Missas de volta à Capela de São Mateus do Engenho Massangana

O Engenho Massangana fica no Cabo de Santo Agostinho. Não havia missa na igrejinha há três anos

O abolicionista Joaquim Nabuco foi batizado na Capela de São Mateus, em 1849 / Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

O abolicionista Joaquim Nabuco foi batizado na Capela de São Mateus, em 1849
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

O sino da Capela de São Mateus, do Engenho Massangana, volta a tocar neste sábado (6) chamando os fiéis para a missa, depois de um jejum de três anos. Aberta à comunidade católica, a celebração começa às 15h30 e marca a retomada das atividades religiosas no antigo engenho, localizado no quilômetro 10 da PE-60, no Cabo de Santo Agostinho, município do Grande Recife.

Possivelmente construída no século 18, a Capela de São Mateus está ligada à história da escravidão e à produção de açúcar no Brasil colonial. “Pela importância do lugar, o resgate das missas é um momento muito especial”, declara padre Osvaldo Lopes, que conduzirá a cerimônia. O Engenho Massangana pertencia a Ana Rosa Falcão de Carvalho, madrinha do abolicionista Joaquim Nabuco (1849-1910), batizado nessa igreja.

A capela é vinculada à Paróquia Cristo Rei, que pretende celebrar as missas no primeiro e no terceiro sábado de cada mês, às 16h. “Vamos ampliar o trabalho social com a comunidade de Massangana, oferecendo também cursos profissionalizantes”, avisa padre Osvaldo Lopes. O prédio passou por obra de restauração em 2010, quando o engenho foi transformado pela Fundação Joaquim Nabuco numa casa-museu.

Com paredes brancas, portas azuis e piso de tijoleira, a capela do Engenho Massangana quase não tem decoração internamente. Uma imagem do evangelista São Mateus (réplica da peça original) ocupa o nicho principal, ladeada por imagens de São José e uma santa. No nicho lateral repousa a imagem de São Benedito. Uma lápide informa que o coronel Joaquim Custódio Duarte de Azevedo foi sepultado na igrejinha.

“Só temos registro de dois enterros na capela, o dele (sem data) e o de dona Ana Rosa, em 1857, mas não foram encontradas ossadas quando abriram as paredes durante a obra de restauração”, afirma a monitora de Massangana Rayanne Santos. O coronel seria amigo dos proprietários do engenho, de acordo com Marcos Antônio da Silva, que trabalha no setor educativo da casa-museu.

Painéis na parede da igreja mostram aos visitantes imagens das festas religiosas realizadas no Engenho Massangana e hoje suspensas, uma em homenagem a São Benedito (5 de outubro) e outra para venerar São Mateus (21 de setembro). Nos anos 1970, o imóvel passou por reformas, numa obra feita pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que desapropriou o casarão em 1972 e doou ao governo de Pernambuco em 1983.

VISITA

O Engenho Massangana é administrado pela Fundação Joaquim Nabuco e abre para visitação da terça-feira ao sábado, das 9h às 16h30, com entrada gratuita. Escolas e grupos acima de dez pessoas precisam fazer agendamento pelos números (81) 3527-4025 ou (81) 99454-7608. O casarão, reconstruído em 1870, está ambientado como uma residência de engenho de açúcar do século 19.

“Eu frequentava a Capela de São Mateus. Com certeza vou voltar a assistir às missas lá novamente”, declara a dona de casa Marta Maria do Nascimento, 55 anos, moradora da comunidade em volta do engenho. “Sou evangélico, mas acho muito bom ter missa na capela outra vez”, acrescenta João Ferreira do Nascimento, 80.

Ele participava das festas religiosas do Engenho Massangana (usina de açúcar, à época) e conta que as imagens de São Mateus e Santa Rosa sempre iam na frente da procissão. “São Benedito ficava atrás, era essa a tradição”, diz.

JC Cidades


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