Empresários propõem criar Polo de cerveja artesanal em Pernambuco

Crédito: Pic.Me/Divulgação

Nada como uma cervejinha no clima pernambucano, né? Seis Punhos, Duvália, Ekaut, Babylon, Debron, Capunga, Manguezal e Estrada. Já somam em oito o número de marcas pernambucanas que conquistaram o consumidor local. Basicamente, a diferença entre uma cerveja artesanal e outra industrializada se divide em três segmentos: ingredientes, produção e possibilidades.

Cerveja artesanal da marca pernambucana Debron – Crédito: Reprodução / Instagram

“No quesito ingredientes, cervejas industrializadas levam mais de 50% de cereal não- maltado. A cerveja artesanal, em sua maioria, é puro malte. Quanto à produção, as industrializadas são produzidas em grandes escalas. Enquanto a artesanal é em menor escala. As possibilidades são destacadas porque nas cervejas artesanais há o uso de ingredientes mais diversos, como frutas, pimenta, canela… Isso faz com que os sabores sejam mais diferentes. A gente não vê isso em uma cerveja industrializada”, explica o sommelier de cervejas Mário Melo.

Cerveja artesanal da marca pernambucana Babylon – Crédito: Reprodução / Instagram

E esse produto vem, de fato, ganhando visibilidade e reconhecimento no mercado brasileiro e pernambucano. No Brasil, a estimativa de quantidade de fábricas de cervejas artesanais era de 500 até o fim de 2017. Hoje, fala-se em 620, segundo o Instituto da Cerveja. Em Pernambuco, o número veio crescendo com o passar dos anos, contando com oito fábricas, instaladas no Recife e em Petrolina.

Cerveja artesanal da marca pernambucana Seis Punhos – Crédito: Reprodução / Instagram

O estado vem se tornando alvo de investidores, como Dimer & Fialho Consulting, primeira consultoria do país especializada em cerveja artesanal, sob a batuta de Luciano Fialho, Jadir Rocha e Ilceu Dimer. “Falando especificamente de cerveja artesanal, é um estado referência no Nordeste. É o que tem o maior número de cervejaria artesanal e volume de produção. Eu calculo que hoje mais de 100 mil litros de cerveja artesanal são produzidos por mês”, relata Luciano.

Cerveja artesanal da marca pernambucana Manguezal – Crédito: Reprodução / Instagram

A empresa visa um Polo Cervejeiro no estado, trazendo fabricantes de insumos, equipamentos e matéria-prima, já que a produção desses itens é concentrada no Sul e no Sudeste. “Na hora que as cervejarias do Nordeste, especial em Pernambuco, precisam de malte, fermento ou lúpulo, eles importam de lá. Queremos trazer essa facilidade para cá, os fornecedores para a região”, esclarece Luciano Fialho. As expectativas para o mercado cervejeiro em Pernambuco é otimista e o pernambucano tem cada vez mais gosto pelo o que é produzido artesanalmente. Listamos algumas curiosidades sobre cervejas artesanais, com dicas do sommelier pernambucano Mário Melo:

Quais as diferenças entre cerveja artesanal e cerveja industrializada?
O conceito em si de ser artesanal não é unificado. As grandes diferenças que podem ser apontadas são os ingredientes, a produção e das possibilidades. Por exemplo, no quesito ingredientes, cervejas industrializadas levam mais de 50% de cereal não- maltado. A cerveja artesanal, em sua maioria, é puro malte. Quanto à produção, as industrializadas são produzidas em grandes escalas. Enquanto a artesanal é em menor escala. As possibilidades são destacadas porque nas cervejas artesanais há o uso de ingredientes mais diversos, como frutas, pimenta, canela… Isso faz com que os sabores sejam mais diferentes. A gente não vê isso em uma cerveja industrializada.

Cerveja artesanal da marca pernambucana Estrada – Crédito: Reprodução / Instagram

Lata ou garrafa?
Depende muito. A lata é mais barata, tem um material mais fácil de ser produzido e recebe maior quantidade de calor, então gela mais rápido. Ela passa por um processo que possibilita que chegue mais fresca ao consumidor.

