Recife: Muito carro, pouca vaga

LUIZ FILIPE FREIRE

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PPP DOS EDIFÍCIOS GARAGENS PARADA HÁ MAIS DE 6 ANOS

Seja em áreas comerciais ou ao lado de edifícios repletos de vagas de garagem, estacionar é difícil no Recife. A oferta de vagas – são 2,7 mil de Zona Azul -, não acompanhou o aumento da frota de veículos que quase dobrou nos últimos 15 anos, chegando a 679,2 mil. Diante disso, infrações aos montes são registradas pelas vias, como filas duplas. Prefeitura discute soluções no Plano de Mobilidade. Uma delas é a expansão das vagas nos entornos dos mercados públicos.

“É rápido”. “Não ti­nha onde parar”. “Vim só deixar alguém e vou embora”. Explicações como essas são dadas aos montes por quem estaciona em local proibido. Do ponto de vista das normas, são argumentos que não justificam esse tipo de infração, a segundo mais cometida no Recife, só atrás do excesso de velocidade. Não significa, porém, que a reclamação não é pertinente. Falta, de fato, onde parar, sobretudo no entorno de mercados e escolas, mas não menos em áreas residenciais. Soluções são discutidas há anos, mas não acompanharam a frota, que quase dobrou em 15 anos e já chega 679,2 mil veículos no Recife. Algumas foram deixadas de lado. Outras vêm sendo repensadas no Plano Municipal de Mobilidade, previsto para o fim do ano. Por ora, nas ruas, a falta de opções segue tendo consequências.

Para solucionar a pouca oferta de estacionamento, a Prefeitura do Recife (PCR) já chegou a falar até na construção de 15 edifícios-garagem, que teriam dez mil vagas em 25 áreas. A ideia era que o processo tivesse participação da iniciativa privada, que também faria a manutenção dos prédios por 35 anos. Para cada vaga criada, uma seria extinta nas ruas do Centro, esvaziando espaços públicos, hoje, tomados de carros. Um edital chegou a ser lançado em 2012, mas foi revogado devido aos altos custos aos cofres públicos, que chegariam a R$ 500 milhões.

Segundo o secretário-executivo do Instituto da Cidade Pelópidas Silveira, Sideney Schreiner, os edifícios-garagem poderão ser integrados ao Plano de Mobilidade. Mas em um novo formato, com custo mais baixo.

“Estamos repensando uma maneira de integrar ao Plano de Mobilidade. “Não seria da forma como vinha sendo proposta, com um ônus gigantesco ao município. Estamos trabalhando com a localização estratégica dos edifícios, junto a estações de metrô, a polos geradores de viagem, para que as pessoas saiam de áreas mais periféricas, deixem o veículo nos prédios e sigam de transporte público”, detalha, fazendo a ressalva de que, sem essas políticas de integração, só criar estacionamentos não resolveria os problemas de hoje.

“O conceito contemporâneo de mobilidade é o de reduzir a quantidade de carros. É preciso pensar que, se todo mundo quisesse andar de carro, ninguém conseguiria ir a lugar nenhum“, diz. Entre as soluções de baixo custo está a ampliação da Zona Azul na Cidade. Conforme a Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano, já há 2,7 mil vagas rotativas na Cidade. A intenção é levar o sistema para o entorno de mercados públicos, como os da Encruzilhada e de Casa Amarela, até dezembro.

O da Madalena, na Zona Oeste, já foi contemplado. Na semana passada, ganhou 43 vagas com permanência de até duas horas. “Uma das formas de criar soluções é a Zona Azul em mais áreas, mas com uma readequação de conceito, uma nova política tarifária e garantindo que a rotatividade aconteça”, afirma o secretário-executivo.

Folha PE


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