domingo, 11 de março de 2012

Rio: Empresários adotam pontos turísticos da cidade e pagam sua manutenção



O empresário Lauro Wöllner, na Vista Chinesa, que acabou de adotar junto com seu sócio: "Faço parte do movimento Rio, Eu Amo, Eu Cuido"
Foto: Gustavo Pellizzon / O Globo
O empresário Lauro Wöllner, na Vista Chinesa, que acabou de adotar junto com seu sócio: "Faço parte do movimento Rio, Eu Amo, Eu Cuido"Gustavo Pellizzon / O Globo
No início, foram praças e jardins, mas a adoção se ampliou

RIO - Chova ou faça sol, o administrador de empresas Cláudio d’Ávila desce, diariamente, de seu apartamento na Avenida Atlântica para começar a percorrer, a partir das 5h30m, toda a extensão do belo canteiro central da mais famosa praia brasileira, a de Copacabana. Do Leme ao Posto 6, ele supervisiona de perto a equipe de profissionais variados que contratou para cuidar dos 15 mil metros quadrados do canteiro. Cláudio faz parte de um time de benfeitores que, apaixonados pelo Rio, assumiu a tarefa de adotar cartões-postais da cidade, custeando com o próprio bolso sua manutenção.

No início, foram praças e jardins, mas a adoção se ampliou para os pontos turísticos da cidade, comemora a Fundação de Parques e Jardins (FPJ), responsável pela efetivação dos contratos. Os empresários Lauro Wöllner e Paulo Calarge, por exemplo, donos de uma grife de roupas masculinas, escolheram cuidar de uma área especial: a Vista Chinesa. A parceria com a prefeitura inclui um investimento inicial de R$ 40 mil para a reforma do pagode, a criação de um bicicletário, a recuperação da vegetação no entorno e a instalação de uma foto panorâmica, com a indicação dos principais itens da paisagem que os turistas veem do mirante. A adoção está sendo finalizada e Wöllner, frequentador da Vista Chinesa, é só alegria. Para o futuro, ele planeja estender a adoção ao entorno do monumento:

— Eu faço parte do movimento Rio, Eu Amo, Eu Cuido. É muito prazeroso poder fazer algo pela cidade. Todos nós podemos ajudar um pouco — diz Wöllner, que é atleta e frequentador assíduo da área da lazer.

Para o administrador de empresas Cláudio d’Ávila, a vontade de adotar um cartão-postal surgiu numa manhã, em 2008, quando ele percebeu, da janela de casa, que três algodoeiros do canteiro central, no trecho do Leme, tinham sido cortados. Ele descobriu que o responsável era um morador recém-chegado a esse trecho da praia, incomodado com as árvores, que encobriam parte da vista.
— Fiquei muito indignado com a atitude dessa pessoa, que queria a vista da praia sem obstáculos — conta Cláudio, que acabou telefonando para a Fundação de Parques e Jardins, interessado em adotar outras árvores desse ponto do canteiro.


Administrador: "O canteiro é o meu quarto filho"

Inicialmente, foram 13 abricós, depois 15, até que, em 2009, Cláudio incluiu a calçada, de 1.080 metros quadrados. No final de 2010, estendeu a adoção aos 15 canteiros da Avenida Atlântica. Para manter a beleza do calçadão, um bem tombado, o administrador de empresas contratou uma equipe de profissionais, que inclui calceteiros, biólogo, zootécnico, paisagista e jardineiros. Cuidadoso, ele acompanha de perto o trabalho do time.

— É uma grande alegria. Como tenho três filhos, digo que o canteiro é o meu quarto filho. Hoje, me orgulho de ver que ele já não está mais infestado de pombos, está limpo, conservado e abriga pássaros e borboletas — conta, orgulhoso, preferindo não revelar quando gasta com a manutenção do "filho". — Posso dizer que é mais de um real.

Outro cartão-postal carioca prestes a ser adotado é o Parque Garota de Ipanema, no Arpoador. O padrinho será o empresário Mário de Andrade Neto, nascido em Manaus e dono do famoso quiosque Palaphita Kitch, na Lagoa. Vivendo no Rio há 30 anos, ele conta que chegou a hora de agradecer à cidade pelo que conquistou profissionalmente. Mário já procurou a prefeitura para, em parceria com o grupo Favela Surf Club (que oferece aulas de surfe no Arpoador a jovens de baixa renda), cuidar do parque.

A ideia do empresário é instalar na área do parque um bistrô ou um café e uma sede para o surfe, aberta ao público. Seria, segundo ele, um espaço de lazer voltado às famílias.
— O espaço, tão conhecido, está ocioso. No carnaval, virou abrigo de mendigos. O parque não merece isso. Nossa proposta é cuidar das instalações e oferecer algo que atraia frequentadores — explica ele.

O Favela Surf Club é uma instituição patrocinada pela Nike. Essa marca esportiva, aliás, foi responsável pela instalação de refletores na Praia do Arpoador, o que possibilitou a prática do surfe noturno nesse trecho da orla.
— Só tenho a agradecer à cidade pelo que conquistei. Cuidar do parque seria uma forma de fazer isso — diz Mário.

Bem antes de a adoção de cartões-postais se tornar uma tendência, o designer de joias Antonio Bernardo decidiu, há cerca de uma década, tomar para si a responsabilidade de cuidar da manutenção do belo orquidário do Jardim Botânico. Procurou a direção do parque e acertou os trâmites legais. Cada contrato de adoção tem dois ou três anos de duração. O designer, cujo atelier está instalado no bairro, tem renovado o compromisso ininterruptamente.
Antonio conta que o desejo de cuidar desse patrimônio carioca surgiu quando leu num jornal que o Jardim Botânico estava abrindo parceiras público-privadas.

— Sempre frequentei o parque, principalmente quando minhas filhas eram pequenas, e chamava a minha atenção o fato de a bela estufa de orquídeas estar sempre com as portas fechadas. Apaixonado que sou por orquídeas, quando vi a nota no jornal quis fazer algo, devolver um pouco do que a gente recebe à comunidade — diz o mantenedor do orquidário, onde financia duas exposições anuais.
O designer prefere não revelar o custo da manutenção do espaço.




