TEJUCUPAPO HISTÓRIA E HEROÍSMO EM PERNAMBUCO

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Tejucupapo é um distrito do município de Goiana, Pernambuco. Localiza-se a uma latitude 07º33’38” sul e a uma longitude 35º00’09” oeste, estando a 10 metros acima do nível do mar, pois fica perto de uma praia. Sua população estimada em 2000 era de 8.187 habitantes. Tejucopapo localiza-se na área central do município, a 35 km do Centro e 60 da capital do estado, Recife.

Heroínas de Tejucupapo

Em 1646, o ano do acontecimento, o distrito possuía apenas uma rua larga, quase uma praça, ladeada por casas simples, destacando-se ao final dela a Igreja de São Lourenço de Tejucupapo, de arquitetura jesuítica, como acontecia com as igrejas erguidas no início da colonização. Mesmo não se conhecendo com exatidão a data real de sua construção, os indícios existentes remontam a meados do século XVI, sabendo-se, com segurança, que em 1630 ela já existia.

Naquele ano os holandeses já haviam praticamente perdido o domínio que durante algum tempo mantiveram sobre quase todo o território pernambucano, e como se encontravam cercados e necessitando desesperadamente de alimentos, cerca de 600 deles, saídos por mar do forte Orange, na ilha de Itamaracá, sob o comandado do almirante Lichthant, tentaram ocupar Tejucupapo, onde esperavam encontrar a farinha de mandioca e o caju que as circunstâncias do momento haviam transformado em produtos pelo qual valia a pena arriscar-se em combate. Segundo os historiadores, eles escolheram justamente o domingo para realizar a investida porque era nesse dia que os homens do vilarejo costumavam ir ao Recife, a cavalo, para vender nas feiras da capital os produtos da pesca. Sendo assim, a localidade estaria menos protegida, acreditavam os holandeses.

Todavia, os holandeses frustraram-se em sua intenção porque, segundo alguns relatos, a informação de que se aproximavam iniciou a reação da pequena e valente população local, que tendo à frente quatro mulheres – Maria Camarão, Maria Quitéria, Maria Clara e Joaquina – lutou bravamente contra os invasores, enquanto os poucos homens que haviam permanecido na localidade ocupavam-se em emboscar os assaltantes, atacando-os à bala e não lhes dando sossego.

Os registros informam que elas ferveram água em tachos e panelas de barro, acrescentaram pimenta, e escondidas nas trincheiras que haviam cavado, atacavam os holandeses com a mistura jamais esperada por eles. Seus olhos eram os principais alvos, e a surpresa o melhor ataque. Como saldo da escaramuça, mais de 300 cadáveres ficaram espalhados pelo vilarejo, sobretudo flamengos. A batalha durou horas, mas naquele 24 de abril de 1646 as mulheres guerreiras do Tejucupapo saíram vitoriosas.

A pesquisa arqueológica permitiu a recuperação do perímetro do fosso e a identificação da localização da paliçada que o cercava. No local do confronto há um obelisco implantado pelo Instituto Arqueológico, no qual foram assentadas três placas com os seguintes dizeres:

Aqui, em 1646; as mulheres de Tejucupapo conquistaram o tratamento de heroínas por terem com as armas, ao lado dos maridos, filhos e irmãos, repelido 600 holandeses que recuaram derrotados. Memória do Instituto Arqueológico em 1931.

A Polícia Militar homenageia os trezentos e cinqüenta anos do feito memorável das Heroínas do Tejucupapo, patenteando a bravura do povo pernambucano. 24 de abril de 1996.
Os poderes Executivo e Legislativo de Goiana celebram solenemente os 350 anos da batalha do Monte das Trincheiras, conhecida pela epopeia das Heroínas de Tejucupapo, realizada no dia 24 de abril de 1646. Goiana, abril de 1996.

Sobre o fato histórico foram feitos os filmes “Tejucupapo” e “Epopeia da Heroínas de Tejucupapo”.

João de Souto Maior

Foi em Tejucupapo que nasceu o patriota pernambucano João de Souto Maior. A família de Souto Maior era um dos ramos descendentes das Heroínas de Tejucupapo e participou ativamente da Revolução Pernambucana de 1817. João e seus irmãos foram presos e levados em ferros para a Bahia. Com a anistia de 1821, João de Souto Maior foi solto e regressou a Tejucupapo junto com o irmão Manoel (os outros dois morreram na Bahia), para dedicarem-se à agricultura. Foram perseguidos politicamente pelo padre local, o vigário Manoel Calheiros, o que resultou no assassinato de Manoel por capangas do padre.

João, que consegiuiu escapar do atentado, vingou o irmão e na noite de 21 de julho de 1821, atentou contra a vida do governador Luiz do Rego, opressor do povo pernambucano. Na tentativa, João de Souto Maior acabou morrendo no rio Capibaribe.

Seu cadáver, recolhido três dias depois já em decomposição, foi exposto amarrado em uma cadeira no oitão da Matriz do Santíssimo Sacramento de Santo Antônio, na rua Nova, para que fosse reconhecido. João de Souto Maior ficou conhecido como o “Leão de Tejucupapo”.

Economia

O distrito possui uma pequena zona comercial e fábricas de pequeno e médio porte que garantem a economia da região. Desde a construção e funcionamento da fábrica de automóveis Jeep a economia se transformou radicalmente. A distância da fábrica até o distrito é de 4 km.

Turismo

O distrito recebe muitos turistas quando acontece nele o “Teatro das Heroínas de Tejucupapo” que recebe em média 5 mil pessoas na sua apresentação que acontece geralmente nos meses de Abril ou Maio, uma vez por ano.


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