De volta para o futuro: única torre de Zeppelin do mundo fica no Jiquiá

Foto: Reprodução Internet

Em 2018, faz 88 anos, daqui a pouco, 100. Ou seja, o Recife está há um século de distância do futuro, só que, neste caso, o futuro ficou pra trás. Em 22 de maio de 1930, cruzava o Oceano Atlântico, vindo da Europa, o Graf Zeppelin. O céu do Recife ganhava ares de ficção científica.

O Zeppelin, de fabricação alemã, tinha dimensões colossais: 236 metros de comprimento. Era chamado de o “charuto voador” e carregava cerca de 35 passageiros, além de correspondências transcontinentais.

Nunca mais o céu do Recife seria o mesmo. O “balão”, que em sua segunda versão – o Hindenburg – chegou a pesar 200 toneladas, não fez uma viagem apenas ao Brasil (do Recife, seguia para o Rio de Janeiro, mas chegou a passar por Blumenau, Curitiba, São Paulo), mas 20!

Nos primeiros anos, o ponto final do Zeppelin no Brasil era o Recife. Os passageiros vindos da Europa desembarcavam no Campo do Jiquiá e seguiam para o Rio de Janeiro de avião mesmo. Será o primeiro desafio intermodal que se tem notícia? ?

Zeppelin é uma homenagem ao conde alemão Ferdinand Von Zeppelin, pioneiro no desenvolvimento de dirigíveis rígidos no início do século XX.

Clima ameno

E sabe essa brisinha que faz com que, em boa parte do ano, o Recife tenha um clima relativamente ameno? Ela foi essencial e estratégica para que o Zeppelin arranhasse nossos céus e fizesse parada por essas bandas, mais exatamente no Jiquiá, onde, até hoje, fica a única torre de amarração do Zeppelin do mundo!

Por quê? O tempo estável facilitava a atracação. O Recife também almejava entrar na rota aérea internacional, então o governo facilitou um pouco, com a construção da torre, com fornecimento de gás para o Zeppelin.

Tripulação do Zeppelin com crianças da comunidade do Jiquiá

Lá em 22 maio de 1930, quando o Zeppelin aterrissou pela primeira vez no Brasil, no Recife, no Jiquiá, o prefeito da cidade decretou feriado municipal e cerca de 15 mil pessoas estiveram no Campo do Jiquiá, que hoje, apesar do que se disse, não virou museu, nem espaço ecológico.

Torre do Zeppelin é a única do mundo (Foto: Paula Melo/PorAqui)

Graxa e o Zeppelin

O músico Graxa, de batismo Ângelo Souza, nascido e vivido na Zona Oeste, e conhecido como o “cronista do Jiquiá”, foi com o PorAqui até o Campo do Jiquiá, onde fica a torre do Zeppelin e falou um pouco sobre o “charuto voador” em vídeo que você pode ver agorinha mesmo:

O Zeppelin atracou no Recife durante sete anos, mas na nossa memória afetiva ele nunca saiu daqui. O futuro foi nosso um dia, ou não?

PorAqui


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