Eike Batista já investiu R$ 19,5 milhões na Lagoa
Não chega a ser uma adoção nos moldes oferecidos pela prefeitura, mas o empresário Eike Batista financia, desde setembro de 2008 o projeto Lagoa Limpa, idealizado por seu Grupo EBX. O objetivo é a recuperação ambiental da Lagoa Rodrigo de Freitas. Com o projeto, que tem parceria com o estado e a prefeitura, o grupo já comprometeu R$ 19,5 milhões.
— Não deixa de ser uma adoção, já que a empresa cuida da saúda da Lagoa — afirma Eliane Soares de Lima, frequentadora da Lagoa.


Já são 132 as áreas adotadas

Tudo começou há 20 anos, com a adoção de pequenas áreas públicas por meio de um programa criado pela prefeitura. O diretor de Planejamento de Projetos da FPJ, Sydnei Menezes, diz que hoje 132 pontos da cidade têm padrinhos, incluindo 34 praças, 32 canteiros, 33 áreas verdes, seis monumentos e seis parques, entre outros. Ele comemora o fato de agora os cartões-postais também começarem a entrar na lista.

Em geral, os convênios de adoção duram dois anos. Em muitos casos, quando o acordo não é renovado, o espaço acaba com sua manutenção prejudicada. Segundo Sydnei, o adotante se encarrega de fazer a manutenção paisagística, com a assessoria da prefeitura.
— São convênios muito interessantes, que não envolvem repasses de recursos. Começamos com praças e jardins, depois incluímos até árvores e jardineiras, para que pessoas físicas também se interessassem em participar, pois basicamente essas adoções eram feitas por pessoas jurídicas — explica ele, acrescentando que o processo de adoção é bem simples.

O Globo

Entre mudar o mundo e ganhar dinheiro, por que não optar pelos dois?

Fora de empresas tradicionais, mas também de ONGs, jovens adotam o modelo do empreendedorismo social

Nathalia Goulart
Tiago Dalvi e Marcel Fukayama: impacto social por meio de negócios rentáveis Tiago Dalvi e Marcel Fukayama: impacto social por meio de negócios rentáveis (Arquivo pessoal)
Há cinco anos, quando se formava no curso de administração de empresas, Tiago Dalvi, então com 20 anos, topou com um dado que lhe chamou a atenção: o Brasil possuía de 8,5 milhões de artesãos. "Desse total, 2 milhões viviam em condição de extrema pobreza e sequer conseguiam vender o que produziam", constatou o jovem. Onde muitos viam apenas um drama social, Tiago enxergou uma oportunidade de negócio. Assim, nasceu a Solidarium. A empresa funciona como uma ponte entre 1.600 artesãos de 12 estados brasileiros e grandes redes varejistas como o hipermercado Wal-Mart e as lojas de móveis e decoração Tok Stok. Dessa forma, tudo o que sai das mãos dos artesão chega às prataleiras dos grandes centros e, portanto, às mãos dos consumidores. O trabalho de Tiago vem ajudando a minimizar a pobreza, mas não se trata de altruismo: a Solidarium deve faturar 1 milhão de reais em 2012.


