POR QUE OS HOLANDESES INVADIRAM PERNAMBUCO?

Portugal e Espanha ficaram sob um só reino após a morte do rei português D. Sebastião, em 1580, que não tinha herdeiros. A coroa portuguesa passou para o domínio espanhol sob o reinado de Felipe II. A Holanda estava em guerra com a Espanha e passou a ambicionar o território brasileiro. A Holanda, que havia financiado a instalação de engenhos de açúcar e tendo o seu comércio proibido pelos espanhóis, resolveu invadir a costa brasileira.

Os holandeses, financiados pela Companhia das Índias Ocidentais, chegaram ao Brasil e desembarcaram na Praia de Pau Amarelo, em 1630. A pé, seguiram para Olinda e Paulista. Tomaram a pequena povoação do Recife. Incendiaram Olinda, em 1631, para reduzir o território e assegurar o controle do porto. Com a traição de Calabar (um dos mais valorosos capitães de Matias de Albuquerque, este, Governador da Capitania de Pernambuco), tiveram seus propósitos facilitados e logo chegaram ao Rio Grande do Norte, à Paraíba, ocupando Filipéia, atual João Pessoa, e ao Cabo de Santo Agostinho.

O QUE ERA A COMPANHIA DAS ÍNDIAS OCIDENTAIS?

Em junho de 1621, na Holanda, era criada a Companhia das Índias Ocidentais, com o objetivo de conquistar terras e incrementar o comércio do lado do Atlântico. Em 1623, define a Bahia como local da invasão no Brasil. Em abril de 1624, uma expedição da Companhia das Índias Ocidentais, com 26 navios e 3.300 homens, ataca e ocupa Salvador. A resistência é organizada, e, no ano seguinte, as forças luso-espanholas, equipadas com 52 navios e 12 mil homens, chegam à Bahia e expulsam os holandeses.

Os holandeses, quatro anos depois, derrotam e aprisionam uma frota espanhola em Cuba e, com os volumosos recursos obtidos, financiam um novo ataque ao Brasil, contando, agora, com um numeroso exército. Pernambuco foi escolhido como destino da invasão, pois, na época, era a mais importante região produtora de açúcar do mundo.

Chegam a Pernambuco com 67 navios e um exército de 7 mil homens. Ocupam Olinda e o Recife. Em 1631, incendeiam Olinda e derrotam a resistência pernambucana no Arraial de Bom Jesus (hoje Sítio Trindade), organizada por Matias de Albuquerque. Matias retira-se para a Bahia e, no caminho, em Porto Calvo, prende e enforca Calabar, que havia passado para o lado dos holandeses. Em 1637, já minadas as resistências dos pernambucanos, chega o Conde Maurício de Nassau, que promoveria grandes transformações no Recife e em toda a área de dominação flamenga.

QUEM FOI MAURÍCIO DE NASSAU?

João Maurício, conde de Nassau-Siegen, aqui chegou em 23 de janeiro de 1637, aos 33 anos, a serviço da Companhia das Índias Ocidentais, com o objetivo de consolidar a conquista da rica região produtora de açúcar. Trouxe poetas, médicos, astrônomos e naturalistas. Artistas como Frans Post e Zacarias Wagner vieram com ele e retrataram a cidade de forma carinhosa. Estendeu o domínio holandês até o Ceará e o Maranhão.

Projetou Mauritzstadt, a Cidade Mauricéia ou Maurícia, com a contribuição do arquiteto Pieter Post: concebeu um novo espaço urbano com quinze ruas estreitas e uma fortificação ao norte: o Forte Ernesto, cujo nome homenageia o irmão de Nassau. Depois, construiu um forte em forma estrelar denominada Frederik Hendrik (hoje Forte das Cinco Pontas). Construiu pontes, fez aterros, palácios, observatório astronômico e zoológico. Tolerante, permitiu o culto a outras religiões. Tolerante, também, em relação aos devedores, fato que provocou atritos com a Companhia das Índias Ocidentais, financiadora da ocupação holandesa. Regressando à Holanda, saiu do Recife em 6 de maio de 1644, cavalgando pela costa até o Porto de Cabedelo, na Paraíba, despedindo-se da terra que um dia sonhou transformar num reino. Após a sua saída, assumiu uma junta governativa, sem preparo e intolerante, que deu o combustível para a Insurreição Pernambucana.


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