E195-E2 ou A220? Embraer e Airbus abrem o jogo sobre disputa

Divulgação
Novos modelos da Embraer e Airbus protagonizam novo duelo em busca de mercado na aviação internacional

Novos modelos da Embraer e Airbus protagonizam novo duelo em busca de mercado na aviação internacional

A disputa entre as fabricantes de aeronaves continua acirrada e o duelo mais recente envolve modelos da Embraer e Airbus, de médio alcance com até 150 assentos: o E195-E2 e o A220. Representantes das duas empresas falaram ao Portal PANROTAS sobre os diferenciais dos seus produtos e por que as companhias aéreas deveriam escolhê-los. No entanto, para entender esse embate, é necessário observar os fatos na ordem cronológica.

Em março de 2017, a Embraer apresentou ao mercado a maior aeronave da segunda geração da família de E-Jets, o E195-E2, que tem voo inaugural previsto para o segundo semestre de 2019. O modelo acomoda até 146 passageiros e oferece um custo aproximadamente 20% menor por viagem na categoria, segundo a fabricante. A empresa conta hoje com 100 clientes em todo o mundo e, apenas para o programa de E-Jets, possui mais de 1,8 mil pedidos firmes e 1,4 mil entregas. Nessa carteira, o desempenho do E195-E2 é o mais avançado com 80 pedidos firmes.

Arquivo Pessoal

Rodrigo Silva e Souza, da Embraer

Rodrigo Silva e Souza, da Embraer

“Os jatos narrow-body crossover serão uma parte cada vez mais integral do ecossistema de transporte aéreo global. A demanda do mercado não garante e não garantirá uma mudança estrutural em direção a aeronaves de grande porte. As atuais frotas de A319 e B737-700 continuam sendo um grande mercado potencial, com cerca de 2,5 mil aeronaves em operação. Assim, o E195-E2 se torna uma opção natural para a substituição de frotas com jatos maiores, antigos e ineficientes em termos de consumo de combustível”, afirma o diretor de Marketing da Embraer Aviação Comercial, Rodrigo Silva e Souza.

Em resposta, a Airbus lançou no mês passado a categoria A220 (com os modelos A220-100 e A220-300), para competir diretamente com o E195-E2. O avião, desenvolvido em parceria com a Bombardier, é um complemento à família A320 e cobre o segmento de 100-150 lugares. Neste caso, há uma queima de combustível 20% menor por assento em comparação com aeronaves da geração anterior – de CS100 e CS300, que pertenciam à série C da Bombardier. Além disso, a fabricante destaca o menor peso e motores mais silenciosos das duas variações.

O A220 foi criado para atender ao mercado mundial de aviões de corredor único menores, estimado em pelo menos sete mil aeronaves nos próximos 20 anos. Em menos de um mês, a família já recebeu 120 pedidos, com destaque para a aquisição de David Neeleman, fundador da Jet Blue, investidor na Tap, em Portugal, e acionista controlador da Azul. O empresário assinou um compromisso de 60 modelos A220 para a sua nova companhia aérea nos Estados Unidos.

“Os modelos A220-100 e A220-300 têm o alcance de 5.460 e 5.920 quilômetros, respectivamente, e foram projetados com a mais nova aerodinâmica computacional, combinada com a capacidade de supercomputação do século 21. A aeronave é alimentada por dois motores turbofan da Pratt & Whitney Pure Power (PW1500G), criados especificamente para o jato. Esse motor permite mais economia de combustível por assento, metade da pegada de ruído e redução de emissões. Em geral, o A220 é uma escolha ideal para operações urbanas e aeroportos sensíveis ao ruído”, explica o vice-presidente de Vendas para a América Latina e Caribe da Airbus, Arturo Barreira.

PARCERIAS
Em relação à joint-venture da Embraer com a Boeing, no qual a fabricante norte-americana deterá 80% dos negócios, Silva e Souza limitou-se em dizer que “no momento, nada muda” e a empresa segue com foco na campanha para alavancar as vendas das aeronaves das duas gerações de E-Jets. Sobre Airbus e Bombardier, Barreira contou que todas as partes envolvidas acreditam no benefício mútuo.

Divulgação

Arturo Barreira, da Airbus

Arturo Barreira, da Airbus

“Sob o acordo, a Airbus fornece aquisição, vendas, marketing e especialização em suporte ao cliente para a CS Series Aircraft Limited Partnership (CSALP), entidade que fabrica e vende o A220. Nesta parceria, a Airbus adquiriu uma participação de 50,01% no CSALP. A Bombardier possui 31% e a Investissement Québec (IQ), 19%.”

INVESTIMENTOS DA AZUL
Durante o evento Farnborough Airshow 2018 em julho, no Reino Unido, a Embraer e a Azul anunciaram o pedido firme de 21 jatos do modelo E195-E2 com valor de US$ 1,4 bilhão (pelo atual preço de lista). Este foi um pedido adicional aos 30 jatos encomendados pela companhia área em 2015, o que elevará o pedido firme total da Azul para 51 aeronaves. Além disso, a transportadora será a primeira a receber o modelo no próximo ano.

“O E2 é fundamental para nossa malha e começamos com a Embraer em várias rotas. O modelo agora é 15% mais eficiente, gasta menos combustível, tem 18 assentos a mais e o custo para operar cai de 25% a 30%. Sempre buscamos eficiência e transformamos nossa frota para a nova geração. Temos 63 aeronaves E195-E1 e 50% delas serão trocadas nos próximos anos”, adianta o vice-presidente de Receitas da Azul, Abhi Shah.

Questionado sobre as duas categorias, o executivo argumentou que a Embraer funciona para várias rotas, incluindo os voos mais curtos e corporativos. Já o A220 é adequado para rotas mais longas, acima de duas horas e meia.

NEGÓCIO PARALELO
Também no mês passado, a United anunciou o pedido de 25 aeronaves Embraer 175, que devem ser recebidos já no próximo ano. A reportagem questionou se a companhia considera utilizar também o A220, mas a United desconversou.

“Em 16 de julho, anunciamos um pedido para comprar 25 aeronaves E-175, que substituirão 25 aeronaves CRJ-700, atualmente utilizadas por nossos parceiros da United Express. Essas novas aquisições do E-175 permitirão à United oferecer uma aeronave mais confortável e eficiente para seus clientes, e fornecerá um produto superior no que há de mais moderno em conforto, além de ser uma excelente adição à nossa frota”, disse a empresa em nota.

Nesse sentido, Rodrigo Silva e Souza argumenta por que uma companhia deveria escolher o E195-E2 e não o A220. “O nosso é mais eficiente, sendo 3,5 mil quilos mais leve, consome 10% a menos de combustível e tem custo de manutenção também 10% menor. A comunalidade de cockpit é um atrativo adicional para os 70 operadores da primeira geração de E-Jets. São necessários apenas dois dias e meio de treinamento para que um piloto de E1 voe no E2, enquanto o A220 requer um programa de treinamento inteiro, que dura entre 25 e 30 dias.”

Portal PANROTAS


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *