá uma das maiores injustiças e discriminações da sua história. O estado será impactado por um dos mais baixos golpes políticos dos últimos anos, que afetará boa parte da economia pernambucana e nosso povo. Por uma decisão arbitrária, irresponsável e sem nenhum estudo prévio bem feito e aprofundado, daqui a menos de 30 dias será leiloado o Aeroporto Internacional do Recife. A concessão, em si, não é negativa. Acreditamos que entregar a gestão do terminal para a iniciativa privada é salutar e tem dado certo em outras praças.

O que será extremamente nocivo é que nosso principal aeroporto será levado a leilão de uma forma diferente do que foi realizado pela Agência Nacional de Aviação (Anac) nas quatro rodadas anteriores de privatizações, quando foram vendidos 10 terminais, sendo estes responsáveis por 60% do mercado nacional de passageiros.

Ao invés de ser feita a privatização individual, o Aeroporto do Recife vai a leilão junto a outros cinco equipamentos de Maceió, Aracaju, Campina Grande, Paraíba e Juazeiro do Norte. Todos deficitários ou com lucros baixíssimos, e com necessidades de investimentos urgentes. Vale ressaltar que o Recife apresentou um lucro de R$ 130 milhões em 2017. Caso o modelo em blocos seja mantido, todo este superávit será drenado para os demais terminais, encerrando qualquer perspectiva de melhoria no nosso aeroporto.

Desde abril do último ano, temos buscado alternativas para parar este processo e o Aeroporto do Recife ser privatizado de forma individual. E os motivos são óbvios. Nosso terminal é o líder na movimentação de passageiros no Nordeste, com 8,2 milhões de pessoas em 2018. Salvador fechou o ano passado com 500 mil passageiros a menos, ou seja, 7,7 milhões. Fortaleza terminou com 6,5 milhões. Recife fechou dezembro do último ano com 41 destinos diretos. Salvador terminou com 38. Fortaleza, 33. Agora vem nossa grande motivação para lutar contra este modelo em blocos proposto. Salvador e Fortaleza foram privatizados individualmente e receberão R$ 2,8 bilhões e R$ 1,4 bilhão em investimentos pelos 30 anos de concessão.

O Recife, que lidera em todos os números, acreditem, está previsto para receber apenas cerca de R$ 840 milhões pelo mesmo período.

Esta é uma demonstração muito clara que estamos sendo discriminados, utilizados como cobaias de um modelo que não tem nenhuma garantia de sucesso. Pelo contrário, tudo indica que será um grande fracasso. Com este nível de investimento tão diferente, será impossível continuarmos no mesmo ritmo de crescimento que estamos apresentando desde 2015, quando estava como secretário de Turismo, Esportes e Lazer do Estado e, ao lado do governador Paulo Câmara e do prefeito Geraldo Júlio, iniciamos a exitosa política de conectividade aérea, saindo de 18 destinos para os 41 de 2018.

Diante deste modelo absurdo, entramos na Justiça e fizemos um pedido de liminar para parar o processo de privatização. Também entramos com uma ação popular pedindo a retirada do Aeroporto do Recife do Bloco Nordeste.

O Ministério Público Federal já deu um parecer concordando com nossa tese e orientando o Tribunal Regional Federal a aceitar o pedido. O próprio ex-presidente da Infraero, Antônio Claret, que esteve à frente da empresa até o final do último ano, quando renunciou ao cargo, deu uma entrevista ao Valor Econômico afirmando que o modelo em blocos será prejudicial para o país.

Acredito que chegou a hora de todos os pernambucanos se unirem para pressionar o governo federal a retirar o Recife do modelo de blocos e privatizar o terminal individualmente. Apenas desta forma podemos garantir a continuidade da nossa curva de crescimento, mais desenvolvimento e melhora na economia. Você está convidado a participar desta luta para juntos preservarmos este que é um dos maiores patrimônios de todos os pernambucanos. Pernambuco precisa ser respeitado!


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