BAIRRO, AVENIDA, RIO E CONVENÇÃO DE BEBERIBE

Povoado dos mais antigos do Recife, vindo da metade do século XVI. Nome de origem indígena que, para alguns, significa “como cresce a cana” e para outros “no rio que vai e vem”.

No governo de Caetano Pinto (1816), foi aberta a estrada que liga a Encruzilhada de Belém até Beberibe, objetivando implantar as linhas de ferro. Em 1922, os bondes elétricos por lá já transitavam.

Na Av. Beberibe (em frente ao SEST e ao Conjunto João Paulo II), funcionou o tradicional Restaurante Dalva de Oliveira, que, nas sextas-feiras, realizava shows com músicas da cantora.

RIO BEBERIBE

Separa o Recife de Olinda. Foi ali, observando o desaguar desse rio, que Duarte Coelho declarou guerra aos caetés e fundou Olinda. Também pela força, Olinda foi tomada pelos holandeses, que, criminosamente, a incendiaram. Três barragens (Morno, Macacos e uma na foz do Maruim) resolveram a questão das cheias do Beberibe. Lança hoje suas águas diretamente no mar, deixando de ser afluente do Capibaribe, mas ainda com ele se encontrando, um pouco antes da entrada da barra, atrás do Palácio do Campo das Princesas.

PRAÇA DA CONVENÇÃO

A praça é uma homenagem aos nossos heróis da Convenção de Beberibe, encerrando na prática os governos portugueses em Pernambuco. Na casa de nº 131, está parte do Chalé do Pavão, construída em 1870 (demolida parcialmente pelas obras de alargamento do Beberibe), que foi propriedade do professor de Direito José Vicente Meira de Vasconcelos, um desses heróis.

Na praça, um monumento em homenagem aos heróis da Convenção de Beberibe, que instalou um governo provisório e expulsou o governador português Luís do Rego Barreto. Ao lado da praça, o Mercado de Beberibe e, logo após, o Rio Morno que deságua no Beberibe.

O QUE FOI A CONVENÇÃO DE BEBERIBE?

A falta de um projeto nacional que incorporasse as populações negras e indígenas e o receio das classes dominantes de uma revolta popular, sobretudo dos negros, índios e mulatos possibilitaram os mais diversos encaminhamentos políticos e sedimentaram os ideários republicanos. Pernambuco, com sua vocação libertária e seu peso político, criou um ambiente favorável a tais manifestações, contrárias ao poder central.

Movimento nacionalista, iniciado em Nazaré da Mata pelo Cel. Manuel Inácio Vieira de Melo. Os rebeldes dirigiram-se para Goiana e formaram uma Junta de Governo Provisória, sob a presidência do Dr. Francisco de Paulo Gomes dos Santos. Depois, intimaram o governador português, Luís do Rego, a entregar o cargo. Os soldados que foram enviados para combater os revoltosos passaram para o lado pernambucano e, juntos, se dirigiram até Beberibe. O governador, sem forças, aceitou um acordo no qual se incluía a realização de uma eleição. Nessa eleição, foi eleito Gervásio Pires, rico comerciante, para governar Pernambuco.

QUEM FOI GERVÁSIO PIRES?

Nascido no Recife, em 1765; rico, culto e adepto das ideias liberais. Financiou parte das despesas da Revolução de 1817, inclusive colocando o seu navio, Espada de Ferro, à disposição de Cruz Cabugá. Foi preso, por quatro anos, na Bahia e, anistiado, passou a se comunicar só através de bilhetes. Foi designado presidente da Junta Governativa da Convenção de Beberibe e, depois, primeiro presidente constitucional do país. Logo depois do Grito do Ipiranga, foi deposto por articulação de José Bonifácio, quando Pedro da Silva Pedroso organizou um complô e ocupou a Câmara do Recife. Gervásio Pires foi preso em Salvador e, sob a acusação de traição, enviado para Lisboa. Isso, certamente, o poupou dos rigores impostos aos participantes da Revolução de 1824. Voltando ao Brasil, com a vida política já normalizada, foi duas vezes deputado federal, falecendo em 1836, sendo sepultado na Igreja Nossa Senhora do Rosário da Boa Vista.

QUEM FOI LUÍS REGO?

Português, aqui chegou em 1º de julho de 1817, com a missão de sepultar a manifestação libertária do povo pernambucano. Constituiu-se num dos piores algozes de nosso povo. Foi rápido. Onze dias depois, já havia julgado e determinado o enforcamento dos nossos principais rebeldes. Montou um esquema policial arbitrário, e a violência atingiu a todos, homens, mulheres e crianças. Armou-se uma reação, em 1821, e João de Souto Maior foi escolhido para matá-lo; atirou nele, mas não o matou. Perseguido, Souto Maior atirou-se no Capibaribe, onde morreu.

GOVERNO DESTITUÍDO

Diante da fragilidade de suas tropas, com soldados do governo confraternizando-se com os revoltosos, é assinado um acordo chamado Convenção de Beberibe, em 5 de outubro de 1821. Forma-se nova junta com Gervásio Pires à frente; a capitania estava independente de Portugal. Luís do Rêgo viajou para a Europa, onde permaneceu até a sua morte.


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