Entenda a importância da Hemobrás para Pernambuco

Empresa Brasileira de Hemoderivados, localizada em Goiana, Mata Norte de Pernambuco, voltou ao debate político e econômico

Hemobrás voltou ao centro da polêmica: fica em Pernambuco ou vai para o Paraná? / Foto: Diego Nigro/JC Imagem

Hemobrás voltou ao centro da polêmica: fica em Pernambuco ou vai para o Paraná?

Foto: Diego Nigro/JC Imagem

Vítima de planejamento falho, alvo de denúncias de corrupção e objeto de investimentos mal realizados durante os governos Luiz Inácio da Silva e Dilma Rousseff (PT), a Empresa Brasileira de Hemoderivados (Hemobrás), localizada em Goiana, voltou ao debate político e econômico. Prevalecendo-se dos erros no projeto da estatal, o atual ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), revelou o interesse de levar a parte mais rentável da empresa para seu reduto político, Maringá (PR). Lideranças de Pernambuco se mobilizaram contra a ideia. No meio desta polêmica, é importante frisar que a Hemobrás, concluída e bem comandada, é de fundamental importância para Pernambuco.

A estatal tem o desafio de gerenciar a rede brasileira de plasma, componente do sangue a partir do qual são produzidos hemoderivados e outros medicamentos importantes para o tratamento de doenças como hemofilia e aids. Permanecendo íntegra, a Hemobrás pode se tornar a âncora para desenvolver o setor no Estado. Daqui, seriam exportados vários medicamentos.

Atualmente, a companhia possui 259 colaboradores e tem folha de pagamento mensal de R$ 2 milhões. Com apenas 70% da fábrica concluída, não é capaz de produzir medicamentos, mas distribui, via SUS, para todo o País.

Após tantos erros na condução do projeto, a Hemobrás corre o risco de ser esvaziada por causa de disputa pela tecnologia e produção do fator VIII recombinante, produto sintético de alta tecnologia e valor agregado.

Atualmente, mesmo funcionando de forma incompleta, fornece albumina, imunoglobina, fatores VIII e XIX, e também do fator VIII sintético, chamado recombinante. Isso é possível por meio de contratos com o laboratório francês LFB e a empresa irlandesa Shire, responsáveis pelos produtos enquanto o repasse da tecnologia não está concluído.

Dentre os prédios já prontos, está o bloco B01. Lá, é armazenado a -35 graus toda bolsa de plasma coletada nos hemocentros do País para uso industrial. Depois, o líquido é enviado para a França, onde é fracionado para gerar os hemoderivados. Já o fator VIII recombinante é obtido por meio de acordo com a Shire, por um preço menor do que o mercado internacional. Atualmente, o Ministério da Saúde investe R$ 1,3 bilhão para obter esses medicamentos.

O projeto estancou por causa da tecnologia. Não fossem tantos obstáculos, a Hemobrás tornaria o País autossuficiente na produção de hemoderivados e demais medicamentos.

“O SUS economizaria profundamente com a produção em Pernambuco e poderia usar os recursos em outras atividades necessárias. O polo de biotecnologia é uma questão do futuro”, afirma o ex-secretário de Saúde do Estado Guilherme Robalinho.

Para terminar as obras, o Ministério da Saúde estima investimento necessário de R$ 600 milhões. Até agora, a planta já recebeu R$ 1 bilhão de recursos públicos. Políticos do PT e PSB foram responsáveis pela indicação dos diretores.

NOVO RISCO

Mas os planos de gerar um grande centro de biotecnologia no Estado podem ser adiados novamente se a Hemobrás optar pela proposta defendida pelo ministro. Ele quer que a suíça Octapharma e o Instituto de Tecnologia do Paraná (TecPar) produzam o fator VIII recombinante em uma nova fábrica no Paraná.

Antes de verbalizar seu desejo, o ministro suspendeu a Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) com a Shire. Uma decisão judicial da 4ª vara do Distrito Federal, porém, anulou a suspensão. A Shire também lançou proposta de investir até US$ 290 milhões para concluir a fábrica em Pernambuco. A polêmica promete.

JC Online


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