Exposições ocupam nova etapa do Cais do Sertão, no Recife Antigo

Obras de Ariano e Manoel Dantas Suassuna, do Coletivo Vacilante, e do acervo do Museu do Estado, estão em cartaz no novo espaço do Museu, que pode ser visitado de terça-feira a domingo

Obras de Ariano e Manoel Dantas Suassuna
Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

O museu Cais do Sertão teve seu espaço ampliado e traz três novas exposições para o público. O novo anexo do museu Luiz Gonzaga acaba de ser entregue e impressiona por sua estrutura (um bloco de concreto com 5,5 mil metros quadrados e um imenso vão livre que permite a visão do porto do Recife), que custou R$ 25,5 milhões.

Dentro dele, além de salas de aula para cursos, restaurante e outros elementos, há espaço para exposições. Até agosto, vão estar simultaneamente em cartaz “Avoenga”, de Ariano e Manoel Dantas Suassuna; “Autovacilo”, do Coletivo Vacilante; e “Ela Musa Artista”, coletânea de arte feminina que recupera o acervo do Museu do Estado de Pernambuco (Mepe).

“Avoenga” teve como ponto de partida o livro “Ferros do Cariri – uma heráldica sertaneja”, de Ariano Suassuna. Lançado em edição reduzida em 1974, ele registra uma espécie de alfabeto armorial e os tipos de ferro para marcar gado da família, a partir do pertencente ao bisavô de Ariano e trisavô de Dantas, Raimundo Francisco de Sá e Suassuna. “Quem herda o ferro é o filho mais novo”, conta Dantas.

A herança familiar transborda nas pinturas, esculturas, tapeçarias e bordados que compõem a mostra, exposta na Sala Pajeú. “Avoenga é o patrimônio deixado após o encantamento do Pai. O direito de suceder aos bens dos antepassados”, diz a frase que apresenta a mostra. Ao fundo, a trilha sonora de Berna Vieira mescla as vozes de pai e filho à música “Ariano”, de Agildo Vieira, que toca um berimbau de duas cabaças também nomeado ariano.

Em sua primeira exposição realizada num museu, o Coletivo Vacilante traz a mostra “Autovacilo”, que está dividida em dois momentos: uma exibição mais tradicional, composta por 13 obras e em visitação na Sala Moxotó, e uma ação de instalação aberta à participação do público, que vai acontecer no dia 29, a partir das 16h.

“Vamos pintar um carcaça de automóvel ao som da banda de rock Mabombe, e a peça vai passar um mês exposta no vão do museu”, adianta Alexandre Pons, um dos três membros do coletivo, junto com Heitor Pontes e Luciano Mattos.

“O grupo é como um monstro de três cabeças. Eles gostam de brincar dizendo ser uma banda cover do artista Basquiat. Eles têm algo genuíno e singular, não conheço outro coletivo que se disponha a trabalhar realmente juntos, todos ao mesmo tempo sobre uma mesma peça. A arte geralmente tem ego, tem apego, e eles abrem mão disso e conseguem um resultado impactante”, diz por sua vez o curador da exposição, Aslan Cabral.

Ela Musa Artista

Já a exposição “Ela Musa Artista” faz um resgate das artistas femininas que compõem o acervo do Mepe, dos anos 1940 até os dias atuais. São 70 obras, entre pinturas, desenhos e esculturas, que foram produzidas por nomes como Tereza Costa Rêgo, Marianne Peretti, Janete Costa, Maria Carmem e Guita Charifker, entre várias outras.

Para o curador da exposição, Rinaldo de Carvalho, “o percentual das obras feitas por mulheres, na maioria dos museus em todo o mundo, costuma ser menor do que o dos homens, e é preciso incentivar essa produção”. A mostra foi instalada na Sala São Francisco e conta com um mural interativo, onde os visitantes podem deixar desenhos e mensagens.

Serviço:
Exposições no Centro Cultural Cais do Sertão
Visitação de terça a sexta-feira, das 9h às 17h. Sábados e domingos, das 13h às 17h
Avenida Alfredo Lisboa, s/n, Bairro do Recife
Quanto: R$ 10 ou R$ 5 (meia-entrada). Às terças-feiras, é gratuito
Informações: (81) 4042-0484

Obras de Ariano e Manoel Dantas Suassuna

Obras de Ariano e Manoel Dantas Suassuna

Criações de artistas mulheres, do acervo do Museu do Estado

Trabalho do Coletivo Vacilante

Fachada do Cais do Sertão
Foto: Divulgação

Por: Mariana Mesquita, da Folha de Pernambuco


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