Porto Digital no Recife quer dobrar de tamanho

Desafio de chegar a 20 mil pessoas, 600 empresas e R$ 3 bilhões de faturamento será do novo presidente do parque tecnológico, Pierre Lucena

Pierre Lucena
Pierre Lucena
Foto: Anderson Stevens / Folha de Pernambuco

O Porto Digital quer dobrar de tamanho nos próximos cinco anos. A ideia é abrigar 20 mil pessoas em 600 empresas para faturar mais de R$ 3 bilhões/ano a partir de 2023 e será o grande desafio do administrador Pierre Lucena, que assume a presidência do Porto Digital nesta semana. Ele vai ficar no lugar do economista Francisco Saboya, que volta à iniciativa privada depois de 11 anos dedicados à expansão e ao aprimoramento do parque tecnológico, hoje reconhecido mundialmente.

Escolhido pelo Conselho do Porto Digital, Pierre Lucena conta que o planejamento estratégico do parque previa dobrar os números atuais – nove mil pessoas, 300 empresas e R$ 1,7 bilhão de faturamento anual – até 2025. Porém, será acelerado. “Presidente do conselho, Silvio Meira me deu esse desafio pela necessidade que Pernambuco tem de gerar empregos, principalmente empregos de qualidade como os do Porto”, explica Lucena, admitindo que é uma missão difícil.

“Tudo que temos hoje foi construído em 18 anos. Mas estou otimista, porque hoje o Porto tem um projeto maduro. Chico (Francisco Saboya) deu uma projeção muito grande e deixou o parque consolidado. Agora, é botar o pé no acelerador”, afirma o próximo presidente do Porto Digital, que também conta com uma melhora do cenário econômico brasileiro para atingir essa meta.

Empregos
Para isso, Pierre também vai precisar focar em três eixos: pessoas, empresas e espaço. E, para ele, o primeiro ponto é o mais desafiador. “Posso ajudar devido à experiência na universidade, mas vamos precisar de mais 10 mil pessoas especializadas para trabalhar no Porto Digital”, explica Lucena, que é professor de finanças da Universidade Federal de Pernambuco e foi reitor do Centro Universitário dos Guararapes.

Ele planeja, então, atuar direto com as universidades para formar esse pessoal. A ideia é deixar claro, desde o início da graduação, quais as competências que devem ser desenvolvidas por quem quer empreender ou trabalhar no Porto Digital. E, depois disso, criar uma porta de entrada única para o parque – uma espécie de agência de trabalho voltada à tecnologia e à economia criativa. “Hoje, as pessoas precisam bater na porta de cada empresa para chegar aqui. Por isso, vamos facilitar o acesso ao Porto através de uma agência de trabalho diferente”, revela o administrador, lembrando que, além de empregos em tecnologia, devem surgir vagas de design e administração.

Negócios
No quesito empresas, o plano é atrair novas empresas e também o departamento de inovação de grandes companhias brasileiras, sem deixar de incentivar a geração de novos negócios de tecnologia, as chamadas startups. “Quero acelerar a abertura de startups. Por isso, vou focar na parte inicial desse processo. A ideia é sair da aceleração, que já está disponível no mercado, para focar na incubação de empresas”, revela Lucena. Ele também planeja criar uma área de negócios para vender, em conjunto, os serviços das companhias que já estão no Porto. “Para dobrar de faturamento, não preciso só de mais 300 empresas. Também preciso ampliar a receita dos nossos negócios”, explica.

Espaço
A área dessas empresas será outro desafio de Pierre Lucena. É que, apesar de ainda ter espaços livres, o Bairro do Recife não vai comportar todos esses novos negócios. A proposta do administrador é, então, expandir o parque para o Bairro de Santo Antônio. “Há uma oportunidade ali porque os prédios têm um metro quadrado barato e não são tombados”, argumenta, contando que, além de negócios, quer levar habitacionais para os funcionários do Porto para a região. Ele destaca, porém, que essa expansão precisa ser articulada com o poder público, que precisa garantir a segurança e a reorganização urbana da região.

Apesar de tudo isso, Pierre avisou que tem um jeito de trabalho diferente do de Saboya. “Chico deu uma contribuição fundamental para o parque e para o Recife, por conta do projeto que sustentou no Bairro do Recife. E sucedê-lo será um desafio. Mas trabalhamos diferente. Ele atua com muita coisa. Já eu gosto de trabalhar com poucas, com o pé no acelerador.”

Folha PE


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