Tiago faz parte de uma nova geração de empreendedores. Instatisfeitos tanto com o modelo de negócios que só visa o lucro quanto com as ONGs que não garantem a própria sobrevivência, eles criam modelos híbridos para integrar geração de lucro e dividendos sociais. São os chamados negócios sociais ou inclusivos. "Entre mudar o mundo e ganhar dinheiro, os jovens estão optando pelos dois", afirma Débora Basso, coordenadora de formação da Artemísia, organização pioneira no fomento a esse tipo de empreendedorismo no Brasil. Negócios sociais, como o de Tiago, têm como missão principal mitigar um problema específico, mas, ao contrário das tradicionais organizações não-governamentais, não sobrevivem de doações – eles pretendem ser sustentáveis e gerar (bastante) lucro.
Foi justamente a fragilidade das ONGs, a incapacidade dessas organizações de andar com as próprias pernas, que motivou Omar Haddad, de 28 anos, a criar seu empreendimento social. Há quantro anos, ele está à frente da Sementes de Paz, que leva produtos orgânicos de duas dezenas de agricultores e cooperativas a alguns milhares de consumidores na Grande São Paulo. "Antes de abrir meu próprio negócio, circulei entre ONGs, mas o fato de elas não serem sustentáveis me incomodava. Para causar um impacto significativo, é preciso gerar renda", diz Omar. O jovem empreendedor guarda segredo sobre o resultado da empresa, mas revela que o faturamento deste ano deve ficar em seis dígitos. "O empreendedorismo social tem se popularizado. Prova disso é que já contratamos profissionais qualificados que, depois de atuar em empresas tradicionais, nos procuraram dizendo que querem dar um significa a suas carreiras." Continue a ler a reportagem
Arquivo pessoal
Omar Haddad (ao centro): Comércio justo de produtos orgânicos
Omar Haddad (ao centro): comércio de produtos orgânicos
Combinar trabalho a uma causa é uma das marcas da chamada geração Y, jovens nascidos nas décadas de 1980 e 1990. Segundo os estudiosos que se dedicam a entendê-los, esse é um grupo formado por pessoas inquietas e capazes de desenvolver várias tarefas simultaneamente, fruto da era digital em que cresceram e do consequente acesso quase irrestrito à informação. No Brasil e no mundo, a maior parte deles experimenta condições de vida superiores às de seus pais. "Obviamente, isso alterou a percepção que eles têm da vida profissional. Uma carreira tradicional, como a de seus pais, já não lhes interessa: eles querem se sentir parte dos projetos em que se envolvem", diz Sidnei Oliveira, autor do livro Geração Y – O Nascimento de Uma Nova Versão de Líderes. O escritor americano Bruce Tulgan, autor de diversos livros sobre o mundo corporativo, descreve da seguinte maneira a geração Y: "Eles serão a força de trabalho mais potente de toda a história do mundo. Eles empreendem por paixão." É invejável. Tiago Dalvi comprova a tese do americano: "Nunca me vi vendendo cerveja ou geladeiras: para me sentir realizado, preciso fazer coisas que façam a diferença."
A geração Y conta com um aliado óbvio: a internet, que derruba barreiras geográficas e permite empreendimentos de baixo custo. "Na sala de sua casa, um rapaz de 19 anos pode fazer negócios com a Indonésia. Há quase uma década, de um dormitório universitário, Mark Zuckerberg revolucionou a maneira como nos relacionamos", diz Oliveira acerca do criador do do Facebook. Não por acaso, a web é a principal ferramenta de Marcel Fukayama, de 26 anos, fundador da CDI Lan, empresa que quer transformar a vida de moradores de comunidades carentes por meio das lan houses. A CDI Lan conta hoje com 6.500 lan houses afiliadas, que oferecem, entre outros serviços, capacitação profissional de baixo custo. Uma parceria com uma multinacional permite que parte do contingente capacitado seja absorvido imediatamente pelo mercado de trabalho. "Com meu trabalho transformo a sociedade sem precisam fazer voto de pobreza", diz Marcel.
Universidades – A fome dos novos empreendedores é grande. E as universidades já perceberam isso. Instadas pelos próprios estudantes, instituições de excelência do Brasil e do exterior estão tratando de incluir a matéria em seu ambiente e de ensiná-la a seus alunos. "Quando comecei a falar de empreendedorismo social, ficava contente se apareciam 20 universitários para assistir às minhas palestras. Hoje, falo para auditórios lotados em universidades: os estudantes estão pressionando suas instituições a incorporar o assunto", diz David Bornstein, pesquisador canadense pioneiro na difusão do empreendedorismo social. Johanna Mair, professora da Universidade de Stanford, na Califórnia, concorda. "A estrutura acadêmica por tradição é avessa a mudanças. É preciso mobilização dos estudantes. E isso está acontecendo nesse assunto." Continue a ler a reportagem
Arquivo pessoal
João Arcalá que levar os negócios sociais para a universidade
João Arcalá que levar os negócios sociais para a universidade
Mais prestigiada universidade do planeta, Harvard já se curvou à demanda de jovens aspirantes a empreendedores sociais. Lá, acontece anualmente uma conferência para debater negócios sociais. O evento é integralmente organizado pelos alunos, sem qualquer interferência do corpo docente – que, no entanto, faz questão de franquear condições para a manutenção da conferência. Na edição de 2012, mais de 1.500 estudantes participaram de debates, workshops e palestras.
A Universidade de Stanford foi ainda mais fundo. Acaba de inaugurar o Instituto para Inovação em Economias em Desenvolvimento, batizado Seed (semear ou semente, em inglês). Seus alunos poderão discutir modelos de negócios que visam a reduzir a pobreza de nações como o Brasil e a Índia. "A maneira mais eficiente de dirimir desigualdades sociais não é oferecendo ajuda na forma de alimentos, dinheiro ou remédios. Precisamos formar empresários que desenvolvam soluções criativas e de alto impacto. Esse é o motor do crescimento", diz o professor Hau Lee, diretor do Seed. Continue a ler a reportagem
Divulgação/Harvard
Harvard: a Social Entreprise Conference é uma iniciativa dos alunos da universidade
Harvard: a Social Entreprise Conference é uma iniciativa dos alunos da universidade
No Brasil, as universidades e os estudantes começam a se familiarizar com os negócios sociais. No Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), os alunos já conseguiram levar o empreendedorismo social para o centro do debate. Desde 2007, acontece o Reunes, Reunião Universitária de Empreendedorismo Social e Responsabilidade Sócio Empresarial, que debate formas de contribuir socialmente para o desenvolvimento do país. "O tema ganha corpo aos poucos dentro da universidade", diz Marcus Gualberto, de 21 anos, um dos responsáveis pelo Reunes. O envolvimento dos alunos já rendeu frutos. No ano passado, foi firmada uma parceria com a Endeavor, organização internacional que incentiva empreendimentos de alto impacto. O acordo prevê capacitação de professores para que o empreendedorismo entre de vez no currículo acadêmico.
A Artemísia, aceleradora de negócios sociais, é uma das responsáveis por levar a discussão para as universidades brasileiras. Para isso, criou um grupo chamado Choice, composto por 92 estudantes das cinco regiões do país encarregados de mostrar a colegas que é possível unir lucro, ação social e realização profissional. "Queremos incentivar um movimento de baixo para cima – contagiados, alunos, professores e universidades passarão a tratar do assunto também no ambiente acadêmico", diz João Arcalá, de 21 anos, estudante de enganharia ambiental na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e embaixador do Choice.
A Fundação Getúlio Vargas (FGV) também deve incorporar nos próximos anos uma disciplina dedicada exclusivamente aos negócios sociais. À frente do projeto está o professor Edgard Barcki, da Escola de Administração. "Essa é uma geração que tem brilho nos olhos e isso faz crescer o interesse em uma nova prática empresarial", diz Barcki. Na Universidade de São Paulo, quem comanda o movimento é Graziela Camini, da Faculdade de Economia e Administração (FEA). No ano passado, Camini promoveu o primeiro debate sobre o assunto dentro dos muros da USP. "É importante dizer a essa geração que não é preciso estar em uma ONG para mudar o mundo. É possível lucrar para fazê-lo."
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Veja

SP oferecerá bicicleta para alugar em um mês

Em um mês já será possível sair pedalando uma das 3,3 mil bicicletas que serão distribuídas por 400 estações de empréstimo espalhadas pela capital. A primeira hora de uso das bikes será gratuita e depois serão cobrados R$ 5 por hora. O aluguel poderá ser feito em qualquer dia da semana, inclusive sábados e domingos, em horários que ainda serão definidos.


A ideia da Prefeitura, em três anos, é implantar um sistema que integre as bicicletas com o transporte público. Por enquanto, a proposta está saindo do papel por meio de termos de cooperação firmados com a iniciativa privada. O banco Itaú vai colocar 3 mil bicicletas na cor laranja em 300 estações.
Os pontos serão instalados provavelmente na zona sul e no centro da capital. O investimento será de R$ 50 milhões em três anos.

Já o Bradesco pretende investir cerca de R$ 7 milhões em três anos para comprar 300 bicicletas na cor vermelha e fazer 100 estações de empréstimo. Algumas serão instaladas em agências do banco ao longo de um percurso que deve aproveitar as ciclofaixas de lazer já existentes patrocinadas pelo banco.

Daqui a três anos a intenção do município é abrir uma concorrência para que esse serviço seja competência exclusiva da cidade e as bicicletas sejam públicas, como ocorre em outros países.
As rotas serão determinadas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

O Estado de S. Paulo. 

Cais de Santa Rita - Prefeitura do Recife transforma área em frente às torres gêmeas em espaço público

Após negociação com a construtora Moura Dubeux, que ergueu os dois edifícios, ganhará pracinha, jardim, deque e ciclovia


Ciclovia margeia jardim com palmeiras, tem 250 metros de extensão e já está pronta / Foto: Igo Bione/JC Imagem

Ciclovia margeia jardim com palmeiras, tem 250 metros de extensão e já está pronta

Foto: Igo Bione/JC Imagem

Uma vista deslumbrante vai se abrir para a cidade. Hoje restrita aos moradores das torres gêmeas, como ficaram conhecidos os arranha-céus construídos no Cais de Santa Rita, no bairro de São José, região central do Recife, a paisagem passará a ser desfrutada por todos, de preferência, pedalando.

Por exigência da Prefeitura do Recife, a área em frente aos prédios foi transformada em espaço público. E, após negociação com a construtora Moura Dubeux, que ergueu os dois edifícios, ganhará pracinha, jardim, deque e ciclovia.

A pista para ciclistas, com cerca de 250 metros de extensão, já está pronta. Com largura de cinco metros, ela margeia o jardim erguido com palmeiras. Uma mureta de proteção garantirá a segurança de ciclistas e visitantes.

Para que embarcações possam atracar no braço de mar que banha as edificações, será instalado um píer flutuante, que acompanhará o sobe e desce das marés. Quando o deque e a mureta de madeira estiverem prontos, chegará a vez de arrumar a pracinha localizada na entrada da rua de acesso à ciclovia. Tudo será entregue à população até o fim de abril.

A praça vai ficar entre o prédio do Clube da Pesca e a segunda torre do condomínio. Fechado por um portão de ferro, o local tinha acesso restrito, mas, com a reforma, será aberto à circulação e à contemplação.

“O projeto do píer foi encaminhado para a Capitania dos Portos, no Rio de Janeiro, e já recebeu aprovação. Construiremos um deque de madeira e um ancoradouro flutuante para dar maior aproveitamento ao espaço”, explica Eduardo Moura, diretor da Moura Dubeux.

Ele revela que a obra custará R$ 700 mil, dinheiro rateado entre a construtora e os moradores das duas torres. “A pracinha ainda não está pronta porque estamos usando um guindaste para a execução da obra do deque e do píer. Deixaremos a parte de jardinagem para o final”, assegura.

JC Online

UNESP realiza parceria com Wikipedia para melhorar conteúdo on-line


wikipedia education program
Cada projeto das faculdades possui embaixadores Wikipedia/Foto: Divulgação

A Universidade Estadual de São Paulo (campus Marília) passou a integrar o projeto Wikimedia Education Program, que reúne diversas instituições de ensino com o intuito de melhorar o conteúdo disponível no Wikipedia.

A parceria começou em 2011, quando um trabalho realizado pelos alunos de Biblioteconomia e Arquivologia da UNESP escreveu e reescreveu a definição de onze verbetes em português.

Após a adesão da UNESP, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO) também contribuiu com dois trabalhos e, neste ano, a Universidade de São Paulo (USP) também deve ingressar no programa.

Só no projeto da UNESP, cerca de 60 alunos estiveram envolvidos com a pesquisa sobre ferramentas de difusão da informação na internet. A contribuição das outras faculdades deve se juntar às mais de 50 instituições de ensino que participam do projeto (só nos Estados Unidos).

A Universidade da Califórnia – Berkeley, a Universidade de Colúmbia e a Universidade de Yale são alguns exemplos.
Canadá, Alemanha, México, Rússia, Reino Unido, Macedônia, Egito e Índia também contribuem.

EcoD


Copa de 2014 motivou primeira contratação de PPP no Ceará

A Copa do Mundo de 2014 motivou a construção da primeira Parceria Público-Privada no Ceará: a reforma do Estádio Castelão. A obra, no valor superior a R$ 500 milhões, está sendo tocada pelo Consórcio Arena Multiuso Castelão (Galvão Engenharia, Serveng Civilsan e BWA Tecnologia) e se mantém como a única PPP do Estado. Contudo, outros 11 projetos estão em análise, sendo que duas delas já estão em análise e devem começar ainda este ano.

O projeto de construção de Unidades de Atendimento ao Cidadão (que serão chamadas de Vapt-Vupt) já tem edital de licitação publicado. Nele, serão construídas cinco unidades do tipo: três em Fortaleza (Messejana, Bezerra de Menezes e Centro) e duas no Interior (Sobral e Juazeiro do Norte), que congregarão diversos serviços ao cidadão, como retirada de documentos, e contarão com agências de Correios, Coelce, Sebrae, Serasa, entre outros. O investimento total será próximo de R$ 500 milhões, segundo adiantou o secretário de Planejamento e Gestão, Eduardo Diogo.


Centro de Eventos

Outra que também está em estágio mais avançado é a da cogeração de energia para o Centro de Eventos do Ceará, que está em fase de preparação do edital de licitação. Os nove demais projetos de PPP estão em processo de realização de estudos de viabilidade e de modelagem operacional, segundo informa a Seplag (Secretaria de Planejamento e Gestão).

“Estamos na etapa de as empresas manifestar o interesse de elaborarem os estudos. Importante também ficar claro que, quando uma empresa elabora os estudos, ela está indo por conta e risco dela. O que pode, se o estudo vir a ser escolhido, é ela ser ressarcida (do investimento com tais estudos), caso o Estado opte por consolidar tal PPP.

Se o governo, ao longo do processo, entender que existiu uma outra maneira melhor, a empresa perde o investimento que ela fez. Portanto, não há nenhum investimento inicial por parte do Estado. A PPP, portanto, facilita nesse contexto”, explica o secretário Eduardo Diogo.

Os contratos de PPP, por definição legal, devem custar mais de 20 milhões e ter vigência de cinco anos ou mais. Além disso, eles, necessariamente, preveem a operação e manutenção de um serviço público pelo tempo determinado no contrato, não sendo contratados apenas para a construção da infraestrutura.

De acordo com o titular da Seplag, o governo trabalhará para manter-se sempre no limite de comprometimento com as parcerias com a iniciativa privada, que é de 3% da sua Receita Corrente Líquida (RCL).

“Nós temos um envolvimento da iniciativa privada que também ajuda. Porque o governo, a partir do momento que ele faz uma aliança com os setores que olham aquela determinada atividade, ou empreendimento, com mais de expertise, para o governo é muito bom, porque ele não pode conseguir por meio do seu quadro de pessoal ter ´experts´ em toda e qualquer atividade”, aponta Diogo. (SS)


Custo


500 milhões de reais, ou mais, é o valor previsto para reforma do estádio, que está sendo tocada pelo consórcio Arena Multiuso Castelão.

Rádio Globo

Salvador: Produtores querem PPPs para construção de novas rodovias no Oeste




Salvador - O secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles, representantes da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), e prefeitos da região Oeste, fizeram uma maratona em Salvador, buscando soluções para garantir competitividade à agropecuária da região. As atividades começaram com uma reunião no gabinete do secretário com dirigentes do Incra, para discutir como acelerar o processo de certificações georreferenciadas de imóveis rurais da região, que representa 75% das demandas do Incra no estado.

Na seqüência, Salles e as lideranças do Oeste reuniram-se com o secretário de Infraestrutura, e vice-governador, Otto Alencar, debatendo com ele a questão da Parceria Público Privada (PPP) para as rodovias do Oeste. O próximo destino do grupo foi o gabinete do líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Zé Neto, tendo como pauta os custos cartoriais. O mesmo assunto foi levado à Casa Civil do governo e à Secretaria de Relações Institucionais. .

Para o secretário Eduardo Salles, é necessário empenho de todas as partes envolvidas, com o intuito de retirar os obstáculos para que o produtor possa avançar na produção de alimentos naquela região, através de uma parceria operativa. A certificação é exigida pelos agentes financeiros para a liberação de financiamentos, e conseqüentemente o atraso na emissão prejudica a geração de empregos no setor. De acordo com ele, o objetivo da criação do Comitê Gestor é juntar forças para destravar o processo.

O mutirão acordado com o Incra, conforme explicou Nery, será realizado em duas etapas, para dar celeridade às análises dos processos entregues ao órgão. Com previsão de início ainda este mês, a primeira fase do mutirão vai reunir técnicos do Incra, em Feira de Santana, e a segunda em abril, em Barreiras, analisando os processos in loco. O dirigente do Incra na Bahia disse ainda que serão realizados workshops voltados para capacitar os oficiais de cartórios e técnicos das empresas contratadas pelos agricultores para elaborar os documentos exigidos pelo Incra. A Coordenação de Desenvolvimento Agrário, CDA, ligada à Seagri, também vai se empenhar na agilização dos processos. 

Jornal da Mídia

Gagos poderão ter 50% de desconto em contas de celular, em Manaus

Projeto de lei está em trâmite na Câmara Municipal de Manaus (CMM).
Lei semelhante funciona desde 2009 em Mato Grosso do Sul.


Todo cidadão manauense que comprovar ter disfemia, distúrbio na fluência e temporalização da voz, conhecido popularmente como gagueira, poderá pagar apenas 50% da conta de ligações no aparelho celular.

A proposta peculiar é de um novo Projeto de Lei que segue em trâmite na Câmara Municipal de Manaus (CMM), e não é novidade no Brasil. Desde 2009, uma lei estadual semelhante foi aprovada e causa polêmica entre os beneficiados e empresas telefônicas em Mato Grosso do Sul.

Se aceita, a lei irá beneficiar todos os residentes da capital que apresentarem uma avaliação feita por fonoaudiólogo, comprovando o distúrbio, mas o número de pessoas com disfemia em Manaus e as condições do benefício bem como abrangência de aparelhos celulares e fixo no projeto ainda estão em estudo. A disfemia é a mais comum desordem de fluência da fala, atingindo cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo.

A ideia do projeto partiu de uma lei estadual que funciona em Mato Grosso do Sul desde 2009, que exige que a pessoa comprove a gagueira com avaliação de um fonoaudiólogo especializado em fluência para receber o benefício. A lei ganhou nota de aprovação no site da Associação Brasileira de Gagueira.

Para o universitário Lucas Marques, que sofre com a gagueira, a ideia é conveniente. "Eu evito usar o celular, pois sempre é onde minha gagueira piora. Mesmo ligando pouco, minha conta sempre passa de R$100,00, porque as pessoas sempre pedem pra eu repetir o que acabei de falar.

Às vezes eu nem consigo falar nada. Já cheguei a desligar o telefone por não conseguir completar a frase", conta o finalista de Engenharia da Computação, que admitiu preferir mandar mensagem de texto a telefonar.

Mônica DiasDo G1 AM

Efeito copa do mundo - Crescem formações de PPPs


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O VLT Parangaba- Mucuripe é uma obra chave para a mobilidade urbana
FOTO: JOSÉ LEOMAR

O mundial de futebol é um indutor natural para que as intervenções prioritárias sejam agilizadas até 2014

A concretização de Parcerias Público-Privadas em obras, principalmente de infraestrutura, era algo que já vinha sendo esperado desde 2004, quando a Lei Federal que tratava da modalidade foi sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Contudo, tornou-se evidente que a realização da Copa do Mundo em 2014 no Brasil acabou por apressar tais projetos para o País, que ainda devem crescer significativamente em número em virtude do torneio futebolístico.

"A Copa tem um efeito muito lúdico. O Brasil inteiro faz investimentos em infraestrutura, e não é só por causa do mundial. Mas é claro que o evento acaba por acelerar alguns projetos, que eram necessários mesmo sem a realização do torneio", avalia diretor geral da Assist Consultoria Associada, André Barbosa, que é referência nacional em consultoria de projetos de PPP.

Válvula propulsora
Segundo o consultor, o evento tornou-se um estímulo e uma âncora para o planejamento público. "Como a Copa tem data determinada, as obras que atenderão ao evento têm que ser priorizadas e, através de PPPs, aumenta-se a possibilidade de entregar as obras na hora", aponta.

Segundo ele, a modalidade de PPPs garante mais qualidade às obras e serviços, assim como torna o processo mais célere. "Não há, por exemplo, um novo estádio de futebol para o torneio contratado no modelo tradicional que acompanhe a velocidade dos que estão sendo feitos por meio de PPPs, e exemplo disso é o Castelão", afirma. A arena já conta com mais de 50% de suas obras físicas concluídas.

Dos 12 estádios que são utilizados na Copa de 2014, nove são públicos, de responsabilidade dos estados. Destes nove, cinco unidades federativas decidiram celebrar PPPs para a construção e/ou adaptação das arenas e ou outros quatro optaram, por contratos tradicionais, de empreitada, com a iniciativa privada.

Barbosa afirma que o modelo tradicional de licitações, por meio da Lei 8.666, não garante a qualidade operacional das obras a serem entregues, pois prevê apenas a construção, pelo critério do menor preço.

Diferencial

"A escolha do menor preço, às vezes, não é a de melhor qualidade para o serviço público. Já a PPP é um modelo de concessão, que inclui não só a obra, mas o serviço. Ou seja, não é só inaugurar um equipamento, mas garantir que ele esteja sempre em boas condições para uso", compara.Entre os projetos de PPPs em estudo no Ceará, dois, por mais que sejam obras de infraestrutura já programada pelo Estado, estão entre as obras que servirão às demandas do mundial: o Arco Rodoviário Metropolitano e o Metrô de Fortaleza (Linhas Leste, Oeste, Sul e VLT Parangaba-Mucuripe), ambas na área de mobilidade urbana.

O VLT Parangaba-Mucuripe, inclusive, foi apresentado como um dos projetos prioritários para a Copa, interligando a região hoteleira da orla de Fortaleza ao bairro da Parangaba, onde será feita a integração com as linhas de ônibus para o Castelão.

Diário do Nordeste

Governo pretende reduzir de 17 para dois dias tempo gasto por navios em portos


Para dar conta do rápido crescimento de demanda pelos serviços portuários, o governo federal tem apostado na desburocratização de diversos procedimentos. De acordo com a Secretaria de Portos, órgão ligado à Presidência da República, atualmente os navios podem levar até 17 dias entre a chegada aos portos, a descarga dos contêineres e a saída da embarcação.

“Mas acreditamos que, com os programas que já estão sendo implantados, vamos reduzir isso para dois dias, como fazem os grandes portos do mundo”, disse à Agência Brasil o diretor do Departamento de Sistemas e Informações Portuárias da Secretaria de Portos, Luís Cláudio Montenegro.

Segundo ele, o crescimento da economia causa reflexos imediatos na movimentação portuária do país, o que torna necessário, além de investimentos, "um olhar cuidadoso" com a infraestrutura. “Sabemos que o crescimento do movimento nos portos é pelo menos duas vezes maior do que o crescimento do PIB [Produto Interno Bruto]. Portanto, se o PIB cresceu quase 3% em 2011, o movimento portuário cresceu aproximadamente 6%. E isso pode gerar congestionamento”, disse.

“Felizmente esse congestionamento já era esperado, e temos trabalhado muito para lidar com a situação. E, por isso, não há situações emergenciais nos nossos portos”, acrescentou.

Entre as ações que estão sendo implementadas pelo governo, Montenegro destaca o Porto sem Papel, programa que concentra, de forma eletrônica na internet, informações enviadas pelas agências marítimas para a liberação de atracação e operação dos navios. Com ele, são eliminados os trâmites de 112 documentos (em diversas vias) e 935 informações para seis órgãos diferentes.

“Os portos recebem informações dos navios com cerca de 15 dias de antecedência. Com isso, os navios já são liberados para atracar três dias antes de chegarem. Isso já está sendo feito nos portos de Santos, do Rio de Janeiro e de Vitória (ES) e está sendo implantado nos portos de Salvador e Ilhéus (BA), de Recife (PE) e de Fortaleza (CE), onde já demos treinamento e instalamos sistemas”, disse o diretor da Secretaria de Portos.

Segundo ele, o programa será implantado até o final do mês nos portos baianos. “Muitas das taxas portuárias são pagas por diárias. Ao obtermos ganhos em capacidade e eficiência, reduziremos os custos com logística, tanto para produtos exportados como para importados”.

A secretaria pretende melhorar, ainda, a gestão das cargas provenientes de acessos terrestres. “O projeto Cargas Inteligentes é similar ao Porto sem Papel. Nele, as informações das cargas vindas de rodovias, ferrovias e, em alguns casos, de hidrovias, serão repassadas com antecedência ao porto, também antes de chegarem para serem descarregadas”.

Atualmente, informa Montenegro, as autoridades começam a analisar a liberação de cargas seis dias após a chegada. “Com o Carga Inteligente, elas já estarão liberada antes mesmo de chegarem aos portos”.

A implantação de radares para tráfego marítimo também beneficiará os portos brasileiros. Esses radares ajudarão na chegada de navios nos períodos noturnos, nas tempestades, ou quando houver neblina. “É como ocorre no posicionamento de aviões por instrumentos. Eles permitem uma melhor organização dos portos, por sabermos com antecedência que embarcação chegará primeiro”, explica o diretor.

Há, segundo a Secretaria de Portos, a previsão, para os próximos anos, de licitações para quase 100 arrendamentos portuários, entre operadores com prazos a serem vencidos e novas áreas a serem utilizadas. “Isso também nos ajudará a ampliar consideravelmente a atividade portuária brasileira”, prevê Montenegro.

DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR

Empresas investem na exploração de lixo eletrônico



Os metais nobres que sobram no celular velho que ficou na gaveta podem virar receita nas mãos de quem já se atentou para esse mercado em potencial. E também o plástico, os circuitos e placas. Enquanto a média de produção de lixo eletrônico por ano está em 3,5 quilos, uma cadeia produtiva para dar destino útil a esses resíduos começa a caminhar no Brasil.

De olho na lei de resíduos sólidos, que responsabiliza as fabricantes pelo recolhimento do que pode ser reaproveitado, criou espaço para surgimento de pequenas e médias empresas que começam a explorar a parte que lhes cabe nesse mercado – à estimativa é que o potencial de receita do mercado global de recuperação de lixo eletrônico em 2020 seja de US$ 21 bilhões.

“O e-lixo é um bem valioso que não se degrada na natureza. Achar e aproveitar esse mercado é maneira de transformar essa questão de problema em solução a partir do reaproveitamento dos componentes”, defende o professor Jamil Moysés, coordenador do MBA em Logística da FGV/IBS. E ele vai além: “Não me espantaria se, no futuro, as empresas que fazem a coleta desses resíduos nem cobrarem pelo serviço, apenas pelo direito de usá-los como produto”. Esse futuro já chegou para uma empresa de Betim, que não cobra para fazer essa coleta na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A divulgação da e-Mile - Empresa Mineira de Lixo Eletrônico ressalta: “Recicle seu lixo eletrônico sem sair de casa, agendamos coleta gratuita”. A administradora Fernanda Marciliana explica que o negócio é centrado na coleta e separação dos resíduos. “Aproveitamos quase todas as partes: a carcaça de plástico, os metais como alumínio, cobre, o aço e encaminhamos para as indústrias que tratam esses resíduos”, conta. O material segue para intermediários que até exportam o conteúdo.

“É mercado muito incipiente, que no Brasil tem muito a crescer. Aqui, por exemplo, não temos nenhuma indústria capaz de transformar o plástico da carcaça dos monitores de TV e impressoras. É um plástico especial, com substância antichama que demanda processo de reciclagem mais específico. Vai virar plástico reaproveitado na Europa”, detalha Fernanda. O quilo do plástico e do ferro, da maneira como a e-Mile repassa, custa R$ 0,20. Depois de beneficiado, chega a R$ 2. Atualmente, a empresa processa 50 toneladas por mês, entre diversos tipos de e-lixo. A perspectiva é dobrar essa quantidade a partir de parcerias com prefeituras, que são responsabilizadas, pela lei de resíduos sólidos, pelo tratamento adequado desse material.

Os equipamentos que têm placas, como celulares e computadores, por exemplo, são entregues para outra empresa, que tira proveito do e-lixo para fazer receita. Em euros. “Fazemos a triagem, com a separação de cada tipo de placa e a moagem desse material. Dali vai para a exportação, e então é feita a purificação dos metais nobres”, explica Flávio Melo, da Lorene Exportação e Importação, em Minas. A empresa tem 10 filiais Brasil afora e outras seis fora do país. Trabalha com grandes fornecedores como Nokia, LG, Samsung, Panasonic. Os negócios da Lorene crescem à invejável taxa de 20% ao ano, segundo Melo, exportando em média 300 toneladas por ano de eletrônicos para reciclagem.

Ele cita o exemplo da fábrica da Multilaser, em Extrema, no Sul de Minas, que cobra R$ 60 para a retirada de cada tonelada de e-lixo e gera cinco toneladas por semana. “Um parceiro local compra o material da fabricante, destrincha, desmonta e eu compro dele”, diz, ressaltando que a prática já faz parte da logística da empresa. O portfólio de celulares da Multilaser cresce acompanhando a entrada da classe C no mercado de smartphones, ou webfones. São aparelhos mais simples, que permitem acesso à internet e navegação em mídias sociais, a preços competitivos.




Mapa da coleta

O e-lixo Maps, ferramenta mantida pelo Instituto Sérgio Motta, é mapa interativo dos postos de coleta de resíduos eletrônicos. “Quem tem um posto faz o cadastro, nós checamos e colocamos no ar”, conta Sílvia Antibas, coordenadora do projeto. Já são 4 mil postos cadastrados, espalhados por todo o país. Mais de 60% dos estabelecimentos são focados em computadores e celulares, mas a ferramenta divide a navegação em mais de 112 variedades de lixo eletrônico – de lâmpadas a secadores de cabelo e geladeiras. Informações no site www.e-lixo.org.

Obsolecência do século 21

Semana passada, a Apple apresentou o novo iPad, ícone de desejo contemporâneo, excelente exemplo de como o consumismo tecnológico deturpa o bom senso. As novidades técnicas são pífias, mas o marketing da companhia induz a troca. A empresa atualiza o sistema que roda nos brinquedinhos e as versões anteriores do hardware passam a não dar conta dos novos sistemas, nem oferecem suporte ao upgrade. O equipamento fica lento, velho. E o pessoal troca. O volume de lixo que isso vai gerar em pouco tempo será espantoso. É a obsolescência programada do século 21. Quem singrar primeiro esse mercado e estiver atento às oportunidades pode fazer com o e-lixo o que a Apple fez com os tablets: inventou e manda no mercado.

