Vias do Bairro de São José à espera de redenção

Nos últimos anos, as avenidas Dantas Barreto e Sul e a rua Imperial perderam importância e são pouco atrativas até para o comércio

Avenida Dantas Barreto (acima) é ponto de retorno de linhas de ônibus com baixa demanda e tem dois dos cinco módulos do Camelódromo com baixa clientela. Rua Imperial (abaixo, à esquerda) está repleta de buracos e tem vários prédios abandonados.

Avenida Dantas Barreto (acima) é ponto de retorno de linhas de ônibus com baixa demanda e tem dois dos cinco módulos do Camelódromo com baixa clientela. Rua Imperial (abaixo, à esquerda) está repleta de buracos e tem vários prédios abandonados. – Foto: Arthur de Souza

Passar pelas principais vias do bairro de São José, no Centro do Recife, é se deparar com um abandono que só se acentua. É o caso da avenida Dantas Barreto e de vias próximas, como a rua Impe­­rial e a avenida Sul. Se já foram importantes para o desenvolvimento de atividades econômicas, hoje, são pontos de passagem ladeados por prédios marcados pelo tempo. Os impactos são sentidos até no comércio, uma das poucas práticas que ainda dão algum movimento à área. A aposta para uma transformação, segundo a Prefeitura, é em projetos urbanísticos que têm previsão de contemplar diretamente regiões do entorno, mas que também devem ter desdobramentos positivos para a região de São José.

A avenida Dantas Barreto, mesmo já na fase Calçadão dos Mascates, o Camelódromo, viveu dias melhores que os de agora. Era o destino de várias linhas de ônibus e tinha comércio pulsante. Hoje, os pontos mais atrativos para os transeuntes ficam perto da Basílica do Carmo. Na outra ponta da via, perto do cruzamento com a rua São João, as calçadas são vazias.

Na última quinta-feira (27), já havia boxes fechando as portas às 15h30. A via leva nada a lugar nenhum. É ponto de retorno de linhas de baixa demanda das zonas Sul e Oeste. “Trabalho aqui desde 1994. Era diferente. Agora, o quarto e o quinto blocos [do Camelódromo] estão vazios, pouca gente tem inte­­­res­­­se. A avenida está morrendo de lá [perto da avenida Sul] para cá”, de­­sabafa o vigilante Renato Olivei­­­ra, 60 anos. “Tinha uma tradição. Agora, é um lugar para onde só vem quem tem algo aqui”, lamenta o aposentado Armando Alves, 85.

Perto dali, na rua Imperial, não se pode reclamar de pouco movimen­­­to de veículos. Pelo contrário, os congestionamentos não têm hora para ocorrer e estão piores desde que apareceram buracos no asfalto. A água também se acumula em pontos da pista. Vários imóveis estão abandonados, inclusive os históricos, e os que sediam atividades têm muros altos e forte esquema de segurança. O medo da violência também afasta os cidadãos. Na paralela avenida Sul, situação parecida, mas com uma demanda recente: o surgimento de uma comunidade num terreno por onde passa uma antiga linha férrea.

O secretário municipal de Planejamento Urbano, Antônio Alexandre, explica que o aspecto de abandono que marca essas vias e outras áreas do bairro de São José é similar ao vivido por regiões antigas de outras cidades do mundo. A decadência do exemplo recifense se deve ao esvaziamento da atividade portuária, que era preponderante na região.

O desafio é fomentar a reocupação desses espaços, mas de forma planejada. “Vemos como ve­­tores dessa expectativa a requali­­­ficação que está sendo feita na região do Cais de Santa Rita e o Proje­­­to Novo Recife, que, cremos, vão irrigar aquelas vias e devolver a condição para que sejam atraentes. Passa também pelo Plano Diretor, que estamos revendo”, diz.

Em nota, a Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano também citou os projetos em execução no entorno, como o centro comercial do Cais de Santa Rita e o anexo do Mercado de São José, como iniciativas positivas para a região, já que comerciantes informais terão boxes em locais organizados. Sobre o Camelódromo, garantiu que o equipamento é alvo de ações de manutenção.

Já a Emlurb disse que a rua Imperial e a avenida Sul têm pontos críticos de drenagem por terem uma rede muito antiga e que um projeto de requalificação do sistema está sendo concluído. Informou ainda que sempre faz operações tapa-buracos na rua Imperial. A última foi na primeira quinzena de julho. Já a avenida Sul receberá o mesmo serviço em até 15 dias.

Por: Folha de Pernambuco


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