Sudene aprova utilização de fundos para atrair fábricas de aviões e radares para o Nordeste

Reunião do Conselho Deliberativo da Sudene aconteceu no Recife, nesta quinta-feira (27) (Foto: Thays Estarque/G1)

Reunião do Conselho Deliberativo da Sudene aconteceu no Recife, nesta quinta-feira (27) (Foto: Thays Estarque/G1)

Durante a 21ª reunião do Conselho Deliberativo da Sudene, realizada nesta quinta (27) no Recife, foi aprovada a utilização dos Fundos Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) para a atração de empresas ligadas ao setor de defesa, como fábricas de aviões e radares. Questões envolvendo energia e recursos hídricos também estiveram em pauta.

A aprovação visa transformar a região em um importante polo produtor de navios, aviões, radares, fardamentos, satélites, veículos não tripulados e desenvolvimento cibernético. Com isso, empresas do ramo vão conseguir linhas de financiamento para se estabelecer na região.

Para o ministro da Defesa, Raul Jungmann, o Nordeste passa a ter a possibilidade de competir com empresas internacionais, além de fomentar uma maior geração de emprego e renda. O ministro lembra que esse é um setor que movimenta aproximadamente US$ 4 trilhões no mundo.

“Nós não tínhamos condição de competir internacionalmente. O fundo, ao possibilitar o financiamento de empresas, vai contribuir para a descentralização da indústria de defesa, hoje concentrada no Sudeste e no Sul. Se você não tem uma indústria de defesa, você não tem independência e nem capacidade de se defender”, afirma.

A reunião contou com a presença dos ministros da Defesa e também o da Integração, Helder Barbalho. Dos nove governadores do Nordeste que integram o conselho, apenas o de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), esteve presente. Minas Gerais e Espírito Santo também fazem parte do conselho. Desses, só o governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), compareceu à reunião. A aprovação dos fundos foi o primeiro item a ser discutido.

Jungmann ainda destacou que o incentivo será maior para empresas nacionais, que terão um financiamento com taxas menores e prazo maior. Segundo ele, ainda não há a sinalização de empresas interessadas em se colocar no Nordeste, mas lembra que o Maranhão e Pernambuco são dois estados favoráveis para o recebimento desse tipo de empreendimento.

“Você tem o Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, favorável para o setor espacial. Eu tenho andado muito mundo a fora e o tenho ouvido muito sobre terrorismo e ataques cibernéticos. Aqui em Pernambuco, nós temos o Porto Digital e podemos trazer um polo voltando para a defesa cibernética”, afrima o ministro da Defesa.

Sem mencionar o tipo de empresa, Paulo Câmara adiantou que já há uma empresa interessada em atuar em Pernambuco. De acordo com ele, o estado pode esperar um grande polo no setor de defesa. “Falta fechar só alguns detalhes. A área já está sendo vista e umas questões estratégicas. Não podemos dizer muito porque é confidencial, mas esperamos uma definição ainda neste ano. Da nossa parte, de tudo que nos pediram de informação nós já demos”, apontou.

O FNE conta com R$ 14,7 bilhões de verba para o Nordeste. Desses, cerca de R$ 2,1 bilhões são destinados para empresas interessadas em atuar em Pernambuco, sendo que projetos de infraestrutura na região ainda podem pedir mais R$ 11,4 bilhões. Já o FDNE dispõe de R$ 1 bilhão a ser utilizado e o limite a ser pedido pela empresa depende de cada projeto.

Por Thays Estarque, G1 PE


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