A cor da garrafa influencia?
Sim! Se for escura, a garrafa não tem interferência de nada. Já se for clara, o sabor pode ser alterado pela luz que recebe do ambiente.

Cerveja engorda?
É um alimento como qualquer outro, tem a sua quantidade calórica. Não é que engorde, é que ninguém consome pouco, consome em excesso. E nada em excesso faz bem, né?

Cerveja artesanal da marca pernambucana Capunga – Crédito: Reprodução / Instagram

O tipo de copo faz a diferença?
Com certeza. Tem algumas cervejas de trigo que têm um copo específico para ser servido. Isso é feito para facilitar o cliente a sentir o aroma do produto. É um ponto importante para o serviço de apresentação e visual da cerveja.

Qual cerveja tem mais álcool?
Não existe um estilo que tem mais álcool. Cada estilo tem um percentual mínimo e máximo, segundo o guia de cervejeiros. O problema é que muitos fabricantes não seguem à risca, só quando vai participar de concursos ou enquadrar a cerveja para rotular. Mas levando em consideração esse guia, temos a Imperial Stout, que pode chegar a ter 14% de álcool em sua composição.

O que uma cerveja precisa para ser considerada de boa qualidade?
Ah, tem que ter a harmonia e ambiente legal de produção. Primeiro, o cliente tem que gostar do estilo escolhido. Aí são analisados o aroma e o sabor. Em alguns casos, o amargor e álcool também.

Cerveja artesanal da marca pernambucana Ekaut – Crédito: Reprodução / Instagram

Qual ingrediente é o mais importante para garantir o sabor de uma cerveja?
Boa parte das cervejas tem o sabor determinado pelo malte. O que define se ela é amarga ou não é a quantidade de lúpulo.

Quais harmonizações são indicadas para os tipos de cerveja artesanal?
É uma pergunta complexa porque existem mais de 250 tipos diferentes. Basicamente, cervejas leves com comidas leves e cervejas fortes com comidas mais pesadas. Por exemplo, cervejas escuras se dão bem com sobremesas à base de chocolate. Pratos mais condimentados ficam bons acompanhados de cervejas mais amargas. Frutos do mar são bem harmonizados com cerveja de trigo. O ideal é que haja equilíbrio entre as intensidades do prato com a bebida.

Cerveja artesanal da marca pernambucana Duvália – Crédito: Reprodução / Instagram

MERCADO DE CERVEJAS ARTESANAIS EM PERNAMBUCO – Segundo Luciano Fialho, sócio da Dimer & Fialho Consulting:

Como você enxerga o consumo de cerveja em Pernambuco?

A gente não tem dados per capta de consumo. Falando especificamente de cerveja artesanal, é um estado referência no Nordeste. É o que tem o maior número de cervejaria artesanal e volume de produção. Eu calculo que, hoje, mais de 100 mil litros de cerveja artesanal são produzidos por mês. São oito fábricas no Recife e uma em Petrolina. É um mercado bem específico, que trabalha com puro malte e tem qualidade superior. Esse mercado deve crescer muito nos próximos anos, não só em Pernambuco, como no Brasil.

E a perspectiva de implantação de um polo cervejeiro no estado?
Estamos conversando com alguns fabricantes de insumos, equipamentos e matéria- prima, tentando negociar facilidades para trazê-los para o estado de Pernambuco. Já tem dois fabricantes de insumos e um fabricante de equipamentos em negociação. O grosso dos fornecedores, a grande maioria, está no Sul ou no Sudeste. Na hora que as cervejarias do Nordeste, especial em Pernambuco, precisam de malte, fermento ou lúpulo, eles importam de lá. Queremos trazer essa facilidade para cá. Existe também uma coisa no mercado de cervejaria artesanal que é o que chamamos de cigano. É aquela pessoa que acertou a receita, mas não tem condições de construir uma fábrica. Então, ele faz tipo um aluguel dos equipamentos de uma cervejaria existente. Há, inclusive, algumas fábricas que produzem só para esses ciganos. Estamos em negociação com uma fábrica dessas para se instalar em Pernambuco, atualmente ela funciona no Sudeste. Prazo de inauguração depende muito de incentivos, planejamento, todos os negócios de instalação.

Blog João Alberto – DP


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