Do Estado de Minas

Tatu vai ser o mascote da Copa

Agência de notícias e revista anteciparam a escolha da Fifa, que deverá ser oficializada em outubro

Cartaz da campanha: tatu vai ser o mascote (crédito: Associação Caatinga)

O tatu-bola vai ser o mascote da Copa de 2014. A noticia não é confirmada pela Fifa, mas informações divulgadas pela agência "Futebol Interior" e pela revista "Veja" revelam que o mascote terá cor azul, calção verde e camisa branca. 


O animal símbolo da Copa será apresentado oficialmente em outubro e, segundo a agência, a Fifa organizará uma enquete pública para escolher o nome do mascote.


todos sabem, o tatu é um mamífero coberto por uma carapaça resistente. Quando acuado, enrola-se fortemente no formato de uma bola.


No Brasil, o animal é comum em várias regiões, especialmente nas áreas de floresta de Cerrado e também de Caatinga.


Há alguns meses, uma ONG do Nordeste iniciou uma campanha em defesa do tatu como mascote. A ideia é colocar o animal em destaque para evitar sua extinção.


Portal 2014

Brasil e Estados Unidos debatem avanços na cooperação em ciência e tecnologia



Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A menos de um mês da visita da presidenta Dilma Rousseff a Washington (Estados Unidos), autoridades norte-americanas e brasileiras se reúnem amanhã (12) e terça-feira para mais mais uma rodada da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos de Cooperação Científica e Tecnológica do Comitê Conjunto sobre Cooperação em Ciência e Tecnologia. A última reunião da comissão mista ocorreu há três anos, em Washington.

Estará em discussão o papel das mulheres na ciência e no programa Ciência sem Fronteiras, cujo objetivo é enviar 101 mil estudantes brasileiros ao exterior para estudos nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. O governo coopera com o patrocínio de 75.000 estudantes, e a iniciativa privada, com o de 26 mil.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação Marco Antonio Raupp, coordenará as reuniões em Brasília, ao lado do assessor especial da Casa Branca para Ciência e Tecnologia, John P. Holdren, que lidera a delegação norte-americana.

O objetivo, segundo a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, é analisar os avanços obtidos e identificar novas áreas de cooperação científica. Durante as conversas, estarão presentes também representantes de agências governamentais e instituições de pesquisa norte-americanas que querem trocar experiências com o Brasil.

Há 18 anos, os governos norte-americano e brasileiro firmaram ato de cooperação científica e tecnológica durante a Reunião do Comitê Conjunto sobre Cooperação em Ciência e Tecnologia Estados Unidos-Brasil, em Brasília.


Edição: Graça Adjuto
 Agência Brasil

Idoso poderá viajar de graça em avião que transita no país




Todos os aviões que transitarem no País deverão oferecer, a cada voo, dois assentos gratuitos para idosos com renda de até dois salários mínimos. 

É o que prevê o projeto de lei do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) aprovado na quinta-feira na Comissão de Infraestrutura do Senado. 

O relator, senador Jayme Campos (DEM-MT), entende que a proposta complementa a lei de regulamentação do Estatuto do Idoso, que assegura a reserva de dois assentos gratuitos para pessoas com mais de 65 anos no transporte rodoviário, ferroviário e aquaviário, deixando de fora as viagens aéreas. 

"Trata-se de um equívoco, dada a dimensão continental do País, a carência de boas estradas e as limitações de ferrovias e hidrovias", alegou. Se as duas vagas gratuitas já estiverem ocupadas, os idosos terão o direito de pagar a metade do preço, em até outras duas vagas. O projeto terá ainda de ser examinado pela Comissão de Direitos Humanos (CDH). 

A "bolsa-avião" também está prevista para jovens de 15 a 29 anos no projeto de lei que institui o Estatuto da Juventude. O modelo é o mesmo: duas passagens gratuitas por voo e o direito de pagar a metade do preço se os dois primeiros assentos já estiverem ocupados. 

O Estatuto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e aguarda votação na Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

180 graus

Índios vendem direito sobre terras amazônicas a empresa europeia

São Paulo - Índios brasileiros da etnia mundurucu venderam seus direitos sobre 23 mil quilômetros quadrados de terras na Amazônia à empresa irlandesa Celestial Green Ventures, uma das líderes no mercado mundial de créditos de carbono, informa neste domingo o jornal 'O Estado de S.Paulo'.

A operação comercial, avaliada em US$ 120 milhões, não teve o apoio unânime da tribo e é investigada pelo governo brasileiro, que questiona a vigência de 30 anos de um contrato que proíbe a comunidade indígena de extrair madeira ou desenvolver cultivos agrícolas.

As terras ficam no município de Jacareacanga (PA). Segundo o 'O Estado de S.Paulo', que teve acesso ao documento do contrato, as autoridades temem que a cessão dos direitos atentem contra a biodiversidade e o desenvolvimento desse povo indígena.

Outra das cláusulas questionadas do contrato é sobre o livre acesso da empresa aos territórios indígenas, que, por lei, são autônomos de autorizar ou recusar a entrada de pessoas alheias à comunidade.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) registrou 30 contratos similares entre etnias indígenas e empresas europeias dedicadas à comercialização de créditos de carbono, mecanismo pelo qual se compensa a emissão de gases por parte das companhias industriais, principalmente das grandes potências.

A Celestial Green Ventures tem 16 projetos na Amazônia brasileira, que somam quase 200 mil quilômetros quadrados e representam mais que o dobro da superfície de Portugal.

'Temos de evitar que oportunidades para avançarmos na valorização da biodiversidade disfarcem ações de biopirataria', declarou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

O principal executivo da Celestial Green, Ciaran Kelly, alega que todos os contratos passam por um 'rigoroso processo de consentimento livre, prévio e informado' e que atende às normas internacionais. 

EFE

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