BAIRRO DE APIPUCOS: DA ORIGEM TUPI AO ENGENHO

Apipucos é um nome de origem tupi, que significa caminho longo, caminho que se divide ou encruzilhada. Há relatos de que o nome que hoje batiza o bairro de 3,3 mil habitantes situado na Zona Norte recifense, aparece em um mapa do período colonial 🗺 justamente marcando dois caminhos que se encontravam.

Originalmente, a região era ocupada pelos indígenas, como tantas outras partes de Pernambuco. Com o tempo, após a chegada dos colonizadores, a área fazia parte do Engenho São Pantaleão do Monteiro, no entanto, no final de 1577, parte da propriedade foi dividida, nascendo assim o Engenho Apipucos, que tinha como dono o colono Leonardo Pereira.

Apipucos trocou de dono por algumas vezes até 1630, na ocasião da invasão holandesa 🇳🇱 Os invasores destruíram a capela local, quebraram imagens e inutilizaram móveis. A povoação da região do engenho teve o gado 🐮 escravos e mercadorias roubadas. Tudo foi levado para o Engenho Casa Forte, lá perto, pertencente a Dona Anna Paes.

E sabe o Açude de Apipucos? Em meados do século XIX a sua água era potável 💧 e ele era uma das fontes de abastecimento da cidade, realizado pela Companhia Beberibe. Nessa mesma época, já passada a invasão holandesa, Apipucos perde a aparência de engenho, começaram a construir chácaras e sítios de veraneio utilizadas por moradores do centro do Recife.

A procura pela região como local de descanso era tanta que gerou a melhoria de estradas, levando para lá transporte público em 1852. Sob administração de Cláudio Dubeux, eram disponibilizadas nos finais de semana diligências de quatro rodas puxadas por cavalos 🐎 que levavam em cada viagem cerca de 20 recifenses até as águas do Capibaribe da região, aconselhadas por profissionais da saúde para banhos medicinais.

Já no século XX, Apipucos foi escolhido como local de residência dos ingleses, que construíram vários casarões com grandes jardins 🍀🌷🌻 O bairro foi moradia de figuras ilustres como o pintor Murillo LaGreca, o jornalista Assis Chateaubriand, a família de Burle Marx e, claro, o sociólogo Gilberto Freyre, cuja residência Solar de Santo Antônio abriga atualmente a fundação que leva seu nome.

Imagem: Largo de Apipucos. Coleção Benício Dias Villa Digital – Fundação Joaquim Nabuco


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