Burburinho do Centro do Recife em exposição no La Greca

A mostra {Centro} O design do dia a dia fica em cartaz até 6 de outubro

Letreiros do Centro do Recife são expostos em Parnamirim
Foto: Filipe Jordão/JC Imagem

O Museu Murillo La Greca, em Parnamirim, sedia até o próximo sábado (6 de outubro) a exposição {Centro} O design do dia a dia do produtor cultural Arthur Braga. Inaugurada no último dia 13 de setembro, a mostra leva para a Zona Norte do Recife em 31 fotografias, 18 letreiros e tamboretes o burburinho das ruas estreitas do bairro de São José, tradicional reduto de ambulantes na capital pernambucana.

Recifense e frequentador do Centro desde pequeno, Arthur Braga, 27 anos, escreveu o projeto da exposição no fim de 2014, usando a memória afetiva e as experiências vividas. “Estudei nessa área e trabalhei dois anos no Pátio de São Pedro (bairro de Santo Antônio), nesse período conheci muitos personagens e tive um contato mais visceral com a cidade”, declara o designer.

Na exposição ele reúne fotografias antigas de ambulantes feitas pelo pesquisador da cultura popular nordestina Liêdo Maranhão de Souza (1925-2014) e imagens atuais produzidas pelo fotógrafo Jão Vicente. “Liêdo apresenta um Recife onde havia mais convergência cultural, mais música, mais poesia e mais encantamento”, observa Arthur Braga.

As fotos de Jão Vicente retratam uma cidade mais alvoroçada, gente que se movimenta com passos apressados e ambulantes em meio a esse frenesi à espera dos clientes com suas barracas e tabuleiros arrumados da forma mais atrativa possível. Ele também registra os carrinhos engenhosos encomendados a serralheiros pelos comerciantes informais para exibir as mercadorias no Centro.

Letreiros

“São imagens que a gente vê e nem sempre enxerga na pressa do dia a dia”, comenta Arthur Braga. A mostra abre espaço, ainda, para uma arte quase invisível: a pintura de letreiros tão característicos do Centro. Quem nunca viu, nos bairros de São José e Santo Antônio placas com os dizeres “Coco Gelado”, “Compro Ouro”, “Amola-se tesoura e alicate”?

Os letreiros expostos no museu são de autoria do pintor Josué Rogaciano da Silva, conhecido como Carioca, que confecciona placas para comerciantes do Centro há mais de 50 anos. Em depoimento gravado para a mostra, Carioca informa que fazia 30 faixas num só dia e hoje as encomendas variam de duas a três peças por mês.

O vídeo também traz a fala da ambulante Ângela Maria (Quinha do tamborete), que produz os bancos com madeira que recebe ou recolhe nas vias públicas. “É uma personagem bem conhecida, ela oferece os tamboretes sempre cantarolando”, diz Arthur Braga. Peças que ela vende a outros ambulantes e em ruas da cidade compõem a exposição.

“As pessoas vão ao Centro para resolver problemas e estão sempre correndo, mas se você parar para observar vai perceber que é um lugar cheio de criatividade. Com a exposição eu devolvo ao Centro o que ele me deu”, destaca Artur Braga.

Serviço

O Museu Murillo La Greca (Rua Leonardo Bezerra Cavalcanti, 366) funciona de terça a sexta-feira das 9h às 12h e das 14h às 17h. Ao sábados abre das 15h às 18h. Acesso gratuito.

JC Cidades


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *