Além do trânsito, Via Mangue sofre com degradação e furtos no Recife

Publicado por Roberta Soares

Mais de 50 gradis foram roubados da Via Mangue nos últimos meses. Câmeras de segurança foram retiradas. Fotos: Filipe Jordão/JC Imagem

Além da saturação precoce, a Via Mangue, corredor viário que custou R$ 500 milhões e facilitou a entrada e saída da Zona Sul do Recife, têm sofrido, novamente, com o vandalismo e o abandono. Quem passa nos cinco quilômetros da via expressa já deve ter percebido a ausência dos gradis de proteção e isolamento de travessia, furtados com frequência nos últimos meses. A reportagem contou mais de 50 peças subtraídas em pontos diferentes, mas a Prefeitura do Recife revelou ser um número ainda maior. Nas contas da gestão municipal, o custo atual para repor os equipamentos é superior a R$ 225 mil.

Há trechos da Via Mangue em que, num único ponto, são entre dez e 15 gradis subtraídos. Embora seja uma via concebida para ser expressa, com velocidade máxima de 60 km/h, as lacunas no equipamento de isolamento potencializam os riscos de atropelamento no caso de uma travessia indevida. Leves e montáveis, os gradis instalados no corredor são fáceis de serem retirados da base que lhes dá sustentação. Ou seja, os ladrões levam a grade e deixam a estrutura presa ao concreto, seja na divisória das pistas como nos acostamentos. Quem reside às margens da avenida conta que muitos dos furtos são praticados por pessoas que passam de carro e param para retirar os gradis.

Além da ausência dos equipamentos, o entorno da Via Mangue sofre com outros problemas que têm ampliado a degradação do corredor. As áreas abandonadas, onde deveriam ter sido construídas praças, quadras esportivas e até moradias sociais, permanecem esquecidas até hoje pela prefeitura. Lugares que viraram depósito de lixo e espaços perigosos devido ao risco de assaltos. Três exemplos são as proximidades da Ilha do Destino e do Paraíso, em Boa Viagem – duas das comunidades que permaneceram às margens do corredor –, e da Areinha, comunidade localizada no Pina e que tem sofrido com a violência por causa da indefinição do uso da área onde funcionava o Aeroclube de Pernambuco – retirado do local para permitir a construção da Via Mangue.

Na Ilha do Destino, por exemplo, os moradores ocuparam uma área às margens do corredor para evitar novas invasões e mais degradação. Improvisaram um espaço para uso comunitário, com direito até a uma piscina de plástico, e plantaram algumas mudas que agora começam a crescer e a dar um pouco de sombra. Mas o lixo permanece. “Um dos moradores tomou a frente porque a prefeitura e a construtora da Via Mangue deixaram tudo abandonado. Inclusive com esgoto a céu aberto. A promessa era de construção de uma praça e de uma quadra de futebol em cada uma das esquinas da entrada da Rua José Maria de Miranda. Mas nada foi feito”, critica Maria Aparecida, moradora da Ilha do Destino. Uma pequena praça foi construída um pouco antes, no cruzamento com a Rua Professor Eduardo Wanderley Filho, no Paraíso, graças a articulação de líderes comunitários com políticos. E, mesmo assim, é pouco utilizada por ser perigosa, denunciam moradores.

No Pina, o abandono do terreno onde funcionava o Aeroclube de Pernambuco é o que incomoda as pessoas que residem na Areinha. O amplo terreno tem uma segurança privada restrita, que não consegue abranger todo o espaço. O resultado são inúmeras queixas. “Esperamos até hoje a construção do que foi prometido quando retiraram o Aeroclube. Eram habitacionais, praças, posto de saúde e creche. A prefeitura faz reuniões mensais com a comunidade, mas ainda não temos qualquer previsão”, lamenta Cristiane Maria da Silva, diarista e moradora.


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