Fazenda avalia que convence Temer a vender Embraer

Presidente teve reação negativa a negócio com Boeing

Blog do Kennedy

O presidente Michel Temer foi surpreendido pela notícia do jornal americano, o “The Wall Street Journal”, que deu a informação de que a Boeing poderia comprar a Embraer. A primeira reação de Temer foi negativa, no sentido de usar a “golden share” da União na empresa a fim de vetar a eventual venda.

Há dois receios do presidente, segundo auxiliares. O primeiro é uma reação dos militares em geral e da Aeronáutica em particular. A Embraer é vista como uma empresa estratégica para os planos militares brasileiros. O governo não quer alimentar críticas nessa área.

Recentemente, o general Antonio Hamilton Mourão fez um ataque direto ao presidente, criticando a forma como ele negocia com o Congresso. Foi Mourão quem defendeu possibilidade de golpe militar no país. Auxiliares de Temer acham que uma eventual venda da Embraer poderia resultar em novas críticas ao presidente no meio militar, com o qual o governo não quer briga.

Por exemplo: o governo tirou os militares da atual proposta de reforma da Previdência e disse que seria negociado um projeto específico, mas esse assunto não anda.

O outro temor é de natureza política. O governo tem baixa popularidade. Houve uma oscilação positiva nas pesquisas, mas apenas um soluço político. A venda de ativos da Petrobras tem rendido críticas ao governo em um segmento do eleitorado, que vê essas decisões como entrega de patrimônio nacional.

Se a Embraer for vendida para a Boeing, esse tipo de crítica poderia se estender a uma faixa mais ampla do eleitorado. Devido a esses dois fatores, o governo cogita usar o seu poder de veto em relação a uma possível venda.

Apesar da resistência presidencial, a equipe econômica vê com bons olhos a negociação. Integrantes da área econômica avaliam que a venda da Embraer para a Boeing poderia fortalecer a empresa, que se juntaria a uma gigante da aviação.

Na pasta da Fazenda, há uma visão bem favorável ao negócio, seja ele uma venda mesmo ou uma parceria comercial mais sólida entre as duas empresas. De acordo com essa avaliação, um outro segmento do eleitorado poderia apoiar o negócio se ele for embalado como uma medida boa para o futuro da Embraer, especialista em jatos médios e que sofre concorrência global. Militares também poderiam ser convencidos de que a associação entre a Embraer e a Boeing traria ganhos a projetos do Ministério da Defesa.

Por essa visão, faria sentido a Embraer estar ligada à Boeing. Há esperança na Fazenda de que o presidente Temer possa ser convencido a dar corda ao eventual negócio, que, se prosperar, certamente será tema da campanha eleitoral do ano que vem.

Um auxiliar de Meirelles afirma que a disparada das ações da Embraer após a notícia de possível venda seria um sinal de que o negócio pode ter impacto positivo na economia e também na política. Mas é preciso levar em conta que a crise econômica no Brasil diminuiu o preço das empresas do país. As empresas brasileiras estão baratas para investidores internacionais. O preço do Brasil está baixo, fora do lugar em relação às suas potencialidades.

A reação inicial negativa de Temer deve ter impacto negativo no valor das ações da Embraer nas negociações de hoje. O governo precisa tratar esse tema com cautela a fim de evitar dar gás a movimentos especulativos, que são naturais num momento como esse.


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