Mercado Eufrásio Barbosa em Olinda reabre nesta quinta, já sob ideia de mudanças

Após quatro anos em obras, espaço volta a funcionar dentro de um conceito de centro cultural e gera polêmica

Mercado foi fechado em 2014 porque teto ameaçava desabar. Telhado foi todo recuperado
Sandro Barros/ Prefeitura de Olinda

Fechado em 2014, sob a ameaça de desabamento do teto, após anos definhando, o Mercado Eufrásio Barbosa, no Varadouro, em Olinda, Grande Recife, reabre as portas amanhã, após uma requalificação que custou cerca de R$ 20 milhões. Somente no final do ano o espaço de seis mil metros quadrados deverá estar funcionando plenamente (equipamentos como restaurante, café e livraria ainda estão em licitação), mas já de agora o conceito de centro cultural, dentro do qual foi concebido, está sendo repensado.

O local foi repensado como um grande museu contemporâneo e vai acomodar por um mês a exposição de quadros do artista plástico Bajado. O Teatro Fernando Santa Cruz foi totalmente reformado, incluindo seu sistema de som e iluminação. Ganhou novos boxes de artesanato, lanchonetes, barracas de feira e banheiros novos. Diante de uma superestrutura, a gestão do espaço passou para as mãos do Governo do Estado, por meio de um comitê gestor, a ser coordenado pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper) com participação da prefeitura

“O que queríamos mesmo era um mercado público, como tantos que o Recife tem, mas bem gerido. E ficamos preocupados com essa obra faraônica, que terá um custo mensal de R$ 360 mil, fora da nossa realidade. Tememos que vire um elefante branco”, lamenta Edmilson Cordeiro, membro da Sociedade de Defesa da Cidade Alta (Sodeca). “Não somos contra a obra, mas a que a população aprovou era a de um mercado, só que o projeto mudou”.

NOVAS IDEIAS

O secretário de Turismo e de Cultura de Olinda, João Luiz, afirma que o prefeito está ciente desse apelo da população. “O projeto de requalificação foi aprovado e financiado nesse modelo, pela gestão anterior, então temos que respeitar a concepção. Mas no futuro, quando a legislação permitir, isso poderá ser rediscutido. Nossa ideia era que o espaço fosse um grande empório, como o Mercado Público de São Paulo e de outros estados. E acredito que com o passar do tempo a própria dinâmica do local vai mostrar essa possibilidade”.

Os recursos para a obra foram do Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur). “A recuperação foi de excelente qualidade. Mas o município não teria como arcar com os custos de manutenção, que hoje, sem o funcionamento completo, gira em torno de R$ 300 mil, portanto, vai aumentar”, observa o secretário.

PATRIMÔNIO

Construído entre os séculos XVII e XVIII, o local foi, entre 1894 e 1960, a Fábrica de Doces Amorim Ltda e, apesar de o prédio original ter passado por algumas reformas, o monumento continua preservado e faz parte do conjunto arquitetônico da Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade. O Mercado Eufrásio Barbosa foi inaugurado em abril de 1990, com 28 lojas para venda de artesanato, dez boxes de abastecimento (carnes e queijo), dez bares e lanchonetes.


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