Parque das Esculturas Francisco Brennand no Recife Antigo à espera de socorro

Escada do píer flutuante que dá acesso ao local para quem faz a travessia de barco está quebrada e peças do parque estão danificadas

Por: Thamires Oliveira

Foto: Peu Ricardo/DP

O cenário de um dos principais pontos turísticos do Bairro do Recife, o Parque das Esculturas Francisco Brennand, está deteriorado e pouco atraente para os visitantes. A escada do píer flutuante, via de acesso para quem atravessa de barco no Marco Zero, está com tábuas folgadas, corrimãos danificados e apresenta risco de queda. Segundo os barqueiros que trabalham no local, pelo menos duas pessoas já se acidentaram. Esculturas danificadas, falta de iluminação e de segurança também fazem parte do cenário de abandono do parque.

Quem olha de longe não consegue ver a real situação do Parque das Esculturas. Já para quem faz a travessia de barco, a primeira dificuldade é subir as escadas, muito danificadas e com vários remendos feitos de forma improvisada pelos próprios barqueiros. Mas a sensação é de insegurança.

Mais à frente, algumas esculturas estão com danificadas, faltando peças de cerâmicas e outras parcialmente quebradas. Na base da obra principal de 32 metros de altura, a Coluna de Cristal, as quatro portas foram arrancadas e os sinais de desgastes pela maresia estão em toda parte. Também há vários buracos no chão.

O comerciante Elias Lopes, 46, mora em Salvador e foi ao Parque das Esculturas pela segunda vez, enquanto visitava o Recife, mas ficou decepcionado. “A primeira vez que vim aqui foi há quatro anos. O local estava mais bem cuidado e havia guardas municipais. Mas a preservação hoje está fraca, não tem nenhuma segurança”, contou. Já Janaína da Silva, 23, é do Mato Grosso e veio pela primeira vez ao Recife. “Gostei muito do parque, mas senti um pouco de medo de subir naquela escada”, afirmou a estudante.

Para quem frequenta o lugar com mais frequência, os problemas são ainda mais visíveis, como é o caso do servente de pedreiro Cícero Gomes Júnior, 47, que vai ao local duas vezes por semana para pescar. “Faz um tempo que está tudo assim, meio abandonado. É difícil até para andar por aqui, principalmente para os idosos. Há uns meses uma idosa caiu na escada, sorte que conseguiram segurá-la”, contou. “A gente fica triste porque é um espaço que merece ser cuidado”, acrescentou.

Outra reclamação comum dos frequentadores é a falta de segurança. Quando foi inaugurado, no ano 2000, o parque contava com uma guarita da Guarda Municipal, que foi desativada. “Faz muito tempo que isso está abandonado. Aqui tem assalto sempre. Até turista já foi assaltado”, contou o pescador Carlos Santana, 47.

Os problemas no parque prejudicam também os barqueiros que trabalham no local e perderam parte de sua clientela devido às condições de acesso. “Antes, a gente tirava cerca de R$ 70 por dia, hoje em dia é entre R$ 30 e R$ 40. Estamos perdendo muitos clientes, principalmente os ciclistas que vêm de Boa Viagem e Brasília Teimosa para fazer a travessia, ou vice e versa. Eles estão com medo de passar por aqui desde que um deles se acidentou no píer”, ressaltou Deivson Vasconcelos, 27, um dos 11 barqueiros do local.

Maresia e vandalismo são os principais vilões

A Prefeitura do Recife informou que o Parque das Esculturas e a iluminação do local vêm sendo alvo de vandalismo desde 2013. Nesse tempo, foram furtadas várias lâmpadas, fiação, peças de cerâmica das obras, e outros materiais. Ainda em 2013, uma obra do governo do estado, via Prodetur, contemplou a recuperação do parque e da iluminação. Já em 2015, o local foi novamente alvo de melhorias, dessa vez realizadas pela Prefeitura do Recife, quando foram realizadas a limpeza das esculturas, reposição de peças e partes danificadas de todas as cerâmicas, além da restauração da Coluna de Cristal, obra principal do parque.

Ainda por meio de nota, a Prefeitura do Recife informou após a finalização dos processos de elaboração do projeto estrutural e orçamento do custo dos serviços, a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) iniciou a fabricação das peças em madeira para recuperação do píer flutuante que dá acesso ao Parque das Esculturas. A obra conta com um investimento de R$ 47 mil e deve ser concluída até o final de julho.

A estrutura flutuante, destinada à atracação dos barcos, tem aproximadamente 40 metros de extensão. No momento, as novas peças que irão compor o piso e o guarda-corpo do píer estão sendo fabricadas sob medida em uma serralharia especializada. Depois do processo de fabricação e pintura, as partes serão fixadas à estrutura do píer.

Segundo a Secretaria de Segurança Urbana, o Centro de Operações da Guarda Municipal do Recife (GMR) acompanha a movimentação no Parque das Esculturas através de duas câmeras instaladas nos Armazéns do Porto. Além disso, rondas em horários alternados são feitas no local para evitar roubos e vandalismo.


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