Brasil tem que investir US$ 300 bilhões para alcançar patamar ideal de rodovias

Caminho para alavancagem de recursos são as PPPs, terreno em que o País está atrasado pelo menos 15 anos em relação a vizinhos como Chile, Peru e Colômbia, diz especialista

estrada

O Brasil construiu aproximadamente três mil quilômetros de rodovias nos últimos três anos, avanço de 0,4 km sobre o resultado total obtido em 2013. Este crescimento fez o País atingir a densidade de 1,7 km por cada mil km² de território de estradas. Todavia, este número é seis vezes menor do que o dos Estados Unidos (EUA) – um dos nossos principais concorrentes agrícolas -, que conta atualmente com 10,6 km por cada mil km² de território, e muito menor do que o da China, que tem 10,9 km por cada mil km² de território. Os dados são do estudo “Infraestrutura Rodoviária no Brasil”, elaborado pela Bain & Company, especializada em gestão.

Rodovias necessitam de investimento de R$ 300 bilhões (Foto: Ministério dos Transportes)Rodovias necessitam de investimento de R$ 300 bilhões (Foto: Ministério dos Transportes)

Segundo o relatório, o mínimo necessário para um patamar adequado na malha rodoviária é um acréscimo que aumente a densidade do País para 4,2 km por cada mil km² de território. Para que essa meta se torne realidade, o documento assinala que é necessário investir US$ 300 bilhões por um período de 12 a 15 anos para viabilizar um projeto que conectaria 22 capitais e cinco fronteiras comerciais por meio da construção de 20 mil quilômetros de rodovias.

“Em grande parte, isso depende das concessões, já que locais com maior PIB per capita e corredores com potencial de pedágio representam mais de 70% da malha proposta. E nas demais regiões, acreditamos que as Parcerias Público-Privadas (PPPs) representam uma excelente alternativa que deve ser aplicada principalmente ao Norte do País”, destaca Fernando Martins, autor do estudo.

Desafio das PPPs

De acordo com Marcos Siqueira Moraes, especialista em Parcerias Público-Privadas, que dirigiu o programa de PPPs de Minas Gerais, o Brasil está atrasado pelo menos 15 anos em relação a países vizinhos como Chile, Peru e Colômbia no que se refere ao tema. Segundo Moraes, o grande obstáculo das PPPs atualmente é que elas contemplam projetos complexos, extremamente técnicos e difíceis de serem elaborados, até mesmo pela pouca experiência brasileira na área.

“O difícil hoje é ter bons projetos. Embora as PPPs gerem mais valor para governos e investidores do que o modelo tradicional, elas são mais difíceis de fazer, porque os contratos são de longo prazo, são mais complexos. E nem o setor privado nem o público estão entendendo ainda esse modelo. Então, temos que aprender a desenvolver e construir esses novos modelos de negócio”, ressalta.


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