Plano urbanístico para Vila Naval e entorno é tema de vários encontros

Prefeitura recebe contribuições até o dia 8 de setembro

Proposta do município prevê prédios de altura variada, praças e parques / Reprodução maquete

Proposta do município prevê prédios de altura variada, praças e parques
Reprodução maquete

 O Plano Específico Santo Amaro Norte, que define diretrizes e parâmetros para o terreno da Vila Naval e Zeis Santo Amaro, na área central do Recife, promete ainda ser alvo de muitas discussões. Nesta terça, o assunto foi tema de debate no Programa Super Manhã da Rádio Jornal, e à noite estará em pauta no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFSH) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). No dia 5, a discussão acontece na comunidade de Santa Terezinha, situada dentro da Zeis Santo Amaro, onde novos encontros estão sendo agendados com outras comunidades.

A necessidade de se ouvir a população foi uma das questões levantadas pela professora de arquitetura da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) Andrea Câmara, durante o debate com o radialista Wagner Gomes, o secretário de Planejamento do Recife, Antônio Alexandre, e a jornalista Margarette Andrea. A arquiteta criticou o fato de o plano ser apresentado pronto, fato negado pelo secretário, segundo o qual é necessário partir de algum ponto, tendo o município apresentado uma proposta.

A arquiteta defendeu que o plano pode melhorar com um maior equilíbrio sócio-espacial do uso do terreno da Marinha, sendo uma possibilidade a instalação de moradias também para o público mais carente. “Romper essa barreira é uma tendência mundial, se vai acontecer ou não, o fato de se discutir já é um grande avanço”, afirmou, ponderando: “Não se consegue o equilíbrio apenas com casas populares, mas também com espaços de lazer, escolas, creches, posto de saúde…”.

O secretário salientou que, pela legislação atual, só 35% da área precisa ser de uso público, mas o plano aumenta esse percentual para 54% e prevê equipamentos públicos. Destacou também os benefícios do plano para a mobilidade, sobretudo na Avenida Cruz Cabugá, que poderá ser alargada e segregar o corredor de BRT Norte-Sul, ter ciclovias, parque e praças. “Hoje é como se tivéssemos uma barreira sufocando aquele território”, observou, referindo-se ao fato de o terreno da Vila Naval ser cercado por muros.

SOBRE A ZEIS

A respeito da área de Zeis, o secretário observou que há pessoas espalhando boatos de que os moradores poderão ser retirados do local, o que é proibido por lei. “O plano propõe melhorias, como a abertura de vias, pois hoje tem ruas em que uma ambulância, um carro de polícia não entram, mas mantendo os moradores no local. E as mudanças só podem ser feitas após discussão com as comunidades”, registrou. A arquiteta afirmou que estudos da Unicap indicam o apego da comunidade ao espaço, devendo ser considerada a possibilidade de se construir na Zeis imóveis flexíveis, de acordo com o tamanho das famílias.

O plano sugere a divisão do terreno da Vila Naval em seis quadras, sendo uma para construção das novas moradias dos militares. As outras seriam permutadas pela Marinha com empresas de construção, que poderiam erguer prédios de até 21 andares, de uso misto (residências, comércio e serviços), com alturas diversificadas e térreo com 80% em formato de galeria, sem grades ou muros.

Quem ainda não conhece o plano pode consultá-lo no endereço www.conselhodacidade.recife.pe.gov.br. Contribuições podem ser feitas pelo email icps@recife.pe.gov.br, até o dia 8 de setembro.

JC Cidades


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