Negativa familiar para doação de órgãos sobe para 52% em Pernambuco

Neste ano, até o mês de abril, foram 48 doações e 53 recusas de parentes, de acordo com a Central de Transplantes de Pernambuco

Negativa familiar para doação de órgãos sobe para 52% em PE

Foto: Divulgação/SES

Em 2017, ano de maior número de transplantes da história de Pernambuco, foram entrevistadas 341 famílias de potenciais doadores de órgãos e tecidos. Desse total, 188 autorizaram a doação (57%) e 150 recusaram (43%). Já neste ano, até o mês de abril, o percentual de recusas está maior do que o das autorizações: foram 48 doações (48%) e 53 negativas familiares (52%).

Os dados chamam a atenção da Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE), que tem investido na capacitação dos profissionais envolvidos no processo para qualificar o diagnóstico da morte encefálica e o acolhimento das famílias, para que elas possam ter os subsídios necessários para exercer seu direito de doar órgãos.

Para a coordenadora da CT-PE, Noemy Gomes, a recusa familiar pode ser um reflexo da falta de informação ou dos mitos que rodeiam a doação de órgãos e tecidos. “Por isso, precisamos, permanentemente, divulgar a importância do ato e incentivar que a população converse sobre o assunto em casa e externe ainda em vida seu desejo de doar”. Ela explica que a doação não mutila o corpo do doador, que é entregue íntegro para a família realizar suas cerimônias de despedida.

A coordenadora conta ainda que uma única pessoa pode tirar outras sete da fila de espera, o que mostra a importância desse ato. “Temos equipes captadoras e transplantadoras treinadas e prontas para realizar os procedimentos necessários, mas precisamos da doação para que um transplante seja efetivado”, pontua Noemy.

Entre janeiro de abril deste ano, foram realizados 540 transplantes de órgãos e tecidos em Pernambuco. O quantitativo está 3,7% menor do que o mesmo período de 2017, com 561 procedimentos.

A fila de espera totaliza 990 pacientes, sendo 787 aguardando um rim, 98 de fígado, 56 de córnea, 14 de coração e 5 de rim/pâncreas. É importante ressaltar que, desde 2017, Pernambuco possui o status de córnea zero. Isso significa que o paciente, depois de realizar os exames necessários para ser inscrito na fila de espera, faz o transplante em até 30 dias.

“A diminuição é pequena, mas já nos deixa atentos para buscarmos alternativas para ampliar as doações no Estado. Desde o final de 2017, com as mudanças no diagnóstico da morte encefálica, estamos intensificando as capacitações com as equipes hospitalares, que são essenciais para que haja o sucesso em todo o processo. Esse novo protocolo de determinação da morte encefálica foi atualizado seguindo as boas práticas internacionais, garantindo segurança à confirmação e o acesso ao diagnóstico, uma vez que ampliou o leque de profissionais aptos para esse diagnóstico”, reforça Noemy Gomes.

A morte encefálica acontece quando o cérebro perde a capacidade de comandar as funções do corpo, como consequência de uma lesão conhecida e comprovada. Na morte encefálica, o indivíduo pode ser doador de órgãos e tecidos (coração, rins, pâncreas, fígado e córneas).

De acordo com as novas normas, ela pode ser diagnosticada por mais especialidades médicas, além da neurologia. A resolução prevê, ainda, que os procedimentos para a determinação da morte encefálica devem ser iniciados em todos os pacientes que apresentem coma não perceptivo, ausência de reatividade supraespinhal e apneia persistente.

Ranking nacional
De acordo com o balanço de 2017 da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), divulgado no último mês de março, Pernambuco ficou em primeiro lugar do Norte e Nordeste no número de procedimentos de coração, rim, pâncreas, córnea e medula óssea, que, juntos, totalizam mais de 1,6 mil pessoas transplantadas no ano passado. O Estado ainda figura na segunda colocação do Brasil no caso do coração.


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