Tecnologia turbina polo de confecções em Pernambuco

Empresas investem em novos maquinários e grandes marcas querem ser fornecedoras para a indústria local


Não só quantidade, empresários querem que Polo seja reconhecido pela modernidade da produção
Foto: Edmar Melo/ Acervo JC Imagem

LUIZA FREITAS

Mais que quantidade, modernidade. É em tecnologia que o Polo de Confecções do Agreste – essencial para a economia dessa mesorregião pernambucana – está investindo para não ser associado apenas à grande quantidade de roupas baratas (são quase 300 milhões de peças por ano). Através da aquisição dos mais diferentes tipos de equipamentos, os empresários locais querem mostrar que o núcleo produtivo passa por uma nova fase, mais moderna e focada na produtividade do processo e qualidade do produto final.

Prova desse esforço foi a participação pernambucana durante a Feira Brasileira de Tecnologia para a Indústria Têxtil (Febratex), realizada no fim de agosto na cidade de Blumenau, em Santa Catarina. O Polo de Confecções foi o núcleo produtivo do Brasil que mais levou representantes ao evento promovido a cada dois anos e considerado o mais importante para o segmento na América Latina, reunindo as maiores novidades do setor. “Foram mais de 200 empresários que estão buscando alternativas de ponta e querem fazer contato com os grandes fabricantes de todo o mundo para impulsionar seus negócios”, diz o síndico do Moda Center Santa Cruz, Alan Carneiro, que também foi à feira. Para ele, o interesse dos empresários em equipamentos mais avançados é consequência da profissionalização dos empreendedores do polo nos últimos anos.

Já referência para os empresários locais quando o assunto é tecnologia, a Rota do Mar aproveitou a feita para fechar negócio na compra de um novo equipamento, a máquina de corte de tecidos Vector Fashion IX6-86, da Lectra, com preço de mercado em torno de US$ 248 mil. “Máquinas de última geração no corte podem gerar um aproveitamento até 2% maior do tecido. Pode parecer pouco, mas quando levamos isso para um grande volume acaba ganhando um peso significativo”, explica o proprietário da marca, Arnaldo Xavier.

ESTAMPARIA

Segundo o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Santa Cruz do Capibaribe – principal cidade do Polo –, Bruno Bezerra, as novas tecnologias em estamparia também têm atraído as empresas dos mais diferentes portes. “O investimento em tecnologia nos permite ganhar em agilidade de produção e de acabamento. No caso da impressão digital diretamente em tecidos, os produtores menores podem fazer estampas exclusivas e, assim, colocar no mercado produtos diferenciados”, afirma.

As novidades no segmento de estamparia digital também foram o destaque da presença da Epson durante a realização da Febratex, que apresentou ao mercado seus novos produtos, as impressoras SureColor F2100 e a Monna Lisa EvoTre. “Ouvi de pelo menos cinco compradores de equipamentos que quem não está presente no Nordeste é porque não acordou para a realidade da moda no Brasil”, afirma a gerente de Vendas de Grandes Formatos da Epson Brasil, Evelin Wanke.

De acordo com a executiva, nos últimos dois anos a empresa mais que dobrou o número de canais de venda e assistência técnica no Nordeste e mantém atenção especial para o polo pernambucano. “O Nordeste é um mercado de muito potencial para nós, tanto em termos de crescimento quanto de comportamento do consumidor, um público que gosta de estampa e usa roupas mais leves”, complementa Evelin. A marca aposta na variedade de impressoras e oferta de financiamento para alcançar portes diferentes de produtores.

APP

Para além dos maquinários, o centro de compras de Santa Cruz do Capibaribe apostou na facilidade de aplicativos normalmente disponibilizados por shoppings centers para facilitar a vida dos clientes na hora de encontrarem as lojas. Reunindo seus mais de 10 mil pontos comercias, o centro lançou o próprio app (disponível para Android e iOS), chamado Moda Center Santa Cruz, que já conta com mais de 50 mil downloads. O parque comercial ainda está realizando um investimento de R$ 5 milhões para a implantação do próprio parque de energia fotovoltaica.

JC Online


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