Transposição: eixo leste chega à capacidade máxima, diz ministério

Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

O Ministério da Integração Nacional informou nesta quinta-feira (6) que a água da Transposição do Rio São Francisco agora está sendo fornecida no volume máximo para o leito do Rio Paraíba. O ministro Helder Barbalho afirmou, em audiência no Senado nessa quarta-feira (5), que a água chegaria à cidade paraibana de Campina Grande até o dia 25 deste mês. O objetivo é de atender 716 mil pessoas em 18 cidades ao longo do manancial no Estado – mas, devido à ausência de obras complementares, não chegará às 4,5 milhões de pessoas em 168 municípios que são esperadas quando todo o projeto for concluído.

De acordo com a Integração Nacional, a última estação de bombeamento do eixo leste foi acionada no último fim de semana, passando a funcionar com dois conjuntos de motobomba, o que dobrou a capacidade. Em fase de testes, a vazão fornecida era de 4,5 metros cúbicos. Agora é de nove.

O equipamento foi cedido pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), através da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado), em um plano para se aproximar do Nordeste, a um ano e meio das eleições de 2018.

De Sertânia, a água passa para Monteiro, a primeira cidade paraibana a receber o projeto. Lá, cerca de 33 mil pessoas são abastecidas desde o último dia 10 de março, quando o presidente Michel Temer (PMDB) foi à cidade para inaugurar o eixo leste da Transposição. A obra tem sido usada por ele para melhorar a popularidade na região, onde tem a maior reprovação.

Com abertura da comporta do reservatório de Campos, água da Transposição pode abastecer Sertânia (Foto: Divulgação)
Com abertura da comporta do reservatório de Campos, água da Transposição pode abastecer Sertânia (Foto: Divulgação)

A partir do mesmo dia, Sertânia passou a ser o primeiro município pernambucano a ser atendido pelo ‘Velho Chico’. Apesar de mais de 200 quilômetros de canais passarem pelo Estado, a água atende hoje apenas 35 mil moradores locais. Porém, sem as obras complementares da Adutora e do Ramal do Agreste, por exemplo, o projeto não consegue beneficiar mais pessoas.

No eixo leste, a água do São Francisco é captada em Floresta, no Sertão pernambucano, e vai até Sertânia. De lá, vai para o açude de Poções, em Monteiro. Depois, a água seguirá pelo Rio Paraíba até o reservatório Boqueirão, para reforçar o abastecimento em Campina Grande. Segundo o Ministério da Integração Nacional, a água passou do reservatório Camalaú, no município de mesmo nome, o último antes de chegar a Campina Grande.

As obras da Transposição do São Francisco começaram há dez anos, no início do segundo governo Lula (PT). O petista tem investido na comunicação e na militância para cobrar a paternidade da obra e foi a Monteiro uma semana depois de Temer para um evento que chamou de “inauguração popular” do projeto.

A transposição era esperada desde o período do Império. Apesar de o eixo leste está próximo de ser concluído, ainda restam diversas obras complementares e o eixo norte, que vai beneficiar Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte. Lá, não há previsão prática para retomar a construção. Envolvida na Operação Lava Jato, a Mendes Júnior abandonou o canteiro no início da gestão de Temer alegando dificuldade de obter crédito e a licitação para escolher a nova empreiteira está em andamento. O contrato deveria ter sido assinado em março, mas isso ainda não aconteceu. A obra custou até agora mais de R$ 8 bilhões.

JC Online


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