Vandalismo no Carnaval deixa um custo alto no Recife e Olinda

Devido a vândalos, Recife e Olinda têm uma despesa alta para preservar o patrimônio durante o Carnaval

Por: Marcílio Albuquerque

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Maior parte do material é destruída ou furtada antes mesmo da festa chegar ao fim
Foto: Felipe Ribeiro

O Recife deve gastar mais de R$ 1 milhão com isolamento de prédios e áreas públicas no Carnaval de 2017. A dois meses da folia, a prefeitura deu início ao processo de licitação para escolher a empresa que vai executar o serviço. A conta cresceu 15%, em relação à edição anterior, e quase 40% se comparada a 2014, quando pagou cerca de R$ 700 mil para tentar barrar o vandalismo e as depredações que se repetem indiscriminadamente. Em Olinda, o custo é de R$ 300 mil. A maior parte do material é destruída ou furtada antes da festa acabar.

“É uma quantia alta e que poderia ser utilizada a favor das pessoas”, admite a diretora de Manutenção da Emlurb, Fernandha Batista. No pacote estão tapumes de madeira e alumínio, gradis e outros tipos de proteção estrutural numa batalha contra a falta de conscientização. “Com esse valor em mãos daria para fazer o recapeamento completo em mais de dez avenidas”, revela. O aumento para 2017 se dá por conta de uma lista que não para de crescer. “A cada ano os vândalos descobrem novos pontos e se faz necessário instalar mais proteções. São lugares que, se fossem destruídos, trariam muito mais prejuízos para serem reformados”, justifica.

A medida ainda engloba a proteção para praças, equipamentos culturais e imóveis históricos, incluindo os que apresentam risco de desabamento. Segundo a Defesa Civil, cerca de 900 construções foram vistoriadas na Capital nos últimos quatros anos.

Contudo, apenas em 2016, em média 20 imóveis foram interditados pela grande iminência de ruir. O apanhado é de que pelo menos 100 prédios permaneçam em perigo.

O Bairro do Recife, assim como o de São José e da Boa Vista, são os principais. “É preciso proteger a população. Porém, mais da metade dessa fatia é usada contra o vandalismo”, explica Fernandha, que assegura que as perdas na Capital são menores: “Reaproveitamos cerca de 60% dos tapumes”.

Em Olinda, a justificativa também é de que não há outra saída. “Eles (foliões) picham, quebram e furtam os materiais. Nem mesmo as igrejas históricas escapam do vandalismo, sendo feitas de sanitários”, afirma o secretário de Serviços Públicos, Manoel Sátiro. Apesar da mudança de gestão, os trâmites licitatórios estão sendo desenhados para o próximo Carnaval. “Às vezes, tapumes são quebrados ou levados no mesmo dia de instalados, sendo substituídos. Não temos condições de colocar guardas ou policiais em todos os pontos. Com isso, o reaproveitamento é muito pequeno”, critica.

Folha PE


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