Por favor, não sujem o metrô do Recife

por Roberta Soares

Na foto, a Estação Recife, porta de entrada do metrô, tomada pelo lixo no mês de agosto. Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

Peço licença para iniciar esta edição do De Olho no Trânsito fazendo um apelo: por favor passageiros, não sujem o metrô do Recife. O sistema metroviário metropolitano não merece tanto descaso de parte dos 400 mil passageiros que o utilizam todos os dias. Por mais esforço que a gestão local da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) faça, o usuário é o personagem principal no processo. É ainda mais importante, acreditem, do que os ambulantes que invadem diariamente o sistema.

A mudança na forma de atacar foi melhor porque estamos colocando o pessoal para limpar durante a operação diária. Antes, esperávamos acumular e limpávamos à noite. Vamos continuar com a mesma estratégia, mas precisamos da ajuda dos usuários porque, embora estejamos combatendo os ambulantes, não conseguimos acabar com a venda. Controlamos um pouco a Linha Sul, que tinha sido invadida, mas é um trabalho difícil. Eles entram no sistema e ficam circulando”,

Leonardo Villar Beltrão, do metrô do Recife

A presença nas plataformas das mais movimentadas estações do metrô do Recife diminuiu um pouco, mas no interior dos trens, não há lei nem regras. De desinfetante à mortadela, de tudo continua sendo vendido no sistema. E como a gestão não consegue retirar de vez o comércio ambulante do metrô, só resta à população, ao menos, consumir os produtos sem deixar rastros pelo caminho. A sujeira não só compromete a segurança da operação dos trens – podendo vir a provocar acidentes –, como também deseduca, degradando a imagem do serviço metroviário.

Metrôs são sistemas fechados, elétricos, que sempre foram sinônimo de limpeza. E a sujeira é grande, muito grande. Somente no mês de setembro/2017, foram recolhidas 16,4 toneladas de lixo em apenas três estações das Linhas Centro e Sul: Recife, Joana Bezerra e Afogados.

No último mês, a superintendência do metrô do Recife realizou uma operação especial, chamada Via Limpa, para tentar reverter essa imagem de ‘feira livre’ que está incorporada ao sistema há alguns anos, principalmente depois que os Policiais Ferroviários Federais (PFFs) foram proibidos de andar armados numa ação iniciada pela Polícia Federal em Pernambuco. Para potencializar a capacidade de limpeza, o metrô passou a fazer a coleta do lixo também durante a operação diária e, não apenas, à noite, após o sistema estar fechado. O resultado foi o recolhimento de 916 sacos de 200 litros de lixo das vias das três estações – duas delas as mais movimentadas do sistema.

O lixo, é importante destacar, é basicamente de garrafas pet e sacos de pipoca, os principais produtos vendidos pelos ambulantes. A operação, na avaliação dos gestores metroviários, tem dado certo. “A mudança na forma de atacar foi melhor porque estamos colocando o pessoal para limpar durante a operação diária. Antes, esperávamos acumular e limpávamos à noite. Vamos continuar com a mesma estratégia, mas precisamos da ajuda dos usuários porque, embora estejamos combatendo os ambulantes, não conseguimos acabar com a venda. Controlamos um pouco a Linha Sul, que tinha sido invadida, mas é um trabalho difícil. Eles entram no sistema e ficam circulando”, desabafa o superintendente do metrô do Recife, Leonardo Villar Beltrão.

Para se ter noção da dimensão da falta de educação de parte dos usuários, nos primeiros dias da operação de limpeza, somente na Estação Recife, a que mais recebe atenção por ser a porta de entrada do sistema, foram retirados 50 sacos de 200 litros de lixo. “No fim do mês, entretanto, a limpeza constante surtiu efeito e recolhemos apenas oito sacos de 200 litros”, explica Sérgio Correia, supervisor geral da Linha Centro, a maior em extensão e demanda do metrô. Além da Operação Via Limpa, as estações têm um mutirão de limpeza nas vias, sempre à noite, de 15 em 15 dias.

 


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