Ruas do Recife são fechadas para ambulantes

Estacas e cavaletes impedem que os vendedores acessem vias e se instalem sem autorização prévia da Prefeitura do Recife

Com nova estrutura, pedestres entram e comerciantes irregulares ficam do lado de fora

Com nova estrutura, pedestres entram e comerciantes irregulares ficam do lado de fora
Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

A Prefeitura do Recife está tentando uma nova forma de controle dos ambulantes no Centro da Capital. Com a colocação de estacas e cavaletes nos extremos de ruas como a Nova, no bairro de Santo Antônio, pretende proibir fisicamente a entrada de comerciantes não regularizados.

Além da rua Nova, a Duque de Caxias, também em Santo Antônio, já teve o projeto-piloto instalado. A rua Imperatriz, na Boa Vista, também terá os cavaletes nas entradas, mas ainda não começou a passar pela intervenção. De acordo com a Prefeitura, dois fiscais estarão presentes das 8h até às 18h em cada ponta das ruas, com o intuito de verificar se as determinações estão sendo cumpridas. Também terão que auxiliar no tráfego da via durante os dias úteis. Caso um carro precise entrar no local, têm a responsabilidade de mover os cavaletes.

A desorganização que levou à medida é conhecida. “Eles colocavam os carros em qualquer lugar, mesmo na frente de lojas grandes. Jogavam lixo no chão, principalmente os comerciantes de frutas”, reclamou um segurança que trabalha na rua, mas preferiu não ser identificado.

O secretário de Mobilidade e Controle Urbano do Recife, João Braga, explicou que pretende trazer um melhor fluxo de pessoas e uma maior organização para o local. “Aqueles que entendem que é importante a cidade se organizar para melhorar a mobilidade das pessoas que transitam pelas calçadas do centro da cidade, certamente, estarão concordando com essas ações que estamos realizando”, apostou.

Contudo, especialistas como o mestre em desenvolvimento urbano Milton Botler discordam. “Acredito que há uma falta de estratégia da Prefeitura para controlar e fiscalizar os ambulantes. Essa medida vai contra todas as teorias de espaço urbano controlado. Ela enfeia o ambiente e agride todo mundo, na via contrária à de tornar as ruas agradáveis e amenas”, declara.

Milton ressalta que acredita que a forma de tratar o problema não é a ideal, mas reconhece a seriedade da questão. “Além de complicar o trânsito de pedestres, eles ficam ali o dia todo e precisam fazer necessidades fisiológicas em algum lugar. Fazem ali. Fica o mau cheiro.”

Uma comerciante, que preferiu não se identificar, lembrou os problemas citados por Milton quando elogiou a medida. “Estou na rua Nova há mais de 20 anos e sempre foi difícil o convívio com os ambulantes. A situação está bem melhor agora e espero que esse projeto seja expandido e novas ruas recebam essas proteções e fiscalização”, desejou.

Os camelôs, por outro lado, reclamaram. Foram relocados para a avenida Dantas Barreto, em frente à Igreja de Santo Antônio. “Enquanto a igreja não for aberta, estaremos aqui. Mas e quando ela voltar a funcionar? Não sabemos para onde vamos”, comentou uma mulher que tinha comércio há oitos meses na rua Nova e não quis se identificar.

Os trabalhadores informais podem procurar a Companhia de Serviços Urbanos do Recife (Csurb) para se regularizarem e obterem a autorização do comércio. “Esse projeto faz parte de um plano para a cidade que vamos executar ao longo de 2019. No próximo ano, vamos começar uma atitude mais eficaz na organização do centro da cidade. Vai ter espaço para os camelôs, fiteiros, para as carroças que vendem frutas ou verduras e muitos outros tipos de comércio. Eles vão poder estar ao longo das ruas, mas vão ter também que estar devidamente regularizados na Prefeitura”, afirmou o secretário.

Por: Paulo Trigueiro, Priscilla Costa e Vinicíus Andrade, da Folha de Pernambuco


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